Saga Halfmoon
15 Quatorze

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Vermelho
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Josh estava com febre. Eu já estava á espera só esperava que fosse um pouco mais tarde. Quando minha mãe já estivesse em casa e eu estivesse bem longe dali.
–Josh, eu já fiz 7 chocolates quentes. Se beberes mais vais passar o dia na casa-de-banho!- Resmungo desabando no sofá.
Primeiro, acordei com uma dor de cabeça horrível! Depois Josh e seu choro dramático dizendo que ia morrer. Sério, nem uma garota fazia tanto drama. E então vieram os pedidos e os pedidos e mais pedidos…! Odeio meu irmão.
–Mas eu quero, Deb!- Insiste e reviro os olhos levantando-me bufando.
Preparo mais um estúpido chocolate quente e aproveito e tomo uma aspirina porque Josh estava dando comigo em doida!
–Deb!- Grita.
–Já vai!- Grito de volta, irritada.- Toma lá, coisa irritante.
Entrego-lhe o chocolate e o telefone toca. Suspiro e o atendo.
–Que?
–Bom-dia, minha flor.- Reviro os olhos.
–Dia.- Resmungo.
–Que alegria em falar comigo, Deb. Eu liguei-te para dizer que vamos voltar mais cedo e é assim que me recebes?
–Droga, mãe, não estou com paciência! Josh está com febre e não estou com disposição para aturar ninguém hoje!
–Josh está doente? Porque não me disseste antes? Ele está bem?
Olho para meu irmão e o vejo deitado no sofá tomando seu chocolate quente e vendo seus bonecos idiotas.
–Melhor é impossível.- Resmungo.- Eu é que vou precisar de duas semanas de férias para me recuperar.
Ela ri.
–Ok, querida. Depois tratamos disso. Mia ligou-te?
–Mia?- Pergunto confusa.- Não, porquê?
–Ela deve se ter esquecido. Bom, ela vai passar uns dias connosco. Aconteceram uns problemas com Oriana e achei que Mia ia gostar de ficar um tempo longe de confusões.
–Por mim tudo bem. Conheço bem dos dramas de Oriana.
–Todos conhecem, querida. E foi por isso que iremos voltar hoje mesmo. Mia deve estar a chegar a Forks. Eu já lhe dei o endereço, só tens de esperar por ela.
–Sem problema. E o que faço com a coisa chamada Josh? Eu tinha planos hoje.
–Dá-lhe bastante água. Ele precisa de água! Nós devemos chegar ai por volta da oito da noite.
–Tá. Deve chegar.
–Até logo, amor.
–Adeus.
Desligo e volto para a sala. Josh me olha com a boca lambuzada de chocolate.
–Era a mãe?
–Era.
–O que ela queria?
–Avisar que eles vem hoje e que Mia vai ficar um tempo connosco.
–Fixe.- Diz sem interesse e volta-se de novo para os bonecos.
Duas horas depois, eu estava me esforçando para não acabar com a raça de Joshua Larky. Já parti dois copos, apenas para não lhe bater a ele. Nunca mais irei rir de minha mãe quando Josh estiver doente.
Eu juro!
–Deb, os meus doces?- Josh pergunta e o fuzilo com os olhos. O vejo encolher-se, e na hora em que o ia afogar, a campainha toca.
–Salvo pelo bongo.
Sai-o dali e abro a porta. Sorri-o ao ver a garota de 15 anos parada á minha frente. Mia Galle era minha única prima por parte de meu pai. Seus cabelos castanhos sempre foram brilhantes e meio encaracolados. Agora estavam vermelhos nas pontas o que fazia sobressair sua pele morena e seus olhos castanhos.
–Mia!
–Deb!- Ri e a abraço.
–Já não te vejo á séculos!
–Não me vês á 2 meses.- Ri e ri-o junto dando de ombros.
–Ainda bem que vieste. Estava quase matando Josh.
–Ele está doente?- Pergunta.
–Yap.
A puxo para dentro a ajudando com suas malas. Ela anda até á sala e sorri para Josh que a olha com o mesmo sorriso.
–Ei, Josh. Ouvi dizer que estás doente.
–Estou! E Deb está sendo muito má comigo.- Faz beicinho e Mia ri enquanto eu o fuzilo mais uma vez.
–É melhor calares-te, garoto! Anda, Mia. Eu ajudo-te com as malas.
–Ok.
