Forte entre Rio- São Paulo- 24 dias e 19 horas e 40 minutos antes

O primogênito do Dr. Bernardi estava preocupado com o sargento, o rapaz parecia com medo. Mas estava relutante em conversar com Lorenzo, sabia que havia de alguma magoado ou afastado o garoto com aquela resposta, porém algo lhe atraía no sargento e precisa a todo custo saber o que é isso.

Após sair do laboratório foi procurar pelo garoto, olhou em cada quarto e, até na cantina e nada de Lorenzo. Ficou uns 15 minutos procurando pelo sargento e não achou o garoto, cansado e frustrado Lucca resolve ir para parte externa do forte, onde é usado para treino de tiro.

— Lorenzo?- Lucca parecia surpreso ao vê Lorenzo deitado num banco próximo a uma estante de armas.

— Oi. — um sussurro. Foi tão baixo que Lucca poderia jurar que não havia escutado nada. Se aproximou do sargento meio tímido e se sentou ao seu lado.

— Você está bem?- perguntou meio relutante e sem perceber segurou a mão do moreno.

— Eu tô bem. Mas e você…- parou quando notou a mão do mais novo na sua — Está bem?- tentava a todo custou olhar para os olhos do menino, mas sempre olhava em direção à sua boca, eles muito próximos.

— Estou bem, só preocupado com Emily. — quando disse o nome da amiga viu o mais velho se levantar rapidamente parecia irritado com algo.

— Ah claro, você é afim dela. — sua fala saiu com um pouco de desdém.

— Eu não sou afim da Emily.- o sargento olhou confuso para o garoto que ainda estava sentado observando os outros soldados praticando tiro.- Quero dizer, por anos ela foi como um armário para mim.- olhou para o mais velho.- Eu não poderia simplesmente me assumir, eu tinha uma reputação a zelar no colégio e fora dele.- desviou o olhar, estava com vergonha de sua atitude- Aquela garota metida a gênio e arrogante é como uma irmã para mim e eu tenho a obrigação de estar sempre com ela.- se levantou e caminhou até a saída, mas foi segurado pelo braço.

— Quer treinar tiros?- Lorenzo viu o olhar confuso do garoto — Você precisa saber atirar para ficar ao lado de Emily. — sorriu para o mais novo que sorriu de volta para ele.

[…]

— Por que o senhor não pode passar um tempo comigo? É sempre a Emily, eu sou seu filho não ela!- gritou o garoto triste e frustrado com a ausência do pai — Eu só queria um tempo com meu pai, mas parece que o Dr. Bernardi estava mais preocupado com sua pesquisa do que com o próprio filho.- Lucca estava saiu do escritório do seu pai, não queria o grande Dr. Bernardi lhe visse chorando.

— Minha pesquisa é mais importante que tudo, você não entenderia. É somente uma criança mimada que finge ser quem não é.- Lucca parou ao ouvir as palavras tão frias do pai — No momento não tenho tempo para perder com coisas fúteis. Agora se retire da minha sala, preciso trabalhar.- o garoto saiu indo até o quarto e chorou até amanhecer, quando resolveu dormir recebeu uma mensagem de Emily, falando para ir até a escola de carro e esperar pelo outros.

[…]

Caminhava até seu quarto cansando e desapontado consigo mesmo. Sabia que se não encontra-se uma solução rápida e segura todos estariam mortos, inclusive seu filho. Queria pelo menos uma chance de concertar tudo que disse ao seu filho, mas sabia que não seria fácil, o garoto sempre foi teimoso e distante. Desde que sua esposa morreu se dedicou mais ao trabalho, se esquecendo que Lucca também sofria com a falta da mãe.

Quando chegou no seu quarto o Dr. respirou aliviado. Sabia que Emily estava suspeitando de alguma coisa, porém no momento não poderia dizer nada a ela, a garota ainda não está pronta e a precisa a todo custo manter seu filho a salvo, principalmente a Charlie, Baker sabe se virar sozinha.

Tirou seu jaleco e colocou no cabide. Se sentou na cama abrindo a cômoda ao lado tirando o fundo falso da gaveta e pegando o livro Gênesis.

— Tenho que achar um lugar seguro para esse livro. Mas quem eu posso confiar? Meu filho nunca se juntaria a mim e Emily está instável. Precisar dar um pequeno empurrãozinho na Baker.- surrurou enquanto pega um rádio em cima da cômoda e colocava num canal de transmissão.

"—Você precisa passar sua localização, tenho um objeto que você vai querer muito.- falava o Dr. olhando para o livro em suas mãos.

— Primeiro o senhor irá me trazer a garota depois negociamos.- o Dr. apenas ouviu um clique e a ligação ficou muda.

— Droga. — grunhiu irritado e jogou o rádio no chão."

[…]

Enquanto a loira voltava da enfermeira com a pequena Baker que estava adormecida pelo sedativo, passou em frente ao quarto do Dr. Bernardi e escutou uma conversa muito suspeita.

—Você precisa passar sua localização, tenho um objeto que você vai querer muito."

Com quem será ele está falando? Preciso falar a Emma, já que a mesma me disse para ficar de novo no Dr. Mariana sorriu e foi até o quarto de Emma, pelo menos agora tinha um belo motivo para ver a garota nova.

Caminhou até quarto de sua tenente e bateu na porta.

[...]

— Emma, eu sei que você quer passar mais tempo comigo, mas tenho que trabalhar e ver como está a Charlie.- Emily disse tentando afastar a mais velha da sua boca.

— Ok, mas antes você vai descansar. E não adianta discutir comigo.- a garota ia contestar- Vamos vou te levar até o quarto.- Baker suspirou contrariada e deixou se apoiar na tenente.

