Saint Seiya Omega- O Mito dos Cavaleiros Lendários
4 Ataque e Defesa
Santuário, á noite.
Shun estava fazendo a vigília noturna no Santuário. Por ordem de Atena, alguns Cavaleiros estavam fazendo a ronda, para evitar ataques surpresa. Ele usava sua armadura rosada com as correntes em descanso. O vento batia em seus cabelos. Ele expressava preocupação.
Não tinha nem um dia que os ataques de Marte começaram e o Santuário foi atacado duas vezes. Uma por Igor de Manticora e a segunda por César de Salamandra. Ele estava preocupado se alguém teria a ousadia de atacar o Santuário à noite. Shun tem seus pensamentos interrompidos quando um soldado raso o abordou.
– Senhor Shun, será que Atena está segura estando sozinha lá, nas Doze Casas?
– Não precisa se preocupar. Seiya a está vigiando na Nona Casa, e Kiki está provisoriamente na primeira.
– Ah sim...
O Cavaleiro poderia ter aliviado a mente daquele soldado, mas não tinha certeza se conseguiria proteger Atena.Ele devia deixar suas preocupações de lado a fim de proteger a deusa.
Castelo de Marte, Norte da Alemanha.
– Irmã? Tem certeza que vai mesmo ajudar Apsu?! — perguntava-se Amor, com preocupação.
– Amor, você não entendeu mesmo o que aconteceu.
– Então você pode fazer o favor de me explicar?
– Desde pequena eu converso com o deus da escuridão. Ele disse que nós seremos os responsáveis por seu retorno. Não acha coincidência, nós dois, nascermos com os poderes das Trevas, embora você tenha facilidade com a Água?
– É verdade... Por esse ângulo, você tem razão. Ah! Como está o meu sobrinho, o futuro rei do Novo Mundo? — perguntou Amor.
– Está bem, diga-se de passagem. Embora ele ainda seja um bebê, eu sinto que ele será um grande guerreiro no futuro.
– E é por isso que Lorde Marte te designou para tal função.
Um homem de longos cabelos verde-claro apareceu na sala, vestindo túnicas azuis. Um manto vermelho ocupava seu pescoço.
– Micenas. Não sabia que estava por aqui. – disse Medeia.
– Quando o mestre Éden completar dez anos de idade, eu serei o responsável por seu treinamento. No momento, minha responsabilidade é guiar a pequena Sonia no caminho da guerra.
– E como ela está se saindo?- perguntou Amor.
– Melhor que o esperado. Poderá até se tornar uma Alta Marciana um dia.
– Mas o que faz exatamente aqui, Micenas?
– Tem uma pessoa que deseja vê-la, e vim anunciá-la. Entre, Lisa de Vespa.
Uma mulher de longos cabelos vermelhos como sangue entrou. Ela usava uma Galáxia composta por placas e subplacas, acompanhada de uma “túnica” lateral dividida em três partes. Seguia o padrão de cores das armaduras de Marte. Seus olhos verdes pareciam duas esmeraldas e escondiam intenções malignas. Apesar de bonita, era extremamente perigosa.
– O que deseja, Lisa?
– Vim pedir sua autorização para ir ao Santuário.
– E por que não pede ao senhor Marte?
– Porque eu sou sua subordinada direta. Não está na alçada do senhor Marte comandar os subordinados da senhora Medeia.
– Tem algo lá que te interessa?
– Como deve saber, sou uma guerreira. Quero testar a força de um Cavaleiro. Um Lendário, para ser mais exata.
– E quem seria este que vos atrai tanto?
– Shun de Andrômeda. Ele foi hospedeiro do deus Hades e é aclamado por ser um dos Cavaleiros mais fortes.
– Precisa de tropas?
– Não. Eu me viro sozinha.
– Como desejar. Vá!
– Certo. Muito obrigada, senhora Medeia.
A Marciana sai dos aposentos da feiticeira e se dirige á saída do castelo, em direção á Grécia.
Entrada do Santuário.
Os soldados estavam vigiando com afinco a entrada do Santuário. Lutando contra o sono, eles vigiavam quaisquer movimentos. Porém, acima deles, Lisa planejava o seu ataque. Ela invocou fios vermelhos e os fortificou com seu cosmo.
