“Há quem diga que os humanos têm sorte por continuarem vivos até agora. Sobrevivendo às diversas provações que lhe são impostas e aos desafios que ameaçam suas vidas. Acredito que eles possuem algo que os deuses invejam. ”

“Humanos não passam de parasitas, se aproveitando de restos, fazendo apodrecer tudo aquilo que tocam. A terra deveria ser tocada apenas por seres divinos! Sua extinção fora demorada, porém, será devastadora. ”

Em meio a um chão vermelho de sangue e chamas que caíam do céu, dois homens se encaravam. Poucos sabiam, mas a batalha já acontecia arduamente, seus cosmos se enfrentavam de maneira violenta.

Kaburagi permanecia misterioso e calmo, enquanto Albrecht esboçava um sorriso perturbador.

O primeiro movimento partira de Kaburagi, uma de suas mãos se estende à frente, quando uma possível luz se iniciava, duas espadas rodavam sobre sua cabeça, em um ataque inesperado por parte de Albrecht.

– Como esperado de um general. – Sorria Albrecht ao ver sua espada ser bloqueada com precisão por Kaburagi. – Pôde prever meu movimento com tanta precisão, se não o faz estaria sem a cabeça agora.

Kaburagi mantinha sua pose de defesa, com uma espada empunhada, porém sua aura estava diferente. Até mesmo seu modo de se portar. Mais pomposo e com certo ímpeto no olhar.

– Yudhishthira! – No mesmo momento Kaburagi gira a espada entre o corpo, afastando os sabres de Albrecht. O mesmo salta para trás, onde empunha a espada ao lado do rosto, abre as pernas em uma pose de luta e estende um dos braços para frente com a mão aberta.

– Seus olhos. Não estão como antes, é como se assumisse outra personalidade. – Era o mesmo que falar sozinho, pois Kaburagi permanecia inerte.

A imagem de Kaburagi se assemelhava a um deus, uma verdadeira divindade. O vento balançava seus cabelos à sua própria vontade.
Mais uma vez a espada dourada tremula em sua mão, com um estampido dourado seu corpo desaparece como um trovão.

O olhar de Albrecht estava fixo no mais singelo movimento, porém ainda assim sua feição ao se deparar com a lâmina da espada rente ao seu pescoço fora algo que não era de se esperar.

Os pés de Kaburagi tocam levemente o chão, enquanto sua mão direita segurava o cabo curvado da espada e a esquerda apoiava a lâmina no pescoço do general inimigo.

– Desde o momento em que você me deu espaço, essa luta já estava terminada. – A voz de Kaburagi se iniciava de maneira suave nas frases, mas com seu decorrer uma segunda surgia, confundindo-se com a original.

Um corte e a cabeça de Albrecht voara ao ar, o sangue se espalhara por todo chão rochoso e negro.

Kaburagi mantinha sua feição calma enquanto se afastava com passos curtos do corpo de Albrecht. Por um certo momento ele para e com os olhos fechados reage como se tentasse perceber algo atrás de si.

Sua testa se franze por um momento e com uma rápida rotação seu corpo se volta para trás, o espaço se distorce em volta de uma de suas mãos, mais uma vez uma espada dourada surge, com um giro total em trezentos e sessenta graus em volta de seu punho, a espada dança. Pequenos sons metálicos são ouvidos e algumas faíscas.

– Não é possível! – Observando pequenas lâminas negras atrás de si que tinham acabado de se chocar contra sua espada. – Ele estava...?!

O olhar de Kaburagi deixara imediatamente de ser calmo e compassivo, o corpo de Albrecht houvera desaparecido.

– Teria eu caído em alguma ilusão?! Logo eu que me preparei tão bem contra esses desvirtuamentos.

Um cosmo pesado e denso cai sobre Kaburagi, como uma cachoeira densa de sombras. – É como se minhas costas quisessem a todo momento curvar-se.

Seus olhos fixam-se em apenas uma imagem, a de Albrecht caminhando à sua frente, com o mesmo sorriso perturbador.

– Ter a cabeça decapitada não é nem um pouco bom. – Comentava com sarcasmo Albrecht enquanto se aproximava com passos firmes.

