Saint Maria
12 Capítulo 12
Notas iniciais
Espero que gostem. :D
Dentro do ônibus parei de chorar, mas mesmo assim meu coração continuava apertado. A sirene da ambulância logo sumiu diante das ruas e eu não pude mais saber onde ele estava. A professora sentou ao meu lado e começou a conversar comigo.
- Anie, você conhecia aquele moço que se acidentou? – perguntou ela.
- Conheço sim. – respondi soluçando. – Eu passo por ele todos os dias quando vou para escola.
- Seus pais sabem disso querida? – perguntou novamente a professora.
Eu fiquei confusa com aquela pergunta, e não respondi. Fiquei quieta e a professora disse que não ia mais me incomodar com aquelas perguntas. Na verdade, minha mãe sabia, só não desconfiava do tal convite de aniversario. Se já era bem difícil Bill ir a minha festa sem o acidente, complicou muito mais com ele. Mas a minha preocupação não era com isso, e sim com sua saúde. Pensei em chegar a casa e ir pedir a mamãe para ir vê-lo no hospital, porém ela nunca iria deixar, pois nós não nos conhecíamos e isso era evidente. Meu primeiro contato com ele foi minuto antes e isso era muito pouco.
Dentro de mim, eu sentia uma amizade imensa quando o observava sentado em sua moto preta, ou em seu carro preto com listras brancas.
Ao chegar em casa, minha mãe perguntou-me sobre o passeio. Eu respondi coisas comuns como, “foi tudo bem, estava ótimo, vi coisas bastante curiosas...”. Na verdade, eu mal a respondi, pois corri para meu quarto e fiquei lá por algum tempo. Queria saber o que se sucedeu depois de a ambulância partir. Pensei em algo, e decidi colocar em ação. Pedi a mamãe para fazer uma ligação rápida, e ela deixou, mas não disse para quem eu queria telefonar. E ela também nem fez questão de saber, já que eu ligava sempre para as minhas amigas. Era normal.
Levei o telefone para meu quarto e depois fui até a bolsa de minha mãe pegar o telefone da Dr. Simone. Precisava saber se ele havia sido levado para o mesmo hospital que eu tinha ficado internada uma semana atrás. Disquei os números e o telefone começou a chamar.
- Alô! – Dr. Simone atendendo.
- Oi. – comecei. – Aqui é Anie. A senhora me tratou no dia do seqüestro, lembra.
- Claro que lembro querida. – respondeu ela. — Mas não posso atendê-la neste momento, tenho uma emergência urgente que me espera.
- Só gostaria de saber uma coisa. – disse eu.
- Então me diga, mas seja rápido, certo?
- É que um amigo meu sofreu um acidente de moto hoje, agora há pouco. Eu queria saber se foi para ai que a ambulância levou ele.
- Eu ainda não sei Anie, mas qualquer noticia aviso a você, ok?
- Tudo bem. Mas cuide dele, por favor, se ele estiver ai. Seu nome é Bill e ele é muitíssimo especial.
Neste momento, alguém chamou Dr. Simone e disse a ela algo que a fez paralisar. Novamente voltou a falar comigo.
- Anie, você disse que o nome de seu amigo era Bill, certo? – perguntou ela aflita.
- Sim. Ele anda em uma moto preta e tem um irmão gêmeo chamado Tom. – respondi.
Só a ouvi dizer “Não pode ser, não ele.” E o telefone se desligou. A ligação caiu e eu mais uma vez tentei ligar, mas ela não atendia. Será que ela também o conhecia? Fiquei na expectativa de ter noticias do Bill.
Foi o resto da sexta-feira, e também o sábado. Não tive noticias dele. Pedi para meu irmão me levar para dar uma volta, com o objetivo de tentar vê-lo ou ver seu irmão, mas nada. Nenhuma moto na rua e nem seu carro estiloso. Muito menos seu irmão. O que teria acontecido? Tinha somente seis anos, mas era como se tivesse dezoito. Meus pensamentos se ligavam com o dele de certa forma que nem eu sei sabia distinguir. Ele parecia alguém muito próximo, se igualava aos meus irmãos. Gostava dele como amava minha família. Só depois que eu não o vi mais, percebi que sua falta estava me atingindo bem no fundo do coração. Ninguém sabia que nos tínhamos esse laço de amizade, pois não poderia contar para meus pais ou irmãos, por que tinha medo.
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