– Marionete do Crepúsculo!
Os fios se enroscaram no pescoço do primeiro soldado, fazendo-o girar a 360°, quebrando-o no processo. O segundo teve seus membros enrolados, e ela friamente esmagou todos os seus ossos. Ela desceu de onde estava e analisou os soldados.
– Eles morreram de forma fácil. Agora, vamos esperar o peixe morder a isca. — disse ela, esboçando um sorriso vil.
Lisa saca uma máscara preta com detalhes em vermelho nos olhos e volta a se esconder. Enquanto isso, Shun havia sentido o cosmo daqueles soldados rasos se enfraquecer. Ele foi verificar pessoalmente a entrada e ele achou os dois cadáveres. O Cavaleiro se abaixa e começa a analisar os dois.
– Um teve o pescoço quebrado... o outro todos os ossos. Não há sinal qualquer de golpes físicos, mas tem marcas de fios neles. Parece a técnica de Minos de Griffon.
Shun analisou com exatidão aqueles cadáveres. Estava estudando medicina, e sabia bem identificar as marcas de alguma espécie de agressão. Porém, ele sente uma cosmo-energia agressiva surgir atrás dele.
– Ferrão da Vespa!
Imediatamente, Shun se vira e usa a defesa de sua Corrente Circular. Em seguida, ele ataca com a Corrente de Andrômeda, tirando a máscara de Lisa.
–O quê? Uma mulher?
– Algum problema com isso? Aliás, belo golpe, Shun de Andrômeda. — a Marciana lambe o corte em seu rosto e olha maliciosamente para Shun.
– Uma Galáxia... Você é serva de Marte!
– Exatamente. Meu nome é Lisa de Vespa. Sou uma Alta Marciana a serviço de Lorde Marte.
Shun saca as duas correntes e forma a Nebulosa de Andrômeda. Ele sente seu cosmo ferver.
– Saiba que eu não gosto de ferir as pessoas. Mas gente como você, que pratica o mal, deve ser detida! Nem que pra isso eu precise usar toda a minha força!
– Nem pense em poupar força, Cavaleiro! Não pense que sou uma mulherzinha frágil que precisa de proteção dos outros.
Ela pega sua máscara do chão e a coloca de volta em seu rosto.
– Vamos lutar.
A Marciana investiu com força total, mas foi detida quando viu a corrente espalhada pelo chão, que formava a Nebulosa de Andrômeda. As correntes circular e triangular atacaram em conjunto, arrastando a marciana longe. Ela se levanta de supetão do chão.
– Boa defesa. Mas agora, vou atacar com força total.
Ela gira seu corpo no ar e coloca seus braços na frente do seu rosto. Ela os separa, atirando projéteis feitos de cosmo.
– Tempestade de Ferrões de Vespa!
Shun tenta se defender com a Defesa Circular, mas uma grande dos ferrões ultrapassou a defesa, derrubando Shun. Lisa fica de frente ao Cavaleiro.
– Isso é tudo que você possui Andrômeda?
Ele faz um sorriso de confiança e responde.
– Ainda não. Corrente de Andrômeda!
– Hã?
A corrente triangular se amarra ao pé de Shun, e ele joga a Marciana ao ar. Ele salta, e posicionando-se contra ela, libera uma corrente de ar que a derruba e a leva ao chão. Sua máscara cai e ela se levanta surpresa.
–Então é como os boatos dizem... Mas sinto que você está se poupando! — respondeu ela, com raiva.
– Como assim?- comentou Shun, preocupado.
– Aquele seu ataque podia ter sido decisivo. Mas você resolveu poupar a minha vida! Isso é uma afronta ao meu título de guerreira.- ela respondeu revoltada.
– Não estou te afrontando! É que... diferente dos outros Alto Marcianos... eu não sinto maldade em seu cosmo.
– Você está brincando comigo?! — Respondeu ela, agressivamente.
– Sinto que você quer provar o seu valor para alguém. Quer mostrar que é forte. Sua vida deve ansiar por isso, não é?- Shun perguntou.
