Saint Seiya - A Cruz de Prata

5 Capítulo 5 - Aquele que é o herdeiro de Pedro


Capítulo 5 – Aquele que é o herdeiro de Pedro

Vaticano, a sede da igreja Católica. Residência do bispo de Roma e local para onde milhares de peregrinos viajam todos os anos a fim de conhecer a sede máxima da igreja católica apostólica. Seu território ínfimo localiza-se no interior da cidade de Roma e todo o seu poder repousa nas mãos de um homem: o Papa Francisco I*.

Ao chegarem aos portões de entrada do Vaticano, Myuki e Virgílio logo avistaram uma multidão aglomerada no pátio de São Pedro. Naquele momento o Papa discursava para os fiéis presentes e transmitia suas mensagens de paz e bênçãos àqueles que estavam sendo atingidos.

Foi um pouco difícil caminhar no meio de tantas pessoas, mas de certo modo era vantajoso já que eles poderiam se misturar e assim que encontrassem uma brecha poderiam entrar no palácio apostólico.

Por um momento Myuki parou e observou ao Papa Francisco. Seus olhos o fitavam de maneira intensa, de uma forma semelhante à de um animal selvagem vigiando a sua presa.

— Então aquele é o chefe da igreja de Roma. – Myuki falou quando Virgílio colocou-se ao lado dela. – Ele não me parece grande coisa.

— Ele pode até não parecer grande coisa para a senhora, mestra. Mas para milhões de pessoas no mundo ele é visto como uma autoridade respeitável que de fato busca trazer novos ares à uma crença decadente.

N.A.: “Papa Chico”

— Entendo, admito que nunca fui do tipo religiosa. E certamente devo ter infligido a todos os mandamentos dessa igreja. A propósito Virgílio, sou péssima em italiano, o que o Papa está falando ali em cima?

— De forma resumida ele está dizendo para as pessoas orarem por aqueles que foram atingidos pelas calamidades, para apoiarem os seus entes queridos, apoiarem àqueles que estão sofrendo neste momento, mas acima de tudo, que tenham fé, pois os períodos de provação serão difíceis, mas que Deus não falhará com aqueles que tiverem fé.

— Puft... – Myuki expressou certa careca de desdém. – É muita tolice acreditarem que este deus trará salvação. Onde já se viu acreditar que o seu agressor será o seu próprio libertador.

Virgílio permaneceu calado diante o comentário de sua mestra. Embora ele fosse um cavaleiro a serviço de Atena ele sempre teve dentro de si os ensinamentos da fé católica que recebeu de seus pais quando mais novo. Para ele era difícil entender tudo o que estava se passando já que sempre entendeu que Deus era justo e piedoso, mesmo que este tenha castigado diversos pecadores no decorrer dos textos bíblicos. E se não tivesse presenciado o ataque dos arcanjos ao Santuário ele nunca acreditaria que Deus estava agora destruindo a Terra.

A dupla de cavaleiros passou alguns minutos acompanhando o discurso do Papa e a movimentação dos fiéis na praça, até que Myuki percebeu uma pequena movimentação junto à uma porta que dava acesso a ala interna da basílica de São Pedro e por consequência ao interior do palácio apostólico.

— Veja Virgílio. Aquela porta não é vigiada e há pouca movimentação de clérigos por ali. Será nossa porta de entrada. – Disse a amazona.

— Vamos então. – Respondeu o santo de Cérbero.

Os dois entraram pela porta tendo o cuidado de evitarem serem vistos pelos poucos fiéis que passavam próximos ao local. Chegando lá avistaram um pequeno corredor que passava por trás da igreja e levava à área interna do palácio. Seguiram por este ambiente até ouviram o som de uma porta lateral se abrindo. De dentro da sala estavam saindo dois frades com seus hábitos.

Antes que os religiosos ou Virgílio se dessem conta Myuki já os havia nocauteado. De fato ela era uma verdadeira assassina com movimentações silenciosas somadas à velocidade da luz de seus golpes.

— Eles estão mortos?! – Indagou Virgílio aproximando-se de um dos frades.

— Não. Fique tranquilo. Apenas os desacordei para que pudéssemos pegar suas vestes emprestadas, assim poderemos seguir sem sermos notados.

