Saint Seiya: Sekai no Iseki Mundo de ruínas
4 O Príncipe Carmesim e o exército negro
“A guerra é um prodigioso desperdício, pois grande parte do esforço dos combatentes rivais se revela fútil, e o preço é cobrado em vidas. ”
Tudo ao redor girava, estava distorcido e sem forma. Era como movimentar-se em um turbilhão de acontecimentos temporais. Em meio a tudo, um corpo girava, distorcendo-se, Kaburagi, quase desmaiando, até que em um estampido ele se via em uma sala, escura e feita de rocha.
— Onde estou? – Observando em volta.
— Parece que dessa vez acertaram a pessoa. – Uma voz calma e serena põe-se a falar sem cerimônia.
Kaburagi volta o olhar para onde havia vindo o som de tal voz. – Você... – Seus olhos se voltam para algo atrás da pessoa. – Mas essas são...
Em algum lugar da devastada Inglaterra, mais precisamente Londres, o céu estava negro como sempre havia estado desde os incidentes sombrios enfrentados pela terra. Em um castelo rodeado de trepadeiras e árvores retorcidas, a sombra de um homem imponente se rastejava por entre o jardim, uma grande capa negra dançava junto aos seus passos, que pareciam apressados.
Por um momento ele detém o andar e observa sobre os ombros a aproximação de mais alguém.
— Atrasado, Strauss? – Questiona o homem que acabara de chegar.
— Não mais que você, Heisenberg.
O tratamento entre os dois era mais formal do que transparecia, seus trajes ajudavam em passar a imagem esperada de uma personalidade rígida. Roupas militares com botas até os joelhos, um paletó negro que se estendia em forma de saiote até a altura de seus joelhos, boinas e uma capa, talvez para amenizar o frio.
Suas feições eram ríspidas e sem vida, Strauss possuía um nariz afilado e grande, pele pálida com olheiras bastante escuras e um cabelo ralo que se estendia com dificuldade até os ombros. Heisenberg parecia bem mais jovem, apesar do cabelo grisalho que estava mais para algo que fora tingido, seus olhos eram azuis, que mesmo na escuridão pareciam profundas e límpidas piscinas, entretanto seu humor parecia não ser dos melhores.
Os dois continuaram a caminhada, sempre mantendo certa distância um do outro, vez em quando Strauss olhava sobre o ombro, caso julgasse que estavam próximos demais, era perceptível que seus passos se tornavam mais acelerados.
Finalmente um portão metálico é atravessado, os dois entram no casarão e sobem rapidamente escadas, seus passos se tornaram mais rápidos, até que chegam a uma sala com uma lareira acesa, nela, em uma mesa outras dez pessoas estavam sentadas, duas cadeiras estavam ainda vazias, provavelmente à espera dos dois. Algumas pessoas pararam para prestar atenção em sua chegada, entretanto logo voltam novamente a atenção para um homem que estava sentado na ponta da grande mesa retangular, que falava, até o certo momento em que se voltou para um dos dois.
— Strauss, o que descobriu em relação ao que pedi?
— Comandante, todas as investigações levaram a apenas um local, uma pequena cidade no leste da Alemanha, uma região bastante remota.
— Não foi o que minhas fontes me informaram. – Um homem com cabelos negros e um tapa olho interrompe.
— Von, esperava mais de sua inteligência. – Retoma Strauss com certo sarcasmo. – É óbvio que espalharam informações falsas, lugares óbvios e remotos, entretanto, eles estão logo abaixo do nosso nariz para evitar suspeitas.
— Nossa vitória está próxima, nosso exército irá dizimar completamente qualquer sinal de relutância. Entretanto, não tenho apenas boas notícias para todos vocês. – A voz do homem na ponta da mesa pronunciava cada palavra como se contemplasse cada uma. – Em um ato desmedido por parte pessoal do mesmo, Albrecht acabou sendo morto por um dos generais inimigos.
No mesmo momento todos começam a falar sem parar, um grande vai e vem de palavras ecoa por toda sala.