“Ele decifrou isso tudo em tão pouco tempo de combate?”, ela pensou consigo mesma. Ele tinha habilidades fora do comum. Como ele sentiu isso, se eles mal trocaram palavras? O que ela não sabia é que, através do cosmo, é possível ler emoções. Shun, ao longo de seus combates, nunca gostou de ferir alguém que ele considerava com algo de bom em sua essência. Mesmo sendo um inimigo.
– Não seja idiota! Eu não preciso provar nada a ninguém! Desde sempre, eu estive sozinha. Aprendi a ser independente por contra própria. NÃO QUERO E NEM PRECISO DA AJUDA DE NINGUÉM! - Ela respondeu explodindo toda a sua fúria.
Em seguida, seu cosmo se elevou a uma intensidade anormal. Foi tanto que o vento começou a se agitar.
– Esse cosmo é extremamente parecido com os Cavaleiros de Ouro! Nunca vi nada igual! — Shun respondeu impressionado.
No fundo, ele sabia o que fazer, e ela era um risco ao Santuário. Mesmo que sua alma não fosse má, ela era uma inimiga em potencial.
– Já me decidi. Você ameaça o Santuário e a Atena. Não posso permitir quer continue a fazer o que bem entende!
Após demonstrar sua determinação, Shun elevou o seu poderoso cosmo. Uma ventania no mesmo instante se formou, de forma intensa a ponto de parecer um furacão. Lisa formou dois feixes negros em seu antebraço, que se cruzaram na palma de sua mão e formaram uma esfera vermelha. Shun concentrou as correntes de ar, intensificando-as. Logo, os dois ataques se chocariam. Porém, Shun disse em meio à batalha:
– Se quiser mesmo provar seu valor, detenha meu próximo ataque! Seu poder deve ser suficiente para equiparar nossas forças!
– Finalmente tomou uma atitude digna. Prepare-se!- ela respondeu.
Ambos posicionaram-se e lançaram seus golpes.
– Corrente Nebulosa!
– Retorno ás Trevas!
Os ataques chocaram-se com intensidade. Shun parecia em vantagem no início, mas logo as forças se igualaram. Ele estava sendo empurrado pelo Retorno ás Trevas dela.
– Essa não. Se eu não tomar uma atitude, meu ataque vai sucumbir ao dela. Eu... Eu... Devo proteger o Santuário! Exploda cosmo! TEMPESTADE NEBULOSA!!
As correntes tomaram sua forma máxima e atingiram Lisa em cheio. Um turbilhão de vento intenso causou um impacto que levou a guerreira aos ares, e caiu violentamente em seguida. Ela estava em seus últimos momentos.
– Você... É muito... Forte... Eu... Perdi...
– Agora, você deve entender o meu dever.
– Eu... Não me importo com o seu... Dever... Eu consegui provar... A minha força...
Shun conteve seu remorso e levantou-se. Ele sabia que estava agindo de maneira correta e que ele cumpriu o seu dever. Ele parou de pensar quando avistou seu irmão Ikki.
– Irmão!
– Shun, eu senti um cosmo terrível que desapareceu. O que houve? Seiya e o pessoal estavam preocupados, pois o cosmo se manifestou perto da área de vigília, onde você estava.
– Era uma Alta Marciana. Seu nome era Lisa de Vespa. Ela apagou o rastro de seu cosmo para não ser notada. Eu a enfrentei... e venci.
Ikki analisou o cadáver feminino a alguns metros de Shun. Ele estava sem reação. Seu irmão demonstrou uma maturidade que nem ele havia notado.
– Shun, você amadureceu. Estive preocupado com você, mas já não preciso.
– Eu sei disso, Ikki. Não precisa se preocupar comigo agora. Não sou mais o garoto chorão que gritava seu nome em caso de necessidade.
Ikki sorriu e respondeu:
– Eu percebi isso. Mas você sempre será meu irmão menor, e eu o apoiarei sempre.
– Ikki...
Os irmãos caminhavam para o Santuário novamente. Agora, com seus laços fortalecidos, eles se preparavam para a próxima batalha.
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