Saiken - Vínculos Eternos.
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Como sou uma autora boazinha eu escrevi mais um capitulo pra vocês hoje :D
É que eu posso dar uma sumida outra vez então vou aproveitar pra postar um bem grandão e deixar vocês leitores felizes!
Quero agradecer aos comentários de todos, eu fico hiper-feliz com eles. Ah e Lemma-chan, eu ri muito com seus comentários entusiasmados arigatou ♥
- Eu, acho que não foi culpa dele na verdade. Não sei... Não sei nem como ele entrou no meu quarto – eu disse tentando acalma-la – O gato é seu?
- Pode-se dizer que sim – ela parecia realmente irritada com o bicho. No mesmo instante o próprio entrou na cozinha caminhando preguiçosamente pelo local. A pata já devia estar melhor, pois ele já conseguia apoia-la no chão para andar – Ah! Aí esta ele – a ruiva disse em um tom de sarcasmo que me surpreendeu vindo dela. Ela colocou as mãos na cintura e se dirigiu ao gato como quem se dirige a um filho que fez coisa errada – E então? Satisfeito? Viu o que você fez? – pode ser paranoia minha, mas jurei ter visto o animal olhar para mim e depois para minha mão – Afinal de contas o que você é? Um selvagem? – bem tecnicamente... – Isso já esta passando dos limites. Você extrapolou. Quer fazer o que quiser sumir quando quiser e viver como quiser tudo bem! Mas não seja um insano que não sabe se diferenciar de quem vive no meio do mato! – ela brigava pra valer com o bichinho e eu já começava a achar que era um pouco de exagero. Sakura colocou a mão no ombro dela para acalma-la.
- Tia Kushina acalme-se. Não é pra tanto – ela deu um sorriso nervoso.
- Ah... Desculpe Hina. É que... Esse gato me tira do serio.
Em resposta o animal apenas bufou e pulou no parapeito da janela ficando sentado ali. Fora um pouco estranho toda essa algazarra por causa de um animal de estimação, mas eu não pude pensar muito no assunto. Tsunade puxou minha mão e colocou nela alguma pomada feita com plantas acredito eu, que fez os machucados arderem na minha alma.
- Ai! – eu reclamei e tentei puxar a mão, mas Tsunade a segurava firme. Meus olhos lacrimejaram e me segurei para não chorar feito uma criança enquanto a mulher colocava mais daquilo nos ferimentos e enfaixava minha mão deixando apenas os dedos livres.
- Pronto meu bem. Isso arde um pouco, mas vai fazer sarar rapidinho. Ah e não acho que você seja alérgica aos felinos, esse aí – ela lançou um olhar feio para o gato. Eu já começava a sentir pena dele – é que devia estar com alguma coisa nas patas por ter andado o dia todo la fora. Você vai ficar bem, não se preocupe.
- Me desculpem, sei que fiz essa bagunça toda por nada, mas é que realmente me assustei quando isso aqui começou a doer de verdade.
- Não se desculpe Hina. Essas coisas acontecem. Já aconteceu comigo também. Esses aí vivem com essas patas cheias de coisas imundas – Sakura me tranquilizou.
O gato laranja pareceu se irritar com essa ultima menção a ele. Pulou da janela e em vez de sair da cozinha, como eu achei que faria, ele caminhou resolutamente ate onde eu estava. Pulou na cadeira ao meu lado e depois na mesa ficando com aquela cabeça enorme e cheia de pelos bem em frente a minha. Foi aí que a coisa estranha aconteceu.
Seus olhos azuis incríveis perderam o olhar bravo e mal humorado e ganharam o que eu podia jurar ser um tom triste e quase culpado. Ele soltou um miado baixinho e fraco esfregando o focinho na minha bochecha. Depois lambeu os dedos da minha mão machucada que estava apoiada sobre o peito. E eu entendi o que ele queria.
Minha mão boa acariciou os pelos atrás de sua orelha em um afago carinhoso e ele entortou a cabeça na mesma direção então eu disse sem conseguir evitar o tom carinhoso em minha voz:
- Tudo bem. Eu desculpo você.
Sakura, Kushina e Tsunade ficaram aparentemente surpresas com a cena. E Sakura ainda murmurou: “ele esta ronronando!”. E estava mesmo. Enquanto eu acariciava seu pelo macio o gato ronronava alto. Isso era o que eu mais gostava nos felinos, esse som me acalmava.