— Ele é um tolo, acreditar que era a própria justiça. – Falava enquanto ria uma mulher sentada ao lado de Strauss.
— Malditos, irei extirpar cada mínima existência. – A feição do general com tapa olho transmitia ódio.
— Sabemos que todos temos um poder descomunal, entretanto, não podemos dar ao luxo de enfrentá-los assim de maneira tão imprudente. – Todos se calam ao Comandante se pôr a falar. – Por isso, a partir de hoje está liberado o uso de suas proteções, começaremos a agir como o exército arauto da destruição e todo e qualquer sinal de inimigo deve ser destruído.
A sala é tomada por um ar de satisfação, todos sorriem com certa pretensão no olhar.
Japão, Takayama, Província de Gifu.
A noite já havia caído a um bom tempo, a chuva caía com uma força inexplicável, ali; empapados alguns soldados permaneciam de pé, alguns dormiam, entretanto não deixavam sua posição. O cheiro forte de decomposição exalava por todo local, diversos corpos estavam ali jogados. Pelo cenário acontecera uma intensa batalha.
Um soldado aparentando trajar uma armadura de prata olhava com certa desolação todos aqueles corpos.
— De 85 mil, uma contagem total de 53 mil mortos. De quem foi a genial ideia de usar civis como soldados?
— O exército inimigo foi treinado para matar e vencer batalhas, nós não podemos contar com a força de civis. – Comenta um segundo homem trajando uma armadura, que se aproxima lentamente por entre os corpos.
— Não há porque ainda permanecermos aqui, dê a ordem de retirada e que voltem para suas casas e cuidem do que restou de suas famílias.
O segundo soldado sai em disparada entre os homens que ainda permaneciam vivos gritando a ordem que lhe foi dada, muitos permaneciam parados ou caiam sem ter mais forças para ficarem de pé.
— Hum? – Algo chama atenção do cavaleiro de prata que dera a ordem anterior, uma silhueta atravessava rapidamente o campo de corpos em sua direção.
No mesmo momento sua reação fora saltar para trás e pôr-se em posição defensiva. – Quem é você?!
Um homem com roupas comuns se ajoelha perante o mesmo. – Apenas um mensageiro senhor Alford. – Os olhos do então, mensageiro, se voltam para o cavaleiro. Um homem loiro, com olhos azuis e mesmo que sujo e repleto de pequenos cortes no rosto possuía uma grande beleza. – Não é o senhor? Alford de Lagarto?
— Sim, o próprio. O que desejas? – Aproximando-se do mensageiro que permanecia ajoelhado. – Por favor, levante-se, no front somos todos iguais.
O mensageiro observa o cavaleiro com certa admiração no olhar e boca entreaberta. – S... Senhor, foste designado para uma missão de guarda na cidade de Nagano.
— São dois dias de caminhada, é algo urgente? – Observando em direção ao horizonte que agora era apenas escuridão devido à chuva que não parou um segundo.
— Não foi informado a urgência, apenas para dar este recado ao senhor.
— Muito bem, irei levar o Apis comigo. – Voltando-se para o cavaleiro que havia disparado em meio aos soldados para dar a ordem.
Inglaterra, Londres.
O dia amanhecia, o casarão onde outrora havia sido cenário para reunião dos mais poderosos homens do exército inimigo do Santuário, agora dava lugar a um silêncio perturbador e certa obscuridade. Mesmo com o nascer do dia, tudo continuava nublado, escuro e úmido.
Em uma das salas, o general cuja característica principal era um tapa olho em seu olho direito, caminhava lentamente de um lado para o outro, como se algo atormentasse sua mente.
Um pequeno barulho chama sua atenção para uma sala ao lado da que estava, a porta encontrava-se encostada e por entre a brecha uma forte luz roxa cintilava para fora.
Seus passos cautelosos e lentos se aproximavam cada vez mais da porta, até que de maneira discreta, ele observara o interior, recostado na parede, mesmo que esgueirando-se sua pose permanecia impecável.
