Saiken - Vínculos Eternos.
2 Capítulo 2
Almoçamos em um dos restaurantes bonitinhos e tradicionais do centro. Enquanto caminhávamos de volta ao carro que ficara estacionado algumas vagas depois do restaurante passamos em frente à outra loja de animais e comentei com elas o quanto eu gostava daqueles bichinhos. Elas simpatizaram com a ideia e me perguntaram se eu gostava de gatos. Quando eu disse que eram meus prediletos elas fizeram uma pequena comemoração. Talvez porque tivéssemos mais aquilo em comum.
Chegamos ao meu apartamento às duas da tarde. Enquanto as meninas entravam e se acomodavam aproveitei para abrir as janelas e deixar o lugar respirar um pouco.
- Vocês podem me ajudar com as malas? – perguntei.
- Claro. Adoro essas coisas – Ino respondeu -. Você precisa levar de tudo, serio mesmo. Roupas de frio, de calor, biquines, casacos, calças, saias, algo mais sexy – picou cheia de segundas intenções. Sem poder evitar corei levemente.
- Acho que não é o caso.
- Claro que é, sempre é o caso de ter algo sexy e bonito na mala – Sakura se intrometeu na conversa.
- Uhum – disse pouco convencida – mas vamos com calma mesmo assim.
- Deixa com a gente! Você não tinha que ligar pra sua Irma? Então, vai la. A gente cuida das malas – Ino praticamente me empurrou para fora do meu próprio quarto.
Sem protestar e sabendo que não ia adiantar em nada, fui ate a sala e disquei o numero de minha Irma no celular e aguardei ela atender.
- Alo.
- Oi meu anjo – disse. Estava morrendo de saudades dela.
- Hinata? Ah, Hina que saudades de você! Eu iria te ligar amanha mesmo, só não telefonei antes porque tenho andado tão ocupada que mal tenho tempo pra dormir. Como é que você esta? Ta tudo bem não é? Como vai o trabalho? E a Sakura? E os namorados, ta pegando geral em mana?
- Hanabi! – ralhei em meio a risos – Olhe como fala. E pare de fazer tantas perguntas assim não consigo responder – ri outra vez junto com ela – Estou ótima e não, não aconteceu nada. Meu trabalho também vai muito bem e não estou “pegando geral”. Que expressão horrível...
- Nem é, você é que já esta ficando velha! – ouvi sua gargalhada do outro lado da linha.
- Velha é o...
- Oooolha os bons modos comigo! – cantarolou.
- Espertinha. Mas agora me escute, tenho algo serio a tratar com você. O Sr. Asuma viajou e me deixou de férias até ele voltar, então a Sakura me convidou para ir à casa de campo do namorado dela. E estou indo hoje mesmo, resolvemos tudo isso ontem então só pude te ligar agora, não tem problema pra você?
- Mas é lógico que não! Finalmente você vai largar um pouco o escritório e aquelas contas malditas eu fico é muito feliz. Quero que você vá e aproveite muito bem, e depois me conte tudo em detalhes! – Hanabi ficou mais empolgada do que eu presumira. Fiquei ainda mais contente com a viajem.
- Que bom que esta tudo bem pra você – eu disse em um suspiro.
- É claro que esta. Eu não iria poder mesmo ir te visitar, as coisas na faculdade estão um caos. Ta todo mundo doidão com o monte de provas e trabalhos que os professores resolveram passar. Eu só vou poder te ver nas férias de final de ano agora. Estou com tanta saudade – sua voz ficou um pouquinho triste.
- Eu também meu anjo, estou morrendo de saudades de você. E a tia, ta tudo bem entre ela e você por aí? – Minha Irma mais nova foi morar com nossa tia assim que entrou para faculdade, faz quase um ano. Desde então nos vimos poucas vezes, apenas em alguns finais de semana.
- Ta sim, você sabe que a titia é muito gente boa. Ela passa a maior parte do tempo cuidando dos doces dela em casa, então estamos sempre juntas quando eu estou em casa.