Vi Kushina respirar fundo ao meu lado e então fechar a cara novamente.
- Já é um bom começo. Agora desça da mesa, aí não é lugar para animais – seu tom foi um pouco hostil demais e fiquei com pena do gatinho. Ele parecia entender realmente o que os outros diziam para ele e pareceu ficar bastante sentido com o jeito que sua dona o tratara. Desceu da mesa e caminhou lentamente ate a escada a subindo e desaparecendo la em cima.
- Ele me pareceu arrependido – sorri – a propósito como é o nome dele?
Kushina suspirou.
- N. Pode chama-lo de N.
- N? – perguntei – só isso?
- É – ela sorriu – Não sou muito criativa pra essas coisas.
Nós todas rimos e conversamos mais um pouco. Os biscoitos que as três preparavam quando cheguei saíram do forno quentinhos e deliciosos então aproveitamos para comer alguns com um delicioso copo de leite o que na verdade seria nosso “café da manha” pois eram mais ou menos umas nove e pouco da manhã. Eu pedi licença a elas quando terminei e subi em direção ao meu quarto para trocar de roupa.
Entrei e tranquei a porta. Fui em direção ao closet e o abri deixando o roupão cair aos meus pés. Apanhei o hidratante corporal da cômoda perto da porta e comecei a hidratas todo o corpo. Primeiro as pernas, depois a barriga, os seios, braços e...
- AI MEU DEUS!
Bati a porta do closet com força. O que aquele gato ainda fazia ali? Tudo bem que era só um gato, mas ele estava parado sentado aos pés da cama olhando diretamente pra mim como se tivesse congelado daquele jeito. Seus olhos estavam tão vidrados em mim que por um momento achei que, em vez de um gato, fosse mesmo uma pessoa que estivesse me olhando nua. Corei. Ora essa! Era só um animal que não entende absolutamente nada dessas coisas. Bom, pelo menos eu esperava que não entendesse ate porque eu acredito que não faria muito seu tipo. Falta um pouco de pelos por todo corpo, orelhas pontiagudas e um rabo pra que eu comece a ficar atraente para ele.
Respirei fundo e me troquei. Coloquei uma calça cor de areia e uma blusa de lã rosa claro. Vesti meias e pantufa e um cachecol bem grosso enrolado no pescoço. Quando sai do closet vi N andando de um lado pro outro no quarto como se estivesse preocupado, inquieto.
- Ta. Eu não sei como você fica entrando e saindo daqui, mas precisa parar com isso. Eu levei um susto enorme sabia? Você não é exatamente um gatinho pequeno e fofinho – ergui a mão machucada pra ele – isso aqui ainda ta latejando – e estava mesmo. A ardência tinha diminuído, mas ainda latejava daquele jeito estranho como quando uma coisa dói por muito tempo e começa a sarar. N miou para mim de um jeito que eu pude entender como: “Já pedi desculpas por isso!” e pulou ficando sentado na poltrona rosa chá.
- Tudo bem, mas você me assusta. Aparece do nada, desaparece. Você podia sei la, fazer uns ruídos quando estivesse chegando... – Ok. Eu estava ficando oficialmente maluca por ficar batendo o maior papo com um gato. Sentei-me nos pés da cama e suspirei. Apesar de a casa ser enorme e eu não ter que me preocupar com nenhum tipo de trabalho eu percebia que não tinha absolutamente nada pra fazer naquele lugar ainda mais depois que Ino e Sakura estavam claramente muito ocupadas em matar a saudade dos namorados.
- Eu vou descer e assistir um pouco de TV você vem? – Ta legal, desisto de tentar não conversar com um bicho que sequer entende o que eu estou dizendo. Só que mais uma vez como se me compreendesse N balançou o rabo comprido e felpudo e se apoiou nas patas traseiras pegando impulso e pulando no meu colo.
- N! – ralhei. Ele não era um gato relativamente pequeno o que fez com que eu caísse para trás e deitasse na cama com ele em cima de mim. Ele me olhou bem nos olhos com uma expressão curiosa – Que foi? É esse o seu nome não é? Eeeeeneee – brinquei cantarolando o seu nome e acariciando sua cabeça. N esfregou o focinho outra vez na minha bochecha – seus bigodes compridos e fininhos me fizeram cócegas — e ronronou alto. Eu adorava esse som. Ele deitou na minha barriga e constatei que ele era realmente grande e pesado, mas eu não me sentia desconfortável. Continuei acariciando todo o seu pelo enquanto ele deitou a cabeça na curva do meu pescoço e prosseguiu com os seus “barulhinhos” de gato.