— Comandante?! – Pensou, entretanto, seu rosto demonstrava tamanho espanto.
O comandante que outrora fora anfitrião da reunião, estava perante uma pequena urna, que parecia até então estar selada e agora emanava uma grande quantidade de cosmo sombrio.
Com um pequeno movimento, um dos pés do general faz com que a madeira do chão do antigo casarão emita um pequeno chiado, porém suficiente para despertar a atenção do comandante.
— Alguém? – Virando-se para porta fechando rapidamente a urna.
O general de maneira rápida e discreta caminha em direção às escadas e desaparece em meio à escuridão da casa.
Alemanha, Hanôver.
Em um pequeno prédio da cidade completamente destruída, quatro pessoas conversavam em um pátio de um andar subterrâneo. Um deles era Kaburagi, que agora estava de pé, com roupas limpas e uma feição mais serena. O outro fora aquele que o recebeu e outros dois estavam sentados em uma mesa enquanto comiam algo com certa calma.
— Então, esses dois conseguem transportar algo de qualquer lugar do mundo através das dimensões? – Pergunta Kaburagi enquanto observava com certo interesse os dois que estavam sentados.
— Sim, porém, eles carregam consigo a maldição de gêmeos.
— Isso não significa que eles tenham que seguir o que seus antepassados seguiram, Assellus. – Olhando com certa repreensão para o companheiro de conversa.
— Calma, é obvio que não queremos isso. – Pegando uma pequena xícara de café e caminhando em direção a uma mesa, seu olhar era pensativo.
Um homem de estatura média, com cabelos médios e grisalhos, apesar de sua aparência jovem e pequenos e verdes olhos. Trajando um manto branco que o cobre do pescoço aos pés.
— E quanto ao Carnage, ele está vivo? – Pergunta sem virar-se para Kaburagi.
— Sim, e pelo visto decidiu mesmo trair Atena.
Assellus permanece calado, entretanto seus dedos apertam com força a xícara, chegando a trinca-la.
— Ah, e como fez para recuperá-las? – Kaburagi levanta-se de maneira repentina, como se quisesse quebrar o clima que se criou.
— Sim. – Virando-se a Kaburagi com um sorriso sarcástico. – Tive que ir ao inferno.
Japão, Nagano, província de Nagano.
Alford e Apis caminham por entre algo que parece já ter sido um jardim, em suas frentes um vilarejo completamente destruído.
— Então é isso que viemos proteger? – Argumenta Apis com certo ar de decepção enquanto senta em uma pedra que parece ter sido arremessada.
— Não nos mandariam aqui a toa, a não ser que destruíram tudo antes.
— Isso já está destruído a muito, andamos 36 horas por nada. – Levantando-se.
Apis é um homem de grande estatura, porém seu corpo não é muito musculoso, seus cabelos curtos e negros combinam como peças montadas com seus olhos grandes e castanhos.
— Isso é.... – Alford passa a caminha em direção ao vilarejo destruído. – Música.
Um som de instrumentos caseiros toma conta do ambiente, luzes se ascendem por toda parte, a cidade ganha vida, parece que nunca foi tocada pela guerra.
— Apis! Apis isso é... – Sorrindo e acenando para Apis.
— Um festival... – Seus olhos admiravam toda aquela iluminação e alegria.
Pessoas corriam de um lado para o outro, as crianças sorriam e brincavam usando máscaras de divindades e criaturas do folclore japonês. Barracas de fantoches, comidas e mascaras estavam espalhadas por todo o local.
Alford não acreditava no que estava vendo, era algo surreal, como mágica. – Senhora, o que está acontecendo aqui. – Parando a primeira pessoa que passara.
— É o festival de verão meu jovem, temos todos os anos. – Responde sorridente a simpática senhora.
Alford por um momento se assusta, seus olhos permanecem vidrados, enquanto sua mão solta lentamente o braço da senhora que deixa de sorrir um pouco ao ver sua reação.
— Estamos mortos, festivais como esses costumam festejar os mortos. – Pensou em voz alta.