— Desta forma poderemos nos aproximar do Papa sem termos aborrecimentos. Mas devemos ser rápidos, logo ele terminará o pronunciamento e sairá da sacada e este será o momento de conseguirmos as informações que precisamos.

Os cavaleiros avançaram pelas instalações do Vaticano até chegarem no corredor de acesso que levava até a sacada onde Francisco terminava seu pronunciamento. Assim que o Papa deixou o local seguiu em direção ao seu escritório acompanhado de dois auxiliares.

Myuki e Virgílio foram atrás dos três homens. Chegando à porta do escritório o Papa percebeu a aproximação das duas pessoas. Parou, virou-se e falou:

— Posso ajudá-los meus filhos?

— Tenho certeza de que pode, mas precisamos falar a sós com vossa santidade. – Falou Virgílio com a voz firme, porém educada.

— Temo que não seja possível meus filhos. – Disse o religioso com ar de apreensão. Neste instante os dois auxiliares tombaram no chão de forma idêntica aos frades anteriores, mais uma vez atingidos pelos golpes de Myuki.

— Nós insistimos. – Falou Myuki retirando o capuz do hábito que vestia e encarando ao Papa com seu mais temível olhar.

Os dois cavaleiros entraram junto ao Papa em seu escritório. O religioso ainda estava apreensivo sem saber as intenções daquelas duas pessoas.

— Então, o que posso fazer por vocês? – Perguntou Francisco.

— Estamos buscando por Deus. – Falou Virgílio

— Ora. Se for isso por que não foram a uma missa, não foram se confessar, ou apenas tentaram rezar? Não era necessário fazer nada disso.

— Não banque o palhaço. Sabe do que estamos falando. Viemos atrás de um meio de chegar até onde Deus está. O local verdadeiro para onde ele levou Atena. – Falou Myuki de forma tranquila, mas ainda assim com o olhar assassino.

— Atena... – Falou o religioso – Entendo. Então vocês são cavaleiros de Atena.

— Sabe de nossa existência?! – Indagou Virgílio. – Como é possível?

— Meu rapaz. Eu sou o líder da igreja católica do ocidente. Sou aquele que assumiu o trono pertencente a Pedro. Sou o responsável por comandar diretamente a igreja católica e por levar aos fiéis as ordens do Senhor. Em outras palavras meu rapaz, minha função é semelhante ao posto que vocês chamam de Grande Mestre, portanto, sou o encarregado de manter a defesa dos caminhos que levam ao nosso senhor.

Os olhos do Papa Francisco fitaram Virgílio e então emitiram um brilho azulado. Em seguida uma aura de energia com coloração azulada envolveu o corpo do pontífice fazendo com que no interior do escritório uma corrente de ar começasse a se agitar e por consequência a espalhar pelo livros, papéis e outros objetos de menor peso pelo ambiente.

— Ora, ora, ora. – Falou Myuki enquanto batia palmas e se aproximava mais do Papa. – Quem diria que um senhor de idade como você, cuja aparência é de um ser tão bondoso, esconderia um cosmo deste nível. Aliás, não sabia que havia alguém assim entre os clérigos da igreja católica.

— Surpresa minha cara? – Francisco respondeu de forma mais firme e séria ainda elevando seu cosmo. – Há muitos segredos que se escondem pela igreja. As aparições de Maria, os milagres realizados pelos santos e até pelo próprio Cristo. Tais eventos só foram possíveis graças ao cosmo que nosso Deus nos concedeu. E este minha cara amazona de ouro, é o terceiro segredo de Fátima que há séculos é escondido pela igreja.

Longe dali em Jerusalém os cavaleiros Seth de Gêmeos e Há’as de Perseu chegavam ao local onde era dito ser o santo sepulcro de Jesus Cristo.

O local era constituído por uma basílica de pedra, administrada por várias igrejas cristãs diferentes. Entrando pelo local os dois cavaleiros passaram pela pedra da unção onde de acordo com os mitos Cristo havia sido depositado para a crucificação.

— Sentiu isso Há’as? – Indagou Seth ao passar pela pedra junto de seu irmão.

— Sim irmão. Sinto um cosmo estranho emanando desta pedra. Não é algo maligno, mas tão pouco benéfico. É algo, triste.

