Saint Maria
13 Capítulo 13
Depois que voltei do passeio com Nico, fui ajudar minha mãe com os últimos doces que ainda faltava para completar a bandeja. Mamãe achou-me estranha, não queria comer os doces, lamber os dedos, não falava e nem agia. Resolveu por me perguntar o que estava acontecendo.
- Filha, — começou ela. – o que você tem? Estou te achando quietinha mais murcha que uma flor no outono. Conte-me, alguém lhe fez alguma coisa? Ainda esta pensando no que te aconteceu?
- Não é nada não. – respondi com algumas lagrimas no olhar. – Você vai brigar comigo.
- Não vou! – disse ela me abraçando. – Pode confiar em mim. O que aconteceu?
- Sabe o que é? – comecei gaguejando a contar o fato ocorrido. – Quando fui ao museu, vi algo que não queria ver. Vi um acidente.
- Meu Deus! – exclamou minha mãe. – Mas onde filha?
- Foi na rua principal, na esquina do museu. – disse. – Eu o vi caído e todo machucado. Eu conversei com ele. Posso vê-lo no hospital?
- Mas quem, Anie? De quem está falando?
- Do Bill, mamãe. Aquele garoto que nós sempre encontramos de manhã cedo e que fazia caretas para mim. Um carro bateu nele e ele caiu da moto. Queria muito vê-lo. Por favor, é importante!
- Você sabe onde ele está?
- Não, mas sei onde mora. Podemos ir lá para ver se ele está bem.
- Ok! Vamos lá agora então!
Depois disso, minha mãe e eu fomos até a casa de Bill para saber noticias dele. A casa estava totalmente fechada, como sempre. Era uma mansão coberta por janelas e um jardim maravilhoso que me deixavam de queixo caído. Ao tocar a campainha, um filhote de cachorro veio acuar na gente no grande portão. Ele era lindo e acabou por balançar seu rabo quando falei com ele. Mais atrás chegou uma senhora, perguntando quem nós éramos.
- Nunca vi vocês por aqui. – começou ela. – Desejam alguma coisa?
- Sim, sim, — disse mamãe. – primeiramente peço desculpas por aparecer assim. Meu nome é Sandra e essa é minha filha Anie. Nós viemos aqui para perguntar se é aqui que, como é mesmo filha o nome do rapaz?
- Bill. – disse eu. – Por acaso ele mora aqui?
- Sim, — respondeu a senhora. – ele mora aqui. É filho da dona. Mas o que gostariam de saber?
- Eu o vi acidentado senhora. – disse. – Queria saber como ele está!
- Meu Deus! – exclamou ela com as mãos no rosto. – Então você é a menininha que ele tanto fala. Minha querida, o Bill está internado no hospital desde sexta-feira, no dia em que se acidentou. Gostaria de vê-lo? Vai fazer muito bem a ele.
Olhei para minha mãe e pedi permissão com os olhos, sem falar uma palavra.
- Claro que pode. – disse mamãe. – Estou vendo que não conheço minha filha o suficiente. Não tinha o conhecimento desta amizade. Mas nós podemos ir lá hoje?
- Sim. – respondeu a senhora. – Posso pedir para o Tom levá-las.
- E quem é Tom? – perguntou minha mãe.
- Irmão gêmeo do Bill. – respondi.
- Estou vendo que você conhece bem essa família, depois falaremos sobre isto. – disse mamãe.
- Entrem, por favor! – convidou a senhora. – Podem me esperar na varanda, enquanto vou chamar Tom.
Ficamos aguardando no jardim, em meio às flores coloridas. Era tudo tão belo e Bill, vestido sempre de cor escura. Como alguém com tanta coisa, poderia viver em um mundo escuro? Essa foi a pergunta que me fiz diante da beleza do jardim. Logo veio o cachorrinho pular em minhas pernas. Passei a mão nele e ele começou a me lamber e ficamos ali brincando até o rapaz aparecer. Não demorou muito e lá estava ele. Tom estava vindo e quando me reconheceu, deu um belo sorriso. Sorriso igual ao de seu irmão. O que diferenciava, era sua forma de vestir e arrumar o cabelo, e também seus olhos não eram pintados. Só olhando muito de perto para ver que realmente os dois eram iguais. Mas seu sorriso, para mim, não era nem um pouco parecido com o do Bill.
Chegando mais perto, ele começou a conversar.
- Olá. – disse ele. – Anie, não é?
- Olá moço. – disse minha mãe. – É Anie sim. Viemos por que ela simplesmente não parava de pedir que eu a trouxesse para ver seu irmão. Desculpe se foi inconveniente de minha parte.
- Não, não. – respondeu ele interrompendo minha mãe. – Faço questão de levá-las até o hospital. O Bill vai adorar a visita. Vai que ele melhora de uma vez?!
- Nossa! – exclamou mamãe. – Não sabia que minha filha conhecia vocês. Ela nunca me falou nada. Estou espantada.
- Na verdade, nem eu sabia que ela e meu irmão tinham essa amizade toda. O que eu via era um simples cumprimento, e também algumas caretas por parte dele. Achei até que ele queria assustá-la, mas, no entanto ela o divertia muito. E por vários anos que não via meu irmão assim, feliz. Ele a tem como sua palhaçinha, desculpe o termo, é que ele gosta muito dela.
Neste momento, mamãe sorriu, e ele também. Tom se admirou por eu ter brincado com o cãozinho de Bill, pois desde que ele estava internado, o cachorro não queria mais brincar e muito menos comer. Segundo ele, eu fui a salvação do bichano. Caminhamos até seu carro muito bonito e saímos em direção ao hospital. No meio do caminho, fiquei pensando que por trás de suas roupas pretas, havia uma pessoa totalmente sensível. Mas eram aquilo que o diferenciava, seus olhos às vezes borrados e sua boca cheia de brilho.
Notas finais
Acho q em dois em dois dias eu postarei capítulos.
Obrigada.
Bjs
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