Seu pelo era macio e o corpo quente me cobria do peito a metade das coxas. Era um gatão. Sorri com o pensamento. Estava frio e o calor do corpo de N me aquecia. Meus dedos entrelaçavam seu pelo e ele continuava a ronronar baixinho e suave. Adormeci.
Quando acordei N não estava mais em cima de mim, mas eu ainda estava deitada no meio da cama e alguém me tinha coberto. Afastei um pouco as cobertas e vi N dormindo deitado bem perto de mim na cama todo enrolado nele mesmo. Afaguei suas orelhas e beijei o topo de sua cabeça. Ele se mexeu um pouquinho e me perguntei por que ele não tinha ido para outro lugar. Gatos geralmente não gostam de ficar muito tempo no mesmo local. Lembrei que ele não poderia mesmo sair, nem se quisesse, pois eu havia deixado a porta trancada. O coitadinho ficara preso ali comigo por... Olhei no relógio pequeno e bonitinho que tinha na minha mesinha de cabeceira e vi que já eram três horas da tarde. Senhor! Eu dormira tanto que perdera ate o almoço.
Empurrei as cobertas e... Espera... Se... Se a porta estava trancada como... Como é que eu podia estar coberta?
Fiz um esforço para lembrar se eu mesma não teria pegado as cobertas antes de adormecer, mas não me ocorreu nada parecido. Eu não tinha pegado aquele cobertor. Levantei rápido e forcei a fechadura da porta para ver se estava mesmo trancada. Estava.
Respirei fundo e olhei para a cama. N havia acordado com toda a minha agitação. Bem, o que eu estava pensando? Que o gato é que tinha colocado magicamente as cobertas em cima de mim? Obvio que não. Na carta fora Tsunade. Ela provavelmente tinha uma daquelas chaves que abrem todas as portas da casa ou coisa parecida. Forcei a minha cabeça a acreditar nisso pra não ficar mais maluca do que já estava. Fora isso. Tsunade ficara preocupada por eu ter ficado tanto tempo trancada dentro do quarto. Pegara sua chave mestra. Abrira a porta e me encontrara dormindo, me cobriu e saiu. Fora isso. Fora só isso.
- Não é? – pensei alto acariciando N na cama.
Fui até o banheiro e lavei o rosto. Penteei os cabelos escovei os dentes e disfarcei minha cara de cansaço com um pouco de pó, rímel e brilho nos lábios. Ajeitei a roupa amarrotada e resolvi descer ate a sala para ver quem estaria por la. Destranquei a porta e N veio junto comigo.
Imaginei que o gato fosse sumir pelo resto do dia assim que conseguisse sair do quarto, mas não. Ele me acompanhou ate a sala descendo as escadas ao meu lado e permanecendo o tempo todo assim.
Quando estava chegando perto da sala escutei vozes e risadas vindas do lugar. Caminhei devagar e um pouco receosa ate la. Esperava que Ino ou Sakura ou até mesmo as duas estivessem ali. Cheguei e encontrei um lugar que fazia jus ao resto da casa. Uma lareira enorme crepitava aquecendo o local todo e dois sofás grande formando um L de frente pra mesma. Sakura e Sasuke estavam sentados em um dos sofás que dava de frente para a porta onde eu estava com ela o abraçando possessivamente. No outro estavam Ino com algo no colo que não enxerguei direito e mais um casal que eu não conhecia. Uma mulher de cabelos castanho-claro e muito bonita e um homem de cabelos pretos presos em um rabo de cavalo alto. De costas para mim ficava uma poltrona espaçosa que me pareceu fazia. Ainda havia outra sala no mesmo espaço onde ficavam mais dois sofás e varias almofadas grandes no chão junto com uma TV enorme e vários aparelhos eletrônicos.
N miou ao meu lado e isso fez Sakura e os outros olharem na minha direção.
- Hina! Até que enfim. Tsunade disse pra não incomodarmos você no quarto, mas eu já estava ficando preocupada. Que bom que acordou. Venha sente-se aqui com a gente – ela gesticulava alegre pra mim. Viu só, Tsunade disse pra não se preocuparem o que queria dizer que ela sabia que eu estava la no quarto, dormindo. Sasuke me sorriu com simpatia e Ino também. Caminhei até eles e me sentei na poltrona.
