Saint Maria
20 Capítulo 20
Ela viu o botão de rosa dentro do copo e perguntou-me onde eu tinha conseguido. Respondi que o vizinho, na certa, estava cortando as flores em seu jardim e um botão voou para dentro do quarto. Mamãe sorriu e mandou que nós começássemos a arrumação. Preto levou duas caixas enormes para lá e colocamos meus objetos dentro. Depois de encher as duas caixas, fui ao meu esconderijo secreto, dentro do guarda-roupa, e peguei o presente de Bill. Coloquei-o dentro de umas das caixas, mas mamãe disse que era melhor levá-lo comigo na viagem, pois era perigoso deixar dentro das caixas. Nós nunca iríamos saber se alguém iria ou não as vasculhar para ver se teria algo de valor. Então, decidimos por guardar na mochila que eu iria levar. Em meio das poucas coisas que estavam dentro, ficou a tão famosa corrente.
A noite chegou e nossa janta foi bem simples: carreteiro. As panelas estavam todas guardadas e meu pai deixou somente uma para mamãe cozinhar. Nem prato tinha para todos, tive que comer primeiro e depois dar o meu para meu pai. E assim foi com meus irmãos, eles comeram antes e depois deram para minha mãe.
Referi-me todo este tempo como minha mãe, pois na realidade meus dois irmãos não eram filhos biológicos dela, somente de meu pai. A mãe deles havia morrido quando Nico tinha nove anos e Preto sete. Depois disto meu pai conheceu minha mãe e casaram. Assim ela criou os dois, como filhos. Graças a Deus nunca tivemos problemas graves em relação a isso. Obviamente no começo, meus irmãos não aceitavam, mas depois entenderam que era melhor para os dois se tivessem uma mãe, mesmo que não fosse de sangue.
Depois que jantei fui para meu quarto, dormir a última noite nele. Fui para a janela e fiquei admirando a lua e as estrelas. Sempre gostava de fazer isto, talvez fosse sonho virar cientista e observar o céu nos telescópios gigantes que a gente só via pela televisão. O vento ainda estava suave e a noite agradável, ótimo para eu pegar no sono novamente. Pensei em varias coisas ao olhar o céu: como seria a nossa nova casa, como seria minha nova escola, como seriam meus novos amigos e como estaria Bill. Não fiquei sabendo de mais nada sobre ele. Simone também não havia ligado mais e minha mãe também não deixava-me ligar para a casa dela. Melhor que ele estava se recuperando.
O sono de repente bateu e me despedi do luar e das estrelas. Ouvi novamente aquela musica que a letra dizia “me salve”. Nem deu para ficar escutando, pois o sono era tanto que nada me fazia ficar de pé. Fechei a janela, mas na mesma hora em que bati as vidraças, ouvi um barulho de moto passando pela frente de casa. Abri a janela novamente e vi o motoqueiro que estava passando. A rua estava vazia, mas aquele motoqueiro eu conhecia e deixava a rua mais agitada. Ele parou, mas não desceu da moto. Apenas tirou o capacete e acenou para mim. Bill era louco de novamente sair do hospital, ou de casa, não sabia se já tinha dado alta, e sair correndo com sua moto para lá e para cá. Sua roupa era a mesma, porem seu casaco preto de couro não estava vestido. Deu bem para ver seu corpo por inteiro. A camiseta preta de mangas curtas deixava-o bem mais solto.
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