Saint Seiya - Dio Axia
2 Ato I

16 de Agosto
Tessália — Grécia
Ainda quando os primeiros raios de Sol raiavam pela manhã, acima das florestas havia uma pequena colina, uma casa, um homem! De capuz acinzentado, pouco se via de seu rosto, o homem que se aproximava da singela casa, em termos de estatura, não passara de um metro e oitenta, trazia consigo uma bolsa e um pequeno broche no peito, era um mensageiro, e o mesmo batera na porta. Bateu duas, três, quatro vezes, até perceber que outra pessoa o fitava próximo a ele.
Esse tinha um ar jovial, tinham alturas parecidas, cabelos curtos e aloirados, vestia uma roupa de treino, de tons tão verdes como as folhas das árvores desta floresta, carregava um pouco de lenha, e na sua cintura, ao que parecia, um coelho selvagem recém capturado. O jovem passou tranquilamente pelo misterioso homem até sua casa, e sem olhá-lo nos olhos, disse:
– O Santuário cansou de me esperar, a ponto de enviar um mensageiro?! — disse o jovem.
– Depende! Se o cavalheiro já cumpriu seu objetivo, Mestre Kourion o receberá com enorme afeição! — respondeu o Mensageiro.
O jovem loiro que adentrava à sua casa, tivera que olhar em sua direção, cerrou os olhos tentando ver o rosto além do capuz, estranhou o jeito informal das palavras do mensageiro.
– Tsc, ele ainda deveria saber que me resta mais um dia, e hoje os céus irão me agraciar! — disse o jovem
– Tenho ordens de acompanha-lo, cavalheiro! — disse o Mensageiro, dando a resposta ao loiro que ambos voltariam ao santuário completando ou não seu treinamento final.
– Me chame de Jano! — replicou ele.
No entardecer daquele dia, sob olhares do mensageiro, Jano seguia para o templo de Quíron, situado atrás da colina, era um belo lugar, cercado por cachoeiras, belos jardins, diversas colunas dóricas e estátuas, que se supunham ser tão antigas quanto o império Romano. No templo havia um pátio onde Jano estava ao centro, em todas suas colunas haviam suportes para tochas, e uma grande e prateada pira de fogo, que estava visível no segundo andar do mesmo. Acima de seu ádito, havia algo que ele desejou por cinco longos anos, e que só ele sabia o quanto passou para chegar até onde se encontra hoje. A Armadura Sagrada da constelação de Centauro, sua estrela guardiã. O teste final consistia em acender todos os suportes e a pira de Quíron, apenas queimando seu cosmo!
O jovem agora tinha uma feição séria, continuou na área central do pátio, cerrou os punhos e os posicionou virados para cima junto a cintura, de cabeça erguida e olhos fechados, disse:
– Força que habita em mim, Cosmo, dê-me o poder para despertar o sentido latente! — proferiu Jano.
Nada surgiu...
Atento como um jaguar e silencioso como uma serpente, o mensageiro analisava o jovem, e o que parecia te-lo pego como um ponta de dúvida, totalmente se dissipou quando contemplou uma enorme chama envolto de um cosmo avermelhado.
Um turbilhão de fogo e cosmo aumentava gradativamente, a concentração de Jano era elevada, qualquer impulso resultaria na destruição do templo ou do próprio lugar!
Levantou o braço esquerdo com as mãos para o alto, nas colunas, chamas começaram a acender seguidamente até a última pilastra. Com seu braço direito em meia altura, socou o ar em curva, no mesmo angulo de todas as colunas da direita, um raio vermelho atingiu e acendeu todas as tochas de uma só vez, deixando o mensageiro deslumbrado, compungido.
– E agora, o Gran Finale — disse Jano.
Concentrou uma grande esfera de chamas vermelhas em suas mãos, correu em direção a grande pira e saltou mais de dez metros para o alto, ele sabia que aquela pira foi forjada pelos deuses e um humano normal jamais conseguiria acendê-la.
Mas a partir deste dia, Jano não era um homem comum, agora servia a Atena, era um Cavaleiro de Prata. Antes mesmo de jogar sua poderosa bola de fogo contra a pira, o jovem previa que este era seu fado. Jano sentiu uma estranha ressonância entre seu corpo e armadura, que agora habitava em seu corpo, sentia um cosmo ardente, ao mesmo tempo uma contemplação de alívio e paz. Para ele, nenhum sol poente foi tão belo como nesse dia.
Do mesmo modo em que o mensageiro olhava para o recém Cavaleiro, Jano o olhava diretamente, e dissera:
– Ei, a pouco tinha pedido para você me chamar pelo nome, mas quero que agora me chame de Jano, Jano de Centauro! Diga para todo o santuário que o mais poderoso Cavaleiro de Prata esta chegando!
– Muito bem, Cavaleiro de Prata, espero que suas palavras tenham alguma valia, mas não pense que haverão Santos de Prata abaixo de você! — disse pela última vez o mensageiro improvisado.
O manto acinzentado que cobria seu corpo, agora voava lentamente da colina, vestia um traje de tons azuis escuros e prata, via-se agora um igualmente jovem, de pele clara, olhos verdes e cabelos de um vívido castanho.
– No momento, o Santuário possui poucos servos a seu dispor, e fui incumbido de traze-lo de volta, eu assim como você sou um Cavaleiro de Prata, pode me chamar de Yugo Payens da constelação de Escudo.
– Hum, vejo que terei que adiar minha volta à Florença, minha terra. — disse Jano.
– Eu mesmo não vejo Champagne há quatro anos! Vamos, partiremos hoje a noite para o Santuário. — respondeu Payens.
Na mesma noite, os dois Cavaleiros de Prata partiram para Atenas, respondendo ao chamado do Grande Mestre.
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