Notas iniciais
Está aí, como prometido! Agora vamos ver Hyoga em ação!

Santuário, dia seguinte. Manhã.

Era uma manhã de frio ameno. Seiya esperava Kiki terminar a subida das Doze Casas. Eles eram os únicos a caminharem por aquelas escadarias. Kiki estava com as mesmas roupas casuais, com os Instrumentos Celestiais num cinto de couro.

– Eu estava á sua espera, Kiki. – Seiya disse sorrindo. Ele transmitia felicidade apesar de tudo.

– Oi, Seiya! Realmente, aquele caminho das Doze Casas é complicado... — Kiki não demonstrava esforço, mas um pouco de cansaço. Mesmo jovem, é complicado até para ele.

Depois do encontro, eles começam a caminhar o corredor que leva á sala de Atena. Seiya analisa Kiki rapidamente e pergunta:

– Você não está vestindo nenhuma armadura? Isso é estranho.

– Ah, é que... Atena achou que eu devia ficar na Casa de Áries... Por alguma razão, ela diz que é meu destino ou algo do gênero. – Kiki se sentia envergonhado, como se estivesse tentando esconder algo. Talvez no fundo, ele quisesse ajudar mais, vestindo uma armadura e indo á luta. Mas isso não importava no momento.

Lá estava ela, em seu trono erguendo seu báculo, e junto estavam Shiryu, Shun, Hyoga, Ikki e Shina.

– Vocês enfim chegaram! — disse Hyoga, com a expressão de cobrança. Hyoga era um homem extremamente pontual.

– Desculpem a nossa demora. Estávamos completando o caminho... – respondeu Seiya. Ele expressava um sutil “foi mal”.

– Cavaleiros, chegou a hora de reagirmos. Marte está enviando seus guerreiros para testar a força dos Cavaleiros do Santuário. Conseguimos defender nosso território com esforço, mas agora os combates serão mais intensos do que nunca. – Atena falava com um tom sério. Parecia uma digna deusa da estratégia e da guerra.

– É uma boa medida, mas tem um problema. Eles possuem tropas. Temos os nossos soldados, mas não dá para cobrir as nossas defesas só com eles. E há apenas sete cavaleiros no Santuário para apoiar os soldados. — disse Ikki, em tom sério.

–Não seja por isso. Eu trouxe reforços. Podem entrar. – ordenou Atena.

Quatro homens entraram trazendo caixas de armaduras. Um era baixo, meio curvado. Tinha uma cabeleira longa prateada no topo da cabeça e se estendia até as costas. Ele expressava confiança, embora não ele fosse lá essas coisas. Os outros dois eram grandes, praticamente armários. Um deles vestia uma blusa de gola com estampa tropical, e calça jeans. Tinha cabelo roxo escuro e olhos azuis. Já o outro, cabelos e olhos castanhos. Estava de blusa amarela, braceletes verdes e uma calça cargo marrom escura, sapato social marrom sem cadarços. O último era mais baixo, regulava com a altura de Jabu. Vestia blusa azul clara, calça preta. Cabelo roxo claro, olhos lilás.

– Com licença! O maravilhoso Cavaleiro de Hidra se apresentando pro serviço! — Ichi se gabava, expressando sua confiança constante.

– Se controle Ichi! — Ban deu uma cotovelada no colega.

– Ichi, Geki, Ban e Nachi! E aí pessoal! — Jabu estava animado, com um sorriso enorme no rosto. Ele correu pra falar com seus companheiros, e Geki deu um enorme abraço envolvendo os recém-chegados.

– Ei Geki, vai com calma! Vai acabar esmagando minha beleza!- disse Ichi, se sentindo incomodado.

– Ah, relaxe! O importante é que estamos todos juntos de novo. –respondeu Geki, se sentindo animado. Ele sorria de ponta a ponta do rosto.

Seiya estava feliz em rever os velhos colegas. Eles defenderam Seika durante a luta nos Elíseos e agora de ofereceram novamente a defender o Santuário.

Depois da recepção calorosa de Geki Ichi estranhou algo. Ele foi em direção a Kiki e o olhou de cabo a rabo.

