Notas iniciais
Olá! Eu sei que demorei, mas posto quando dá nem gente :/
Bom acho que agora vocês vão começar a entender melhor a historia. Espero que gostem.

Assim como do lado de fora a casa era enorme por dentro. Tudo era decorado no estilo renascentista e com muito bom gosto. Só então eu me dava conta de como a família deles devia ser rica.

A essa altura a chuva transformara-se em uma tempestade e confesso que se estivesse sozinha minhas cobertas e minha cama seriam meu único refugio seguro.

Caminhamos pelo hall de entrada ate um grande salão. À direita pude ver o começo do que me pareceu ser uma sala de TV. A esquerda seguimos ate uma imensa cozinha que – apesar de a casa ter uma decoração tradicional – continha todos os utensílios domésticos mais sofisticados que eu já vira. No centro do salão havia uma enorme escada que, presumo eu, levava ate os quartos.

Nos quatro seguimos para a cozinha enquanto éramos enchidas de afagos de Tsunade dizendo para que não nos preocupássemos com o que tinha acontecido, pois tudo ficaria bem. Eu sentia mesmo que me parecesse tolo, que aquelas desculpas eram dirigidas mais a mim do que a Ino e Sakura.

- Afinal de contas onde estão as pessoas dessa casa? Estou morrendo de saudade e ninguém aparece! – Sakura reclamou.

-Não seja por isso.

A voz que escutei foi tão sedutora e grave que instintivamente me virei em sua direção. Eu não o escutara chegando, mas parado apoiando um dos ombros no vão da porta estava um dos homens mais bonitos que eu já vira. Seus cabelos eram de um tamanho médio, como se não fizesse questão de mantê-los em um tamanho adequado. A pele era branca e sem nenhuma imperfeição visível, sedosa. Seus olhos porem eram tão selvagens quanto de um felino que vive em uma floresta, profundos e tão atrativos quando o de um caçador enquanto espreita uma presa suculenta. Os lábios delineados e rosados se entortaram em um pequeno sorriso de canto quando Sakura se jogou em seus braços e lhe envolveu o pescoço abraçando- o fortemente e selando seus lábios.

Assim que o beijo cessou seus olhos negros e profundos estavam cravados em mim como se soubesse exatamente onde eu me encontrava. Meu corpo enrijeceu e me senti encurralada. Pensei que devia ser exatamente esse o sentimento das tais presas.

- Eu estava morrendo de saudades meu amor – Sakura disse.

- Eu também Sakura – Ele disse finalmente desprendendo seus olhos dos meus e direcionando sua atenção a Sakura. Eles formavam um casal realmente lindo e por um momento me senti olhando uma capa de revista ou talvez um dos filmes de Hollywood. A Haruno com seus cabelos róseos e esvoaçantes e dona de um rosto tão delicado quanto o de uma boneca abraçada a um homem misterioso e sedutor com cabelos e olhos tão negros que se fundiriam facilmente com a escuridão da noite. Ele passava seu rosto pelos fios de cabelo dela enquanto exalava o cheiro de seu perfume e juro por Deus que o ouvi ronronar de onde eu estava. Já devia estar começando a ficar maluca.

- Acho melhor me apresentar a sua amiga – Ele disse baixinho, mas ainda assim pude ouvir. Sakura parecia encantada demais para saber onde estava e pareceu despertar ao ouvi-lo.

-Ah! É claro, que indelicadeza, me esqueci completamente – ela riu – Hina, esse é Sasuke Uchiha, o amor da minha vida – sorriu corando levemente, o que a deixava ainda mais bonita – Sasuke-kun essa é Hinata Hyuuga minha melhor amiga.

Ela usava o sufixo tradicional para se referir a ele, coisa que eu particularmente me esquecera de que podia ser usado. Vivendo tanto tempo na cidade grande e tão habituada aos tempos modernos eu raramente me lembrava dos costumes tradicionais.

- Prazer em conhecê-la senhorita Hyuuga – Sasuke me disse estendendo sua mao. A apertei tentando parecer firme.

- O prazer é meu senhor Uchiha.

- Esta apenas de passagem senhorita ou pretende se juntar a nós?

- Como...? — perguntei sem ter entendido direito o que ele quis dizer.

- Ora Sasuke, Hina veio passar as férias conosco, eu a convidei para o nosso festival e você a esta deixando sem graça – ela deu um leve apertão na cintura dele que soltou uma risada curta.

- Me perdoe senhorita.

- Hinata – eu disse.

- Como?

