Notas iniciais
Caminhavam em passo acelerado enquanto a intensa neve caía sobre seus corpos e armaduras e derretia. Mantinham seus cosmos levemente “acesos”, para que assim não fossem profundamente afetados pelo frio. Apesar de serem cavaleiros, possuíam corpos tão vulneráveis quanto o de qualquer humano.
Estavam bastante afastados da cabana de Miguel, em uma área totalmente coberta de neve e livre de árvores, cercada por montanhas brancas e grandes precipícios.
— Parados! — era uma voz grave e autoritária. — Quem são vocês que ousam entrar nas sagradas terras de Asgard? — questionou a voz.
Sobre um grande e disforme bloco de gelo estava alguns homens usando proteções de metal na área dos ombros, peito e pernas, e, na cabeça, um elmo com grandes chifres. Ao redor do pescoço, usavam o que aprecia ser uma espécie veste feita da pele de algum animal da região.
— Sou Jabu, o cavaleiro de bronze de unicórnio! — exclamou.
— Somos cavaleiros de Atena vindos do Santuário na Grécia! — exclamou Geki.
— E o que vocês querem aqui, vermes de Atena? — perguntou impacientemente o homem.
— Estamos aqui por ordens da deusa Atena! — gritou Jabu.
— Não temos nada pra vocês aqui. Dêem meia-volta! — Ordenou o homem.
— Desculpe, mas nós não vamos voltar. — disse Ichi em tom de brincadeira.
O homem não voltou a pedir. Contando com ele, estavam em cinco.
Saltaram do bloco de gelo todos ao mesmo tempo, indo em direção aos cavaleiros de bronze.
— Se não vão sair por bem, farei todos voltarem à força! — gritou um dos homens em pleno salto.
— Deixem isso comigo. — pediu Jabu aos demais.
— Tudo bem. — respondeu Ichi dando os ombros e sentando-se na neve, mas levantando-se rapidamente logo em seguida incomodado com o frio.
Jabu entrou em posição de combate. Sua perna direita estava levemente mais à frente da esquerda e seus punhos ficavam frente e afastados de seu rosto, em uma posição similar a do boxe.
Elevou seu cosmo criando uma aura roxa entorno de seu corpo que fazia com que a neve nem ao menos tocasse sua armadura, derretendo antes disso.
Com um pequeno impulso, saltou em direção aos soldados que continuavam em pleno ar, dando centenas de chutes voadores que para os olhos comuns pareceriam apenas um.
— O galope do unicórnio!
Seus golpes atingiram os homens que já caíram mortos e com suas proteções destroçadas. Tudo isso em um minúsculo espaço de tempo, graças à velocidade sobre-humana dos cavaleiros de bronze, capazes de atingir e até mesmo, em alguns casos, quebrar a barreira do som.
O cavaleiro de unicórnio bateu as mãos esfregando-as, passando um ar de dever cumprido.
— Miguel disse que esta era uma terra pacífica e que o sacerdote odiava combates. Então, porque estes soldados nos atacaram? — questionou Ban.
— Pra mim, isso já é prova o suficiente de que algo estranho está acontecendo aqui em Asgard. — afirmou Jabu.
— Então não podemos perder tempo. — disse Geki, caminhando frente aos demais. — Vamos continuar.
— Geki tem razão. — apoiou Nachi.
— Esperem! — gritou uma voz ao longe, atrás dos cavaleiros.
Jabu reconheceu a voz de imediato e caminhou em direção ao seu dono.
— Miguel, o que faz aqui? — perguntou.
— Eu irei com vocês. — disse o rapaz.
— É muito perigoso. — advertiu Jabu. — Deveria voltar para sua cabana.
— Eu irei! — insistiu.
— Bem... — começou Jabu. — Você já é grande o suficiente para saber o que quer. Se mesmo sabendo que é perigoso ainda deseja vir... — pausou por alguns instantes e então continuou. — Faça como quiser.
Jabu deu as costas ao companheiro e caminhou em frente, indo em direção aos seus companheiros.
— Mas que cosmo agressivo é esse? — pensou ao sentir uma poderosa cosmo-energia, reduzindo o ritmo dos passos. — É o mesmo que senti antes.
— Jabu, cuidado! — advertiu Geki com um grito abafado pelo vento gélido.
— Morra, cavaleiro de Atena!
O golpe cortava o ar como uma flecha supersônica.
Jabu virou-se em um ínfimo tempo, recebendo apenas um arranhão no rosto.
— Porque está fazendo isso? — esbravejou o cavaleiro de unicórnio.
— Não posso permitir que vá até o palácio Valhalla. — respondeu Miguel. — Eu poderia deixa-lo partir para o Santuário se fosse o caso. Mas não posso permitir que vá para Valhalla.
— Amigos, — gritou Jabu. — sigam em direção ao palácio, eu cuido dele! — completou, entrando em posição de combate.
— Acha mesmo que pode me derrotar Jabu? — zombou. — Eu perdi o meu direito de ser cavaleiro, mas ganhei uma nova oportunidade como Guerreiro Deus.
Nesse momento, a neve frente a ele derreteu revelando uma armadura negra com formato de lobo.
— Vista-me, robe de fenrir! — seguido de suas palavras, a veste negra desmontou-se em pequenos pedaços, cobrindo o corpo de Miguel.
Seu elmo, em forma de cabeça de lobo, cobria todo seu rosto, sendo o local dos olhos uma espécie de cristal vermelho; Seu peito, ombros, pernas, braços, pés e punhos estavam totalmente protegidos, sem nem mesmo um pequeno local visível. E, saindo de seus punhos, estavam três grandes e afiadas garras prateadas, capazes de cortar até mesmo a mais resistente das armaduras.
— Espero que esteja preparado, velho amigo. — comentou Miguel. — Este será o seu túmulo.
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