Ao sair do laboratório notou que esse não era o caminho seu quarto.

— A onde está me levando?- perguntou e viu um leve sorriso na mais velha.

— Para meu quarto.- Emily arqueou a sobrancelha para Emma — Eu não vou fazer nada, só quero te deixar por perto para cuidar de você.- disse enquanto para na porta do quarto abrindo a mesma.

— Não precisa ficar 24 horas ao meu lado. Eu sei me virar sozinha.- disse se deitando na cama de Emma, estava nervosa, nunca gostou de como a garota era superprotetora com ela.

— Não importa. Eu sempre vou estar aqui e sei o que é bom para você.- Emily olhou confusa para a morena — Emily tudo o que eu faço é para proteger você, tem pessoas atrás de você, não posso ficar longe de você.- Emma sorriu para menina e segurou sua mão.

— Eu sei. Mas me sinto mal por não me sentir péssima com tudo.- Emily suspirou abraçando a mais velha.

— Como assim? O que quer dizer com isso?- Emma afastou a mais nova para olhar em seus olhos.

— Emmanuelle, eu criei a fórmula final do vírus e fui eu que lancei ele, não a Dra. Moura. — a tenente ficou em silêncio esperando a garota desabafar- Eu tinha ciência de tudo que estava acontecendo naquele Instituto até às cobaias humanas que usávamos. — a morena ia abrir a boca para contestar, mas Emily levantou a mão pedindo para não interrompe- la — Quando meu pai morreu eu pude ver tudo que ele e minha mãe trabalhavam lá. No começo não concordava com eles, mas depois de ver e descobrir a história daquela profecia, lançar o Pro-13 não era má ideia.- sorriu triste para mais velha e deitou na cama.

— Tenho uma pergunta.- Emily se virou para tenente e confirmou com a cabeça- O que te lhe a tudo isso?- Emma apenas segurou a mão da garota.

— Descobrir que o mundo ia acabar em menos de um mês foi desesperador para mim. Eu precisava cumprir a última promessa do meu pai, mesmo apenas 5% da população ficasse viva.- se virou para lado novamente encarando a parede.

— Você sabe Emily, você não fez por mal. Você queria ajudar as pessoas ou pelo menos parte delas.- apertou a mão da Baker tentando lhe passar conforto.

— Pois é, agora minha mãe está morta, meus amigos acham que eu sou monstro e minha irmã tem um alvo nas costas.- Emma ia rebater o comentário da garota quando ouviu batidas nas portas.

— Pode entrar. — disse enquanto se levantava da cama — Sargento. — olhou para loira esperando o motivo do incomodo.

— Desculpa incomodar, mas parece que o Dr. está planejando alguma coisa.- falou entrando no quarto e colocando a pequena ao lado da irmã.

— Do que está falando?- Emma e Emily falaram juntas, a mais velha nem viu quando Baker levantou da cama.

— Parece que ele estava conversando com alguém pelo rádio no quarto.- Emily olhou para irmã e depois de voltou para Emma, sabia que tinha algo errado.

— Continue de olho nele.- Mariana concordou com a cabeça e foi em direção a porta.

— Obrigada Mariana por cuidar da minha irmã.- a sargento sorriu para garota e saiu do quarto.

— Não precisava agradecer, é o trabalho dela.- grunhiu irritada e saiu do quarto batendo no ombro de Emily no caminho.

Emily revirou os olhos e se deitou ao lado da irmã, não precisa de outra preocupação no momento.

[…]

Três dias depois e 13 horas antes

— O que faz acordado uma hora dessas Lucca?- a garota de olhos verdes se sentou na frente do garoto. Lucca estava na cantina quando a amiga apareceu.

— Bom dia para você também, Emily. Como passou a noite?- Baker sorriu para o garoto mal humorado — Provavelmente mal, Emma é uma péssima companhia.- sorriu para Emily que revirava os olhos para o garoto.

— O que tem contra a Emma?- perguntou Baker enquanto bebia seu suco.

— O que eu tenho favor, você quis dizer.- a garota arqueou a sobrancelha para o moreno — Você não acha que ela te sufoca muito? Tipo, você dá um passo ela tá na sua cola ou quando você fala com alguém.- Emily olhou confuso para Lucca.

— Ela é só superprotetora comigo. Nada demais.- sorriu fraco para amigo que apenas discretamente apontou para o outro lado do refeitório. Emma não tirava os olhos de Emily.

— Se você diz. Mas ainda prefiro a Alex. — Bernardi sorriu sarcástico para Baker.

— Achei que não gostasse dela.- Emily ficou meio vermelha quando ouvir o nome da garota.

— Mas ela é melhor que Emma, afinal qualquer pessoa é.- Emily olhou feio para garoto — Você vai ver como tenho razão ainda.- Lucca sorriu quando viu Lorenzo entrar no refeitório.

— Lucca, você não sabe….- a garota foi interrompida pelo alarme de segurança que ecoou pelo lugar.

— Vamos.- Emily olhou confuso para o garoto- Você quer ver o que é, não é?! Então vamos, Baker. — Lucca puxou a amiga até a entrada do forte.

— O que houve aqui?- Emily perguntou para Emma que já estava no local segurando sua arma.

— Você não deveria estar aqui.- Baker olhou seria para a namorada- Não sabemos ainda. Somente sei que um homem na faixa de uns trinta anos entrou aqui.- Emily se virou e foi até a roda de soldados que se formava em volta do homem.

— Quem é você?- a garota perguntou enquanto parava em frente ao homem.

— Filha de Lúcifer, eu sou Cielo. — o homem sorriu para a garota que estava assustada.