POV. RICHELE

Seth e eu voltamos pra casa para conversármos. Estava tudo muito quieto, e eu tensa. Nós nos sentamos um de frente para o outro na mesa de jantar e ele esperou eu começar. Respirei fundo e comecei.

— Era 1828, fazia alguns meses que eu havia feito cem anos. E com essa idade veio a descoberta de mais um poder. O controle da mente. Eu não me lembro bem como eu o descobri, só lembro que depois disso eu comecei a ouvir uma voz na minha cabeça. Era a minha outra personalidade, demorei anos para descobrir o que estava acontecendo comigo, até ela tomar o meu lugar e ficar sabendo do massacre ao Clã Noituus.

E ele continuou quieto, esperando. E eu continuei.

— o Noituus era o clã dos meus antepassados, e os Volturi havia os matado. E havia uma coisa, do meu clã que havia ficado com os Volturi, e eu o queria de volta. Eu comecei a chamar a atenção deles, matando compulsivamente pessoas na Itália. – eu parei e esperei por algo. Ele continuava quieto, segurando minhas mãos me transmitindo força.- Eu fui convocada a ficar no castelo de Volterra por quanto tempo eu quisesse como convidada de Aro, e como agradecimento eu oferecia meus poderes para eles, matando quem eles quisessem, por diversão.

— Depois de anos lá, eu fui embora as pressas por causa de um problema na época. Demorei anos pra voltar a ser eu novamente, tranquei ela na parte mais escura da minha mente. Aqueles sonhos que você viu… era realidade, ela estava se comunicando comigo. A gravidez enfraqueceu essa parte da minha mente e eu ‘to´ morrendo de medo de ela voltar e fazer alguma coisa com nosso filho ou você.

Nesse momento meus olhos já estavam lacrimejando, meu arrependimento era sentido por toda a sala de jantar. Seth se levantou e veio pro meu lado me abraçando, me reconfortando.

—Está tudo bem, não precisa se preocupar… Eu sempre vou estar aqui para proteger vocês de qualquer coisa, até de você mesma. — ele dizia enquanto passava a mão pelas minhas costas, alisando-as, tentando acalmar meu choro.

— Você não acha que eu sou um monstro, por ter matado pessoas?- eu o abraçava forte, meu rosto afundado em seu peito fez minha voz sair abafada.

— Não. Acho que você foi forte o suficiente para parar a si mesma.

E nós ficamos ali por um tempo, enquanto eu me acalmava. Decidimos ir para o nosso quarto e dormir. Precisávamos descansar e eu queria tentar descobrir algo do bebê, apesar de ainda estar muito novo para sequer pensar, eu queria tentar saber do sexo do bebê o quanto antes.

Nessa noite choveu, e muito, com relâmpagos e trovões ecoando pela casa. Seth e eu dormimos abraçados.

POV. SETH

Acordei pela manhã e não senti o peso em cima do meu corpo que eu normalmente sentia, e o espaço ao meu lado estava vazio. Só significava que a Richele já havia levantado. Me levantei e fui para o banheiro fazer minhas higienes, quando voltei para o quarto e desci para o andar de baixo não senti o cheiro de Richele lá, e não fazia nenhum barulho pela casa. Procurei por algum bilhete pela casa, informando onde ela estaria agora e não achei nada. Entrei em desespero, onde ela estaria agora? Eu havia dormido só de bermuda, e não me preocupar em colocar outra roupa ou sapatos enquanto saia apressado pra casa da minha mãe.

Quando cheguei na pequena varando da casa dela, eu pude ouvir risadas, reconheci ser de Leah e minha mãe, mas nada de Richele. Até passar pela porta e vê-la sentada em um dos sofás floridos, tomando uma xícara de café enquanto olhava para as duas com um olhar curioso.

Minha mãe e Leah riam de algo que ela havia falado. E as duas olharam assustadas pra mim quando cheguei ofegante na sala. Richele simplesmente me encarou, não parecia surpresa, e deu um sorriso malicioso. Franzi o cenho com a atitude dela.

— Seth, querido… pensei que não viria mais.- a voz melodiosa dela ecoou pela sala, e tinha um tom de sarcasmo. O que estava acontecendo com ela?

— Você dorme demais, Seth. -Leah disse.- Já viu que horas é?

— Aah… não. Não vi a Richele em casa e corri pra cá.

Elas soltaram risadinhas enquanto se olharam. Richele levantou de repente e se pronunciou.

— Muito obrigada pelo café da manhã, Sue. Leah, foi ótimo compartilhar histórias com você… Mas agora eu preciso ir.

Eu não estava entendendo nada, e só a segui enquanto ela me puxava porta afora. Andávamos de volta para casa, o que não era muito longe. Quando chegamos ela continuava quieta e eu decidi me pronunciar.

— Pensei que deixaria um bilhete dizendo onde você iria. Fiquei preocupado.

Ela não disse nada e veio para o meu lado, segurando meu rosto possessivamente e me beijando vorazmente, meu Deus, o que estava acontecendo com essa mulher hoje?

Automaticamente segurei em sua cintura enquanto ela comandava o beijo, e a senti me empurrando devagar para a parede mais próxima. O ar fez falta e ela continuou com beijos e mordidas pelo meu pescoço, e eu só aceitava, ansiando por mais daquele ataque.