— Não, não estamos mortos. Estamos na verdade protegidos pelo príncipe Takeo. – Responde mais uma vez a senhora, agora segurando o rosto do jovem cavaleiro. – Agora aproveita e dança, você está seguro aqui.
— É como se a guerra nunca tivesse passado por aqui, como se eles nunca houvessem sentido o terror da guerra. – Observando tudo aquilo com uma grande perplexidade.
— Alford! Alford! Isso é inacreditável! – Batendo repetidamente no ombro de Alford. – Tem todo tipo de comida! – Mastigando um pedaço enorme de tempurá de camarão e com outras duas nas mãos.
Alford continuava sem reação, seus olhos por um segundo chegaram a lacrimejar, era como esquecer tudo que a guerra havia provocado até agora. Toda morte, sofrimento e dor, era como se o calor que se encontrava ali levasse tudo embora, era como um sonho.
— Acho que morrer deve parecer com isso. – Sorrindo levemente.
— Então chegaram, creio que sejam cavaleiros. – Uma voz feminina e doce fala próximo a Alford.
Alford procura pela dona da voz, ao virar-se vê uma moça de traços orientas, trajando um kimono rosa e com bastante pó de arroz no rosto.
— Vocês estão seguros aqui, entretanto vieram para proteger o príncipe Takeo, ele é poderoso, mas mesmo assim ainda muito jovem.
— Uma criança? – Questiona Alford.
— Adolescente. Porque não faz como seu amigo e aproveita o festival? – Apontando para Apis que a esse ponto já havia degustado metade das comidas do festival.
A noite corria enquanto as pessoas divertiam-se no festival, os risos e as brincadeiras eram algo constante e bastante incomum para o cenário em que a terra se encontrava.
Alford por sua vez parecia não estar conseguindo absorver todo aquele clima festivo e caloroso.
— Não está se divertindo meu jovem? – Pergunta um senhor que se aproxima.
— Hum? – Olhando para o senhor como se sua atenção estivesse totalmente voltada para outro lugar. – Ah, sim. Apenas não consigo imaginar-me aqui festejando com o mundo como está.
O senhor dá um breve sorriso e esfrega a mão na nuca. – He! No início é sempre assim, mas depois você percebe que a vida aqui é melhor que lá fora.
Alford olha para toda aquela festa e com a voz rouca. – Talvez o senhor tenha razão, mas eu sou um cavaleiro.
As pessoas se dissipavam com o passar da noite, as luzes das lojas se apagavam e em um certo momento da noite tudo estava silencioso e escuro.
Alford caminhava por entre as ruas escuras, que não tinham nada relacionado com toda a iluminação e alegria que era transmitida a algumas horas atrás. Tudo era muito sombrio e um ar melancólico estava presente como se a guerra finalmente chegasse ali.
As casas estavam completamente escuras sem nenhum sinal de vida.
— Se eu fosse você não ficaria por aí caminhando uma hora dessa. – Uma voz gentil e calma rompe o silêncio da noite.
— Quem está aí?! – Pergunta Alford com certa rigidez na voz ao virar-se para um pequeno templo escuro.
— Apenas um garoto repleto de lembranças.
Um jovem que aparentava no máximo 16 anos dá alguns passos para fora do templo, suas roupas eram simples, um pijama longo que se estendia até os joelhos e um sapato de pano. Seus cabelos eram negros como a noite na altura das orelhas e seus olhos amendoados tão negros quanto, contrastando com sua pele extremamente pálida.
— Você é um fantasma? – A voz de Alford estava trêmula.
— Ora, não sejas tolo. Claro que não sou mesmo que quisesse ser. – O garoto transmitia um certo ar de tristeza, enquanto falava olhava sem parar para lua que por alguns instantes deu o ar da graça entre as nuvens.
— Então o que um garoto na sua idade faz fora da cama? E advertindo-me.
— Apenas vim conversar com alguns familiares. – Voltando-se para o templo. – Sabe, gosto de pedir conselhos. – Repousando a mão sobre um pequeno portal.