Nossa tia era uma doceira de mão cheia e quando perguntamos a ela se Hanabi poderia ficar em sua casa para fazer a faculdade de arquitetura da região – que era uma das melhores – ela não hesitou nem um segundo e disse que adoraria recebê-la. Estava com saudades dela também.
- Hinata! Vem cá, não to achando nada que eu quero aqui no teu quarto. É tudo arrumadinho demais! – Ino gritou la de dentro.
O que...
- Já vou – gritei de volta – Vou ter que desligar Hana, vou ficar o tempo todo com o celular. Qualquer coisa é só me ligar. Não se preocupe com horário ou ocasião, se qualquer coisa acontecer volto correndo pra te ver. Se cuide, se alimente bem e agasalha-se pra sair de casa, e também...
- Ta bom mãe! Hinata, eu já sei muito bem o que tenho que fazer. To bem grandinha não acha? Sei que tenho que comer bem, tomar cuidado, andar em boas companhias, usar camisinha...
- O que? – perguntei espantada – como assim camisi...
Ela me interrompeu com uma gargalhada.
- Beijinhos mana. Amo você, ate logo...
- Hanabi, volte aqui! Me responda. Ei! Não se atreva a...
Ela desligou. Essa menina andava impossível!
Cheguei ao quarto e o encontrei completamente revirado. Minhas roupas e sapatos estavam por toda parte. Um furacão – chamado Ino Yamanaka – havia passado por ali.
- O que diabos vocês fizeram aqui? – perguntei.
- Eu disse a ela que não precisava de tanta coisa, mas a Ino não ouve muitas pessoas – Sakura disse.
- Não é bem assim – disse a loira saindo do meu closet. Ela parou no meio do quarto com as duas mãos na cintura – Ta, talvez seja, mas é que eu não estava encontrando nada aqui. Aí tive que me virar, mas olha só – ela apontou para a cama onde duas malas enormes, as maiores que eu tinha, estavam abarrotadas de roupas e sapatos e tudo que eu pudesse precisar – Ta aí, suas malas prontinhas para viajem – e sorriu triunfante.
- Acho que você exagerou. Tenho certeza que você exagerou isso é coisa demais Ino – falei.
- Não é não! E agora nós precisamos ir. Temos que passar na casa da Sakura ainda para pegarmos minhas coisas e fazer a mala da Sakura. Então se arrume logo que nos já estamos indo – e ela saiu cantarolando em direção à sala.
- Acho melhor eu dar uma olhada, vai que ela se esqueceu de...
- Não se atreva a tocar nessas malas antes de chegarmos a casa de campo Hinata Hyuuga! – Ino berrou la da sala.
- Acredite, ela socou bastante coisas aí. E alem do mais, se você precisar de mais alguma coisa nós podemos providenciar rapidinho la. Fique tranquila – Sakura me acalmou. Ela sentou na cama e respirou fundo – Agora vai, apronte-se logo. Estou doida pra ver o meu Sasuke de novo – sorriu.
Fui para o banheiro e dessa vez apenas tomei um banho rápido sem lavar os cabelos que já estavam limpos. Já eram umas quatro horas da tarde quando terminei de me arrumar. Dessa vez optei por um vestido longo, nada muito chique, era bem casual. Era de um tecido bem leve e esvoaçante, azul marinho com flores brancas desenhadas que começavam na altura dos joelhos e iam ate a barra. Era bonito e confortável. Soltei o coque que havia feito de manha e meu cabelo ficara cheio de cacho que pareciam naturais. Os deixei assim e prendi somente a lateral esquerda deixando o resto solto. Joguei um mínimo de fixador de cabelos para que os cachos durassem a viajem toda. Fiz uma leve maquiagem e escolhi outro par de sapatilhas – agora daquelas do estilo bailarina – de cor perola e as calcei.