- Pode me chamar de Hinata, me sentiria mais a vontade se fosse assim – expliquei.

- Ah sim, então pode me chamar de Sasuke, Hinata. Se for amiga de Sakura é porque ela confia em você então não há porque eu não confiar.

- É... claro... – respondi. Estava tudo um tanto estranho para mim. Tinha alguma coisa faltando ali e eu não conseguia saber o que era.

- Bem crianças, chega de bagunça! Ainda temos que arrumar suas coisas nos quartos e vocês nem chegaram direito. Ino mostre a Hinata o quarto dela sim? Pedi para arrumarem aquele no terceiro andar. A ultima porta a esquerda.

- Tem certeza Tsunade? – Ino perguntou parecendo receosa. A loira mais velha a olhou como se perguntasse se ela queria mesmo desrespeitar uma ordem sua – Bem, claro. É um ótimo quarto. Mas eu queria ver meu gatinho antes Sakura já esta praticamente se comendo com o Sasuke isso não é justo cadê o Gaara em?

- Eu não sei, quando é que algum desses marmanjos irresponsáveis me da alguma satisfação? – Tsunade chiou.

- Vou procura-lo. Hina você não se importa de ficar mais um minutinho só aqui embaixo não é, eu já volto?

- É claro que não Ino, pode ficar tranquila – eu respondi e a loira saiu praticamente correndo da cozinha. Sakura e Sasuke haviam feito uma saída estratégica e sumiram para sabe-se-la-onde me deixando sozinha com Tsunade. Minha sorte era que a companhia dela era extremamente agradável.

- O espírito anfitrião dessas duas é gigantesco – disse ela irônica – Me desculpe Hinata, elas não aprendem!

Eu sorri.

- Não se preocupe Tsunade deixe elas se divertirem estavam com saudade dos namorados é normal e compreensível.

Dessa vez quem sorriu foi ela.

- Sim, e você Hinata tem namorado? Uma moça tão bonita deve estar cheia de pretendentes – ela piscou para mim enquanto colocava água na chaleira e a botava para ferver no fogão. Perguntei-me onde estariam os empregados daquela casa enorme. Eu balancei suavemente a cabeça e respondi:

- Não, acho que o fato de eu ter dois empregos serve meio que como um repelente para homens – ri junto dela.

- Não pode ficar se desgastando com trabalho minha querida. Precisa alimentar seu coração também – suas palavras foram doces e sinceras -. Sua vida sentimental é tão importante quando a profissional, não pode deixa-la de lado.

- Devo admitir que os homens ao meu redor não tenham me atraído muito. Parece que... Falta alguma coisa... – expliquei e ela pareceu feliz...

- Isso é bom! – sorriu e depois consertou rapidamente o que disse – Quero dizer, assim você não se envolverá com o rapaz errado não é mesmo.

- É, acho que é – aquilo me deixou pensativa.

Outro clarão forte iluminou a cozinha e foi seguido de mais um barulho ensurdecedor de um trovão. Olhei pela grande janela do lugar e me lembrei de que fazia pouco tempo que havíamos chego, mas que a tempestade la fora não cessara nenhum minuto e só parecia aumentar.

Tsunade retirou a água do fogão quando a mesma ferveu e a despejou em duas lindas xícaras de porcelana com carpas desenhas detalhadamente na lateral que continham um saquinho de ervas para fazer chá.

- Tsunade...

- Sim?

- Eu sei que não deveria me intrometer, mas... Eles não correm perigo la fora?

- Eles quem meu bem?

- Kushina e... Naruto, não é? O homem que saiu daqui mais cedo. Ele é... filho dela não é isso? Não é perigoso para os dois ficarem la fora nessa chuva?

Senti que Tsunade me olhou com certo receio e as palavras seguintes dela vieram controladas como se não quisesse falar demais.

- Não se preocupe querida. Todos aqui nessa casa sabem se virar. Naruto é... Um pouco mimado e revoltado com a vida só isso – ela empurrou uma das belas xícaras — Beba criança. Vai esquenta-la e é delicioso.

- Obrigada.