– E você, quem é?

–Há quanto tempo, senhor Ichi! Como estão as coisas? – Kiki estendeu sua mão para cumprimentá-lo.

– Eu te conheço?

– Claro que conhece! É que você me viu mais novo. – Kiki esboçou aquele sorriso sapeca de anos atrás.

–Espera aí... Esse sorriso... KIKI! Não acredito! É você mesmo! – Ichi apertou fortemente a mão do jovem após reconhecê-lo.

– Então, como vão as coisas? – Seiya se aproximou e perguntou.

– Ah, sabe como é, estávamos esperando algo aparecer. Só fomos saber dessa ameaça algum tempo depois. –Ichi respondeu.

–E como estão Seika e Marin?

– Ela está cuidando da Seika. Ela sabia que você ia voltar a lutar, por isso decidiu abandonar a vida de amazona e cuidar dela por você.

– Caramba... Eu não sabia disso.

– Bom, nós agora vamos ajudar vocês na defesa do Santuário. –Nachi deu uma piscada e sorriu, dando um polegar positivo.

– Muito bem pessoal... Hora do show! –disse Ichi.

As urnas das armaduras de Hidra, Lobo, Leão Menor e Urso se abriram e vestiram seus respectivos cavaleiros. Eles estavam prontos para o combate.

– Vamos comandar as tropas dos soldados junto com vocês. Essa é a vontade de Atena. – disse Geki ao pessoal.

– Muito bem, isso é tudo. Podem ir. — Atena ordena e os cavaleiros saem. Cada um carregava a urna de sua respectiva armadura.

Hyoga estava saindo pela porta principal do Santuário, vestindo seu casaco característico com a blusa azul por baixo, acompanhado por uma calça preta e polainas laranja. Ele topou com dois soldados do Santuário ao sair.

– Senhor Hyoga, está saindo?- perguntou um soldado.

– Sim, estou indo ao vilarejo. Vou ver como estão as coisas.

Hyoga saiu do Santuário e seguia em direção a Rodório. Era um vilarejo habitado por comuns, sem domínio de seu cosmo. Ele ficava apenas alguns metros da morada dos Cavaleiros e era marcada por uma estrada de terra natural. A vila tinha vigilância constante dos soldados rasos, agindo como a segurança do local.

Porém, Hyoga notou uma agitação ao redor da margem de um rio. Ele abordou uma aldeã e perguntou:

– O que houve? Que agitação é essa?

– O senhor é um Cavaleiro?

–Sim, o que houve?!

– Meu nome é Helena. Houve um desmoronamento na nascente no rio. Mas o problema é que duas crianças foram até lá sem avisar a ninguém!

Helena usava um vestido bege de corte simples, acompanhado de sandálias de couro de tiras até o tornozelo. Tinha pele clara, olhos verdes e cabelos castanhos cor de chocolate, presos por um coque.

– Helena, onde fica a nascente do rio?

– Fica ao norte, no caminho do rio e...

Helena é interrompida quando Hyoga salta no rio quase seco. Ele começa a correr o caminho do rio em direção a nascente.

– Ei!

– Não se preocupe! Eu vou voltar.

Ele correu o rio até que achou duas crianças. Um era um menino com cabelo preto com olhos castanhos. Vestia uma blusa branca com um colete preto. A calça marrom estava gasta, com as bocas dobradas, e ele usava sapatos de couro. A menina era loira com olhos verdes, e usava um vestido branco costurado á mão, acompanhada de sandálias. Ela implorava, desesperada a ponto de chorar para o menino parar de golpear as rochas com um bastão que ele segurava.

– Para com isso, Agenor!

– Cala a boca, Alana! Deixa eu continuar!

– Crianças, deixe-me tentar ajudá-los. – Hyoga se aproxima do acidente. Ele tinha notado que as rochas estavam congeladas. Mas não era gelo comum. Era um gelo de cor negra, e estava desgastando as rochas por dentro.

– Mas o que significa esse gelo negro? – Hyoga se perguntava. Ele, então, ordena. -Você dois, para trás.