- Oi – Eu disse para o casal que eu não conhecia. Eles iam me responder, mas pareceram realmente surpresos quando N pulou no meu colo se aconchegando ali. Ele mal cabia deitado em minhas pernas então suas patas da frente e sua cabeça descansaram no braço da poltrona. Fiz carinho em seu pelo e ele fechou os olhos ignorando todo mundo no lugar. – Algum problema? – perguntei vendo as caras surpresas de todo mundo. Ino soltou um gritinho alegre e riu com uma felicidade sem propósito.
- Não! – disse convicta – Imagine, é só que não estamos acostumados com o N demonstrando carinho assim por alguém. Sabe, ele é um gato bem ranzinza e nós ficamos um pouco preocupadas com você depois que ele te arranhou daquele jeito. Ele é assim com todo mundo, chato e mal humorado – N se remexeu no meu colo -, não gosta de muito contato físico, some de vez em quando... Aí ficamos surpresos por ver vocês dois tão perto um do outro, mas eu sei como é, esse mimados aqui – ela esfregou, o que agora eu via ser uma bola de pelos enorme e avermelhada no seu colo — tem uma personalidade nojenta, mas não tem como não ama-los.
O gato vermelho de Ino levantou a cabeça e ela lhe abraçou carinhosa. Ele era quase tão grande quanto N e tinha um pelo curiosamente vermelho, seus olhos eram bem verdes e ele quase não tinha aquelas íris riscadas dos felinos. As dele eram bem finas e quase não se dava pra ver de longe.
- É – respondi – pode-se dizer que nós fizemos as pazes. Como é o nome dele? – perguntei me referindo ao gato de Ino.
- Akai – ela respondeu. Claro “vermelho”, eles não eram mesmo criativos para nomes de animais aqui.
- Que bom que vocês se deram bem. Esse idiota aí tava precisando de alguém que o aguentasse pra ver se, se acalmava um pouco – Sasuke me disse rindo sarcasticamente para o gato no meu colo. N levantou a cabeça e grunhiu para o Uchiha. Alisei seu pelo para acalma-lo e ele se deitou novamente.
- Kushina vai ficar com ciúmes – a loira que eu não conhecia disse — Ah e a propósito u sou Temari, irmã do Gaara que namora a Ino – ela se apresentou e sorriu. O gato de Ino levantou a cabeça e ficou nos olhando. Eu sorri de volta e apertei sua mão estendida – Ah e esse cara cochilando aqui é meu namorado Shikamaru. Não ligue a falta de respeito ele tem tanto sono quanto um desses bichanos aí.
- Hinata e bom... Espero que Kushina não fique brava. Eu adoro animais e principalmente os inteligentes e N é tão perspicaz que me fez ate perdoa-lo pelo acidente – brinquei. N levantou a cabeça outra vez e olhou na direção de Sasuke e Sakura como se o meu elogio o tivesse engrandecido.
- Não se preocupe. A relação da tia Kushina com o N é de mãe e filho. Tenho certeza que ela não vai ficar chateada se ele arrumar uma namorada – Sakura riu. Sacudi N devagar e brinquei com ele:
- O que acha N? Que tal uma namorada branquela e humana? Acho que não faço muito o seu tipo não é? – todos riram, mas N pareceu não gostar. Ele pulou do meu colo irritado e saiu porta afora sumindo outra vez – É acho que ele prefere uma que mie e tenha um rabo bem bonito.
Nós rimos outra vez.
Conversamos o resto da tarde toda e quando Temari e Shikamaru – que acordou depois de algum tempo e se mostrou um cara muito legal – disseram que precisavam ir embora eu lamentei e disse que adoraria conversar mais com eles. Eles prometeram voltar ainda na mesma semana. Descobri que Sasuke na verdade não era tão assustador e até se arriscava em uma brincadeirinha ou outra – na maioria das vezes falando mal de N ou de Gaara. Estávamos nos tornando bons amigos.
Depois de acompanhar Temari e Shikamaru ate a porta voltamos a sentar no sofá. Eram já quase sete e meia da noite.
- Eu to com fome – Sakura reclamou.
- Eu também – a loira que ficara concordou e Sasuke assentiu.
