Saint Maria
29 Capítulo 29
Notas iniciais
Foi apenas um sonho, e muito ruim. Mamãe me repreendeu por ter dormido agarrada na corrente, e mandou que eu a guardasse e que não a pegasse mais. Não entendia de jeito nenhum sua atitude em relação a isto, mas acabei obedecendo. Aquele pesadelo havia sido um sinal de que Bill estaria triste novamente, e eu não poderia fazer nada para amenizar a situação. Se ao menos estivesse perto, ou que falasse com ele por telefone, mas nada adiantava. Eu também sentia sua falta, mais que ninguém no mundo. Seu sorriso tinha um lugar especial em meu coração e isso ninguém poderia mudar, nem mesmo minha mãe que me mandava esquecer essa historia.
Era impossível jogar toda aquela alegria para o alto. Bill era muito especial e se fizesse isso, estaria arrancando uma parte de mim. Era igualmente a sensação de perder meus pais, ou meus irmãos.
Depois do susto, voltei a dormir e novamente sonhei, mas desta vez meu sonho foi bonito, talvez para amenizar o sofrimento que havia passado pouco antes. Sonhei que havia chegado à antiga casa em Saint Maria. Quando abri a porta, me impressionei com tanta sujeira. Havia pó em todos os cantos, mas isso não tirava minha alegria de estar novamente lá. Fui até a janela de meu antigo quarto e a abri. Olhei para o poste onde Bill sempre estava parado e de repente de trás dele vi o balanço de um casaco preto. Pouco a pouco ia aparecendo a pessoa. De cabisbaixo com uma das mãos no poste apareceu Bill. Foi levantando a cabeça devagar e quando me viu sorriu. Eu corri para fora e percebi que já estava de noite. As estrelas brilhavam no céu escuro, mas Bill não estava mais lá. Ainda procurando por ele pela rua, parei na esquina das flores e duas mãos taparam minha visão. Toquei nelas e percebi que era ele. Saímos correndo pelas ruas, um atrás do outro. Naquele momento estávamos brincando e felizes.
Como todo sonho bom é interrompido, esse não foi diferente. Mamãe me acordou e na maior preguiça levantei. Fui até a cozinha e tomei café, depois voltei para o quarto arrumar a cama. Quando puxei o edredom, caiu a corrente que Bill havia me dado. Juntei e a guardei dentro de sua caixinha entre minhas roupas. Algo estava acontecendo comigo, pois o que eu sentia era uma enorme dor no peito. A saudade que eu sentia de Bill era tão grande que ainda não sabia controlar. Às vezes até chorava, mas ninguém via, até por que nesses momentos tristes só aconteciam depois que eu ia dormir.
Depois do almoço, fui para a escola e lá me diverti muito. Brinquei, corri, soei, cansei e mais, recebi um bilhete de Fernando, o bonitinho das meninas. Isso foi a coisa mais estranha que poderia ter acontecido naquele momento. No bilhete estava escrito que ele queria brincar comigo. Os olhares das garotas se voltaram todos para mim, mas eu nem dei a mínima para isso. Aceitei brincar com Fernando, mas já fui avisando que era muito nova para namorar. O menino havia gostado de mim, logo eu que era a que menos chamava a atenção.
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