Hyoga começou a mover os braços imitando o bater de asas de uma ave. Ele juntou os dois braços no ar e assumiu uma pose com o corpo levemente inclinado, os braços abertos como se fossem asas e a perna esquerda erguida, com a coxa dobrada, fazendo o desenho de sua constelação. Um ar frio se formou e rodeou o cavaleiro, que desfez a posição e simulou um soco, levando o ar frio para frente.

– Pó de Diamante!

O ar frio de Hyoga sobrepôs o gelo negro, congelando as pedras novamente. Após isso, ele socou as rochas, que se partiram em minúsculos pedaços. A água, que estava bloqueada por conta das rochas, começou a fluir furiosamente.

– Obrigado senhor! — respondeu Agenor, admirado. Ele estava maravilhado com o que tinha visto.

– Não foi nada. Agora voltem para suas mães. Todos no vilarejo estão preocupados.

– Certo! – respondeu Alana.

Assim que as crianças saíram para a margem, Hyoga começou a subir a colina de volta ao Santuário. Porém, ele recuou ao ver uma rajada fria, que quando congelou, mostrou ser o gelo negro novamente.

–Quem é você? Apareça! – gritou Hyoga.

Para sua surpresa, um homem encapuzado apareceu saltando de uma árvore. Ele removeu seu capuz, revelando sua vestimenta. Era uma armadura negra com detalhes vermelhos, aonde o peito estampava o rosto de uma criatura, e ela acompanhava uma capa preta. O adversário tinha cabelo loiro pálido curto e olhos azuis. Ele expressava uma frieza sem igual, como se fosse capaz de matar alguém sem qualquer tipo de remorso.

– Olá, Hyoga de Cisne. Eu estava á sua espera.

– Quem é você, maldito?! –perguntou Hyoga, com uma expressão irada.

– Eu sou Alexander de Yeti, o mestre do Gelo Negro. Um Alto Marciano a serviço do deus da guerra, o senhor Marte.

– Então... Você é o responsável pelo bloqueio do rio?

– Eu mesmo. Senti sua presença se aproximando deste vilarejo patético. Eu precisava atrair sua atenção para que pudéssemos lutar. A minha missão é matar você!

– Seu tolo... Sabe quantas vidas seriam prejudicadas?! – A voz de Hyoga estava num tom de revolta, pois ele estava indignado com a frieza que ele dissera aquilo.

–Não me importo. Contanto que o meu objetivo tivesse sido alcançado, estas vidas não significam nada para mim. Isto é a guerra! – Alexander respondeu como se fosse uma máquina.

–Você... É humano?!

–Não. Eu sou um marciano, meu objetivo é eliminar aqueles que estão no caminho de Lorde Marte. Nem que para isso vidas precisem ser sacrificadas.

– Chega de ouvir essas besteiras!

Revoltado, Hyoga tirou a urna e o casaco em seguida, revelando a armadura sagrada, que se desmontou e vestiu o Cavaleiro. Hyoga partiu pra cima de seu adversário com um 'Pó de Diamante', mas o Marciano desviou. Alexander elevou seu cosmo, criando um sombrio ar frio ao seu redor. Ele levantou o braço direito e acumulou o frio negro na palma de sua mão.

– Meu coração é como este gelo negro. Não possuo compaixão por ninguém. O elo que enfraquece uma corrente não dura no exército de Marte!

A esfera de ar ficou mais intensa e densa. Ele abaixou seu braço e jogou o gelo negro na direção do Cavaleiro de Cisne.

– Nevasca das Trevas!

Hyoga ficou tão distraído com o ataque que quase se esqueceu de desviar. Mesmo assim, pegou de raspão em sua perna, na parte da “calça”. Ele sentiu a parte congelada queimar e arder como fogo. Ele quase se desequilibra por conta da dor.

– Olhe bem para a árvore onde o golpe atingiu. – disse Alexander, apontando o dedo para a árvore congelada. Ela estava começando a morrer.

– Meu Deus... O que isso significa? – Hyoga estava relativamente apavorado, pois nunca viu algo como aquilo.