- Eu... posso preparar alguma coisa, será que Tsunade ficaria brava se eu mexesse na cozinha dela?
- Mas é looooogico que não – Sakura cantarolou -. Vai la e seja feliz minha amiga. Faça alguma coisa bem gostosa pra gente comer e sinta-se em casa – sorriu e eu a acompanhei. No fundo cozinhas para mim era algo agradável. Eu gostava.
Caminhei para a cozinha e comecei a fuçar os vários armários que tinha no lugar. Por fim achei o que eu queria. Coloquei uma porção generosa de macarrão para cozinhar e cortei files de peixe para grelhar. Lavei verduras e legumes pra uma salada e só precisava de um recipiente agora. Fui ate o armário do outro lado da cozinha para pegar uma tigela de vidro que eu vira por la. Quando me virei quase tive uma parada cardíaca. Eu ia acabar tendo uma por levar tantos sustos nessa casa. Todos aqui pareciam se moverem como se pisassem tão macios quantos os gatos de estimação. Meu gritou ecoou na cozinha e a tigela se espatifou no chão.
Parado em pé ao lado da mesa comendo pedaços de peixe cru estava um homem enorme sem camisa e com arranhões imensos que iam do ombro ao abdômen. Já tinha parado de chover, mas ele parecia estar molhado. Gotas de água pingavam de seu cabelo loiro e escorriam pelo seu rosto que estava virado na minha direção e me olhava com um misto de surpresa e raiva. Seus braços eram enormes e ele com certeza era bem mais alto do que eu. A calça preta estava um pouco suja e rasgada e ele estava descalço.
- O que ta fazendo aqui? – Deus. Sua voz me fez estremecer da cabeça aos pés e minhas pernas falharam. Achei que aquele cara fosse pular na minha direção e me atacar, mas ele simplesmente continuou me olhando e esperando eu responder.
- E-e-eu... E-eu estava c-cozinhan...
Ele bufou interrompendo minha gagueira ridícula catou mais um punhado de peixe cru e estava pronto para ir embora quando Sakura apareceu na porta da cozinha impedindo sua passagem. Ela pareceu momentaneamente surpresa por vê-lo também, mas então seus olhos foram parar no chão e no rastro de lama e água que ele deixara para trás. Ela fechou a cara e disse com uma voz irritada:
- Naruto! Olha só a bagunça que você fez! Da um jeito de limpar isso aí antes que ela volte. O que é que você ta fazendo aqui assim há essa hora?
Ele soltou uma risada breve e sarcástica.
- Alguém deixou todas as portas dessa maldita casa fechada você queria que eu entrasse como? E não esta contente por me ver assim? Não é o que vocês ficam enchendo a porra do meu saco toda dia pra que eu faça? – quando Sakura disse “desse jeito” achei que ela se referia roupa suja e ao estado dele, mas agora eu via que talvez fosse algo diferente.
- Não todo esfolado desse jeito seu idiota! Tava fazendo o que? Se jogando que algum penhasco? – já era visível e palpável a irritação da Haruno. Naruto – que agora eu reconhecia da manha em que cheguei e isso queria dizer que era o filho de Kushina – jogou os pedaços de peixe de volta na mesa os fazendo cair por toda a parte.
- Vai te foder Sakura.
- Eu é que vou te foder se você não aprender a respeitar a minha namorada! – Sasuke entrou pela porta de repente bufando de raiva. Ele apontou o dedo bem no meio da cara de Naruto e praticamente cuspiu as palavras nele – Você ta achando que é quem? Que pode se irritar ir la fazer merda e depois voltar e descontar em quem bem entender? Você pode ter nascido antes, mas parece que a droga do teu cérebro esqueceu de se desenvolver ao mesmo tempo né caralho?!
Eu fiquei chocada com a quantidade de raiva e testosterona que pairava no lugar. Minha respiração já começava a ficar ofegante e eu estava começando a me assustar. Os dois pareciam que iam sair no tapa – ou melhor no soco – a qualquer momento.
- Hina? Hinata você ta bem? – Sakura veio correndo ate mim e me abraçou – Eu escutei seu grito e depois um barulho. Vim correndo pra saber o que tinha acontecido e esse ogro tava aqui. Desculpa amiga, ele é só um sem noção, não liga.
- T-ta tudo bem ele na...
