Saga Halfmoon
14 Treze

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Tribo Quileute
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–Acho que, finalmente, eles se estão a entender.- Lucas fala entregando-me o prato sentando-se ao meu lado e ri-o pegando nele e olhando Amie e Josh.
Eles estavam na praia com alguns garotos. Amie estava de pé de braços cruzados olhando o grupo de garotos sentados no chão perto dela. Joshua estava ao seu lado com as mãos nos bolsos rindo para algo que um garoto disse. Sarah estava entre os garotos sentados no chão.
–Eu acho que isto ainda não vai ficar por aqui.- Digo e ele me olha encostando-se na árvore atrás de nós e comendo seu cachorro.
–Porque não?
–Eu conheço meu irmão. Ele consegue ser bem teimoso quando quer.
–Acho que é por isso que ele e Amie não se dão. Aquela coisa pequena é bem persistente.
Ri-o trincando meu cachorro.
–Gostas muito do teu irmão, não?- Pergunta e dou de ombros encostando-me á árvore.
–É meu irmão.
–Sim mas, a tua relação com Josh parece ser mais forte que ele e tua irmã.
–Eu não digo que goste mais dele que Bri, porque não o faço!- Digo o olhando antes de lamber os lábios.- É só que… desde que eramos crianças, eu e Josh sempre andávamos juntos com meu pai. Tínhamos o mesmo herói, sabes? E, depois que meu pai morreu, Josh caiu completamente. Os dois caímos. Bri tinha seus amigos do costume, tinha minha mãe, ela continuou a sair, claro que ela sofreu, mas continua com sua rotina. Quanto que eu e Josh, nós vivíamos com meu pai, brincávamos com ele, riamos com ele, fazíamos as maiores besteiras do mundo com ele. Acabámos nos fechando para o mundo.- Dou de ombros e olho meu irmão.- Partilhamos a mesma dor. Nos compreendíamos. Até que entendi que não valia de nada ficar trancada no quarto. Nada o traria de volta. Então apenas me levantei e puxei Josh comigo.
–És a sua cúmplice.- Sorri de lado e assinto sorrindo de volta.
–É, acho que pudemos dizer isso. Mas tu também te dás muito bem com tuas irmãs.
–Ah! É diferente.- Diz apoiando os cotovelos nos joelhos.- Elas são duas, e eu apenas um! Era eu que tinha de aguentar com elas quando meus pais saiam para algum lado. Era a sua cobaia predileta.
–Oh, não me digas! Alguma vez fizeram de ti uma boneca?
–Não!- Diz tão repentinamente que ergo minhas sobrancelhas.- Ok, houve uma.
Ri-o e ele sorri coçando a cabeça.
–Elas tinham um gatinho. Meu pai o encontrou morto na floresta um dia. Elas ficaram horríveis! Foi a única maneira de elas melhorarem um pouco.- Explica-se e ri-o uma última vez assentindo.
–Foste um bom irmão.
–É…- Lucas passa a mão no queixo.-… mas os rapazes zoaram muito de mim na altura.
–Ah, eu queria ter visto!- Ri-o e uma sombra aparece ao meu lado.
–E podes. Eu tenho fotos!- Jim diz com um sorriso enorme tirando o celular do bolso.
–Tu o quê!?- Lucas pergunta, acho que um pouco surpreso e chocado.
–Eu queria guardá-las para te subornar caso precisasses, mas acho que Deb irá gostar imenso de as ver.
–Eu quero ver!- Digo animada e Jim ri procurando as fotos no celular.
–Mas não vais ver!- Lucas diz ao meu lado e antes que o olhe ele lançasse sobre Jim que corre para longe rindo.
Lucas vai atrás dele enquanto eu fico rindo os olhando encostada á árvore. Acabo meu cachorro e olho em volta. A lua já brilhava bem alta no céu. Os mais velhos estavam sentados ao redor da fogueira conversando. Beth e Heither estavam entre eles. Lily estava brincando com Prim. Vi Hayle e mais um rapaz da sua idade sentados numa pedra. Diana e Kate estavam na pedra ao lado com seus namorados. Suspirei e olhei Josh. Ele estava sentado conversando com um garoto de cabelos compridos. Estranhei. Estavam lá todos, menos Amie.
Levanto-me e deixo o prato de lado. Fui até á praia perguntar a Josh e Sarah onde estava Amie, mas antes de lá chegar vi uma menina encolhida entre as pedras a uns metros de distância dali.
Andei até lá. Amie estava abraçada aos joelhos com a cabeça entre as pernas.
–Amie?
Ela me olha e vejo as lágrimas em seu rosto.
–O que aconteceu?- Ajoelho-me á sua frente acariciando seus cabelos.
–Nada.- Sussurra com a voz rouca.
–Estás a chorar. Alguma coisa foi.
Ela limpa o rosto e eu sento-me na pedra ao seu lado.
–Achas-me feia, Deb?