Tranquei todo o meu apartamento e avisei o sindico de que ficaria fora por algum tempo. Depois de tudo certo nós três saímos em direção à casa de Sakura. Chegamos outra vez em seu apartamento e por incrível que pareça as duas foram rápidas. A mala de Ino estava praticamente feita já que ela passara só uma noite aqui – e era uma mala relativamente grande para quem parecia querer passar só um ou dois dias. Sakura arrumou suas coisas rapidamente já que não necessitava de muito, pois boa parte de suas coisas já estavam la na casa. As duas se arrumaram e nós comemos uma salada e um file de peixe grelhado que Ino preparou e que ficara delicioso.
Depois de e arrumarmos as ultimas coisas para levar deixamos o apartamento. Eram quase onze da noite e nosso voo até Tohoku estava marcado para as onze e quarenta e cinco.
Entramos no aeroporto, fizemos o check-in e não demorou muito ate estarmos dentro do avião. Primeira classe. Devo confessar que adorei essa parte.
- Bom, tudo bem. Vou confessar: Ate agora estou adorando essa ideia de viajar de repente. Ta sendo tudo tão bom – comentei feliz. As poltronas minha e de Ino ficaram lado a lado e Sakura sentou-se de frente para nós com a poltrona do seu lado vazia.
- Fico feliz que esteja gostando Hina, fico realmente feliz. Faz ser incrível ter você la esse ano no Chōwa no saiten desse ano – Sakura falou segurando em minha mão.
- Chowa no saiten? – perguntei.
- É, o nome daquela comemoração que Ino falou é Festival de Harmonia (Chowa no saiten). Ela esta na família deles a séculos. É muito bonita, você vai gostar.
- Bom mesmo é depois que os mais velhos vão dormir e agente pode começar a festa de verdade – disse Ino dançando sentada na poltrona.
- Bem, isso também – respondeu Sakura sorrindo – Mas é tudo incrível, você vai ver. Vão gostar.
- Estou ansiosa pra conhecer tudo isso – eu disse contente. Estava ficando cada vez mais empolgada com toda aquela historia.
A viajem foi tranquila ate Tohoku – As linhas aéreas da Atesaki Corporation eram realmente de primeira classe, eu mal senti que estávamos a tantos mil pés do chão. Desembarcamos la e tivemos que esperar uns quarenta minutos ate que o avião pudesse decolar novamente. Havia tido uma nevasca repentina que não estava prevista ate ontem de manha e eles tiveram que interceptar todos os aviões que saiam de Tókio para aquela direção. Pelo menos foi isso que o comandante disse.
Realmente não tivemos de esperar muito, mas fora tempo suficiente para Ino fazer algumas compras e eu e Sakura darmos algumas risadas da loira.
Embarcamos outra vez e dessa seguimos direto até Hokkaido. Pouco tempo antes de chegarmos ao local o comandante veio pessoalmente cumprimentar Sakura.
- Ola senhoritas. Senhora Haruno, é um prazer acompanha-la em mais uma viajem.
Ele era alto e bem afeiçoado. Tinha cabelos estranhamente grisalhos pois seu rosto parecia jovem e sereno.
- Ola Kakashi. Obrigada pelas palavras gentis. Deixe-me apresenta-las. Essa é Ino – apontou a loira ao meu lado –, você já deve conhecê-la.
- Sim, já tive o prazer de viajar com a senhorita Yamanaka raras vezes – Ino apenas sorriu gentil.
- E essa é Hinata Hyuuga — Sakura estendeu a mão em minha direção – uma amiga.
- É uma honra conhecê-la senhorita Hyuuga – apertamos as mãos.
- Obrigada Sr. Kakashi, digo o mesmo – ele sorriu.
- Pode me chamar apenas de Kakashi.
- Então me chame de Hinata e ficamos certos – nós dois rimos brevemente ate ele desviar o olhar para Sakura e dizer:
- Ela é uma...