– Não tente fazer-me acreditar em uma ilusão barata dessas, ou eu o colocarei em um ciclo eterno de ilusões apenas por capricho

– Hm. – O sorriso de Albrecht se torna um tanto quanto sério. – Eu sou o julgador, tudo nesse mundo é maleável à minha vontade e percepção de justiça. – Abaixando a cabeça por um segundo e logo erguendo-a. – Eu sou a lei!

O olhar de Kaburagi para com Albrecht agora houvera se tornado completamente diferente. Um semblante de dúvida havia tomado conta de sua feição.

– Impossível... eu nunca havia ficado em dúvida sobre algo, entretanto, agora uma dúvida sobre a possibilidade de uma vitória toma conta de meu ser. Como pode haver tal poder?! Algo que nega acontecimentos e existências, isso deveria pertencer apenas aos deuses.

Albrecht se mantinha calado perante Kaburagi, esboçando um leve sorriso sarcástico. – E quando eu lhe disse que poderia anular a possibilidade de que eu seja um deus? – Estendendo os dois braços à frente.

Os olhares dos dois se chocam incessantemente, um choque intenso de cosmos alterava todo o ar em volta, era como se algo pesado e intenso se movimentasse a todo momento por todo local.

Com uma breve expiração Kaburagi interrompe o incomodativo silêncio. – Engraçado, por toda minha vida eu busquei o aconselhamento de seres que já pisaram esse mundo e alcançaram a iluminação. E nunca houvera nenhum relato de que tal poder corresse a terra. Acho que não estou tão informado quanto pensei. – Sua mão direita se estende para frente e um brilho dourado intenso surge dela. – Eu irei ter prova de seu poder agora, mesmo que custe minha vida. – A espada dourada surge em um estampido, brilhava como o sol e refletia tudo à sua volta.

– Novamente a espada? O que pensa que pode fazer... – O olhar de Albrecht muda de direção, Kaburagi acabara de desaparecer de sua vista, o general dá um passo atrás em sinal de alerta. – Mas o q...? – Kaburagi surge girando acima de sua cabeça, a espada empunhada em uma das mãos tinha seu fio direcionado à cabeça de Albrecht.

Um corte, apenas um corte foi necessário para fazer uma enorme cratera no solo onde os dois se encontravam, uma espessa e densa cortina de poeira se estende por todo local, impedindo a visão de Kaburagi, que permanecia de pé, com a espada à frente do rosto como proteção.

Conforme a poeira se dissipa, é possível ver a silhueta negra de Albrecht caminhando, Kaburagi permanece imóvel, até que em um rompante, seus lábios se movimentam e suas mãos se estendem aos céus. – Aku no Tekishutsu: Moeru Samsara! – O cosmo de Kaburagi aumenta absurdamente, à sua volta um enorme círculo de fogo surge, circundando ele e Albrecht.

A intensidade das chamas aumentava a cada segundo, Kaburagi permanecia inerte, aumentando seu cosmo para manter a técnica ativa.

– Preste atenção! – Sua voz ecoa como algo divino, como se atravessasse dimensões para chegar ali. – Este é o ciclo do Samsara, um ciclo que pode levar à iluminação ou à penitência eterna. – As chamas se movimentavam a todo momento, porém mesmo assim a temperatura não era correspondente a sua dimensão.

– Um dogma religioso contra mim? Uma divindade? – Interrompia Albrecht, com um tom sarcástico na voz.

– Então, infelizmente, esse foi o único modo que encontrei. Lançar sua alma no eterno ciclo dos seis mundos do Samsara. – Uma das mãos de Kaburagi se levanta, e com a palma para frente, emitindo um brilho dourado, a boca do general recitava diversos mantras.

– Eu recuso. – A voz de Albrecht ecoa por todo campo rochoso e escuro.

A feição de Kaburagi mudara para uma reação de espanto, seus olhos estavam estagnados após as palavras de Albrecht. – Mas como?! – Se questionava.

Toda técnica de Kaburagi desaparecera, as chamas do círculo do Samsara haviam se apagado.

Kaburagi continuava de pé, suas mãos unidas em frente ao rosto. – Dai-me iluminação para suportar sua presença ó rei dos deuses. – Uma grande pressão começa a circundar seu corpo, seus cabelos tornam-se esvoaçantes, um brilho dourado emana do seu corpo iluminando o solo até mesmo aquela noite encoberta por nuvens negras. – Arjuna!