–O quê?- Pergunto surpresa.- Claro que não! Tu és linda, Amie. És só olharmos para Sarah. Vês como ela é linda?- Digo olhando sua irmã que ria.
–Sim.
–Então? Porque perguntas isso? Sois gémeas!
–Mas Sarah veste-se como uma menina! Eu não!- Olhar aqueles olhos castanhos tão doloridos me fez ter pena daquela pequena menina.
–Amie… Tu podes vestir-te como Sarah se quiseres. Porque não o fazes?
–Aquilo é desconfortável e não dá jeito para correr pela floresta com vestido. Já experimentas-te escalar uma penhasco usando aquela coisa?!- Pergunta com uma careta e ri-o.
–Não. E acho que isso seria interessante.- Ela ri.- Ouve, não interessa como te vestes. É como te sentes melhor. E tu és uma menina linda. São só roupas.- Limpo seu rosto do resto das lágrimas salgadas.
–Joshua não pensa assim.- Resmunga e ergo minhas sobrancelhas.
–Joshua? Meu irmão?- Ela assente e ri-o a fazendo me olhar.- Amie, Josh nunca se interessou por isso. Todas as amigas dele em N.Y. tinham um estilo parecido com o teu. Ou andavam de skate. Ou jogavam futebol. Ou amavam ficar horas jogando aqueles jogos violentos que ele tanto ama. Acredita em mim, Amie. Josh não se importa com o que tu veste.
–Então porque ele prefere as outras garotas a mim?- Pergunta apontando para o grupo onde meu irmão estava.
–Quem disse que ele prefere as outras? Eu vou contar-te uma coisa, ok? Mas fica só entre nós. – Ela assente.- Juras?
–Juro!- Fala sentando-se melhor para me ouvir.
–Joshua sempre foi um rapaz encrenqueiro, certo? Mas ele sempre foi muito respeitador no que se tratava às garotas. Ele pode aprontar muito, mas nunca aprontou contra uma garota.
–Então porque ele está sempre me chateando?
–Porque ele gosta de ti, Amie! Tendes um feitio parecido. Ele percebeu isso. Ele sabe que tu és diferente. Que gostas daquilo que ele gosta. E tu fazes o que nenhuma outra garota lhe fez antes. Tu respondes!
–E isso é bom?- Pergunta confusa e sorri-o abraçando-a e beijando sua cabeça.
–Muito bom. Tu és aquela parte que Josh nunca encontrou nas outras meninas. A sua cúmplice. Agora…- Afasto-a um pouco para olhar em seus olhos.-… tu gostas de Josh?
–O quê?!- Grita e ri-o vendo seu rosto ficar vermelho.- Deb, Josh é um idiota.
–Aha, sei.
–Ele é!- Insiste e ri-o me levantando.
–Ok, senhorita. Tu é que sabes. Mas agora vamos voltar para chamares Josh de idiota pessoalmente.- Estendo minha mão e ela lhe pega sorrindo.
Nos viramos para voltar e vemos Lucas com as mãos nos bolsos nos olhando. Um pequeno sorriso aparecia em seus lábios. O mesmo sorriso de Amie. Doce, mas ao mesmo tempo cheio de mistérios.
–Ei. Tudo bem por aqui?- Lucas pergunta.
–Sim.- Assinto olhando Amie que sorri para o irmão largamente.
–Meu pai vai começar com as histórias. Vindes?
–Claro.
Andamos de volta pela praia. A areia fazia minhas botas enterrarem-se. Amava poder andar descalça ali. E de preferência com 30 graus ao sol!
Estávamos perto, quando Amie correu para longe de nós.
–Josh!
Meu irmão a olha e se levanta.
–O quê é?
–És um idiota!- Amie grita com toda a força e empurra-o de novo para o chão rindo.
Meu irmão olha um pouco perdido para ela e então corre atrás dela. Ri-o apertando meu casaco mais á minha volta.
–Estiveste bem.
Olho Lucas, confusa.
–Em quê?
–Com Amie. Obrigado.
–Tu ouviste nossa conversa?- Pergunto chocada e ele faz uma cara de culpado encolhendo os ombros.
–Talvez?
–Nunca ouviste dizer que não se deve ouvir uma conversa de garotas?- Bato em seu braço enquanto ele ri.- Isso não se faz, Lucas! E se tivéssemos falando de coisas super privadas?
–Ok! Não volto a fazer. Prometo!- Ergue as mãos em sinal de rendição e reviro os olhos sorrindo.
–Acho bom. Mas e aí? E as fotos que Jimy tem de ti cheio de purpurinas?
–Neste momento devem estar a aprender a nadar.- Fala calmamente colocando as mãos nos bolsos das calças.
–O quê?
Ele ri e me olha com aquela carinha de culpado que era tão linda.
Jesus, Jesus, Jesus. Não é hora para isso, Deborah!
–Tu não fizeste?!- Abro minha boca chocada e ele dá de ombros.
–Jim vai ficar sem comunicação social por um tempo.
Ri-o entre o chocada e o divertida. Mordo meu lábio inferior sorrindo.