— Exatamente. Seja o que for acredito que estamos próximos de encontrar algo que nos seja útil. Venha, vamos até a Edícula. – Falou o geminiano.

Os dois irmãos seguiram até a segunda cúpula da basílica, onde uma pequena capela repousava sobre o que era considerado o túmulo legítimo de cristo. O cosmo sentido anteriormente se mostrava mais intenso e de alguma forma perturbava aos dois cavaleiros.

Ao se aproximarem da entrada do sepulcro uma luz intensa surgiu diante dos dois, envolveu seus corpos e pareceu leva-los para outro ambiente.

— O quê?! – Exclamou Seth.

— O quê está havendo? – Indagou Há’as

Enquanto isso Dwayne e Johnson chegaram ao seu destino. Os dois cavaleiros finalmente encontraram Bartholomeu, o líder religioso que estavam procurando.

— Então você é Bartholomeu I? – Perguntou Johnson de Touro.

— Sim. E soube que estava a minha procura. – Respondeu o religioso.

— De fato estamos. – Falou Dwayne se intrometendo no assunto. – Viemos em fazer algumas perguntas e não podemos aceitar que se recuse a respondê-las.

— Ho ho ho, é um rapaz direto. – Falou Bartholomeu expressando um sorriso simpático. – Pois perguntem meus jovens, digam em que este velho religioso pode ajudar.

— Queremos saber o que sabe sobre o retorno de Deus a este mundo. – Falou o taurino.

— O retorno de Deus? – Bartholomeu coçou a longa barba parecendo estar refletindo sobre a questão. – De fato em muitos textos antigos é dito que chegaria um momento em que Deus retornaria a este mundo trazendo consigo o fim dos tempos, a fim de julgar aos humanos e conceder o paraíso aos merecedores.

— E pela sua experiência. Acha que este momento chegou? — Johnson perguntou.

— Meu filho. Há anos vivemos em dias difíceis, com ameaças de guerra, doenças, tragédias climáticas e vários outros tipos de sinais. É um fato que deus esteja voltando. O que ocorre é que neste momento os sinais estão mais claros, mas já foram anunciados há muito tempo.

Bartholomeu então pela primeira vez reparou nos pingentes que Dwayne e Johnson carregavam com as insígnias de suas constelações.

— Digam-me jovens. Acaso são cavaleiros de Atena?

— Sim somos. E acaso você, é um inimigo? – Questionou o cavaleiro de Auriga.

Por um momento todos se mantiveram calados. Bartholomeu ainda com sua postura autoritária.

— Não meu filho. Não sou seu inimigo – Respondeu o religioso. – De fato, sei muito sobre os cavaleiros, sobre os marinas de Poseidon, os espectros de Hades, os curumirins de Tupã, enfim sobre os exércitos dos principais deuses que já habitaram este mundo, mas não sou seu inimigo.

— Como é possível que saiba tanto assim? – Perguntou Johson.

— Por que como líder religioso é minha obrigação. Na verdade, Deus também possui seu próprio exército. Composto por seus anjos, arcanjos e todos os demais seres sagrados. Sendo assim o conhecimento de tal armada assim como dos exércitos de outras divindades é transmitida a seus líderes religiosos.

— Espere! – Exclamou Dwayne. – Está dizendo que como líder religioso, você é algum tipo de servo do exército de Deus?!

— De fato eu deveria ser. Mas não, eu não sou.

— Então? – perguntou Dwyane.

— Prestem atenção, vou lhes explicar tudo. – Bartholomeu pegou um enorme livro na estante ao seu lado direito. Abriu em uma determinada página com escritos antigos e algumas gravuras. – Esta é toda a história da origem de Deus, de suas criações e dos embates que travou. Originalmente o exército de Deus é dividido em duas frentes: a celeste e a terrestre. A frente celeste é composta pelos arcanjos celestiais, os sete guerreiros de elite que combatem ao mal para espalhar a palavra de deus.

No livro os cavaleiros percebem uma gravura com sete desenhos representando aos arcanjos.

