Notas iniciais
Aparição de novos personagens.

20 de Agosto
Bandar Qasim — Somália

– Não era uma longa jornada, tampouco cansativa, a travessia era menos de duas horas, mas havia uma unica embarcação por dia e se a perdesse, certamente seu humor não seria dos melhores. Assim pensara Jan Teles, um Cavaleiro de Bronze que fora mandado para uma perigosa ilha próximo à Somália. Junto de outro Cavaleiro, tinham a missão de acompanhar um rigoroso teste final para outro possível aspirante à Santo de Atena. Pontualidade nunca foi o forte de Jan, sendo que seu parceiro havia atravessado o Oceano Índico à pelo menos um dia atrás, conforme a data e hora marcada por eles.

Bandar Qasim é uma cidade portuária da Somália, muitos navios atracavam-se ali, e deles podiam-se ver várias etnias juntas, como os Otomanos, Galeses, Macedônios, Sarracenos, todos de variados estilos, crenças e costumes.

Sentado em cima de sua urna, o Cavaleiro de Bronze esperava pacientemente pela nova embarcação, alimentando-se de um pedaço de Moussaka, que dizem ser muito saboroso por sinal, no entanto, algo o afligia, um mal pressentimento o assolava, mas não sabia explicar.
Jan era um garoto, ainda não chegara a maioridade, mas apresentava um forte senso de justiça, nascido em Estremadura, uma província Portuguesa, tinha estatura mediana, cabelos escuros assim como suas pupilas, portava uma básica roupa de treino branca, com suas vestes em couro. Tempos depois, Jan subia na pequena embarcação, rumo à temida Ilha de Andrômeda!


Na mesma hora, a primeira fase do teste final dava-se início, um único desafio, onde um total de dez alunos lutariam entre si, até restar uma só pessoa! O Local era uma área de difícil acesso até mesmo para Cavaleiros, cercado de montanhas, era uma arena situada em um grande abismo, havia apenas uma unica saída, impossível de fugir, a não ser pular para a morte!
Aproximadamente duas horas depois, Jan, que desembarcara há pouco, começava a sentir os efeitos da ilha, temperaturas elevadas, insetos e animais selvagens por toda a parte! O jovem recordou que havia um pequeno mapa local esquecido em sua bota direita, e guiando-se por ele, finalmente chegou ao local indicado, encontrando seu parceiro.


Para ambos, a ordem dada pelo Santuário era de supervisionar o teste final na Ilha de Andrômeda, mas Jan, que atrasou em um dia sua chegada, se preparava para a bronca que levaria, mas chegando mais perto, viu que isto não iria acontecer. Seu parceiro estava com uma feição um tanto séria.

– O motivo desta cara fechada seria apenas pelo meu atraso, Wittels? — dizia Jan
– Não, não é nada disso, olhe para atrás e entenderá! — respondeu seu parceiro, Wittels.

Em primeiro momento Jan não se sentira assustado, pouco mais a sua frente estava a grande arena em que terminara uma sangrenta batalha entre dez alunos, eventualmente o que assustara Jan e Wittels era o único sobrevivente e que vinha em suas direções. O motivo do mal pressentimento de Jan e o rosto fechado de seu parceiro Wittels, certamente se revelara. Era Sirrah, amiga de ambos durante o período de treinamento com o Mestre Kourion. Os três tinham criado um forte vínculo de amizade durante este tempo. A jovem, que agora estava mais próxima, colocou a mão nos ombro de Jan, tinha uma feição sorridente, apesar de mal se aguentar em pé, devido aos ferimentos.

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Sirrah, era uma bela garota, de pele clara, longos cabelos castanhos, e olhos esverdeados, já com seus 10 anos, era bastante determinada e apesar do sexo frágil, jamais pensou como inferior à seus amigos. Cinco anos depois, eles puderam ver o resultado de sua força e determinação, mas ainda restava o último desafio para se tornar uma Amazona, o mortal Sacrifício de Andrômeda.

Após passarem a noite na Ilha, Jan perguntava-se, como sua amiga de treino aguentara ficar cinco anos numa ilha dessas?! E conversando com seu amigo Wittels, convenceram-se de que estavam subestimando sua capacidade.
Na manhã seguinte, na encosta, Sirrah estava completamente acorrentada sob um rochedo, podiam-se ver fortíssimas ondas batendo contra ela, mas mantinha-se firme!
Do alto, numa parte segura, aos olhos atentos de Jan e Wittels, também estavam os parceiros de treino de Sirrah, todos torciam por ela, sabiam da dificuldade deste desafio. Um deles ainda, dissera que ela tinha uma força descomunal e mesmo assim não ousou tirar a vida de ninguém durante o teste do dia anterior, tinha um bom coração e por isso também torcia por ela agora.

Por aproximadamente vinte minutos, Sirrah foi severamente castigada pelo mar, ondas que ricocheteavam em seus braços e pernas, muitas vezes a superfície da água passava acima de sua boca, mas o céus ainda não estavam convencidos, e o nível do mar subiu gradativamente, submergindo a bela garota. Nesse momento todos estavam aflitos, pois as ondas não baixavam, a jovem estava submersa há quase seis minutos!
Em meio à fortes ondas, medo e pensamentos negativos de seus amigos, um forte e intenso brilho surgia diante da grande maré, os mais atentos como Wittels percebera que as resistentes correntes não mais se prendiam sobre as rochas.

Com a maré baixando, um redemoinho começou a se formar e domada por um rosado e brilhante cosmo, Sirrah emergia dos mares! Porém...

– Wittels, ela está desacordada! — disse Jan
– Sim, sua força de vontade sobrepujou seus limites e a deixou inconsciente! — alertava Wittels.
– Sirraaah, acorde, vamos acordeee! — gritava Jan.

O redemoinho chegara na encosta e começava uma destruição a seu redor! Desejando que tudo isto terminasse bem, os gritos desesperados de Jan, a fizera despertar, como se tivesse atingindo o cosmo de seu coração.
Com isso, o cosmo instável de Sirrah desapareceu, dando ao lugar, um grande grito, não se sabia se era de dor, fraqueza, ou de superação, mas sabia-se que a bela e reluzente Armadura de Andrômeda agora cobria seu corpo! Novamente a jovem ficara inconsciente, mas agora Wittels estava lá para ampara-la!

Continua...