O enorme exército deitado nas dunas do deserto avança.
A enorme rampa é furada por homens correndo em fúria, mas aquela entrada é guardada pela nebulosa de Andrômeda espalhada no chão de forma concêntrica a partir da figura de Shun; aqueles que pisam sua circunferência são eletrocutados. E muitos o são, de maneira que, aos poucos, junta-se uma pilha de corpos desacordados ao lado da rampa para onde caem os combalidos.
Ikki voa rasante exatamente atrás de Shun, rabiscando um muro de fogo para impedir aqueles que preferem escalar a altura da parede para a galeria do templo, fugindo da rampa. Muito debilitado ainda, Ikki observa a multidão adiante no deserto de cima da entrada.
Mas havia uma devoção grande nos olhos daqueles homens e, embora a corrente de Shun e o paredão de fogo de Ikki os fizesse pensar duas vezes em seguir, o fluxo os impossibilitava de voltar. Não demorou para que muitos começassem a transpor o paredão de fogo para ressurgir do outro lado feito criaturas desesperadas em chamas; ou então tentavam pular os muito combalidos amontoados por cima das correntes, o que as fazia reagir de imediato varando os corpos de suas vítimas por cima, aí sim de maneira fatal.
Shun recolheu suas correntes com medo de ferir mais pessoas e, finalmente, foi tomado pelos homens convergindo na rampa; ele saltou para o teto da galeria exatamente do outro lado em que Ikki estava e, juntos, olharam os homens invadindo a grande arena que antecedia a entrada da pirâmide.
Exatamente no momento que os cinco Cavaleiros de Bronze rompiam a escuridão da pirâmide para a luz do fim de tarde egípcio, imediatamente foram atacados. Saídos da câmara mais profunda, de armaduras rachadas, quando não completamente perdidas, tiveram novamente que lutar quando tudo que buscavam era o alento do fim da batalha.
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Com a retirada de Anúbis e Osíris, Atena está na Giudeca com Kanon. E, embora próximos, a Kanon parecia que sua Deusa também estivesse distante dali.
Ele repara como a falta daqueles dois gigantescos deuses fez com que a Giudeca retornasse ao estado deplorável em que se encontrava antes. Os motivos egípcios sumiram, a coloração ambarina voltou a ser friamente acinzentada, os rombos e destroços retornaram aos seus lugares e o templo voltou a ter o aspecto de ruína.
Mais do que isso, ponderou Kanon em silêncio, o Inferno estava vazio novamente. E com isso, havia definitivamente uma sensação estranha pairando no ar, como o é, geralmente, a sensação de vazio.
Atena, por sua vez, tinha olhos apenas para o único resquício da presença de Anúbis no local: o enorme sarcófago adornado onde Perséfone ainda dormia seu rapto. Ainda acorrentada àquelas faixas brancas, ainda de olhos pacificamente fechados, ainda longe dali.
O cosmo de Atena ascendeu, preenchendo todo o vazio do submundo e, vagando pelo Inferno como braços sonolentos, resgatou a essência e a vontade de Perséfone de campos remotos por onde vagava. As faixas que a cobriam desataram-se sozinhas, desmanchando-se como se libertas de um feitiço, e caindo aos pés do sarcófago revelaram um corpo absolutamente nu e maravilhoso.
Sem as faixas, os cabelos castanhos e cacheados caíam-lhe escondendo a taça de seus peitos, mas Atena ficou especialmente mesmerizada por pequenas sardas no corpo daquela mulher. Salpicavam o pescoço e desciam pontilhando o colo quase até onde os cabelos encobriam as auréolas dos seios. Os dedos dos pés soltos, as unhas sem cor, as mãos ossudas, tendões aparecendo levemente na pele mais clara. O sexo exposto. A pele enrugada das juntas.
Atena teve todo o tempo do mundo para observar cada centímetro daquele corpo antes que Perséfone abrisse seus lindos olhos. E durante esse tempo, Saori foi tomada por uma sensação fabulosa de que todos aqueles pequenos e insignificantes detalhes talvez não fossem tão diferentes de seu próprio corpo nu.