–Vem. Já começou.- Ele diz olhando a fogueira. Antes de continuarmos, ele se vira de novo para mim me surpreendendo.- Oh, e não eram purpurinas. Eram brilhantes.
Ele me pisca o olho e ri-o o empurrando para a frente. Andamos até á fogueira rindo. Ele senta-se num dos troncos ao lado do garoto que estava com Hayle e eu sento-me ao seu lado.
–Eles haviam aprendido como lutar com os frios, e eles passaram o conhecimento de lobo pra lobo, de mente de lobo pra mente de lobo, de espírito para espírito, de pai para filho. O tempo passou, e os descendentes de Taha Aki já não se transformavam mais em lobos quando atingiam a idade adulta. Só muito raramente, se um frio estava por perto, os lobos retornavam, e o bando continuava pequeno.- Sam parou e olhou para todos sentados naquela fogueira. Josh apareceu e sentou-se ao meu lado.- Um grupo maior chegou, e os seus próprios bisavôs se prepararam para lutar contra eles. Mas o líder falou com Ephraim Black como se fosse um homem, e prometeu não machucar os Quileute. Os seus estranhos olhos amarelos davam alguma espécie de prova de que ele dizia sobre eles não serem iguais aos outros bebedores de sangue.
–Os frios são vampiros?- Sussurro a Lucas que assente me olhando.- Então… é uma luta entre vampiros e lobisomens?
–Exato.
–Oh.- Digo voltando-me de novo para Sam que desta vez olhava para mim e Lucas.
A expressão dura e os intensos olhos castanhos eram partilhados neles. Mas eu ainda continuava a achar Lucas mais parecido com a mãe.
–Os Lobisomens estavam em menor número. Não havia necessidade dos frios pedirem um acordo sendo que eles podiam ter vencido a batalha. Ephraim aceitou. Eles cumpriram com a sua parte, apesar de que a presença deles tendia a puxar outros. E o número deles forçou o bando a atingir um número que a tribo nunca havia visto. Exceto, é claro, no tempo de Taha Aki.- O olhar de Sam se desviou de mim para Lucas.- E então os filhos da nossa tribo carregam novamente o fardo e dividem o sacrifício que seus pais suportaram antes deles. Estavam destinados a viver o mesmo destino que seus antepassados, mas o destino quis ser traiçoeiro. Juntou dois rivais que ficaram ligados para a vida. Um dos nossos com um dos deles. Um frio e um lobo. Pela primeira vez, os frios não eram nossos inimigos. Eles se tornaram fiéis, tornaram-se amigos, tornaram-se… família.
–Porque a tua tribo tem lendas de vampiros e lobisomens?- Pergunto a Lucas que olha a fogueira á nossa frente.
–São lendas, Deb.- Olha-me e sorri tocando meu queixo com sua mão quente. Naquele momento me esqueci de tudo, até do que eu lhe perguntara.
–Sim mas… há pormenores demais, não achas?
–O que queres dizer com isso?- Pergunta aproximando seu rosto do meu. Havia curiosidade e um brilho estranho que não entendi.
–Nada é só que…- Dou de ombros e esfrego meu olho direito suspirando.- Acho que o cansaço está a afetar meu raciocínio.
–Anda. Eu levo-te a casa.- Estende sua mão sorrindo e a aceito de boa vontade.- Vem, garoto.
Ele leva-nos a algum lado, mas não estava a prestar muita atenção. Sua mão quente fazia o frio desaparece por completo. Era impressionante! Ele parecia mais doente que Josh.
–Beth.
–Olá, meninos.- Beth estava sentada com Emily e mais 4 mulheres.- Divertiram-se?
Sorri-o confirmando e olho Emily. Ela olhava Lucas com um sorriso misterioso no rosto. E acho que com orgulho. Não entendi. Minha cabeça já não estava a funcionar bem.
–Eu vou levá-los a casa. Não precisas de te preocupar.- Lucas diz a Beth que assente.
–Ok, então. Boa noite, crianças.
–Boa noite.- Digo arrastando Josh que estava pior que eu.
–Eu volto logo.- Lucas diz á mãe que assente sorrindo.
–Vai lá.
Ele assente e me olha puxando-me para mais perto. O caminho até minha casa foi mais longo do que eu queria. Josh já dormia no banco detrás.
–Eu ajudo-te com ele.
Lucas pega em meu irmão como se ele não pesasse nada. O deixa na cama dele e descemos de volta.
–Bom, obrigado.- Digo segurando a porta.- Pela noite também. Eu diverti-me.
–Fico feliz por isso.- Sorri e eu sorri-o de volta. Sentia meus olhos pesados e meu corpo todo mole.- É melhor ires dormir.
Diz e assinto fechando os olhos por um pouco. Quando os abri, Lucas estava bem á minha frente. Senti sua respiração na minha testa e então seus lábios na minha testa.
–Boa noite, Deborah.- Sussurra afastando-se.
–Boa noite, Lucas.
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