Saint Maria
28 Capítulo 28
Notas iniciais
O dia tão esperado havia chegado: a minha primeira aula na nova escola. Estava com um pouco de medo, pois não sabia como iriam ser meus colegas, e nem os professores. Quando cheguei pela primeira vez no portão da escola, senti um frio na barriga, mas não foi de medo, talvez fosse de curiosidade. Eu já queria sair brincando com todo mundo, mas primeiro eu tinha que fazer amizade e isso poderia ser o inicio de um pequeno problema.
A cada passo que eu dava em direção a sala de aula junto da diretora da escola, era um tremelico que eu sentia. Finalmente coloquei a cara diante de meus novos colegas. Vários deles me olhavam rindo, mas também vários deles me olhavam sérios. Sentei em uma classe vazia, bem ao meio da sala e lá começou minha nova história escolar. A professora apresentou-me diante de toda turma e o vermelho cobriu todo meu rosto. Eu olhava para os lados e ninguém desgrudava o olho de mim. Comecei a ficar constrangida com tudo aquilo. Estava me sentindo um peixinho fora da água.
A tarde foi bastante razoável para o inicio, muitos colegas vieram falar comigo. Convidaram-me para lanchar na hora do intervalo, para brincar na hora da recreação, enfim, de certa forma me trataram bem.
Havia um menino que me chamou a atenção dentre todos que ali passavam. Fernando era o nome dele. Era um garoto tímido, com poucas amizades, porém com um arem de meninas que o cobria no pátio da escola. Realmente ele era muito bonito. Tinha cabelos castanhos e lisos, seus olhos eram da cor do mel e também tinha uma boa aparência. Enlouquecia as menininhas da escola inteira.
Mas nunca pensei em gostar de alguém, obviamente que achava os garotinhos bonitos, mas nada, além disso.
No primeiro dia de aula foi assim. Fiz algumas amizades, talvez alguma inimizade, ainda não sabia. Cuidei o menino bonito, corri com colegas da minha classe, conversei com quase todo mundo que chegou a mim. Após tudo isto, fui para casa contar as novidades para meus pais.
Chegando em casa, larguei meu material, tomei banho e fui fazer os deveres. Somente depois pude ir conversar com meus pais e brincar. Até a janta, foi assim, eu e meu pai contando as coisas que aconteceram, e minha mãe ouvindo. Logo após meus irmãos chegaram com boas noticias. Preto havia se matriculado em uma escola a noite para terminar os estudos, e Nico também fez a mesma coisa, além de ter arrumado um emprego pela manhã. A nossa família estava novamente feliz e pronta para enfrentar uma nova vida.
Mais tarde, todos se recolheram para seus dormitórios. Eu deitei a cabeça no travesseiro e em meus pensamentos veio a imagem de Bill. Levantei e fui até o meio das minhas roupas e peguei a caixinha vermelha, que continha minha corrente. Voltei para cama e adormeci segurando-a. Naquela noite, pela primeira vez, meus pesadelos saíram de dentro do outro lado de minha cabeça e fizeram meus sonhos sumirem.
Eu estava em um lugar escuro, cheio de sombras murmurando algo que eu não conseguia entender. De repente uma luz ao meio dessas sombras surgiu. Aquilo me guiou até um lugar mais claro, mas ainda dentro da escuridão. Sentado em uma pedra enorme, estava Bill cantando uma música triste. Fui chegando perto, mas ele não ouvia os meus passos. A cada passo que eu dava, seguindo em sua direção, ouvia mais e mais sua voz trêmula e tristonha. Meus olhos se encheram de lágrimas, meu coração se apertou diante das lágrimas que eu via que caia de seus olhos. Coloquei a mão em seu ombro e chamei pelo seu nome. Mas tive uma surpresa desagradável ao ver seu rosto. Não era Bill, e sim um dos homens que havia me seqüestrado. Sai correndo para onde as sombras estavam, e lá elas começaram ir a minha direção. Eu chorava, eu gritava, mas nada fazia elas pararem de me atormentar, nem mesmo aquela pessoa que por um instante achei ser Bill. Só consegui abrir os olhos depois que minha mãe me acordou.
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