Um grande vácuo faz emergir vapor em volta do corpo de Kaburagi, enquanto se dissipava, era possível vê-lo de pé, porém em uma posição completamente diferente, apenas sua perna esquerda apoiava seu corpo, enquanto a outra estava dobrada acima do joelho, seus olhos permaneciam fechados, sua mão esquerda estava elevada com os dedos indicador e polegar ligados e a direita estava à frente de sua barriga.

– É como se trocasse de posição de batalha, anteriormente ele tornou-se ótimo em espada, e agora ele parece imparcial, como se nada o atingisse, interessante. – Raciocinava Albrecht enquanto observava com cautela. – Esse som...

Um som ecoava calmamente pelo local, era como sílabas se repetindo enquanto o seu tom de entonação aumentava.

– Não é possível... – Albrecht observa Kaburagi de maneira hostil. – Ele está recitando algo com a mente.

– ... Kanjizai Bosatsu Gyo Jin Hannya Haramita Ji Sho Ken Go Un Kai Ku Do Issai Ku Yaku Sharishi Shiki Fu I Ku Ku Fu I Shiki Shiki Soku Ze Ku Ku Soku Ze Shiki...

O tom aumentava rapidamente, até que Kaburagi passara a recitar com a boca. – Haramita Ko Shin Mu Ke Ge...!

– O que está acontecendo?! – Albrecht se debatia enquanto observava as coisas à sua volta. – Maldito! Eu irei negar...

Kaburagi girava diversas vezes ao redor de Albrecht, o mundo girava, estava tudo se misturando, céu, solo, corpos, sangue.

– Ó Shariputra, forma não se diferencia de vazio, vazio não se diferencia de forma. Forma é exatamente vazio, vazio é exatamente forma. O mesmo é para sentidos, percepção, impulsos e consciência. – Kaburagi entoa como se iniciasse a evocar algo, abrindo finalmente os olhos. – Você não tem como negar, modificar ou fazer voltar a um estado anterior algo que está em constante mudança, não teria um ponto de retorno, você não pode mudar algo que não tem forma.

Tudo em volta dos dois era agora uma grande massa negra em constante movimento, seus corpos estavam relutantes para não serem tragados para o grande vórtex.

– Maldito! Você pensa mesmo que uma técnica ilusória irá me parar?! Eu tenho poder suficiente para transcender as camadas da realidade e da ilusão! – Levantando um de seus sabres, seu cosmo emana descontroladamente por todos os lados.

– Cosmo não tem forma, forma é vazio, seu cosmo é vazio...

– Ugh! – Albrecht pela primeira vez demonstra certa exitação, seu cosmo não modificara nada na técnica de Kaburagi. – EU NEGO! EU NEGO! – Gritando repetidamente a mesma palavra, Albrecht crava seus sabres no chão e sua feição demonstra apenas desespero.

– Desespero é o foço da alma. –Kaburagi finalmente separa suas duas mãos.

Um enorme buraco escuro se abre sob os pés de Albrecht, que cai imediatamente, uma queda que não parece ter fim. Seus gritos ecoavam por todo local.

– Sora no Kurushimi. – Kaburagi por fim fecha mais uma vez as mãos e uma escuridão densa toda conta de tudo.

Apenas Kaburagi estava ali, de pé numa escuridão total.

– A demonstração do que é divino e mundano, a expurgação completa de todas as dúvidas. Hum? – Um pequeno detalhe vermelho em veio à escuridão chama sua atenção. – Uma pétala?

Instantaneamente toda escuridão é rompida por diversas pétalas vermelhas que pareciam surgir do chão e se espalhavam pelo ar.

– Essas pétalas são...

– Seria muita compaixão de minha parte deixar que tudo acabasse assim. – Uma voz afeminada, porém rígida surge em meio às pétalas esvoaçantes.

Cabelos loiros, rosto delicado, olhos azuis e vívidos e por fim um sorriso que transparecia intensões duvidosas.

– Carnage?! O que? – A reação de Kaburagi é de conhecer tal pessoa, porém a surpresa de vê-la ali foi o que mais transpareceu.