Seu corpo era o principal elo com sua humanidade e não era por acaso que os deuses que já havia enfrentado tinham o corpo absolutamente coberto; um mero veículo de suas divindades, quase pouco dignos de sua altivez. Sempre usando Armaduras Divinas ou longos robes, capas, adornos, máscaras; sempre pouco mostrando suas peles, suas deformidades humanas. Como se quanto mais escondessem o corpo, mais divinos fossem. E, no entanto, ali estava um corpo feminino nu, cuja divindade era inegável, mesmo sem sequer estar presente no local.
Ela olhou para si e viu-se coberta de sua Armadura Divina.
— Atena.
E assim Atena saiu de seu transe apenas para perceber o peso dos olhos verdes de Perséfone sobre os seus.
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Os cinco Cavaleiros de Bronze lutavam de costas um para o outro, criando um círculo pelo qual praticamente nenhum invasor conseguia ultrapassar. Lutavam juntos.
E juntos alternavam posição, sempre mantendo o círculo intacto; de forma que Geki socara a pedra ao redor criando um ambiente irregular por toda a circunferência que defendiam, Jabu desferia choques leves em seus atacantes, Ichi era ágil e mudava de posição, dando conta dos invasores que, por algum tipo de sorte, conseguiam entrar no círculo. Nachi e Ban combinavam suas técnicas e o vento arrastava o fogo para afastar o exército egípcio
Mas, como Shun observava, mais e mais gente entravam na galeria e, ou eles seriam tomados, ou precisariam matar aqueles homens desprotegidos. Ikki viu como Shun deslocou-se numa velocidade impressionante para uma lateral mais deserta entre dunas muito longe dali, à margem do grande exército que subia o vale. E ali sumiu.
Mas não demorou um minuto de seu desaparecimento para que Ikki percebesse um enorme cosmo levantar-se naquela direção e uma incrível tempestade de areia arrastar-se de leste a oeste, varrendo praticamente todo o contingente de homens e mulheres que ainda marchavam para a pirâmide. Não era forte o suficiente para levantá-los em um tufão e jogá-los para longe, embora Ikki soubesse que seu irmão poderia fazer se quisesse, mas era poderoso o bastante para criar uma dificuldade tamanha que eles precisariam realmente pensar várias vezes em seguir em frente.
E pensaram, pois Shun conseguiu reduzir dramaticamente o contingente que invadia a galeria onde os cinco Cavaleiros de Bronze lutavam.
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— Perséfone.
A mulher absolutamente maravilhosa pisa fora do sarcófago e desce os degraus até a deusa Atena, caminhando nua. A figura e a forma humana novamente chamam a atenção de Atena que, de novo, é fisgada de seu transe pela voz melodiosa de Perséphone.
— Obrigada, Atena.
Atena não respondeu, mas acenou de volta como se não fizesse mais do que sua obrigação. Ela completamente paramentada de sua Armadura, Perséphone absolutamente nua de suas barreiras.
A rainha do Submundo caminhou passando por Atena, que virou-se para ela e disse:
— O Submundo precisa de você.
— Estarei aqui, Atena. — limitou-se ela a dizer, enquanto olhava fundo nos olhos de Kanon.
Perséphone virou-se para ela e seu enorme cosmo preencheu o vazio do submundo, finalmente.
Houve um estalo no horizonte infernal e, dali em diante, era como se o Submundo fosse restituído, como a um prédio que desabou e voltou a levantar-se. Do chão abriu-se um umbral que ascendeu lentamente um bidente negro, cujas hastes eram desniveladas e pontudas. Um tecido também subiu do umbral envolvendo o corpo da deusa Perséphone, dando a ela um vestido longo azul escuro de duas alças finas, escondidas por debaixo de seus cabelos castanhos.
As duas olhavam-se reconhecendo suas majestades divinas. Atena fez uma mesura respeitosa e fez menção de sair.