Assim que terminamos o chá Tsunade me mostrou meu quarto – já que Ino e Sakura simplesmente haviam evaporado. Era lindo! A cama de casal ficava perto da enorme janela de três vãos que iam quase do teto ao chão. Uma cabeceira enorme de cetim marrom emoldurava a cama coberta com uma colcha em tom pastel com desenhos entrelaçados em um dourado clarinho da mesma cor dos três travesseiros menores que faziam conjunto com outros dois grandes e macios em tom azul bebe. O chão todo era revestido em um carpete macio de cor neutra. Aos pés da cama fora colocado uma poltrona rosa chá que – por mais que não pareça – combinava perfeitamente com a colcha e ao lado esquerdo um divã marrom escuro de veludo a mesma cor das cortinas enormes e pesadas. As paredes eram cinza claro e havia ainda duas mesinhas de cabeceira de mogno e um abajur em cada uma alem de um terceiro perto da janela – o que eu achei certo exagero. Mas ainda assim era um belíssimo quarto.

Tsunade me disse para ficar a vontade para arrumar minhas coisas no quarto e só então reparei que minhas malas já haviam sido deixadas ali. As duas enormes malas que Ino tinha entupido de coisas que ate agora eu sabia o que eram.

Corri o quarto com os olhos à procura do guarda roupas e encontrei um closet bem espaçoso onde arrumei minhas roupas e sapatos. Ao contrario do que pensara Ino não tinha dado uma de maluca e escolhera roupas bem elegantes. Na verdade as mais bonitas que eu tinha e – a não ser por algumas lingeries sexy e provocantes que eu tinha certeza que não eram minhas – eu tinha que admitir que e loira tinha um ótimo gosto.

A parede contraria ao closet dava para o banheiro com um chuveiro enorme e delicioso e uma banheira convidativa. Terminei de arrumar minhas coisas em mais ou menos duas horas e resolvi tomar um banho. A chuva la fora ainda caia, ainda que com menos intensidade agora.

Enchi a banheira e usei todos os tipos de sais de banho e aromatizantes que encontrei. Tirei a roupa sendo presenteada com um arrepio dos pés a cabeça. Caminhei ate a banheira e entrei devagar na água quente sentindo o pequeno choque térmico. Afundei o corpo totalmente na água deliciosa e inalei os cheiros deliciosos dos diferentes sabonetes e hidratantes. Encostei a cabeça na borda da banheira e relaxei aproveitando aquela sensação gostosa por o que estimei serem mais ou menos uns quarenta minutos.

Depois que meus dedos começaram a ficar enrugados de passar tanto tempo dentro d’água, saí e me enrolei em uma toalha branca e felpuda. Sequei os cabelos ainda no banheiro e sai para o quarto.

Soltei um grito — que julguei ser alto o suficiente para que aquela imensa casa inteira ouvisse – quando vi aquele bicho enorme deitado em minha suposta cama lambendo a pata direita cheia de sangue. O bicho – que eu identificara como um gato, muito, muito grande – silvou para mim e o pelo de suas costas se eriçou completamente enquanto ele me mostrava os dentes pontiagudos.

- Meu Deus! Como é que você entrou aqui? – perguntei como se o animal pudesse responder. Ele continuava me encarando fixo nos olhos e reparei que os dele eram de um azul tão incrível que me deixou tonta por um momento. Seu pelo apesar de um pouco molhado era sedoso e lustrado em um tom alaranjado que o fazia parecer incrivelmente macio. Quando eu disse que ele era grande não estava mentindo. Aquele gato era tão grande que eu tinha quase certeza que era da raça maine coon, só podia ser. Ele continuou me olhando com os olhos semicerrados parecendo claramente zangado por me ver ali, como se eu fosse a intrometida.

Meus olhos foram ate a pata ferida do bichano e vi que era mais grave do que eu achara no começo, pois a colcha da cama já estava com uma mancha razoável de sangue.

- Isso parece serio – eu disse me aproximando – onde foi que você se machucou em gatinho?

Recebi em resposta um miado irritado e hostil e o gato levantou ficando em pé na cama sem encostar a pata direita no colchão, mas pronto para saltar e ir embora.

- Ei, calma! – eu disse tentando me aproximar outra vez – Não vou fazer nada, só quero dar uma olhada nisso aí – os olhos azuis do gato me olharam desconfiado, mas ele não fugiu. Sentei na beirada da cama – não vou te machucar – tranquilizei-o. O que seria um pouco ridículo já que provavelmente ele não estava entendendo nada do que eu dizia. Levei a mão calmamente em direção ao ferimento e ele ameaçou recuar então fiz aqueles sonzinhos tranquilizadores que se faz quando quer acalmar alguém ou alguma coisa. O gato se sentou e ainda tinha um olhar desconfiado quando deixou que eu pegasse sua pata. Ela era quase do tamanho da palma da minha mão e mesmo machucada ainda pude sentir ela macia.