Mostrei o quarto de Bri a Mia e a ajudei a arrumar suas roupas. Bri não ia precisar daquele quarto de qualquer forma. Quando acabámos me sentei na cama e a olhei batendo na cama para ela se sentar.
–O que aconteceu, Mi?
–O mesmo de sempre, né, Deb?- Diz com um sorriso triste.- Minha mãe chegou, fez barraco e Ivy quase teve um enfarte de nervos enquanto berrava com ela. Eu liguei a tia Marleen se podia ficar, nem que fosse só por uns dias, porque Ivy precisa de sossego e comigo ali, eles nunca o teriam! Minha mãe está mais chata do que nunca, Deb! Tu tinhas de ver. Ela parece possuída!
Minha tia Oriana, se é que podia chamar assim visto que mal vi aquela mulher em toda a minha vida, era uma estrela do rock. Desde que ela tinha 17 anos. E, num dos concertos, conheceu o pai de Mia, Andrew Galle. Andrew morreu quando Mia tinha 3 anos. Depois disso, minha tia deixava Mia com Ivy, uma vizinha. E foi assim durante anos! Mia passou a viver com Ivy e Lincoln. Eles passaram a ser seus pais de verdade, visto que Oriana apenas aparecia de anos em anos. No entanto, a parte que ainda me custa a aperceber, Oriana sempre teve uma loucura imensa em obrigar Mia a diferenciar sua verdadeira mãe de Ivy. Suas atitudes parecia mostrar que ela gostava de Mia, mas então desaparecia por anos e não dava notícias.
–Bom, eu tenho a certeza absoluta que ela aqui não te vem procurar. Porque, não sei se reparas-te, mas estamos no fim do mundo.- Digo a abraçando e ela ri.- Tens fome? Já comeste?
–Estou bem. Comi no avião.
–Então vamos aturar Josh, porque eu preciso de alguém que me segure para não saltar no pescoço dele!
Estrangulo meu irmão no ar e sai-o do quarto com Mia rindo. Josh continuou com suas birras e suas pieguices. Eu tentei com todas as minhas forças não partir para cima dele, enquanto Mia ria sentada no outro sofá.
–Estás a rir-te do que, também?- Pergunto a Mia com as mãos na cintura.
Ela ergue as mãos em rendição sem parar de rir. Como eu tinha inveja dela! Queria tanto estar ali sentada rindo de minha mãe. Mas era impossível porque ela estava a quilómetros de distância na sua lua-de-mel perfeita!
–Eu queria ver se fosses tu!
–Impossível. Não tenho irmãos.- Ri e reviro os olhos cruzando os braços e bufando.
–Garotos do inferno!
–Estás a ficar parecida com a mãe.- Josh resmunga atrás de mim e me viro o fuzilando.
–Repete lá isso, rapazinho! Eu juro-te Joshua Larky, se eu não gostasse tanto de ti eu…- Paro e olho para eles, chocada.- Oh, jesus! Estou a ficar igual a ela.
Eles riem enquanto eu me sento no sofá às pernas de Josh.
–Olha o que tu fazes!- Bato nas pernas de Josh que ri se queixando.
A faltar quinze minutos para as oito, fui até meu quarto e troquei meu pijama, que não tive tempo de mudar graças a Joshua, para umas calças brancas justas, uma blusa vermelha simples de manga cumprida, minhas botas pretas e um casaco de lã cinza com capuz. Atei meus cabelos num rabo-de-cavalo e desci.
–Eles ainda não chegaram?- Pergunto olhando o relógio em cima do telefone.
–Não.- Mia me diz encolhida no sofá com um cobertor.
Ela também estava a sofrer com o frio de Forks.
–Deb, podes ir indo. Eu fico com Josh.
–Achas que aguentas com essa peste?- Pergunto enquanto Josh se queixa me olhando.
–Sim, não te preocupes.- Mia me sorri e assinto.
Despeço-me de Mia e beijo a testa, já não tão quente, de meu irmão e vou até casa de Erin. Mal bati na porta, Erin apareceu e me puxou para o carro.
–Já não era sem tempo, Deb! Eles já devem ter ido!
–Erin, nós nem sabemos em que boate eles vão.
–Eles sempre vão á mesma boate.- Erin resmunga ligando o carro.
Nick abre a porta de trás e senta-se com os braços cruzados. Ela não estava com uma cara lá muito boa.
O caminho todo, Erin xingava os rapazes, mais propriamente Stuart. Minha cabeça já doía só de ouvir falar nele. Quando parámos, quase gritei de alívio e saí do carro depressa demais.
