Saint Seiya - O Tabuleiro das Eras
17 O Campo Infinito dos Bispos
Notas iniciais
O chão parecia feito de mármore negro, cortado por finas linhas douradas que se estendiam até perder de vista. Ao longe, figuras se moviam em silêncio, algumas reconhecíveis, outras estranhas como sonhos distorcidos. Entre elas, havia espectros, cavaleiros de ouro, marinas, anjos, guerreiros mitológicos — todos ali presos.
Do nada, um som metálico ecoou, como um sino distante. A massa de guerreiros se abriu e, do centro, caminhou um homem de cabelos curtos, a armadura prateada adornada com detalhes celestes.
— Sejam bem-vindos… ao último campo antes das rainhas. — Sua voz era profunda e imponente. — Sou Pollux de Athanasia, guardião e anunciador deste nível.
Shaina estreitou os olhos.
— Athanasia… imortalidade?
Pollux sorriu.
— Aqui, não se morre… mas tampouco se vive. Todos vocês, agora bispos, lutarão contra seus iguais até provarem que merecem subir. Quem falhar… ficará aqui para sempre.
Yuzuriha olhou em volta, desconfiada.
— E se vencermos?
— Vencer… — Pollux ergueu a mão, e chamas azuladas dançaram sobre seus dedos. — …é encontrar uma saída que ninguém jamais encontrou.
Antes que pudessem perguntar mais, o chão sob eles se fragmentou em quadrantes luminosos. Cada quadrante se isolou como uma arena, separando-os.
Aeson se viu diante de uma figura feminina alta, cabelos longos azul-prateados que oscilavam como seda ao vento, e uma armadura branca e afiada como lâminas. Um olhar frio e cortante, como se o tempo tivesse congelado em seus olhos.
— Alice de Vorpal — disse ela, com a voz suave, mas carregada de ameaça. — Você não parece digno deste nível.
Aeson manteve-se firme.
— Não vim para provar nada a você. Vim para sair daqui.
Alice sorriu levemente, sacando a espada curva que trazia nas costas.
— Então prove… antes que eu o corte em pedaços.
Sem aviso, ela avançou. O corte foi tão rápido que o ar pareceu ser dividido em duas partes. Aeson desviou por pouco, sentindo um frio metálico roçar seu rosto.
— Vorpal Slash! — gritou ela, e uma onda cortante seguiu seu movimento, abrindo um sulco no chão.
Aeson recuou, o cosmo queimando ao seu redor. Ainda carregava em si o peso dos cem mil milênios de solidão impostos por Tokisada, mas agora aquilo era combustível.
— Hidros Impact! — Um jato de energia líquida explodiu de suas mãos, mas Alice o rebateu com um giro da espada, desfazendo a técnica como se fosse fumaça.
Ela não parecia se mover com esforço. Cada ataque era uma dança, e cada passo dela reduzia a distância.
— Você é lento. — Alice ergueu a lâmina, e chamas azuladas começaram a envolver o fio. — Vorpal Flame!
A explosão de calor e corte veio junto, e Aeson foi lançado para trás, o peito ardendo. Ele respirou fundo, lembrando do vazio onde passou incontáveis eras. Ali, sozinho, aprendeu que não bastava atacar… era preciso controlar o fluxo.
Fechou os olhos por um segundo. Quando os abriu, seu cosmo brilhou como cristal líquido.
— Cálice Celeste! — Uma esfera translúcida surgiu à sua frente, refletindo cada golpe de Alice e devolvendo-o em ondas.
O impacto jogou a guerreira alguns metros para trás, mas ela girou no ar, pousando com leveza.
— Interessante… — murmurou. — Então não é apenas um tolo de peça recente.
Eles trocaram golpes em alta velocidade. O som metálico ecoava pelo campo vazio, e cada impacto levantava faíscas douradas no chão negro. Alice era precisão e graça; Aeson, força contida e estratégia.
Num momento, ela ergueu a espada para um corte vertical, mas Aeson já estava no ponto cego.
— Onda do Cálice! — Um feixe líquido atingiu o ombro dela, arrancando faíscas da armadura.
Alice recuou, tocando o ferimento. Não parecia zangada, mas intrigada.
— Faz tempo que alguém me atinge. — Ela então deu um leve sorriso, algo que parecia um convite e um desafio. — Continue, Aeson… quero ver até onde consegue.
Enquanto isso, nas outras arenas, sons de batalhas ecoavam distantes. Shaina enfrentava Goethe, a armadura dela ainda partida do golpe de Nix; Yuzuriha duelava contra Pollux, testando cada telecinese contra as técnicas do bispo; Sonia encarava Adão e Lilith ao mesmo tempo, o ódio por Nix alimentando seu cosmo; e, em outro ponto, Mei lutava contra… ele mesmo.
A tensão aumentava. O campo dos bispos não tinha espectadores — cada um era ao mesmo tempo lutador e carcereiro de si mesmo.
Alice investiu novamente, a espada cortando o ar com um zunido agudo.
— Vorpal Rain! — Gotas de luz afiada choveram sobre Aeson, cada uma capaz de cortar pedra. Ele ergueu uma barreira líquida, mas parte do ataque passou, rasgando-lhe o braço.
— Não vai ser assim que me derruba… — Aeson murmurou, o sangue escorrendo. Seu cosmo então subiu de forma repentina, um turbilhão aquático envolvendo seu corpo. — Dilúvio Celestial!
A água tomou forma de centenas de lâminas líquidas, avançando contra Alice em ondas sucessivas. Ela cortava, esquivava, bloqueava… mas a pressão aumentava a cada segundo.
Por um instante, o olhar dela mudou — não de medo, mas de reconhecimento.
— Agora vejo… — disse, antes de girar e dispersar a água com um corte em arco. — Você carrega mais do que parece. Talvez… tenha chance.
As palavras pairaram no ar, sem conclusão. Um novo toque do sino ecoou ao longe, e subitamente as arenas começaram a se desfazer. O chão negro se dissolveu em luz, e todos os combatentes sentiram algo os puxar para frente.
Quando a visão clareou, eles estavam lado a lado novamente. Shaina, Mei, Yuzuriha, Sonia e Aeson trocavam olhares confusos. O cosmo deles, no entanto, estava diferente — mais intenso, mais refinado.
Pollux reapareceu diante deles.
— Avançaram… e nem perceberam. Agora são bispos completos. — Ele apontou para o horizonte infinito. — Mas este é apenas o começo.
O campo sem fim se estendia adiante, repleto de figuras em combate eterno. E, de algum ponto distante, três silhuetas observavam — Ormenos e dois outros seres tão enigmáticos quanto ele.
— Eles acham que vão sair… — disse uma voz grave. — É sempre engraçado quando acreditam nisso.
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