Notas iniciais
Após derrotarem suas torres individuais — Geist, Nix, Yato, Typhon e Eris — Shaina, Sonia, Mei, Aeson e Yuzuriha despertaram no mesmo ponto do tabuleiro. Nenhum sabia explicar como haviam chegado até ali, mas sentiam no ar que a prova final daquele nível estava prestes a começar. A atmosfera era pesada, como se o próprio tabuleiro contivesse a respiração, aguardando o próximo movimento. À frente deles, um salão amplo, envolto por colunas de pedra que se estendiam até o teto perdido na escuridão. O chão estava marcado por rachaduras que formavam desenhos de asas. Ali, a última Torre os aguardava.

O som de passos suaves ecoou pelo salão. Das sombras, surgiu uma figura que Shaina reconheceria mesmo sem a máscara.

Marin... — o nome escapou de seus lábios quase num sussurro.

A amazona surgiu vestindo a Armadura de Águia Dourada, brilhando como um sol forjado em metal. A mesma armadura que Marin usara para enfrentar Prometheus, presente de Zeus a Athena. Mas seu olhar não era mais de amiga ou mentora; era frio, distante.

— Vocês chegaram longe — disse Marin, com voz firme. — Mas o tabuleiro não permite laços. Aqui, cada um é apenas uma peça. E eu sou a Torre que encerra o caminho de vocês.

Sonia cruzou os braços, quase debochando. — Se pensa que cinco contra um é justo...

— Não se enganem — cortou Marin, seu cosmo dourado crescendo até o chão tremer. — Vocês não estão enfrentando a mulher que conheceram. Sou apenas a sombra mais forte que restou de mim. E sombras... não hesitam.

O ar explodiu quando Marin abriu as asas douradas. O impacto do cosmo fez todos recuarem.

Shaina deu um passo à frente. — Se você ainda for a Marin que conheci... me prove. Lute com tudo.

— Eu não sou mais sua Marin — respondeu a Torre. — Sou seu obstáculo final.


Sem esperar, Marin se lançou contra o grupo. "Garras Relâmpago!" — os golpes cortaram o ar como lâminas douradas, forçando Mei e Aeson a se defenderem em conjunto. Sonia e Yuzuriha se separaram, tentando encontrar uma abertura.

— Ela é mais rápida que antes! — gritou Mei, desviando por pouco.

— Não adianta correr — a voz de Marin ecoou, seguida de um golpe em Yuzuriha que a lançou contra uma coluna.

Shaina avançou, o cosmo roxo crescendo. — Garras do Trovão! — O choque atingiu Marin, mas a Torre apenas recuou um passo antes de agarrar o braço de Shaina e arremessá-la contra o chão.

— Você sempre lutou bem, Shaina — disse Marin, aproximando-se. — Mas sempre na sombra dos outros.

A frase a cortou mais do que o golpe. Shaina se ergueu, os olhos ardendo de determinação.


Aeson criou uma barreira com seu cosmo líquido, tentando conter a pressão da Águia. — Vamos todos juntos! — bradou.

Mei surgiu pela esquerda, o cosmo esverdeado girando como espirais. — Portão da Purificação! — Uma torrente de energia espectral explodiu, enquanto Sonia atacava do lado oposto com um chute rápido e preciso.

Marin girou no ar, desviando de ambos, e disparou uma rajada dourada que abriu uma cratera no chão. — Vocês não entendem... este é o fim do caminho para vocês.

Yuzuriha reapareceu, cortando o ar com Asas do Grou, criando correntes de vento que envolveram Marin. — Agora!

Aeson lançou Cálice da Redenção, um golpe que fez a energia da água colidir com o vento de Yuzuriha. A explosão forçou Marin contra o chão. Mei tentou selar a vantagem, mas a Torre abriu as asas e subiu, dispersando o ataque.

— Não vai ser assim tão fácil — disse ela, antes de mergulhar diretamente contra Shaina.


A pressão era insuportável. Shaina sentia cada fibra de seu corpo queimar, mas algo dentro dela respondeu. Uma lembrança — Odisseu, sorrindo com serenidade, dizendo: "Mesmo uma víbora pode tocar o céu."

O cosmo de Shaina explodiu, um brilho dourado surgindo por instantes. A Armadura de Ofiúco reluziu sobre ela por um breve momento. — Garras do Trovão Douradas! — O impacto atingiu Marin diretamente, jogando-a para trás e arrancando parte da sua armadura.

Todos congelaram por um instante. Shaina respirava com dificuldade, o brilho dourado sumindo aos poucos.

— Então... é assim que você quer ser lembrada — disse Marin, erguendo-se. Pela primeira vez, havia um leve sorriso em seu rosto. — Mostre-me, Shaina... até onde pode ir.


Os cinco se reuniram. Não havia mais espaço para erros. Mei criou um corredor de energia espectral para conter Marin. Sonia atacou pela direita com golpes precisos, forçando-a a se defender. Yuzuriha, pelas costas, ergueu correntes de vento cortante. Aeson canalizou todo o seu cosmo em um único feixe, o Cálice da Purificação Final.

Shaina, no centro, concentrou tudo no golpe final. — Garras do Trovão!

Marin tentou abrir as asas para fugir, mas estava cercada por todos os lados. Os ataques colidiram ao mesmo tempo. O salão inteiro tremeu. A armadura dourada da Torre rachou, o brilho sumindo. Marin caiu de joelhos, olhando diretamente para Shaina.

— Talvez... ainda exista algo de mim em você — disse, antes de se desfazer em luz.

O silêncio caiu. Os cinco permaneceram imóveis por alguns segundos, sentindo a pressão da batalha se dissipar. Então, o tabuleiro brilhou sob seus pés.



A energia os envolveu. As peças em seus peitos mudaram de forma: de bispos para torres. Um som metálico ecoou pelo salão, como se o próprio tabuleiro reconhecesse a promoção.

— Conseguimos... — disse Aeson, mas sua voz não soava vitoriosa. Todos sentiam que haviam dado mais um passo rumo ao desconhecido.

O cenário à frente se transformou. As paredes sumiram, revelando um salão amplo com três tronos. No centro, uma luz dourada suave iluminava o caminho.

Uma voz doce, quase maternal, preencheu o espaço:

— Sejam bem-vindos, meus nobres cavaleiros.

A figura surgiu sentada no trono central. Era Athena, ou ao menos uma imagem dela. O cosmo que emanava dela era tão familiar quanto reconfortante.

— Vocês provaram sua força e merecem estar aqui, entre as Torres. Mas a jornada ainda não acabou. — Seu olhar percorreu cada um deles. — O tabuleiro ainda guarda seus maiores segredos.

Os cinco se entreolharam. Nenhum sabia o que viria a seguir, mas todos sentiam que estavam diante de algo muito maior do que qualquer batalha anterior.

Notas finais
A última Torre havia caído. Shaina, Sonia, Mei, Aeson e Yuzuriha agora eram Torres, prontos para enfrentar o próximo nível. Mas a aparição de Athena, serena e acolhedora, levantava mais dúvidas do que respostas. Quem eram as Rainhas? E por que, apesar de tantas vitórias, a sensação de que estavam caminhando para o abismo só aumentava? O tabuleiro ainda não havia mostrado sua última carta.