— Sabe dizer porque a cidade se tornou tão triste assim de repente? – Dando alguns passos para se aproximar do garoto.
— Sabe o príncipe? – Virando-se para Alford. – Dizem que durante a noite ele fica bastante melancólico. – Cruzando o olhar com o de Alford.
O garoto encara Alford por alguns instantes e com um breve e belo sorriso põe-se a caminhar.
— Espere! Aonde vai? – Estendendo a mão.
O garoto para por um breve momento sem olhar para trás. – Para casa. – Um olhar sobre o ombro foi a única reação do garoto. – Deveria conversar com seus mortos, às vezes faz bem.
O garoto desaparece por entre a escuridão das ruas. Alford continua parado sobre a luz da lua, seu olhar pensativo continuava fitado no local onde o garoto desaparecera.
O olhar de Alford por um momento se torna mais sério. – Adolescente, garoto, melancólico...Pricipe! Ei! – Correndo em direção à rua onde o garoto entrara. – Takeo!
O grito de Alford ecoa por toda rua deserta, sem nenhum sinal de que alguém passara alí.
Um dia se passa, todo vilarejo se enche de luz e vida mais uma vez, as pessoas caminham entre as ruas e sorriem como na noite passada. Apis estava acima de uma pilastra, observando o movimento fora dos limites.
— Será que esse tal Takeo impede até de que o vilarejo seja visto por fora? – Colocando a mão sobre os olhos para observar melhor o vilarejo.
Durante o dia era sempre bem iluminado, uma cor dourada emanava de suas ruas que possuíam casas de madeiras pequenas, mas muito formosas, na via principal existia uma fonte e logo ao lado uma feira repleta de vendedores das mais variadas mercadorias e logo à frente do largo principal e do mercado uma enorme construção, com um brasão dourado estampado em um enorme bloco de rocha na sua frente, a residência do príncipe Takeo.
O vilarejo estava calmo, aparentemente aquela era sua normalidade de todos os dias. A fé da maioria dos moradores na virtude e força de Takeo era incrível. Muitos acreditavam que estariam a salvo dos terrores da guerra.
Alford caminhava entre as ruas, seu olhar parecia sempre demonstrar que achava tudo aquilo muito estranho, era possível ouvir os passos das pessoas, as gargalhadas e ruídos de conversas paralelas.
Por um momento Alford fecha os olhos e inspira fortemente. – Isso lembra-me tanto a minha infância. – Levantando o rosto.
Em segundos a imagem de um garoto loiro correndo entre as ruas de uma pequena cidade vem à sua mente. Entretanto, em um flash, imagens aterradoras tomam conta de suas lembranças. Chamas, gritos de desespero e um alarme tocando ao fundo.
Alford abre os olhos rapidamente, como se aquela lembrança o atormentasse a muito, os gritos desaparecem, entretanto, o alarme continua a tocas. As pessoas caminham por ele, os passos apressados, sem correr, mas numa velocidade incomum e todos na mesma direção, o centro do vilarejo.
— Ei, garoto! O que está acontecendo? – Parando um garoto que deixara algo cair perante ele.
— É o alarme de perigo, mas sempre acontece isso, é só nos escondermos que ficamos bem. – O garoto reage com normalidade, como se presenciasse algo rotineiro.
Alford olha para cima e vê Apis sobre a pilastra, de pé. Seus olhos estavam fixos no horizonte, para o lado de fora do vilarejo. Sua feição não era das melhores e transparecia preocupação.
Alford corre, esbarrando nas pessoas. Seus olhos vasculham todo local procurando por algo alto que lhe desse a mesma visão que tinha Apis. O telhado de uma casa fora tudo que conseguira, rapidamente seu olhar se volta para fora do vilarejo.
— Tsc! Droga. – Serrando os dentes. Seu olhar demonstra aversão e ao mesmo tempo preocupação.
Um exército inteiro marchava em direção ao local onde estavam. O som era estridente, suas armaduras trincavam e seus passos quase faziam a terra tremer.