- Não! Não... Hinata é apenas uma amiga nossa esta indo visitar a casa – Ela o interrompeu sorrindo nervosa. Não entendi o porquê, mas parece que isso foi o suficiente para Kakashi.
- Entendo. Mesmo assim foi um grande prazer conhecê-la Hinata – nos direcionamos breves sorrisos – Ah, antes que eu me esqueça. O Sr. Uchiha nos pediu para que disséssemos as senhoritas para permanecerem no avião quando chegarmos ao aero porto – o olhei sem entender -. Ele disse que quer que as deixemos na pista de pouso particular da família, que fica próxima a casa.
Sakura suspirou.
- Desnecessário, mas já que Sasuke quer assim, faremos assim – ela sorriu ao piloto.
- Perfeito, senhora Haruno. Tenham uma boa viajem.
Depois que o comandante se afastou Ino comentou:
- Kakashi é um homem e tanto não?
- Achei que fosse comprometida Ino – brinquei.
- E daí?! Sou sim, e muito bem por sinal, mas continuo com os meus dois olhos funcionando perfeitamente bem – ela piscou para mim e eu e Sakura rimos.
Certo tempo depois pousamos pela primeira vez. Sakura disse para permanecermos nos nossos lugares, pois tínhamos chegado apenas ao aeroporto local e ainda levaríamos alguns minutos ate a pista particular.
- Nas montanhas? – perguntei espantada. Como assim a casa deles ficava nas montanhas de Hokkaido?
- Isso. Mas não é exatamente nas montanhas. É próximo, bem próximo. O lugar é incrível, não fique tão assustada.
- Não é por isso Sakura, é só... Por que é que eles moram no meio das montanhas se tem tanto dinheiro? – perguntei.
- Bem eles... Eles... Gostam de... – ela parecia procurar uma palavra especifica.
- Sossego – Ino completou.
O avião aterrissou tranquilamente na pista particular da família de Sasuke Eram mais ou menos cinco e quarenta da manha. Quando saímos vi uma das coisas mais linda da minha vida.
Estava amanhecendo e um pouco distante dali, em direção ao nascer do sol, um grande campo de flores coloridas dispostas em fileiras se estendia longamente no solo sendo iluminado pelos primeiros raios de sol. Uma brisa gelada arrepiou minha pele exposta pelo vestido ser de alças, mas nem isso tirou minha atenção da beleza do lugar.
- Oh meu Deus Sakura é... Lindo – falei.
- Não é – ela respondeu admirando o nascer do sol – uma das vistas mais bonitas daqui são os campos floridos cultivados só aqui, nas montanhas. Há varias fazendas de flores aqui, as fileiras de flores roxas aí na frente são de lavandas. Confesso que é uma das poucas que reconheço. Estamos em maio, então estamos na primavera e você vai poder ver muito mais delas. Embora o tempo oscile bastante aqui na casa de campo – ela acrescentou pensativa-. Acredite amiga, são as coisas mais belas que você pode imaginar.
- Eu acredito – disse sorrindo. Olhei mais uma vez o sol nascer e nos encher com seus raios quentes que provocavam uma sensação gostosa na minha pele gelada por causa da brisa fria.
Ino caminhou ate nós de volta com seus saltos altos batendo de encontro com o chão da pista de pouso e fazendo barulho. Ela tinha se afastado ate o carro que estava ali parado quando descemos do avião.
- Vamos meninas? Foram os garotos que mandaram o carro. O motorista disse que Tsunade já esta esperando por nós na casa. Imagine, ela já esta de pé – Falou com cara de espanto.
- Que medo! – disseram ela e Sakura juntas.
- Quem é Tsunade? – perguntei.
- Ah, ela é meio que “avó” dos meninos, mas nunca em hipótese alguma a chame assim ela odeia ser chamada de vovó! – Ino riu – Tipo, ela conhecia e conhece a mãe de todos eles de tempos, então ela meio que adotou todo mundo. Sem contar que ela se casou com o avô de Naruto então ela é, tecnicamente, mesmo avó dele, mas...