O ferimento era um corte um pouco profundo entre dois... anh... dedos (?) do gato. Virei a para gentilmente e vi que havia algo preso no machucado. Aquilo devia estar doendo pra diabo.

- Vou ter que tirar isso aqui... – murmurei e sem pensar melhor puxei o pedaço do eu acreditava ser uma lasca de madeira do corte. No mesmo instante o felino soltou um miado estridente e senti sua outra pata – a que estava sã – bater pesadamente na minha mão deixando três arranhões que começaram a arder instantaneamente – Ai! – ralhei. Os três cortes começaram há sangrar um pouco e a ardência parecia aumentar gradativamente – Qual é o seu problema eu só queria ajudar!

O gato continuou resmungando e reclamando como um animal velho e rabugento. Eu me levantei e fui ate o banheiro. Vesti um roupão grande e confortável que estava la dentro e coloquei a mão arranhada embaixo da água na pia. Aquilo continuava a arder e sangrar bem mais que um arranhado normal. Reclamei um pouco e procurei por algum remédio que eu pudesse passar no armário embaixo da pia. Não encontrei nada que julgasse fazer algum efeito e decidi procurar Tsunade la embaixo e pedir a ela. Voltei ao quarto e lancei um olhar bem feio para o gato que ainda estava deitado em minha cama lambendo a pata machucada. Ele piscou lentamente para mim e por um instante pareceu arrependido, mas virou a cabeça e deitou-se de costas.

- Fique você sabendo que esta doendo bastante ta legal?! Gato malvado!

Saí e bati a porta. Ta, eu sabia que era infantil da minha parte brigar com um animal, mas ele parecia tão arrogante e reclamão que era quase como se fosse uma pessoa.

Desci as escadas de dois em dois degraus. Eu estava com certa pressa porque agora o ferimento estava incomodando de verdade. A toalhinha de rosto que peguei no banheiro não estava estancando o sangue e a pele ao redor dos arranhões estava toda vermelha e dolorida.

- Tsunade? Você esta aí? Sakura? – chamei entrando na cozinha. Tsunade, Sakura e Kushina estavam preparando alguma coisa perto do fogão as três e me olharam assim que entrei.

- Oi querida! Já descansou? Eu disse às meninas que você estava arrumando suas coisas por isso falei para não te incomodarem – a loira mais velha sorriu para mim gentil. Apesar de estar bastante incomodada com a dor sorri e agradeci.

- Obrigada. Eu já terminei de arrumar tudo la no quarto, que por sinal é lindo, mas... – hesitei. Era meio vergonhoso estar sentindo tanto incômodo só por causa de um arranhãozinho de gato.

- Diga meu anjo – Kushina me incentivou daquele jeito carinhoso dela que me amolecia o coração.

- Bem... Eu... eu sei que pode parecer frescura mas – tirei a toalha da mão e a levantei para mostrar a elas. Estava um pouquinho pior agora. Minha mão quase inteira estava avermelhada e doía e os arranhões inchados – eu não sei direito como dizer... é que eu encontrei um gato la em cima...

- Céus! Venha aqui querida, precisamos cuidar disso – Tsunade segurou minha mão boa e me puxou para sentar a mesa – Como foi que isso aconteceu?

- Bem, eu estava la em cima tomando banho e quando sai tinha um gato na minha cama...

- U-um gato? – Kushina gaguejou um tanto espantada demais.

- É – eu disse sem entender – Ele estava deitado na minha cama com a patinha machucada e eu tentei ajudar tirando um pedaço de madeira, eu acho, do corte, mas aí ele surtou e me deu uma patada. No começo era só um arranhão, mas começou a piorar e ficar desse jeito. Não sei o que houve, será que sou alérgica? – eu falava rápido tentando explicar e ao mesmo tempo entender. Tsunade examinou o machucado e pegou algumas coisas no armário. O semblante das três mulheres era de preocupação e me perguntei se era mesmo apenas pela minha suposta “alergia” a gatos que ate então eu nuca tive – É meio estranho porque eu nunca fui alérgica a bicho nenhum.

- Como era o gato Hinata? – Kushina perguntou ignorando o meu comentário sobre alergia. Ela foi – como sempre – gentil, mas parecia um pouco irritada.

- Ah... Grande e... laranja... – eu disse sendo bem vaga na descrição, mas isso foi o que me chamou mais atenção. Alem dos olhos é claro.

- Hunf! Eu sabia! – ela bufou.

Notas finais
E então?? Comentem!