— Apis, dê o sinal para todos correrem! – Estendendo os braços para Apis.
O cavaleiro tenta entender as ordens de Alford. – Isso irá provocar caos. Não...
— Agora! – O desespero era perceptível no rosto do cavaleiro de Lagarto.
— Atenção pessoal! Recuem para o local mais profundo da vila! Isso é uma ordem de evacuação! – A voz de Apis ecoa por quase toda cidade.
As pessoas param por um breve instante e olham para o cavaleiro, um silêncio perturbador toma conta do lugar.
— Corram! – Alford grita, enquanto estava parado com a mão estendida em direção ao exército inimigo. — Kuuki no Ugyoheki!
Apis fixa o olhar em Alford, sua reação demonstra extrema preocupação. – Essa técnica. – Descendo imediatamente da pilastra.
Um som fino de algo que corta o ar se aproxima com uma velocidade incrível, aumentando a cada segundo sua intensidade. Uma explosão e milhares de feixes de luz atravessam a cidade, eram como balas. Alford permanecia de pé, em sua mão uma espécie de barreira parava boa parte dos disparos. No entanto, a cidade estava sendo destruída aos poucos, muitas casas estavam sendo cortadas como papel, estilhaços eram arremessados por toda parte, algumas pessoas atingidas já estavam no chão, o sangue escorria por todo local.
Apis estava parado em meio a tudo aquilo, sua respiração estava ofegante. – Droga! O que eu faço!? – Seus olhos corriam por todo aquele desespero, crianças agachadas enquanto os disparos destroçavam as casas e os pedaços choviam sobre elas.
Alford permanecia parado, segurando o número de disparos que conseguia com sua barreira. Os soldados inimigos já estavam dentro da cidade, muitos corriam com uma sede de sangue estampada no rosto.
Alguns saltam em direção ao cavaleiro, no intuito de impedi-lo de continuar segurando o ataque ao vilarejo. Gritos esganiçados e gargalhadas medonhas vinham junto com homens de aparência repugnante.
— Seu esforço é inútil! – Grita um deles.
— Μαύρου Τρύπα (Mávrou Trýpa)— Estendendo dois dedos para frente. Alford libera uma grande quantidade de energia que se transforma em um turbilhão de ar.
Mais de 15 soldados são arremessados ao ar, seus gritos se confundiam com o barulho do vendo gerado pela técnica. A proporção e poder do turbilhão aumenta gradativamente, até que respingos de sangue são jogados para todos os lados. A pele dos soldados é rasgada, tamanho é a força do vento.
Alford baixa lentamente o braço e a técnica se dissipa aos poucos. Os corpos dos soldados caem ao chão banhados em sangue.
Mesmo com tamanha demonstração de poder, os soldados continuam avançando. Apis em uma ação espontânea corre em direção a todos aqueles inimigos que adentravam no vilarejo.
— Por favor, tenham tempo de fugir. – Segurando com força o punho. – Alpha Muscae, Punch!— Ao estender seu punho, um forte brilho é emitido.
Apis soca com força o chão, no mesmo momento um vácuo poderoso é lançado para os lados e uma enorme cratera de abre no chão. A força de impacto faz diversas rochas serem lançadas ao ar, assim como os soldados ao redor.
— Vocês não passarão por mim! – Abrindo os braços com os punhos fechados em meio aos soldados.
Os risos de deboche eram o que mais se ouvia, a quantidade de soldados inimigos apenas aumentava.
— Eu irei fazer jus ao cosmo que passa por meu corpo! – O pé direito de Apis, no qual ele se apoia colocando-o para trás, começa a ter um brilho incomum. Em um impulso ele sobe ao ar, como se pegasse vôô.
Os olhos de todos o acompanham. Alford inspira forte por um segundo, como se esperasse algo grandioso do companheiro.
O cavaleiro continuava lançado ao ar, sua visão busca as pessoas as quais estava protegendo. – Que bom já estão longe. – Um sorriso surge em seu rosto. — Overwhelming Flight!