- O que é que você ia fazer em? Ir pra cima dela a força como costuma fazer? Anh? Ia mesmo colocar essas tuas mãos imundas nela Naruto? – Sasuke soava tão ameaçador que fiquei chocada. Ele tinha parado de gritar, mas o seu tom de voz me chamou atenção e comecei a prestar atenção outra vez na conversa/briga deles – É bem a tua cara mesmo. Podia muito bem ta la com a gente conversando e rindo como um cara normal, mas não. Você tem que dar uma de revoltado. O Fodão. O cara mal! Tu é um bosta isso sim. Um mer...
O punho de Naruto praticamente voou na direção de Sasuke o acertando bem no queixo, o Uchiha cuspiu um pouco de sangue e agarrou os cabelos e fez a cabeça dele praticamente entrar na parede. Aquilo foi tão violento que eu não consegui conter o grito de horror que soltei. Sasuke o ergueu novamente pelo braço e por incrível que pareça ele estava consciente. Quando percebi que o moreno preparava outro soco para acerta-lo, não sei por que, mas me soltei de Sakura e gritei:
- NÃO! Ele não fez nada, pare! Pare, você vai mata-lo!
Soei desesperada. E era exatamente assim que eu me sentia. Caramba, como é que podem deixar esse tipo de coisa acontecer? Eles, eles eram parentes não eram? Primos ou sei la o que!
Sasuke me olhou como se eu tivesse dito algo completamente fora do normal. Absurdo. Mas dadas as condições dizer que ele ia mata-lo era algo bem razoável. Ele o largou brutalmente e Naruto caiu de modo grosseiro no chão respirando com dificuldade. Sasuke cuspiu sangue outra vez e reparei que seu lábio estava inchado e cortado no lado esquerdo. Sakura correu ate ele.
- Você ta bem Sasuke? – ele assentiu pra ela a abraçando. Droga é claro que ele estava bem! Não era ele que estava caído no chão com a cabeça aberta! – Hina, vamos pra la. Deixa isso aí, todo mundo já perdeu a fome.
- O que? – perguntei chocada – e-e vão deixa-lo assim? Qu-qual é o problema de vocês dois?
- Deixa ele aí Hinata ele sabe se virar não se preocupe. Não vale a pena.
A voz de Sasuke não saiu brava ou irritada. Era calma e condescendente. Senti ate certa tristeza nela ao dizer as ultima palavras. Só que mesmo assim eu não podia simplesmente deixar aquele cara ali, deitado no chão da cozinha todo ensanguentado.
- Podem ir, e-eu cuido de tudo. Vou limpar essa bagunça.
- Hinata é melhor não ficar sozinha com... – Sakura tentou argumentar.
- Eu já disse que cuido de tudo! – minha voz saiu mais firme do que eu esperava.
- Ta, só... Só promete que me chama se precisar.
- Ta bem Sakura, eu chamo.
Eles saíram e eu olhei outra vez para Naruto. Seu corpo estava esticado no chão e ele respirava devagar de olhos fechados. Acho que nem tinha ouvido direito essa ultima conversa. Sua cabeça tinha um machucado enorme do lado direito e o ombro também estava esfolado. Sem contar os arranhões no peito que não pareciam pouca coisa.
- Ai meu deus você precisa de um medico – sussurrei me ajoelhando ao seu lado.
- Não – a resposta foi tão clara e imediata que eu levei um pequeno susto. Achei que ele não estava nem ouvindo tamanha dor que devia sentir.
Tudo bem. Ele não queria um medico e não era bem o tipo de cara que eu gostaria de contestar. Levantei rapidamente e procurei por toda a cozinha. Eu sabia que eles deviam ter em algum lugar... Achei! Um kit de primeiros-socorros que estava nos armários de cima.
Voltei ao seu lado e achei melhor avisa-lo do que iria fazer.
- Eu... Eu vou desinfetar os ferimentos e fazer uns curativos tudo bem?!
- Não precisa – ele disse ainda com dificuldade para respirar.
- Se eu não desinfetar isso aí pode infeccionar e aí a coisa vai ficar feia. Alem do mais eu to me sentindo meio culpada por tudo isso, afinal de contas se eu não tivesse gritado como uma histérica o Sasuke não teria aparecido e vocês não teriam brigado e também – eu comecei a falar tudo de uma vez só e muito rápido. Sentia mão dele segurar firme meu pulso o que me fez calar a boca imediatamente.