— Atena. — chamou-lhe Perséphone. — Atena… você não teme a ira dos Deuses? — aludiu ela a tudo que havia acontecido e, embora não fosse necessário dizer, era transparente entre os deuses.
Atena fez questão de olhar nos olhos de Perséphone quando respondeu de forma lacônica:
— Não.
Ela jamais saberia, mas Perséphone, naquele momento, chocou-se com a frieza da filha de Zeus.
Perséphone subiu os degraus da Giudeca, desmaterializou o sarcófago fúnebre que fora sua prisão e sentou no trono que, outrora, havia sido de Hades. O Submundo tremeu uma última vez e então Atena tinha certeza que sua missão estava cumprida.
Virou-se para Kanon e, juntos, avançaram para o Portão do Inferno. Ainda aberto.
Ele estava irrequieto.
— Atena… eu não pertenço ao Mundo dos Vivos. — começou Kanon, quando Atena estava prestes a deixar o Submundo pelo Portão.
— O Portão está aberto a você também, Kanon. — disse ela e, sem perceber, aquele era um primeiro desmando para com o Submundo que, agora, tinha um legítimo governo.
— Não. Eu já cometi pecados demais, Atena. — e ele sabia que, se voltasse ao Mundo dos Vivos, não o fazia nos termos de Perséphone, mas nos termos de Atena. Escolheu não mencionar, pois ele sentia que ela sabia disso também. — Enganei o deus dos Mares, Poseidon, eu trouxe a destruição para Asgard por causa disso, eu tramei contra a sua própria vida, Atena, e então interferi no curso de Osíris. Esses já são pecados suficientes para que eu tenha que pagar com minha própria alma para receber o perdão dos deuses. Coisa que não acredito jamais ser possível. Mas… — há uma certa hesitação em sua voz. — Um pecado a mais, um a menos, a mim pouco faz diferença, mas temo que meus irmãos também acabem punidos pelos crimes que eu cometi. — diz um Kanon pesaroso, mas Atena responde de maneira severa.
— Não, Kanon. Os Cavaleiros de Ouro, aos olhos dos deuses, cometeram pecados o suficiente para que recebam a punição divina pelo que fizeram em vida e em morte. Não precisa sentir-se culpado por eles.
Era, de certo modo, uma forma de confortá-lo, à sua maneira, mas Kanon viu-se assombrado com a facilidade que Atena tinha em reconhecer os pecados daqueles que a protegiam. Era efetivo, no entanto. Ele queimou seu cosmo e a Armadura abandonou seu corpo, montando-se no totem da figura de Gêmeos. Ele então ajoelhou-se perante sua deusa.
— Foi um prazer enorme lutar por você mais uma vez, Atena.
E quando ele levantou os olhos, Atena já havia atravessado o Portão do Inferno.
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Grande parte do exército que ainda deitava-se no deserto foi varrido pela tempestade de areia levantada por Shun, de modo que apenas aqueles atacantes próximos à pirâmide sobraram. A estratégia de lutar de maneira defensiva, diminuindo casualidades, provou-se cansativa, uma vez que os homens caíam e logo voltavam para tentar lutar, de modo mais precário, é verdade, mas o contingente na pirâmide e próximo da rampa ainda era muito grande. Apenas um décimo do exército, agora sumido, e ainda assim grande.
Shun retornou para o lado de Ikki, que ainda sofria dores imensas de sua luta contra Benu. Ainda assim, dirigiu um olhar direto para o irmão, pedindo claramente para que ele não lutasse. Ikki compreendeu e concordou em silêncioa. Shun o fazia não por medo de que se machucasse, mas temendo que ele matasse.
O Cavaleiro de Andrômeda fez menção de pular para ajudar seus amigos exatamente no momento em que o cosmo de Atena inundou o Mundo dos Vivos.
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Anput e Kebechet, num canto da Câmara, notaram quando a Deusa, vestindo sua Sagrada Armadura, reapareceu no lugar; sua presença era tão magnânima e ameaçadora que ambas encolheram-se como puderam no canto. Evidentemente ainda à vista de Atena, que cruzou a câmara sem titubear, absolutamente a par de que as duas estavam ali e completamente alheia ao mesmo fato. Apenas cruzou e marchou para a superfície.