– Digamos que acompanhei tudo, até mesmo posso ser responsável pelo ataque do pobre Albrecht, e por obséquio, vergonhoso. – Olhando Albrecht que agora agonizava ao chão.

– Como conseguiu desfazer minha técnica?

– Essa sua técnica é magnifica para um duelo, colocar o inimigo em um eterno vazio. – Uma risada suave. – Entretanto por fora ela é repleta de falhas.

– Você... mate-o! – Albrecht usava suas últimas forças para ordenar algo à Carnage, enquanto agarrava seu pé direito.

– Hm! Solte-me, quando pensou que fosse superior ou igual a mim para tocar-me?! Imundo! – Chutando a cabeça de Albrecht. – Seu corpo já fede.

Uma rosa vermelha surge na mão de Carnage, com um leve e rápido movimento ele a arremessa, cravando-a nas costas de Albrecht.

– Eu recus... – As palavras se confundiam com o sangue que espirrava pela sua boca.

Carnage continuava olhando para Kaburagi com um sorriso cínico, como se nada houvesse acontecido. – Não posso negar que sua técnica foi de uma ótima ajuda, a essa altura ele não deve conseguir ver sequer nossos rostos de tão perturbada que sua mente está.

– Ousastes nos trair?! Mesmo após tudo que aconteceu na terra?

– Apenas decidi ficar do meu lado, meu caro. – Acariciando uma rosa próximo ao rosto.

Kaburagi muda completamente sua feição, seus dois pés voltam a tocar novamente o chão. – Não posso permitir que um traidor de Atena continue vivo.

Carnage imediatamente arremessa a rosa que segurava contra Albrecht, que a rebate com o braço. O suposto traidor dava pequenas e singelas gargalhadas enquanto dava alguns passos para trás. – Não me deixar fugir!? Ainda não entendeu que eu vim até aqui para mata-lo!? – Lançando mais algumas rosas para frente de maneira aleatória. – Hum?

Kaburagi houvera desaparecido, seu cosmo, toda sua presença sumira do local.

– Não adianta se esco... – Droga. – Um brilho dourado emana de suas costas, Kaburagi surge e encosta uma das mãos em seu corpo. – Tolo...

Como mágica, Carnage se dissipa em várias pétalas de rosas que voam com a brisa noturna.

– Contemple o poderio de Carnage de Peixes... – Flutuando apenas com seu tronco visível, o resto era apenas algumas pétalas flutuantes.

– Como ousa usar essa paten... essa fragrância? – Kaburagi observa em volta e se assusta ao ver todo o solo que a instantes atrás era rochoso e sem vida coberto por um jardim de rosas que se estendia até onde sua visão poderia acompanhar.

– Respire e espere pela morte... – Pisando mais uma vez sobre o solo, seu corpo se formara novamente aos poucos, pétala a pétala.

Kaburagi volta a fechar os olhos, suas pernas se cruzam em posição de lótus, seu cosmo aumenta de maneira absurda e sua boca se abre alguns instantes. – Ohm! – O som ecoa por todos os lados.

Uma onda de cosmo violenta se espalha, dissipando todo jardim. Diversas pétalas são arremessadas, em meio a elas os dois estavam de pé, seus cabelos voavam e o vermelho das rosas se contrastava com o negro da noite.

– Então essa é a magnitude do seu poder? – Pensava Carnage ao defender o rosto com a mão. – Entretanto, meu caro é tarde demais. – Uma rosa branca surge nas mãos de Carnage. – Blood Rose!

Ao arremessá-la, a mesma atravessa a distância entre os dois em uma velocidade inimaginável, destroçando tudo à sua frente, em direção ao peito de Kaburagi.

Carnage observava com um sorriso maligno a trajetória de sua técnica. – É o fim...

A rosa se aproxima do corpo de Kaburagi, seu caule toca levemente sua roupa.

– O que?! – Carnage se surpreende com algo improvável.

Os olhos de Kaburagi estavam abertos em reação de surpresa, enquanto caía em uma espécie de passagem interdimensional. – O que est...

A passagem se fecha rapidamente, como uma alteração do tempo espaço.

– Isso foi... – A feição de Carnage se modificara completamente, um ar de decepção e tristeza toma conta. – A pior das intromissões.

Continua...