- Quem é Naruto? – Interrompi. Sakura arregalou os olhos por um breve instante e depois se recompôs. Ino pareceu perceber que tinha falado algo que não devia ou coisa assim porque ficou meio pálida quando fiz a pergunta. – então?
- Ah, o... Naruto é... Assim... – gaguejou Ino.
- O Naruto é “neto” – Sakura fez aspas com as mãos – de Tsunade mesmo. Como a Ino disse ela se casou com o avô dele então ficou assim. A mãe dele, Kushina, também mora com eles e elas são grandes amigas, ficaram ainda mais depois que perderam os maridos há alguns anos atrás. Naruto perdeu pai e avô ao mesmo tempo...
- Eu... eu sinto muito, por eles – eu disse. Algo dentro de mim ficou realmente triste por saber disso embora eu nem mesma soubesse direito quem eles eram.
- Nós também – Sakura continuou – Desde então... Bem, não tocamos muito nesse assunto la.
- Entendo. Deve ter sido duro para o... Naruto é isso não é?
- Sim – Sakura pareceu hesitar – Sabe... Ele não para muito em casa... Então não estranhe se o ver por la nos primeiros dias...
- Como assim? – olhei em volta. As únicas coisas que havia ali eram campos de flores, montanhas e florestas. Não era o tipo de lugar onde uma pessoa pudesse passar dias fora de casa – E ele fica exatamente aonde?
- Ah... Não sei, só... Não fica em casa...
- Gente, vamos logo. Estou morrendo de frio aqui. Podemos conversar mais dentro de casa – Ino nos interrompeu. Sakura pareceu ficar aliviada de não ter que me explicar mais coisas pelo menos por enquanto, mas eu estava fascinada demais para não interroga-la assim que puséssemos os pés dentro daquela casa.
Concordei em irmos, pois também estava completamente gelada dos pés a cabeça. Entramos no carro e o ar condicionado me fez suspirar de alivio. Estacionamos minutos depois em frente a uma casa enorme que, se não estivesse bem na minha frente, eu diria que só se via em filmes americanos. Ao contrario do que eu pensei, ela não era construída no estilo tradicional nipônico. Sua estrutura era igual a dos antigos casarões londrinos e ela era enorme.
Saímos do carro e eu lamentei silenciosamente ter de deixar o ar quente do automóvel. Quando estava pronta para reclamar baixinho do vento gelado, duas mulheres saíram da porta da frente do casarão – que alias não tinha nada a ver com a “casa de campo” que eu tinha imaginado – carregando mantas nos braços que me pareceram, mesmo de longe, macias e quentinhas. Desejei vorazmente que uma delas fosse para mim.
- Ola meninas! Estou tão contente em revê-las! – a loira com seios bem fartos e os cabelos presos em um rabo baixo era muito bonita apesar de aparentar ser mais velha que nós. Ela abraçou avidamente Ino e Sakura que sorriam tão felizes. Atrás dela veio uma das mulheres mais belas que já vi. E eu podia dizer o quanto ela era bonita com isso já que minhas amigas e companheiras de viajem eram tão desejáveis quanto qualquer atriz de cinema.
Mas essa mulher era diferente. Ela não era muito alta – para falar a verdade acho que tínhamos o mesmo tamanho e bem... Eu possuía apenas tímidos 1,68 metros de altura. Sabia que não era baixinha, mas perto das outras mulheres presentes eu era pequenininha.
Seus cabelos eram absurdamente compridos, chegavam quase ate as coxas e eram de um ruivo espetacular. Tinha olhos verdes cristalinos e um rosto tão jovem e delicado que por um momento quase achei que éramos da mesma idade, mas ela era mais velha, com certeza. Ela pegou as duas mantas que estavam em seus braços e as entregou as meninas dizendo em uma voz doce:
- Vamos, se cubram com isso. Como podem perceber o tempo virou.