— Na frente terrestre – continuou Bartholomeu. – Estão os soldados de Deus. O exército composto por seus fiéis, em outras palavras, os homens que nele creem. Tal exército já foi liderado por diversos homens como Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Davi. Cada um deles liderou os exércitos terrestres de Deus em diferentes momentos e de variadas formas, mas todos usaram o poder de Deus para combater aos inimigos de nosso senhor.

— Então neste momento há um homem liderando este exército? – Perguntou Dwayne.

— Não rapaz. Não há. – Respondeu Bartholomeu. – De fato deveria haver, mas há muito tempo atrás os próprios homens terminaram por separar e destruir o exército terrestre. A divisão entre igreja católica, protestante, judaísmo e islamismo apenas serviu para destruir o exército de Deus com o passar dos anos. Agora apenas alguns poucos são escolhidos para servirem como combatentes de Deus e a outros como eu restam apenas às histórias.

— E o que você sabe sobre o Jardim do éden? – perguntou o cavaleiro de Auriga. – Acreditamos que Atena possa ter sido levada para lá.

— Atena? – Indagou Bartholomeu de forma surpresa. – Então o que todos temiam de fato está acontecendo. O final dos tempos se aproxima.

— O quê quer dizer? – Questionou Johnson.

— Mesmo sendo uma deusa pagã não posso negar que Atena sempre dedicou seu amor e carinho para proteger este mundo. Ela sempre combateu contra divindades malignas e manteve a humanidade a salvo para seguir seu próprio destino.

— E se Deus a levou é por que não quer que outra divindade interfira em seus planos correto? – perguntou Dwayne.

— Exatamente. Embora Deus seja retratado como misericordioso, justo e benevolente é verdade que em outros momentos ele trouxe calamidade e destruição a este mundo. Sodoma, Gomorra, e o próprio dilúvio são exemplos disso. Embora sejam considerados momentos em que Deus livrou-se dos pecadores e poupou aos justos a verdade é que Deus unicamente destruiu a humanidade e exterminou aqueles que iam contra as suas ordens. Ou seja, é apenas um tirano querendo governar com mão de ferro e a presença de Atena era uma ameaça aos seus domínios.

Dwyane e Johson ficaram atônitos com tais palavras saindo da boca de um homem cuja missão até ali havia sido a de pregar os ensinamentos de Deus. Não era possível que tudo aquilo fosse verdade, embora o sequestro de Atena, derrota dos cavaleiros de ouro e as catástrofes mundiais colaborassem para que os dizeres de Bartholomeu fossem verídicos.

— Tudo isso é espantoso, mas por que está nos contando isso Bartholomeu? – Perguntou Johson claramente desconfiado.

— Porque rapaz, eu sempre soube das atrocidades que este deus poderia cometer. Minha vida inteira servi aos seus propósitos, mas ao saber da verdade busquei uma maneira de evitar o surgimento do apocalipse. Ao meu ver não é justo que a humanidade seja inteiramente destruída. Claro, há aqueles que são malignos de coração e por isso deveriam ser castigados, mas não apoiarei uma divindade cuja intenção seja a de dominar todo um mundo apenas por capricho próprio.

Bartholomeu retornou a estante onde pegou o livro. Desta vez pegou uma caixa do alto do móvel, colocou-a na mesa diante dos cavaleiros, abriu e de dentro tirou uma placa de pedra.

— Esta meus jovens. É a porta para o paraíso. A porta do Éden. Para abrir esta porta são necessárias três chaves distintas. Conseguindo as chaves e abrindo a passagem vocês chegarão até onde Deus está e aí quem sabe, possam evitar o fim do mundo.

Bartholomeu entregou a placa a Dwayne e neste momento sentiu uma terrível dor percorrer seu peito.

— ARRRGGGHHH!!

—BARTHOLOMEU!!!!!! – Gritaram os dois cavaleiros.

— Não se preocupem jovens. Infelizmente ao final de tudo sou apenas um reles humano criado do barro e minha vontade é ínfima diante da de um Deus. Mas acredito que vocês cavaleiros, humanos com o poder de um deus, poderão salvar este mundo.

Bartholomeu caiu desfalecido. Do jardim do Éden Deus havia ceifado sua vida. Esta era a vontade daquele que está em todos os lugares, em todos os momentos. E que teoricamente havia dado o livre arbítrio aos homens, mas condenava aos que não seguia de acordo com a sua vontade...