Foi só depois que Atena sumiu que Kebechet notara que ela segurara a respiração por toda aquela travessia, incapaz de danificar o próprio ar em que aquela Deusa pisava. Mesmo a figura de Atena tendo abandonado o lugar e a luz de seu cosmo deixado a câmara de volta à luz das velas, sua presença continuava dona daquela câmara, daquela pirâmide, daquele Mundo. Kebechet procurou os olhos da mãe.
— A deusa Atena, filha. É dito entre os gregos que ela seria a própria sucessora de seu pai, Zeus.
— Mãe…
— O quão insignificante somos quando os deuses andam entre nós?
Kebechet ponderou sobre aquilo, mas por algum motivo seu coração foi tomado por uma nuvem gelada, lembrando-se da morte de seus irmãos e também de Hetepheres, seu grande amor. Seus olhos procuraram Atena no espaço cósmico da pirâmide e não a encontrou; sua percepção e sua dor não encontraram Atena, pois Atena, ali, parecia incapaz de semelhantes sentimentos.
Ela olhou para a mãe e aninhou-se no seu colo. Anput, carinhosamente, pousou sua mão nos cabelos ensanguentados e suados da filha, e os afagou com amor.
“Não somos tão insignificantes”
Pensou Kebechet, chorando.
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Atena, enfim, ressurge da pirâmide.
Sua armadura reluz no brilho do pôr do sol; seu báculo altivo, sua cabeça erguida e sua imponência paralisam a batalha imediatamente. Todos os olhos viraram-se para ela. A grande deusa Atena.
Os egípcios mais próximos estacaram, mas ainda procuraram manter algum tipo de resistência; ao menos de saírem correndo, pois suas forças para continuar lutando foram completamente sugadas por aquela presença magnânima.
Atena dá mais um passo na luz. Os egípcios recuam dois. Há uma tensão pesada na arena. Mesmo entre os Cavaleiros de Bronze.
O silêncio foi cortado pelo zunido de uma lança. Um infeliz homem do Egito que, um pouco mais longe, talvez se achasse corajoso o suficiente para atacar aquela nova figura à porta do templo. O movimento fora tão torpe e absurdo que os Cavaleiros de Bronze sequer cogitaram e, portanto, não puderam pará-lo. Ela passou por Geki, por Ichi, por Ban, por Nachi e por Jabu; seguiu para varar o elmo de Atena quando, evidentemente, parou no ar.
Todos pararam de respirar.
A lança tremeu contra a gravidade, virou-se e fez o caminho reverso para atravessar o pescoço do atacante. E assim seria, não fosse Shun arremessar sua corrente circular para envolver a lança ainda em pleno vôo e desviá-la de sua direção a tempo de safar a vida do homem. Ele olhou, então, para Atena, incrédulo.
Jabu, que observara com estupefação a lança ir contra Atena e então de volta ao egípcio, virou-se para ver sua Deusa empunhando seu báculo com as duas mãos, de maneira impensavelmente ameaçadora. Lembraram os Cavaleiros de Bronze do corpo mutilado do Guerreiro de Ouro na sexta câmara. Ele clamou imediatamente:
— Saori, não!
A voz de Jabu chamou a atenção de todos.
— Atena! — gritaram eles em desespero ao adivinhar que sua deusa estava a um movimento de obliterar todo aquele contingente restante. E seria mentira dizer que eles não sentiram um certo temor de que suas vidas acabariam pelas mãos de sua própria deusa.
O cosmo de Atena ascendeu. Os cinco chocaram-se e paralisaram; Ikki e Shun também não podiam acreditar.
Os egípcios, por sua vez, talvez não tivessem a noção do que aquilo significava, mas certamente adivinharam nos humores do vento que suas vidas estavam seriamente em risco; portanto todos, sem exceção, desataram a correr para a rampa, jogaram-se das muralhas para fugir do que sentiam ser a morte certa.
