Saint Maria
9 Capítulo 9
Os homens foram presos, e os três motoqueiros foram juntos para depor sobre o caso. Antes de me levarem, um policial perguntou-me várias coisas.
- Qual é seu nome mocinha? – perguntou ele carinhosamente.
- Meu nome é Anie senhor! – respondi.
- E você conhecia os dois homens que a seqüestraram? – começou ele.
- Não os conheço. Nunca os vi em toda minha vida. Só queria minha mãe, meu pai! – novamente respondendo a ele.
- Vamos comunicá-los querida. Mas me diga uma última coisa. Fizeram algum mal a você?
- Não. Por favor, eu quero minha mãe!
- Ok. Enquanto avisarei sua família, você vai ser encaminhada para o pronto socorro mais próximo. Não precisa se preocupar mais, pois creio que tens anjos da guarda. Diga-me o telefone de alguém de sua família, ou onde posso encontrá-los.
Respondi essas últimas perguntas e depois me levaram para um hospital. Não vi mais os três motoqueiros que haviam me salvado, nem sequer seus rostos. Mas fiquei feliz por eles terem saído deste episodio ilesos.
No hospital, uma senhora, provavelmente médica, estava a minha espera. Ela foi bastante atenciosa e me cuidou muito bem. No instante em que me tratava, falou comigo.
- Olá querida! – começou ela, que naquele momento nem sabia seu nome. – Você sofreu um corte nada grave. Vai se recuperar logo. Fiquei sabendo que três homens a salvaram, certo?
- Sim. – respondi ainda com lágrimas nos olhos, pois os remédios ardiam demais no ferimento. – Eu não os conheço, mas foram dois motoqueiros e um outro homem que morava na esquina. Sabe onde estão?
- Sei sim, meu anjo. – respondeu a doutora. – Eles estão na delegacia de policia.
- Mas eles não são maus! – disse eu a ela.
- Eu sei meu bem, mas eles precisaram ir contar para o policial o que aconteceu no exato momento em que encontraram você. – explicou ela com delicadeza.
Terminou de falar isto, olhei para a porta de vidro da entrada e deparei com mamãe desesperada querendo entrar, mas não a deixavam. Falei para a doutora que estava terminando de ajustar o curativo na minha cabeça, que minha mãe estava lá fora. No mesmo instante, ela autorizou sua entrada. Ainda lembro da conversa nervosa que minha mãe teve comigo.
- Minha filha. O que aconteceu? – começou ela aflita. – Você esta bem? O que aconteceu? A culpa foi minha por deixar você sozinha. Nunca vou me perdoar.
Naquele momento, não tive coragem de falar nada, só tinha vontade de abraçá-la e nunca mais sair do colo quente dela. Logo depois, chegaram meu pai e meus irmãos. Todos muito nervosos com o ocorrido. Queriam me levar para casa, porém precisava ficar no hospital para observação. E também para ver se a pancada não tinha afetado nada em mim.
- Doutora, — chamou minha mãe. – não podemos deixá-la aqui. Não temos condições de pagar. Pelo menos não agora. Meu marido acabou de encontrar um emprego melhor e...
- Dona Sandra, — interrompeu a médica. – vocês não devem nada. Tudo ficara por minha conta. Não se preocupem com essa questão. Só quero agora que fique ao lado de sua filha. Ela esta bem, no entanto não sabemos se o seu quadro ira apontar algum trauma ou até mesmo algo em sua cabecinha. Vamos fazer todos os exames, tomografias, raio x e tudo que precisar para sabermos se nada mais foi afetado em seu corpo. Mas para isso ela devera ficar aqui em observação.
- Eu não quero depender de ninguém doutora. – respondeu minha mãe aos prantos. – Não quero incomodar em nada. A senhora já fez muito pela gente. Acho que devo levá-la para o pronto socorro, pois lá é de graça.
- Não. – disse a médica. – Não precisa se preocupar com isso. Já disse que vai ser por minha conta. Anie merece. E também, os atendimentos públicos irão demorar muito e precisamos desses exames ainda hoje. Por favor, mãe. Faça isso por ela.
- Tudo bem. – disse minha mãe respirando bem fundo. – Mas tenha isso como um empréstimo. Pagarei-lhe quando tiver condições. Muito obrigada.
- Nunca irei cobrar de vocês. – respondeu a doutora. – Fique tranqüila. Bom... Tenho que ir, pois estão me chamando no setor de emergência. Mais tarde volto para ver como esta nossa princesa.
Doutora Simone, assim se chamava, convenceu minha família de aceitar a ajuda. Agora só mesmo o que faltava, era de agradecer os três que me salvaram em especial o rapaz de blusa branca. Ele que me acudiu naquele momento difícil.
Já era muito tarde da noite quando os policias chegaram até o hospital para colher meu depoimento. Minha mãe sempre ao meu lado. O mesmo policial que falara comigo no inicio do dia, foi até meu quarto e começou as indagações.
- Desculpe fazer novamente essas perguntas. – começou ele para mim e minha mãe. – Mas sabe como é a justiça. Precisamos dos detalhes.
- Sim, sim. – respondeu mamãe. – Filha, você vai conseguir responder o que esse tio lhe perguntar?
- Vou sim. – respondi. – Tio, onde estão os motoqueiros que me salvaram? E o outro tio que morava na esquina?
- Ah... Estava esperando essa sua pergunta! – exclamou ele sorrindo.
- Que historia é essa? – interrompeu minha mãe, que começou a ficar preocupada novamente.
- Não fique nervosa senhora. – começou o policial. – Acho que sua filha tem algum anjo da guarda em terra firme.
- Meu Deus! – exclamou ela. – Mas a Anie não me contou nada sobre isto!
- Se acalme senhora! – disse ele. – Creio que sua filha não teve tempo de contar tudo. Mas agora para não ficar pesado para sua cabecinha, ela irá contar tudo, desde o começo, bem devagar para todos nós. Se a senhora quiser, chame seu marido.
- Vou sim. – disse minha mãe. – Filha, fique quietinha aqui que mamãe já volta.
- Não vai demorar mãe! – disse eu.
Naquele momento sozinha com o policial, senti medo, mas ele me acalmou falando de como eu tive sorte. Falou também dos três homens que me salvaram. Perguntou se eu os conhecia, mas respondi que não. E era verdade, pois não cheguei a ver seus rostos. Questionou também sobre como estava sozinha na rua. Eu expliquei a situação, disse que uma vizinha havia se disponibilizado a me levar para casa junto de seus filhos, no entanto ela os pegou mais cedo e não voltou mais para a escola. O policial fez sinal positivo e mais perguntas me fez. Curiosíssima eu também fiz perguntas a ele. Questionei quem eram os três homens que haviam me salvado, e onde estavam e por que ele tinha os levado presos.
- Eles não foram presos princesa. – começou ele a responder as perguntas que fiz. – Pedi a eles que fosse até a delegacia para contar como foi que a acharam, mas essa hora eles devem estar em casa. Eu não os conheço também. Apenas sei que seus sobrenomes é Kaulitz e Listing nada mais. Pelo que sei são garotos direitos e que ouviram seu chamado pelas ruas. E o outro senhor, ouviu a freada brusca do carro e saiu para fora e deu de cara com a situação. Foi isso mesmo que aconteceu?
Nesta mesma hora, meus pais entraram e tornaram a me abraçar. Meus irmãos não podiam entrar, pelo fato de ter muita gente, então ficaram me observando da porta de vidro. As indagações continuaram e eu continuei a responder.
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