Notas iniciais
Após o Golpe da Diagonal, o chão sob os pés dos quatro guerreiros se fragmentou como vidro frágil. Não houve queda. Não houve grito. Apenas o escuro, seguido por um despertar solitário. Cada um abriu os olhos em um lugar que parecia moldado a partir de suas memórias — belas ou dolorosas. O tabuleiro, mais uma vez, estava jogando com as peças.

O silêncio após a ascensão aos domínios das Torres durou pouco. A luz que os havia envolvido se dissipou e, quando abriram os olhos, cada um estava sozinho. O chão sob seus pés já não era o campo infinito dos bispos; agora, cada cenário parecia moldado para arrancar memórias, culpas e fragilidades. Shaina sentia a areia áspera sob suas botas — estava de volta a uma arena como a de suas antigas batalhas, mas o céu estava coberto por nuvens negras. Yuzuriha respirava o ar fresco de um bosque silencioso, onde pétalas vermelhas caíam como chuva lenta. Aeson caminhava por um jardim exuberante, onde flores pareciam observá-lo com olhos ocultos. Mei ouvia o rugir profundo de algo subterrâneo enquanto estava em uma encosta rochosa coberta de fumaça. E Sonia… Sonia reconheceu de imediato o trono negro diante dela, cercado de correntes que se moviam como serpentes vivas.

Shaina apertou os punhos, o instinto de luta despertando no mesmo instante em que uma figura surgiu diante dela. Geist, a amazona que havia enfrentado no passado, erguia-se com uma armadura agora mais pesada e ameaçadora, com o elmo serpentino brilhando sob a luz opaca. Seus olhos ardiam com rancor.

— Você me derrotou uma vez, Shaina… mas hoje é diferente. — A voz dela ecoava com um timbre frio.

Shaina não respondeu de imediato; lembrava-se de como quase perdera para Geist antes. O rancor da inimiga parecia ter crescido com os anos dentro do tabuleiro. Quando Geist avançou, as correntes de sua arma cortaram o ar, mas Shaina desviou, sentindo o impacto tremer no solo. O duelo foi rápido e brutal desde o início, cada golpe testando a resistência da outra. No auge, Shaina lembrou-se de Odisseu, de sua presença silenciosa e de uma técnica que ele havia mostrado apenas uma vez. Ergueu o cosmo, canalizando-o pelos músculos e pelas unhas.

— Garras do Trovão! — O golpe explodiu contra a armadura de Geist, que recuou, mas contra-atacou com lâminas de vento cortante.

Enquanto isso, Sonia encarava Nix. A deusa do caos parecia mais sombria do que nunca, com a pele como um véu de trevas e o olhar de quem via tudo como um jogo cruel.

— Criei você para ser uma arma… mas é fraca. — Nix avançou, e Sonia desviou com movimentos rápidos, lançando contra-ataques quase desesperados.

Cada golpe trocado vinha acompanhado de lembranças dolorosas: sua criação, o vazio de um propósito imposto, a prisão no tabuleiro.

— Eu vou apagar você e todos os seus Lúcios! — gritou Sonia, seu cosmo explodindo em tons de vermelho e negro. As duas travaram um combate feroz, cada golpe ecoando como trovão, a energia destruindo as correntes que cercavam o trono.

No bosque, Yuzuriha olhava incrédula para a figura à sua frente. Yato, com uma armadura distorcida e marcada por um tom vermelho profundo, sorria com amargura.

— É assim que me vê? Como um obstáculo? — disse ele, avançando com o cosmo do Unicórnio ardendo como fogo.

Yuzuriha respondeu erguendo sua lâmina, cada movimento fluindo com precisão de anos de treino. O combate era tão rápido que as pétalas caindo pareciam congeladas no ar. No meio da luta, Yato revelou a verdade:

— Essa é a versão que ficou presa quando você abandonou o posto de amazona. Nós dois fomos esquecidos… e agora, só um de nós vai sair.

O golpe seguinte de Yato quase atravessou sua defesa, mas Yuzuriha girou, canalizando energia em um corte diagonal que fez a floresta estremecer.

No jardim, Aeson caminhava devagar, mas sabia exatamente quem estava à sua frente. Eris, envolta em um vestido verde que se movia como se fosse feito de fumaça viva, sorria com um encanto venenoso.

— Voltou para mim, Aeson? — a voz dela era melodia e ameaça.

Ele não respondeu; ergueu a Taça e liberou um feixe de luz tão puro que cortou a ilusão ao redor. A luta foi quase silenciosa, mas cheia de tensão: Eris usava ilusões, distorcia o espaço e tentava manipular suas emoções, lembrando-o da vez em que traiu Athena.

— Eu não sou mais o seu peão. — Ele reuniu energia em um ataque concentrado, a luz da Taça explodindo contra a deusa.

Nas rochas fumegantes, Mei sentiu o calor aumentar com cada passo. E então, ele ouviu:

— Finalmente… — A voz grave fez o chão tremer. Typhon, o senhor dos Gigas, surgiu do vapor, imenso, a armadura fundida com magma, o rosto marcado pelo ódio de séculos preso.

Mei sorriu de canto.

— Parece que nós dois sabemos o que é viver aprisionado. — O cosmo dele explodiu, verde e frio, contrastando com o calor sufocante.

A luta foi titânica, cada golpe fazendo a montanha estremecer. Typhon atacava com ondas de fogo e rocha, enquanto Mei contra-atacava com portais espirituais e correntes do submundo.

— Portão da Purificação! — A explosão abriu uma fenda no chão, engolindo parte da figura do gigante, que rugiu antes de desaparecer em luz.

As batalhas se estenderam como se durassem horas, mas no tabuleiro o tempo parecia se distorcer. Shaina, ferida, conseguiu desarmar Geist com um último golpe de garras, mas antes que pudesse confirmar a vitória, foi envolvida por uma luz branca. Sonia caiu de joelhos, exausta, com Nix desaparecendo em trevas. Yuzuriha manteve-se firme, o corpo tremendo enquanto Yato se desfazia em pó. Aeson respirava fundo, vendo a imagem de Eris se dissipar como fumaça. Mei fechou os olhos quando Typhon foi engolido pela fenda.

Um instante depois, todos abriram os olhos ao mesmo tempo. O chão era liso, sem cor, o ar silencioso como um vazio absoluto. Eles se olharam — todos marcados pelas batalhas, mas de pé.

Nenhum deles disse nada; havia compreensão no silêncio. Eles sabiam que algo maior estava por vir.

E à frente, na penumbra distante, uma figura se movia lentamente… mas isso, só veriam no próximo capítulo.

Notas finais
Cinco torres ruíram. Mas o silêncio desse novo local não era de descanso — era de expectativa. Eles não sabiam que cada passo dali em diante os levaria ao encontro de algo que mudaria para sempre o destino do tabuleiro.