–E agora?- Nicky pergunta olhando a fila enorme em frente á boate.
–Eles estão ali!- Erin diz apontando para os dois garotos que riam empurrando um ao outro no meio da fila.
–Sim, mas nós estamos aqui. Sem convite e acima de tudo, sem idade.
–Não pensei nisso.- Erin murmura mordendo as unhas.
–Vamos ficar aqui fora?- Pergunto.
–Não! Nós vamos entrar. Venham.
Erin levou-nos até á parte detrás da boate. Havia uma porta tapada pelas sombras.
–Isto não é boa ideia.- Digo.
–Relaxa, Deb.- Erin fala e aproxima-se da porta. Fechada.
–Amém!- Sussurro e Nick ri ao meu lado.
–Não! Nós temos que entrar! Stuart não pode arranjar outra garota! Eu vou matá-la se ele fizer isso!- Erin resmunga furiosa e ergo minhas sobrancelhas. Olho Nick que sorri de lado me olhando de volta.
–Eu consigo abrir a porta.- Digo e os olhos de Erin se arregalam esperançosos.- Mas, tens de admitir que gostas de Stuart.
–O quê?! Eu não gosto dele! Eu detesto-o!
Dou de ombros cruzando os braços.
–Tu é que sabes.
Erin me olha e então olha Nick. Sem alternativa, ela grita.
–Ok! Ok! Eu gosto dele. Felizes? Ele é um idiota. Um cretino. Um canalha. Mas eu gosto dele! Gosto deste o 10º ano.
–Finalmente.- Nick comemora revirando os olhos.
–Podes abrir agora a porta, Deb?- Implora.
–Claro.- Ri-o.
Ajoelho-me em frente á porta e retiro um dos grampos de meu cabelo. Oiço o trinco da porta fazer barulho e sorri-o.
–Ei!
Uma voz grita e vejo um homem grande de preto nos olhar. Abro a porta rapidamente e as puxo para entrar. Fecho a porta e corremos até á multidão dentro da boate. A música estava alta demais. Pessoas dançavam em todo o lado. E apenas conseguia ver vermelho em todos os lados.
–E agora?- Pergunto gritando para ser ouvida por elas.
–Eles devem estar a entrar.- Erin grita de volta e assinto.
Passamos pelas pessoas nos espremendo pelo caminho. Aquilo eram atitudes para maiores de 18, francamente. Chegamos ao bar que ficava ao lado da entrada e sentamo-nos nas cadeiras. Dava para ver quem entrava ou saía.
–Vão querer alguma coisa, gatinhas?- Um barman pergunta sorrindo malicioso.
Reviro meus olhos e olho para as pessoas dançando.
–Não.- Nick diz grossa.
–Lá estão eles!- Erin grita e olho para a porta. Stuar e Jamie entraram com duas garotas ao lado. Todos os 4 riam.- Aqueles canalhas! Vamos!
–O quê?- Pergunto um pouco lenta e antes que dê conta, Erin já não está lá.- Erin!
–Vamos.- Nick suspira revirando os olhos.
A sigo entre a multidão que parecia ainda maior do que já era. Alguém me empurra por trás e olho.
–Desculpe.- A garota diz e assinto.
–Tudo bem.
Volto-me para Nick mas não a vi.
–Nicky? Boa!- Resmungo esfregando o rosto.
Enfrento de novo aquela multidão, mas sem muito sucesso. Eles eram bem mais que eu!
Mas porque raios eu vim?!
Consegui chegar a uma parte com menos gente e suspirei de alívio. Assim que o fiz vi o segurança que estava no lado de fora conversar com outro ainda maior.
–Merda.
Enfio-me de novo na multidão sem pensar duas vezes. Passo pelos intervalos das pessoas até chegar á porta das traseiras. Eu ia mas é sair dali.
No lado de fora, pego meu celular e tento ligar a Erin mas ela não me atende.
Erin, estou no lado de fora vos esperando.
Cuidado com os seguranças!
Deb
Encosto-me á parede aborrecida. Deito minha cabeça na parede e olho para o céu escuro sobre minha cabeça. Um barulho interrompe minhas contas de estrelas e olho para o fundo do beco. Haviam alguns caixotes e uma rua estreita mais escura que o preto. Dois homens saem de lá e desencosto-me da parede quando eles param de rir ao reparar em mim.
