Saint Seiya - O Tabuleiro das Eras

9 Yuzuriha, a amazona de Grou


Notas iniciais
O grupo, agora separado, precisa enfrentar os cavalos. Alguns deles, já conhecidos por Shaina. Nesse momento, Yuzuriha se lembra de um poder adormecido que ela carregava.

Shaina abriu os olhos com um sobressalto. O chão frio e áspero indicava que não estava mais no mesmo lugar. Umidade escorria pelas paredes, e o ar tinha cheiro de metal enferrujado. Ela se levantou com cuidado, sentindo um leve eco de cosmo ao redor.

Mei estava a poucos metros, ainda acordando. Passou a mão na testa, confuso.

— Onde… onde estamos?

Shaina olhou ao redor. O corredor parecia um túnel vivo, com paredes que pulsavam levemente, como se respirassem. Luzes fracas piscavam no teto irregular, e havia momentos em que tudo ficava completamente escuro por alguns segundos.

— Não tenho certeza — respondeu, apertando o punho — mas sinto que subimos de nível.

A lembrança de Odisseu voltou com força. Ele segurando Tokisada, a ordem para que todos subissem… e depois, nada. Não havia sinal dele agora.

No outro lado do tabuleiro, Yuzuriha despertava ao lado de Aeson. Ele parecia… diferente. O olhar estava distante, como se ainda estivesse preso no golpe de Tokisada.

— Consegue andar? — ela perguntou, preocupada.

— Consigo — respondeu ele, mas sua voz era estranha, arrastada, como se falasse de muito longe.

— O que aconteceu com você?

— É como se… eu tivesse vivido sozinho por mil vidas… — ele desviou o olhar. — E não sei se voltei inteiro.

Antes que pudessem conversar mais, as paredes se abriram com um som metálico, revelando novas figuras.

No corredor de Shaina e Mei, duas presenças poderosas surgiram. Sonia de Escorpião Reverso e Minos de Grifo Dourado.

Sonia estava com a armadura viva, coberta por partes de insetos que se moviam sozinhas. Um líquido viscoso escorria de suas presas, caindo no chão e corroendo a pedra.

— Já enfrentei vocês antes… — disse Shaina, estreitando os olhos. — Na guerra contra Prometeu.

— E sobreviveu… por pouco — respondeu Sonia, com um sorriso cortante.

Minos não falou nada. Sua armadura dourada e distorcida transmitia autoridade e intimidação. Ele ergueu a mão, e uma onda de pressão fez o corredor estremecer.

Enquanto isso, no corredor de Yuzuriha e Aeson, os inimigos eram Izo de Capricórnio Caótico e Sorento de Virgem Despedaçado.

Izo tinha o corpo coberto de cicatrizes e usava partes dele mesmo como armas. Seus movimentos eram bruscos e imprevisíveis.

— Um cavalo… — disse Yuzuriha, percebendo pela forma como ele se movia.

Sorento, ao lado, mantinha um olhar calmo e perturbador. Sua armadura branca, adornada com símbolos religiosos quebrados, transmitia devoção e blasfêmia ao mesmo tempo.

A luta começou sem aviso.

Sonia avançou contra Shaina com as presas, atacando em ângulos impossíveis. Minos fechava o espaço com golpes de impacto que faziam o ar vibrar como um trovão. Mei entrou na frente de um golpe para proteger Shaina, sua armadura rangendo com o impacto.

— Eles são mais fortes do que antes… — disse ele, ofegante.

— E nós também — respondeu Shaina, erguendo o cosmo.

Do outro lado, Yuzuriha ficou entre Izo e Aeson.

— Ele não está pronto para lutar — disse, firme.

— Então você será a primeira — respondeu Izo, lançando-se sobre ela.

Yuzuriha se movia com velocidade, usando tecidos e telecinese para afastar os inimigos, mas Izo era imprevisível. Seus ataques vinham de ângulos estranhos, sempre fora da lógica. Sorento tocava a flauta, distorcendo os sentidos dela, tornando cada movimento mais lento.

Durante os ataques, Yuzuriha começou a sentir um pulso mental. Uma voz fraca, quase apagada, mas familiar.

Shaina? — ela pensou, tentando focar.

A resposta veio como um sussurro em sua mente.

Yuzuriha?! Está viva?

Sim. Estamos lutando contra Sonia e Minos.

Então estamos todas presas no nível dos cavalos.

A conexão durou poucos segundos, mas foi suficiente para dar forças a Yuzuriha.

— Você não vai me derrubar — disse, encarando Izo.

Ela aumentou o cosmo, usando a telecinese não só para mover objetos, mas para distorcer o movimento de Izo. Os ataques dele começaram a errar o alvo por centímetros. Sorento tentou intervir, mas Yuzuriha o lançou contra uma parede com um único movimento mental, abrindo espaço para enfrentar Izo sozinha.

O combate ficou mais intenso. Izo avançava como um animal selvagem, mas Yuzuriha agora previa seus saltos. Cada vez que ele tentava surpreendê-la, ela usava a telecinese para interromper o movimento no ar.

— O que está acontecendo? — rosnou Izo, furioso.

— Estou aprendendo a ler seus passos — respondeu Yuzuriha.

Em um momento de descuido dele, ela usou toda a força da telecinese para levantá-lo no ar e arremessá-lo contra o teto com violência. A armadura se quebrou em partes, e Izo caiu desacordado.

O cosmo do tabuleiro reagiu. Uma energia dourada cercou Yuzuriha, mudando seu status.

— Cavalo… — ela sussurrou, sentindo o peso da mudança.

De longe, Shaina ainda lutava contra Sonia. Ela percebeu a alteração no ar e sorriu de leve.

— Yuzuriha conseguiu.

Minos tentou aproveitar a distração, mas Shaina se esquivou e contra-atacou com um golpe rápido no flanco dele.

— Não pense que vou cair tão fácil — disse ela.

O nível do cavalo estava só começando, e o cosmo de outros inimigos já se aproximava pelos corredores. O destino de Odisseu ainda era um mistério, e cada vitória parecia trazer um desafio ainda maior.

Notas finais
O tabuleiro segue em movimento. Yuzuriha ascende a cavalo, mas Shaina e Mei ainda enfrentam inimigos perigosos. Aeson luta contra o próprio estado mental após o golpe de Tokisada. E nas sombras, o paradeiro de Odisseu permanece desconhecido… mas o jogo está longe de acabar.