O pé direito de Apis brilha como uma estrela, após um giro no ar, o mesmo desce em uma velocidade incrível, como se sua intenção fosse acertar o chão com o calcanhar.
Alford observa de longe Apis se lançar contra as dezenas de soldados, o corpo do cavaleiro se choca contra o chão e tudo se transforma em uma grande chuva de pedras e soldados.
A destruição era imensa, a força da técnica de Apis demonstra ser algo extremamente admirável. O mesmo salta para fora da área que atingiu, onde agora era apenas destroços e uma grande poeira de fumaça. Os corpos dos soldados ainda caiam, quando um grito irrompe todo clímax. – Apis! Cuidado!
Alford adverte o amigo. – Droga! – Tentando pular para onde Apis se encontra. Entretanto, algo prende seu braço, uma espécie de chicote. – Hum? Me solte! – O olhar de Alford apenas conseguia olhar com certo desespero para o amigo. – Apis! Apis!
— Han? – Olhando para Alford. – Alford! Espera... – Apis demonstra preocupação por ver Alford acompanhado de algum inimigo. Entretanto uma esfera de poder se choca contra seu corpo de maneira violenta.
Uma enorme explosão arremessa seu corpo como uma simples folha para longe, durante o caminho ele se choca contra diversos escombros até se chocar definitivamente contra uma enorme pedra.
— Apis! – Grita desesperadamente Alford. – Tsc! – Seu olhar de ódio se volta para um cavaleiro inimigo que estava no fim do chicote que estava envolto em seu braço. – Mávrou.... — Estendendo dois dedos na direção do inimigo.
— É inútil! – O soldado adversário em um balançar do chicote arremessa o corpo de Alford ao ar. – Deixe-me apresentar. Capitão do exército do apocalipse, Heinrich.
Heinrich mesmo com uma armadura negra comum ao exército do apocalipse, usava uma boina militar. Sobre cabelos negros curtos, seus olhos eram azuis e bastante pequenos, um sorriso que parecia ficar estampado vinte e quatro horas por dia.
Alford se choca contra o chão com violência. – Quem deu aquele ataque? – Falando com certa dificuldade.
— Quem mais poderia desferir algo com tamanho poderio? O general Heisenberg, der grimmige tod. (A morte sombria) – Um certo ar de orgulho se sobressaia nas palavras de Heinrich.
Alford se levanta rapidamente. – Um general!? – A preocupação com alguém que possuía tamanho poder era perceptível em seu rosto.
— E por falar nele. – Com um sorriso de provocar asco.
Alford inclina um pouco a cabeça para rua abaixo da casa onde se encontrava e se depara com o olhar de um homem com cabelos grisalhos e feição de poucos amigos. – Esse cosmo!
Heisenberg continua caminhando em direção ao centro, um breve olhar fora tudo que ele dedicou a Alford. Que nesse momento estava sem conseguir mover-se devido ao tamanho de cosmo que emanava do mesmo.
— Pelo visto ele me encarregou de mata-lo. – Heinrich desenrolava lentamente o chicote de uma das mãos. – Acho que enquanto isso ele irá se divertir matando o tal príncipe e seu amigo que já deve estar agonizando.
Alford não conseguia tirar os olhos de Heisenberg, que caminhava lentamente em direção ao meio do vilarejo, onde se encontra a residência de Takeo.
— Vamos lá! – A voz de Heinrich fica um tanto quanto esganiçada quando ele arremessa o chicote contra Alford. – Huh!?
— Ainda não. – Alford demonstra uma personalidade um tanto quanto séria, o chicote de Heinrich estava em sua mão, ao qual apertava com bastante força.
— Que olhar é esse?! – Heinrich puxa o chicote com certo nervosismo. — Não pense que um olhar vai me fazer amenizar contra você!
— Cale-se! Eu jurei que não viveria para ver mais um massacre com esses olhos! A não ser que seja em nome da justiça! – Estendendo um dos braços para frente. — Hemisphere Lacerta!