- Tudo bem, tudo bem – ele disse impaciente – só pare de falar. A minha cabeça ta doendo um pouco.
É claro que estava. Tinha um buraco nela! Assenti e comecei a cuidar dos ferimentos. Primeiro gastei um pacote de gaze só para limpá-los com água. Eu estava limpando eu rosto quando percebi que ele era, na verdade, muito, muito bonito. Seu rosto tinha traços fortes e precisos. A boca era desenhada e macia o queixo marcado e as maças do rosto proeminentes. Ele tinha uns risquinhos nas bochechas que me fizeram lembrar os bigodes de um gato e assim de olhos fechados o faziam parecer um menino e não um homem. Peguei-me acariciando seu rosto e contornando seus traços com o dedo indicador. Seus olhos abriram de repente e deram de cara com os meus. Eles eram de um azul tão intenso que eu fiquei sem rumo por um momento. Eram profundos e escondiam uma vastidão de sentimentos. Eu tinha certeza de já tê-los visto em algum lugar. Quando percebi que estávamos nos encarando abertamente e por certo tempo, corei e desviei os olhos.
- Desculpe – disse. Voltando a cuidar dos seus ferimentos. Tratei primeiro dos arranhões e depois cuidei da cabeça. Estava horrível como eu pensei. Eu tive que limpar bem o corte e tirar todo o sangue seco para que não infeccionasse e tenho certeza de que isso doeu, mas não o ouvi reclamar nenhuma vez. Fiz um curativo com cuidado e rezei para que ele não precisasse de pontos e fechasse sozinho. Quando terminei vi que os curativos do peito já estavam cobertos de sangue outra vez e eu teria que troca-los. O problema é que os arranhões não paravam de sangrar e estavam um pouco inchados e avermelhados em volta. Lembrei então de que eram bem parecidos com os da minha mão. Talvez ele tivesse brigado com algum gato selvagem ou sei la (?).
Levantei e peguei o remédio que Tsunade preparara mais cedo de onde a vi guardar. Voltei para o seu lado com a pomada em mãos e peguei um pouco com os dedos passando nas feridas. Naruto gemeu alto de dor e eu não entendi.
- Q-que foi?
- Isso, quer droga! Isso queima, tire isso daí merda – ele respondeu entre gemidos.
- Não, não deve ser o remédio, isso aí aliviou rapidinho a dor da minha mão eu...
- Tire – ele me olhou suplicante. Não entendi direito, mas molhei outra gaze e limpei todo o ferimento novamente, retirando todo o remédio. Seu corpo relaxou outra vez e ele suspirou de alivio. Olhei os arranhões e vi que aquele em que eu havia passado a pomada tinha queimaduras por todo o machucado.
- Oh meu Deus o que eu fiz? – levei as mãos à boca – Me desculpe eu... Eu não quis – comecei a me sentir uma inútil ali. Eu não só não o ajudara como também piorara a sua situação. Meus olhos se encheram de lagrimas e me senti uma idiota por alem de tudo ainda chorar.
- Ei – ele tinha se sentado e segurou uma das minhas mãos – Você não teve culpa. Não tinha como saber, só quis ajudar – seu jeito era rude como se não soubesse como lidar com mulheres direito, mas mesmo assim as palavras dele me acalmaram.
- Desculpe – murmurei.
— Ta tudo bem – Vi que ele se aproximava do meu rosto e mesmo assim deixei. Sua respiração já havia se normalizado e a voz dele me acalmava de um jeito extraordinário. Sua mão quente e forte deslizou pelo meu pescoço até a nuca me puxando pra mais perto. Meus olhos foram fechando involuntariamente e eu me apoiei em seus ombros largos e nossas respirações quentes e arfantes se encontraram. Depois nossas bocas, depois nossas línguas e o beijo foi tão diferente dos que eu já dera que me senti em ebulição. Sua mão livre me puxou pela cintura para mais perto de seu corpo e eu cedi. Sentei-me em seu colo colocando uma perna em cada lado. E nossos corpos se colaram nos fazendo exigir mais daquele beijo. Minha pele fervia aonde suas mãos me tocavam e eu quis mais. Eu o quis. Quis Naruto. Quis de um jeito que nunca quisera outro homem em minha vida.
Notas finais
Mas não comemorem que já vou fazer ele sumir de novo por um tempo u_u
espero que tenha ficado bom esse capitulo porque eu gostei de escrever ele *u*
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