Saint Seiya - Ragnarok - A saga de Asgard
2 Capítulo 2
Era uma terra difícil de viver, mal se podia ver alguma vida vegetal, somente algumas grandes árvores totalmente sem folhas com uma cor marrom-acinzentada, e, com seus galhos cobertos por uma não tão grossa camada de neve.
Ali, por onde caminhavam, existia uma pequena escadaria de pedra, mas essa foi totalmente coberta pela constante neve que caía. Também se podia ver, buscando abrigo em pequenos buracos abertos aos pés do tronco das árvores, pequenas lebres de pelagem branca, camuflando-se perfeitamente naquele vasto tapete gelado, uma perfeita forma de se proteger dos famintos animais maiores e dos caçadores que procuravam por comida.
— Por quanto tempo ainda teremos que andar? — perguntou Ichi acompanhado de um espirro. — Estou congelando. Quero voltar logo para o Santuário, lá é quentinho.
— Ichi, você é um cavaleiro, comporte-se como tal. — repreendeu Jabu.
— Não vejo nada de estranho nestas terras geladas. — comentou Nachi.
— Talvez seja apenas preocupação de Atena. — disse Ban.
— Sim. — apoiou Geki.
— Duvido muito. — retrucou Jabu. — A senhorita Saori... Quero dizer, Atena estava certa sobre a ameaça que se aproximava durante a guerra galáctica, e até mesmo sobre o mal que tomava conta do Santuário. — explicou. — Desacreditar de suas intuições pode ser fatal para humanidade.
Um gélido vento tocou o corpo dos cavaleiros, fazendo-os entrar em posição de combate.
— Que cosmo é esse? — perguntou Geki, preocupado.
— É assustador. — comentou Ban.
— Não se descuidem nem por um instante. — preveniu Jabu.
Aguardaram cautelosamente pelo grande cosmo que lentamente aproximava-se. Suas respirações estavam pesadas e seus punhos bastante serrados, vapor saía de suas bocas e suas gargantas estavam secas.
— Jabu!?
Era uma voz grave e intimidadora, porém bastante familiar para o cavaleiro de unicórnio.
Um homem de aproximadamente um metro e noventa de altura, com um longo sobretudo de pelagem branca, calças de uma cor branca-acinzentada e uma bota de cano longo revestida de pelo de urso, apareceu diante dos cavaleiros. Seus olhos eram de um azul claro quase cinza, seus longos, lisos e levemente ondulados cabelos loiros caíam sobre os ombros e sua pele era bastante clara devido à ausência de luz solar na região.
— Miguel? — questionou-se Jabu em tom quase imperceptível para os companheiros.
— Há quanto tempo, Jabu! — o homem gritou animadamente enquanto aproximava-se a longos e pesados passos. — O que faz em Asgard?
— É mesmo você? — questionou Jabu.
Geki, Ban, Ichi e Nachi baixaram suas guardas e ficaram meio que desorientados, sem saber o que fazer.
— Você o conhece, Jabu? — questionou o cavaleiro de leão menor.
— Sim. — confirmou. — Não se lembram dele?
— Deveríamos? — perguntou Ichi enquanto coçava a nuca.
Miguel já havia se aproximado dos cavaleiros de bronze e encontrava-se ao lado do cavaleiro de unicórnio.
— É o Miguel, um dos 100 órfãos que foi mandado em seu treino para conseguir a armadura de bronze. — explicou.
— Ainda não lembro quem é. — disse Ichi.
Miguel sorriu e colocou a mão sobre o ombro de Jabu.
— Não é pra menos. — disse. — Eu era muito quieto, não conversava com ninguém além do Jabu. — explicou.
— Sim. — confirmou Jabu. — Enquanto jogávamos futebol, o Miguel sentava-se em um canto e se perdia em seus pensamentos. Ficamos amigos por compartilharmos ideias parecidas. — explicou.