–Ora, ora, ora.- Um deles fala, e por momentos, pareceu-me já ter ouvido aquela voz.
–O que uma menina tão linda faz aqui fora a uma hora destas?- O outro pergunta aproximando-se.
A lua ilumina seu rosto e pela primeira vez consegui vê-lo. Franzi minha testa ao olhar em seus olhos vermelhos.
Lentes maradas.
–Não queres falar, docinho? Eu não mordo… muito.- Ri da sua piada sem piada alguma e reviro os olhos olhando para o outro caminho.
–Deixa a garota.- O outro fala aproximando-se e então pude ver seu rosto. Senti meu coração gelar ao olhar em seus olhos vermelhos, outrora pretos.- Esta é toda minha.
Fechei meus punhos olhando de um para o outro. Eu conhecia o loiro. O cara idiota não amigo de Lucas. Mas seus olhos… seus olhos estavam diferentes.
–Como o destino é traiçoeiro, não?- Pergunta aproximando-se lentamente.
–Nunca dei muita importância ao destino.- Zombo sorrindo cínica e olho para trás.
Talvez tivesse tempo de sair dali e chegar ao carro de Erin.
–Garota esperta.- O outro diz e os olho de novo.
O loiro estava bem mais perto.
–De certeza que teu amiguinho peludo não te disse meu nome. Animais são tão mal educados.- Sorri e eu o olho confusa.
Amiguinho peludo?
–Eu chamo-me Draco Budiss e este é meu amigo Killer.- Aponta para o grandão que me sorri.
Estava farta daqueles sorrisos.
–Killer? Tipo, serial killer?- Pergunto zombando.
–Exato.- O grandão confirme sorrindo ainda mais e fazendo todo o meu divertimento ir.
–Com medo, minha pequena flor?- Draco não sei das contas pergunta divertido dando mais um passo.
Apenas minha mãe e Ryan me chamavam assim e já era insuportável. Mais ninguém tinha direito de o fazer!
–Tua uma porra!- Resmungo.- Vai dar uma volta, coisa estranha.
Viro-me para sair dali e mal dou três passos e ele está á minha frente. Paro chocada e olho para trás. Killer se aproximava de mim sorrindo. Olho de novo para Draco que sorri tocando meu rosto de leve. Sua pele gelada me fez estremecer.
–Que menina tão mal-educada.
–Eu gostos delas malcriadas.- Killer ri atrás de mim fazendo Draco ri á minha frente e engulo em seco.
O loiro aproxima seu rosto do meu e sinto seu nariz tocar meu pescoço me arrepiando.
–Eu, no entanto, gosto delas quentes.- Sinto seus dentes roçar em meu pescoço e mordo meu lábio inferior com força.
Fecho meus olhos por instante e levanto minha mão batendo com toda a força no rosto dele. Gemo de dor apertando minha mão contra mim.
–Não devias ter feito isso.- Ele diz estalando a língua.
O olho assustada recuando. Mãos seguram meus braços e viro minha cabeça para o grandão que sorri lambendo os lábios.
–Olá, docinho.
Solto-me com força e viro-me de frente para ele. Levanto minha perna para o acertar, mas ele a segura num movimento rápido demais para meus olhos.
–De certeza que queres fazer isso?- Pergunta e então me lança para trás me fazendo desequilibrar e cair no chão. Minha cabeça bate na parede e gemo de novo fechando os olhos.
–És uma menina bem teimosa, hem?- O loiro pergunta abaixando-se para olhar em meus olhos.
O olho tocando em minha cabeça com a mão boa. Meu coração quase explodia para fora do peito. Minha cabeça doía como os infernos. Minha mão latejava. Senti meus olhos lacrimejar. E pensei em meu pai. Não seria totalmente mau ir ter com ele, pois não? Mas porque estava com tanto medo então? Porque… eu não queria ir?
Um rosnado chega até meus ouvidos e olhamos para o estreito caminho perto da lixeira. Dois olhos dourados apareceram entre a penumbra. Seus passos eram lentos. Ele não parecia ter presa de aparecer. Até que a lua o atingiu. Mas foi aí que meu medo aumentou ainda mais.
Seu pelo castanho parecia quase preto. Seus olhos eram o que mais assustavam. Parecia ferozes e vingativos. Devia ter uns dois metros. Aquilo se caísse em cima de mim, de certeza que me abafava.
Um lobo.
Como existem lobos daquele tamanho?
Se antes pensava que ia morrer, agora eu tinha a certeza.
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