– O Gelo Negro. Uma nevasca poderosa que destrói tudo o que toca. Pra sua sorte, a pouca quantidade em seu corpo não vai matá-lo, mas vai gerar uma dor constante, que você não vai conseguir se mover. Este é o Gelo da Morte.

Hyoga reagiu, atacando o adversário. Ignorando a dor, ele desferiu um soco em seu rosto. Mas logo se afastou, pois o Marciano tentou congelar seu braço. O guerreiro do gelo reuniu o frio usando seu cosmo. Golpeou o ar duas vezes e em seguida uniu suas mãos, intensificando o ataque.

–Trovão Aurora... Ataque!

O ar frio se intensificou. Alexander desviou, mas dessa vez, o ataque congelou um dos ombros da Galáxia de Yeti. O marciano analisou o ombro congelado.

–Surpreendente... Não pensei que seu ataque fosse eficiente. Porém, isso ainda é pouco.

O alto marciano queimou seu cosmo. Cristais negros se formaram e o guerreiro levantou os braços para frente com as mãos abertas.

– Dança dos Cristais Negros.

Os cristais transformaram-se em projéteis negros que se espalharam. Hyoga, desta vez não desviou. Ele contra-atacou usando o 'Pó de Diamante' e conseguindo conter o ataque.

–Mas... Como? Como você parou o meu golpe?

– Ao decorrer da luta, estou igualando a minha força á sua. Logo eu encerrarei este combate.

– Seu tolo...! Acha mesmo que pode vencer a mim? Jamais!

Pela primeira vez na luta, Alexander expressou uma emoção. Sua raiva em ser desafiado elevou ainda mais o seu cosmo. Cruzando seus braços á frente de seu rosto com os punhos fechados, o ar frio negro se acumulou intensamente. Depois ele os afastou, aumentando a rajada de frio. Ele levou os dois braços á frente e abriu suas mãos, disparando a rajada.

– Morte Glacial Negra!

O Cavaleiro de Cisne sentiu que não daria tempo de rebater. Antes do ataque atingi-lo, ele deu um salto alto o suficiente.

– Abra suas asas, Cisne!

As asas da armadura se abriram e Hyoga voou pelos céus, e pousando logo atrás da coluna de gelo negro formada pelo golpe. Alexander, sempre tão frio, expressava surpresa, com o rosto de alguém que foi superado pela primeira vez.

–Isso é impossível. Este é meu ataque mais forte!

– Alexander, há uma pequena semelhança e uma diferença entre nós dois.

– E o que seria?

– Meu mestre Camus sempre me treinou a ser frio. A manter a calma numa batalha. Esta é a nossa semelhança. Porém, a diferença... É que ele jamais me instruiu a perder minha humanidade! Deixar as emoções um pouco de lado pode ser essencial, mas jamais abandonarei meus amigos e inocentes por um objetivo!

O cosmo do Cavaleiro se inflamou. Ele juntou as duas mãos e levantou os braços. No momento que isso ocorreu, A imagem de uma mulher loira com vestido branco, carregando um jarro dourado, se formou.

– Alexander, se o seu gelo destrói a vida, lhe mostrarei o gelo que preserva a vida, o Zero Absoluto! Seja congelado para sempre!

– O Zero Absoluto não passa de uma lenda!

– Não, meu caro... Esta lenda é real!

Hyoga abaixou os braços ainda com as mãos unidas.

– Execução Aurora!!

Uma intensa rajada de gelo atingiu Alexander. Primeiro, uma camada fina de gelo de formou, para depois começar a prender o adversário num invólucro glacial eterno.

Assim, o Alto Marciano é envolto no gelo do Zero Absoluto. Hyoga retirou sua armadura e colocou seu casaco novamente e em seguida, sua Caixa de Pandora.

– Nem mesmo o Sol poderá derreter este invólucro gelado. Nem mesmo os Cavaleiros de Ouro poderiam quebrá-lo. Viva para sempre congelado neste caixão de gelo, Alexander de Yeti.

Assim, Hyoga desceu a colina para voltar ao Santuário. Agora, quem passasse pelo topo da colina, veria um guerreiro Marciano, preso para sempre num Esquife de Gelo.