— Ambos queríamos nos tornar mais fortes e superar nossos limites. Porém, quando fomos enviados para nossos locais de treinamento, infelizmente, não consegui o direito de me tornar um cavaleiro de bronze. — Miguel retirou sua mão do ombro de Jabu e cruzou os braços. — Fiquei com muita vergonha de retornar como um fracassado e acabei por me manter vivendo aqui, nesta terra gelada. Porém, é muito bom ver que conseguiu se tornar um cavaleiro. — sorriu graciosamente. — Qual sua constelação protetora?
Jabu apontou para o seu chifre e sorriu orgulhosamente.
— Unicórnio! — exclamou. — Sou Jabu, o cavaleiro de bronze de unicórnio. — cruzou os braços e continuou a falar. — Talvez não se lembre deles, por isso vou apresenta-los. — Aquele de corte esquisito e olhos negros é o Ichi, o cavaleiro de bronze de hydra. O de olhar caído é o Nachi, o cavaleiro de bronze de lobo. O mais fortão é o Geki, o cavaleiro de bronze de urso. E, o de armadura laranja é o Ban, o cavaleiro de bronze de leão menor.
— Aposto como é o mais poderoso dos cavaleiros de bronze. — disse Miguel, dando uma tapa no ombro de Jabu, fazendo-o inclinar-se um pouco para frente.
A expressão de Jabu mudou, seus olhos passaram a vagar um pouco e esse calou-se por um momento.
— Não. — comentou em um tom um tanto desanimado.
Lembrou-se da guerra galáctica e da luta entre pégaso e dragão, em como Seiya, sempre que caía, levantava-se com um cosmo ainda mais poderoso. Em como esse conseguiu atravessar as doze casas do zodíaco e despertar um cosmo similar ao dos mais poderosos guerreiros do Santuário.
— Se eu quiser ser o mais poderoso dos cavaleiros de bronze preciso superar um grande obstáculo. Com o poder que tenho atualmente, um grande abismo me separa do meu objetivo. — completou
Miguel ficou em silêncio por um instante e o observou o velho amigo.
— Venham. — disse, quebrando o silêncio. — Aqui está bastante frio. Venham para minha cabana e tomem algo quente.
Mais tarde, numa pequena cabana de madeira próxima a um pequeno lago de superfície congelada, Miguel servia para os convidados, cavaleiros de bronze, um pouco de chá quente, feito com algumas ervas que cresciam na floresta dos pinheiros, uma das duas únicas e pequenas floresta com árvores de folhagem verde ali em Asgard.
— O que vieram fazer nestas terras congeladas? — questionou Miguel.
— Viemos a mando da deusa Atena que está preocupada. — respondeu.
— Com que ela poderia se preocupar em relação a esta pacífica terra do norte? — perguntou, seguindo de um pequeno gole no chá.
— A deusa Atena sentiu uma força maligna tomando conta da constelação da ursa maior. Ela teme que algo errado esteja acontecendo. — explicou o cavaleiro de lobo.
Miguel riu.
— O que é tão engraçado? — perguntou Geki, o cavaleiro de urso.
— Desculpe. — desculpou-se Miguel. — Mas, é impossível de que algo esteja acontecendo nesta terra. Nosso sacerdote, Bewulf, odeia qualquer confronto. Apesar de vivermos nesta terra gelada, somos muito gratos ao nosso senhor Odin pelo pouco que temos.
Jabu levantou-se.
— As ordens de Atena são inquestionáveis. — disse o cavaleiro de unicórnio. — Vamos. Temos trabalho a fazer.
Os demais cavaleiros colocaram seus copos sobre a pequena mesa de madeira ali no centro então se levantaram de suas cadeiras.
— Foi muito bom falar com você novamente, velho amigo. Mas, agora temos que ir. — disse Jabu.
— Obrigado pelo chá. — agradeceu Ichi. — Estava delicioso.
— Obrigado pelo chá. — agradeceram os demais.
— Porque não ficam um pouco mais? — insistiu Miguel.
— Desculpe, mas não podemos. — explicou Jabu. — Na volta passaremos aqui novamente. Até logo, velho amigo. — disse enquanto passava pela porta para novamente encarar os fortes e congelantes ventos de Asgard.
Os cavaleiros saíram da cabana e então voltaram a caminhar em direção ao palácio de Valhalla com longos passos que afundavam na grossa camada de neve.
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