Saint Maria

27 Capítulo 27


Notas iniciais
Olá meninas! desculpem a demora, mas tive alguns problemas particulares e não pude postar um novo capítulo.
Vick minha linda, não se preocupa q eu nunca ficarei brava contigo. Sua presença é importante!^^
Ai vai...

Nos primeiros dias, eu mal conseguia lembrar de Saint Maria. Era tanta coisa para eu conhecer e até mesmo aprender que por algum grande momento esqueci tudo aquilo. Mas depois que lembrei, fiquei muito triste. Bateu a saudade do barulho das motos, do vizinho cortando grama e aparando as flores do seu jardim, da minha janela que dava para ver toda rua, da varanda que sentava quase todas as noites quentes, enfim, de tudo. Mas uma saudade, em especial, deixava meu coração mais angustiado e triste: a de Bill.

As pessoas ao meu redor, não entendiam que a nossa afinidade se dava pelo fato de um complementar a alegria do outro. Ele me fazia rir com suas caretas e eu o fazia rir com meu sorriso. De certa forma, tínhamos um carinho muito além da amizade, um amor fraterno, um amor contagioso. Contagioso por que toda a família dele criou um laço de amizade com a minha. Fraterno por que o carinho que sentia era meu, uma criança, por ele que já era um adulto. Essa ideia de sentimento, naquela época nem sabia descrever, mas sentia, o que para mim é muito mais importante.

O meu quarto pouco a pouco foi se tornando o mesmo da antiga casa, mas não tinha vista para a rua e sim para uma gruta, que ficava do outro lado do terreno que terminava a rua. Dentro dela havia uma santa muito bonita, a chamada Nossa Senhora de Aparecida. Sua pele era negra, diferente das outras entidades que costumávamos ver. Envolta dela, tinha muitas flores e velas. Provavelmente todas as pessoas da vila iam rezar lá.

Ao lado da minha cama havia um criado mudo, onde eu o enfeitei com o botão de rosa que ainda não tinha brotado. Ele ainda estava intacto, o que gerava curiosidade por parte de minha mãe e também minha. Ela achava isso coisa de outro mundo. Uma flor não duraria muito tempo fora da terra, apenas dentro da água. Eu nem sabia o que pensar, mas estava esperando o dia em que o botão virasse uma rosa linda.

A corrente que Bill havia me dado, guardei entre minhas roupas. Também tinha que esperar para usar, pois era de valor e meus pais tinham medo que eu usasse na rua, seria um alvo muito fácil para ladrões.

Mamãe e eu saímos para o centro da cidade e aproveitamos para revelar as fotos de meu aniversário. A câmera estava em meu quarto guardada, e nunca mais mamãe viu a tal das fotos. Ainda bem, pois tinha uma que eu não poderia mostrar a ninguém. Chegando até um estúdio fotográfico, minha mãe pediu a câmera que estava dentro de minha bolsa. Eu comecei a tremer e a soar, mas mesmo assim dei o objeto para minha mãe. A foto de Bill era última e sorte que o atendente olhou somente as primeiras. Ele pediu-nos que voltasse uma hora depois para retirar a encomenda. Eu realmente não sabia o que fazer e estava começando a me desesperar. Caminhamos pelo centro para conhecer um pouco da nova cidade, sentamos em uma sorveteria do lado do estúdio para esperar as fotos.

Tomando o sorvete, me veio uma ideia a cabeça, só faltava colocá-la em prática. Quando mamãe levantou para pagar a conta, eu pedi para ir buscar as fotos enquanto ela estava no caixa. Nunca pensei que iria ser fácil, na primeira ela aceitou, apenas recomendou-me cuidado e nada mais. Cheguei até o estúdio e pedi para o atendente a encomende, entreguei-lhe o papel que comprovava o pagamento e peguei as fotos. Mas antes de entregá-las a minha mãe, retirei a foto de Bill e a escondi dentro da bolsa. Foi a maior proesa que eu já tinha feito e estava me sentindo um pouco mal por isso, mas mesmo assim segurei a barra. Mamãe apareceu no momento em que eu estava saindo de lá e tudo correu tudo bem. Chegamos em casa e as fotos foram distribuídas para meu pai e meus irmãos verem, e a foto de Bill eu guardei em minha caixinha de coisas valiosas junto da corrente que ele havia me dado.