A debandada não desarmou a Deusa Atena. Ela ia matá-los a todos.
Shun pulou de onde estava para ficar à frente de Atena.
— Atena! Não tem necessidade disso, você não precisa atacá-los, a guerra já acabou! — nenhum retorno de Atena. Shun não a reconhece mais. — Saori, você é a Deusa Atena. A deusa desse mundo, é a deusa que nós escolhemos proteger; você defende a justiça e o amor nesse mundo, Atena. Atena! — ele tentava desesperado.
Mas fora em vão.
O báculo de Atena soou um sino no horizonte e, ao tocar o solo, uma gigantesca energia espalhou-se pelo Egito, transformando todo o deserto em um enorme horizonte cósmico. Calando todos os sons e apagando todas as dunas, reduzindo o cenário à uma galáxia infinita onde apenas a figura de Atena, trajando sua Sagrada Armadura, figurava no espaço.
E, à sua frente, apenas uma pessoa. Era Seiya.
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No Santuário. Sozinha.
Shaina pensa em sua Deusa, em como sentira falta de cor naqueles olhos que caminhou por Rodório depois de seis meses no Submundo.
Também pensa sobre o grande amor de sua vida; de uma vida que, na verdade, não permite grandes amores.
E aquela urna novamente queimando viva na sua intimidade do Décimo Terceiro Salão. Viva. Aquele cosmo que Shaina poderia reconhecer em qualquer nível do Inferno, da Terra ou do Universo.
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E Saori também.
Atena segura o báculo com ambas as mãos à frente de si, seu cosmo ressoa com o cosmo do Pégaso.
— Seiya. — parece responder ela, friamente.
Ela pondera sobre aquela imagem. Aquele garoto catatônico logo à frente; tão frágil, lhe parece. Não há qualquer vida em seus olhos, mas seu cosmo brilha intensamente, quente e cheio de esperança. Mas esperança de quê? Ali está um garoto cuja vida foi roubada; pelo acaso na infância, por um homem que o separou da irmã, pelo mesmo homem que o enviou a um treinamento desumano, por ela que exigiu lealdade simplesmente por existir nesse mundo.
Por ela.
Por ela que ele feriu-se por um deus de maneira irreversível; e se os seus olhos ali não têm qualquer traço de vida, não seria justamente por que ele entregara sua vida a ela? Preferiu ferir-se a vê-la ferida? Arremessou o próprio corpo contra a morte para salvá-la, lutou por ela, perdeu todos os sentidos para trazê-la de volta à vida.
Saltou para a morte e prometeu a ela que viveria.
E ela viveu.
Viveu para ouvir aquela voz de menino chamá-la diversas vezes em seu desespero. Uma voz que tinha a imensa força de sua vontade e, portanto, ela o escutava de qualquer canto do universo, de seu subconsciente. Onde fosse.
“Saori”
O nome veio de volta para ela na voz de Seiya, como se sussurrada, embora ele nada tenha falado.
Atena soltou o báculo e ele caiu à sua frente.
O universo desapareceu, trazendo à tona o deserto do Egito que já entrava no seu começo de noite. Seiya não estava mais lá. O sol já não iluminava mais sua Sagrada Armadura. Seus olhos vidrados em suas próprias mãos, em mais nada.
Seus olhos.
Seus olhos voltaram a ter cor e ela chorou.
Queimando seu cosmo, sua Armadura saiu-lhe do corpo, dando lugar a um vestido branco muito sujo e roto.
Ela caiu ajoelhada, chorando.
O exército já estava longe, a salvo; os cinco Cavaleiros de Bronze apoiavam-se uns aos outros, observando, com alívio e tristeza, sua Deusa. Ikki, ao fundo, segurava seus ferimentos de sangrarem e olhava severo sobre todos, mas foi Shun quem andou até ela, ajoelhou-se ao seu lado e levantou-a com um sorriso na boca e lágrimas nos olhos.
— Seja bem-vinda de volta, Atena.
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