Ino e Sakura riram de uma piada que certamente eu não entendi agradecendo a ela pelas mantas e tagarelando sobre a viajem com a mulher. Eu estava logo atrás delas e então o olhar da mulher loira se direcionou ao meu e ela sorriu tanto que cheguei a corar.
- Oh céus! Você deve ser a Hinata não é mesmo? – Ela me abraçou alegremente – Deuses, você esta gelada, Kushina me de aqui uma dessas mantas, rápido! – A mulher ruiva me olhou por entre as cabeças de Sakura e Ino e sorriu. Kushina! Ela era a mãe do tal de Naruto! Então essa loira devia ser...
- Cubra-se logo criança ou vai pegar um resfriado – sua voz foi tão branda que por um segundo me lembrou a de minha própria mãe e meu coração se retorceu pela falta. Ela jogou a manta sobre meus ombros e eu a puxei fechando-a na frente do corpo com as mãos. Ela era grande o suficiente para nos cobrir ate os pés e no meu caso arrastar um tantinho no chão.
- Obrigada Sra. Kushina e... Sra. Tsunade não é? – perguntei a loira. Ela sorriu e depois se fingiu brava.
- Senhora aqui só se for a deusa querida. Chame-me de Tsunade se quiser que nos demos bem – dessa vez eu ri junto a elas.
- Pode me chamar de Kushina também meu anjo – Meu anjo, ao ouvir essas palavras meu coração apertou outra vez. Era assim que minha mãe chamava a mim e a minha Irma. E era assim que eu passara a chamar Hanabi depois que ela se fora.
- É claro – disse delicadamente – Eu agradeço de novo.
As duas mulheres que eu mal acabara de conhecer enlaçaram os braços na minha cintura aquecendo-me do frio repentino que começava a fazer.
- Veja só. Todas as atenções agora são da Hyuuga! Isso não é justo – choramingou Ino.
- Isso mesmo, amo ser amiga da Hina, mas ela não pode monopolizar toda a nossa atenção assim – Sakura ralhou fingindo-se de ofendida. As mulheres riram e cada uma das garotas enlaçou o outro lado de Tsunade e Kushina me deixando permanecer no meio. Senti-me extremamente acolhida naquele momento.
Subimos as escadas da frente do casarão e assim que terminamos o degrau a porta da frente se abriu num rompante.
De dentro da casa saiu um homem com uma blusa de capuz aberta na frente e sem nada por baixo. Minha pele arrepiou só de ver a pele dele exposta ao frio daquele jeito. O capuz cobria parcialmente seu rosto e não pude ver como era. Usava calças pretas e estava descalço.
A porta bateu tão violentamente atrás dele que eu dei um pulo nos braços de Kushina e Tsunade. A ruiva me soltou de repente e correu na direção do homem.
- Naruto o que aconteceu? – ela parecia assustada, alarmada. Como se vê-lo ali fosse realmente algo inédito. Era Naruto, era o filho dela! O olhei novamente e tudo o que pude distinguir agora foi o abdômen definido e mais uma vez um arrepio percorreu meu corpo. Não sabia dizer se fora necessariamente de frio agora. O cara simplesmente ignorou a própria mãe e continuou andando pela frente da casa em direção a lateral – Naruto! – Kushina gritou e continuou o seguindo. Eles andaram ate a lateral da casa e depois desapareceram atrás dela.
Notei que nos quatro observávamos a cena mudas. O clima ficara tenso alem de frio de repente. Era como se a presença dele deixasse todos alarmados. Tsunade balançou a cabeça e voltou a caminhar me empurrando gentilmente.
- Vamos meninas. Vamos para dentro.
E assim que a porta se fechou um relâmpago reluziu la fora e em seguida um trovão ensurdecedor e aterrorizante – eu tinha um certo medo infantil deles – encheu o local.
Uma chuva torrencial começou la fora.
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