Saint Maria
19 Capítulo 19
Chegamos à escola e meu irmão me levou até a porta da sala de aula e depois seguiu. Entrei, cumprimentei meus colegas e sentei. Alguns deles que estiveram em minha festa, elogiaram o bolo, os salgadinhos e principalmente os docinhos. Realmente, estavam ótimos. Claro, eu havia colocado meu pequeno dedinho para ajudar, por isso ficaram bons. Logo a aula começou e fomos brincar no pátio da escola. Pela manhã toda foi assim, jogando bola, fazendo exercícios físicos para aumentar nossa humilde musculatura e brincando na praçinha. Dia muito divertido. Aquilo estava parecendo uma despedida. E realmente era. As professoras que me davam aulas decidiram por fazer uma junção de todos meus colegas para me dar os parabéns e também para dizerem que sentiriam minha falta. Por mais que eu não conversasse diretamente com todo mundo, consegui me dar bem com todos. Nunca tive nenhum problema nesta escola. Os meninos eram legais e respeitavam as meninas. Acho que não encontrei mais isso nas escolas que ainda estavam por vir. Quem sabe um dia pudesse voltar para revê-los.
No último dia de aula nesta escola, meus amigos fizeram-me chorar. Mas chorar de alegria, e foi neste momento que a ficha caiu. Senti que meus amigos verdadeiros iriam ficar ali para sempre. Abracei todos e também as professoras. Obviamente todos sabiam que eu estava indo embora por causa do incidente com os seqüestradores, mas nenhum deles ousou a tocar no assunto. Muito pelo contrario, queriam que realmente eu esquecesse e isso aconteceu. Esqueci completamente das coisas bizarras que me aconteceram no tempo em que morei em Saint Maria.
Meu outro irmão apareceu na hora da saída para me levar embora. Preto nem fez questão de me apressar muito, pois sabia que eles tinham planejado isto para mim. Foi como uma segunda festa de aniversário. Recebi até flores de um garotinho, bem bonito por sinal. Muito bela a despedida. Iria sempre lembrar como meus momentos preferidos. A vida sempre lhe prega peças que você pode ou não lembrar para sempre.
Passando pela esquina, vi uma garota conversando com dois garotos. Dava para ouvir bem o que falavam. Ela perguntava pelos gêmeos que viviam naquele local, e os dois rapazes responderam que já fazia alguns dias que eles não apareciam. A moça disse que Bill havia ficado de sair com ela na noite anterior, mas não apareceu no lugar combinado. Os garotos ainda disseram que ele havia sofrido um acidente. Na mesma hora em que a garota ficou sabendo se desesperou e saiu correndo em direção a casa dele. Fiquei até pensando na hora: quanto amor. Ele deveria gostar muito dele.
Na noite anterior era meu aniversario e ele havia estado em minha casa. Senti-me privilegiada por isso, mas também fiquei com pena da moça. Ela era bonita e tinha tudo a ver com Bill, inclusive em suas roupas. Formavam um bonitinho casal. E eu que havia pensado em procurar uma garota para apresentar-lhe em meu aniversario. Quanta imaginação a minha. Se ela era namorada, como que não sabia que Bill tinha sofrido o acidente? A não ser que ela fosse daquelas que não desgrudava de seu pé. Mas mesmo assim tinha o direito de saber.
Depois de chegar em casa e almoçar, fui para meu quarto descansar. Quando abri a porta, vi um botão de rosa em cima de minha cama. Ele era lindo, espetacular. Mas, no entanto ainda não tinha flor, mesmo assim sua beleza ficava por conta de seu envolto verde fraco e com seu cabo verde forte. E neste cabo não havia espinhos. Que fofura, quem será que colocou aquilo em meu quarto? Mais essa para eu descobrir. A hipótese que cheguei foi que, o botão poderia ter jogado sem querer pela janela, pois o vizinho tinha mudo de rosas vermelhas bem do lado de minha janela. De repente ele cortara e voou alguma. Isso era bem provável. Bom, peguei um copo de água e coloquei-a dentro.
Deitei na cama e fiquei olhando para fora. Vi borboletas e passarinhos voando bem perto da janela. Era tão bonito o dia lá fora. As nuvens nem apareciam, o céu estava azul e o sol brilhava como nunca. O vento que soprava era suave e ele entrava pela janela e me tocava. O calor era enorme e o vento fazia com que minha pele refrescasse. Com toda essa beleza, acabei ficando com sono, e foi que foi e adormeci. Não era de costume dormir à tarde, mas aquela tranqüilidade do dia me fez pegar no sono. Mais uma vez uma musica no ar fez com meus sonhos pudessem aflorar.
Nesta tarde, sonhei que estava vendo o mar. Meus pés pisavam na areia molhada, e a água era azul claro, servindo de espelho para quem a olhasse. A praia estava vazia, parecia que o privilegio era apenas meu. Sentei a beira do mar e senti a água tocar cada pedaçinho de meu corpo. Uma sensação maravilhosa que nunca tinha sentido antes. Uma rosa branca apareceu em meus olhos e eu sorri para a pessoa que estava me entregando. Não consegui ver quem era essa pessoa, mas senti que ela era especial. Peguei a rosa na mão e ela simplesmente se multiplicou. Foi incrível a sensação de estar no meio de varias flores. Mas infelizmente meu agradável sonho foi interrompido por que minha mãe me acordou. Ela disse que eu sorria dormindo, que deveria estar sonhando com algo muito bom, mas que eu a desculpasse, mas precisava que eu a ajudasse a empacotar as coisas do meu quarto, pois só faltava isso em toda a casa.
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