No mesmo momento tudo se torna negro, como uma extensão do cosmo de Alford, uma enorme constelação se estende no local.
— O que é isso?! Maldito! Stern...— Estendendo o chicote que parecia tomar alguma forma, entretanto para e desespera-se ao ver um brilho vindo de Alford.
Um enorme brilho e um barulho ensurdecedor avançam em direção a Heinrich. Como cortes no ar, o cosmo de Alford ao atingir o soldado inimigo faz com que seu corpo desapareça em instantes.
Alford permanece alguns segundos com o braço estendido e logo após olha para o centro do vilarejo, como se voltasse a si. Ele se lança da pequena casa e corre rapidamente entre as ruas, as casas destruídas e alguns corpos jogados ao chão passam por ele, seus olhos se vidram em cada corpo, como se passar por eles demorasse décadas.
Finalmente ele chega ao centro do vilarejo, e seus olhos buscam por Heisenberg, entretanto ele vê outra coisa que o deixa ainda mais perplexo. – Takeo... Então era você mesmo.
O garoto da noite passada estava de pé em frente à enorme casa central, encarando Heisenberg que estava em sua frente. Não haviam mais cidadãos ali, todos já haviam se escondido nos locais mais internos da vila, ao qual teria que passar por Takeo, o garoto corajosamente estava servindo de uma barreira.
Os olhos do garoto não tremulavam nem por um instante, mesmo com tamanha ameaça a sua frente. – Quem é você? – Sua voz demonstrava segurança, algo incomum para um adolescente em tal situação.
Heisenberg reage com um sorriso de sarcasmo. – Sou o General Lineu Heisenberg. E você, creio que seja o tão aclamado Príncipe Carmesim que enganou nosso exército por tanto tempo.
O olhar dos dois se chocam como se fossem grandes inimigos. Takeo parecia analisar Heisenberg minuciosamente. Enquanto o general o olhava com certo desprezo.
— Vamos acabar com isso. – Heisenberg abre uma das mãos, coloca um dos pés para trás e desaparece do local onde estava, deixando apenas uma enorme onda de vento.
— Takeo! – Alford tenta correr em direção ao garoto, mas vê que é impossível acompanhar a velocidade de Heisenberg, ao ver seu vulto perante Takeo. Seus olhos se fecham por alguns instantes.
Um som abafado se espalha por todo local, como se duas superfícies extremamente fortes houvessem se chocado. Alford abre os olhos e não acredita no que está vendo.
— Mas isso... – Seu corpo permanece imóvel e seus olhos sequer piscam.
— He! – Heisenberg esboça um sorriso de empolgação. – Incrível!
Takeo segurara o soco de Heisenberg com apenas o pé direito estendendo sua perna para frente. Seus olhos encaravam o do general inimigo com certa petulância.
— Hm! – Takeo parece debochar do inimigo. Seu pé faz uma volta no punho de Heisenberg, o chuta para cima. Enquanto a mão do general estava impulsionada, ele gira com o corpo e com um chute preciso acerta o tórax, causando um grande impacto e um estrondo, arremessando-o para longe.
— Isso foi... Incrível! – Alford fica perplexo ao ver a atuação do garoto.
— Você não sabe por quanto tempo em tenho mantido todas essas pessoas felizes, protegidas e longe da guerra. Quem você pensa que é para trazer o terror aqui? – Caminhando em direção às escadas da casa.
Takeo trajava uma roupa vermelha, semelhante às roupas típicas da China, com bordados dourados. Uma aura dourada começa a rodear seu corpo.
Heisenberg levanta lentamente em meio a destroços provocados pelo seu impacto. Ao direcionar os olhos para o garoto sua feição se torna séria. – Então é isso.
— Não é possível. – Alford aperta um pouco os olhos para enxergar melhor o garoto que se encontrava longe. – Aquilo em sua roupa é.
— Escorpião! – Alford e Heisenberg pronunciam juntos o desenho em ouro na roupa de Takeo.
Continua...
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