Ela voltou de volta para minha boca, mordendo e chupando meus lábios, ela estava totalmente no controle de mim. Até ela parar de repente. Se afastando do meu corpo, enquanto eu ainda estava zonzo, me avaliando e saindo para a cozinha logo em seguida.

Eu estava ofegante e surpreso, e a segui para a cozinha.

— O que deu em você hoje?

— Hn? Nada. Estou totalmente normal.

— Então o que foi aquilo na sala?

— Só queria te dar um beijo. Não quer mais que eu te beije?- ela disse parando de cortar alguma coisa na pia e virou me encarando. Seu rosto neutro de expressões. Esperando uma resposta.

— N-não é isso… é que foi diferente.- Caramba, ela estava me deixando nervoso.

— Não gosta do diferente, querido? – quando ela pronunciou a ultima palavra eu me senti estranho. Ela andou calmamente ao meu encontro, parecia uma verdadeira caçadora, preste a atingir sua caça.

— O-oque? E-espera… por que está me olhando desse jeito?- Ela já estava na minha frente, me encarando intimidadoramente.

Ela deu uma risada ao perceber meu nervosismo. Muito diferente.

— Fique calmo, só estou brincando com você. – e ela se afastou de mim novamente, e eu pude respirar normalmente.

— Eu vou sair, com os meninos, tudo bem?

— Tudo bem, pode ir.

— Você vai ficar bem?

— Vou Seth, não se preocupe.

Ela disse e eu fui até ela dando um beijo em sua testa e saindo da casa logo em seguida.

》• ALGUMAS HORAS DEPOIS •《

POV. JAKE

Eu havia passado o dia todo com Renesmee, e no final da tarde recebi um ligação de Seth. Falei sobre o encontro com Nessie, mas ocultei os detalhes do que aconteceu depois. E agora estava falando de Richele e sobre “coisas erradas que ela fez no passado dela” nas palavras dele, enquanto eu e Nessie entrávamos no apartamento.

—…intimidadora, parecia até outra pessoa.

— Cara, deve ser a gravidez. E é bom você ir se acostumando com isso, já que é só o começo.

— Acho que eu vou enlouquecer, Jake.

Eu ri com a frase dele, e ouvi Renesmee rir também.

— Preciso ir, cara, obrigada por me ouvir. Tchau Nessie.

—Tchau e boa sorte.- eu e Nessie respondemos juntos. Ele finalizou a chamada e eu fui para a cozinha, seguindo Nessie.

— Acho que eu deveria conversar com ela…

— Também acho, estou curioso para saber o que ela fez de errado para esconder de Seth.

— Jake!- ela me repreendeu.- Eu estou preocupada com a minha amiga e você está simplesmente curioso.

Eu dei de ombros e continuei a observando enquanto preparava alguma coisa pra nós comermos.

Pov. Nessie

Liguei pra Richele e esperei ela atender, no terceiro toque ela atendeu.

— Alô?

— Richele, oi, queria conversar com você…

— Sobre o quê?

Estranho, ela parecia diferente.

— Aah.. Sobre você ué, como você está?

— Estou ótima. – foi direta.- O que quer Renesmee?

Ela disse impaciente, alguma coisa estava errada, ela não me tratava desse jeito, e nem me chamava pelo nome tão rudemente.

— O que está acontecendo? Você está diferente.

— Não está acontecendo nada, estou mais normal do que nunca. A não ser por duas crianças dentro de min.

— O que? Duas crianças? Como você sabe?

— Eu tentei saber qual era o sexo da criança usando meus poderes mentais hoje mais cedo e descobri que eram dois.

— Meu Deus! Caramba! Parabéns Richele!

— Obrigada. – acho que se ela estivesse na minha frente eu poderia ver uma careta da parte dela.

— Você já contou ao Seth?

— Não.

— Por que?

— Não quero.

— Ri, você precisa contar…

— Eu já disse que eu não quero Renesmee, é a minha escolha.

— Tudo bem, desculpa, eu só quero o melhor pra você, pra vocês.

— Renesmee, quando eu precisar da sua compaixão com a minha vida eu te aviso. – e desligou. Definitivamente não era ela. Ela nunca me trataria assim.

Olhei para Jake que já estava em minha frente, e ele estava tão perplexo quanto eu.

— Eu não sei o que aconteceu, mas coisa boa não deve ser. Ela nunca falaria comigo desse jeito, nem nos seus piores dias. Disso eu tenho certeza.

— Eu sei, também estou achando muito estranho. Mas deve ser a gravidez, por ela ter quase trezentos anos e ficar grávida assim de repente.

— Ela tem 290, não é trezentos.

— Dez anos a mais ou a menos pra ela não faz nem cócegas. – ele disse dando uma risada. Mas ele talvez tenha razão, dois séculos nas costas e uma gravidez que ele nem sabia que podia ter.

Jake acariciou meu rosto e chegou mais perto, logo me abraçando.

— Não se preocupe, ela vai te ligar mais tarde. Eu tenho certeza.- ele disse e passou seu nariz no meu pescoço, logo depois o beijando. Foi inevítavel meu corpo não se arrepiar.

POV RICHELE

Já era noite quando Seth voltou, o que era muito estranho, já que eu não me lembrava de ele passar tanto tempo longe da outra eu. No momento tive que agir como a outra normalmente agiria, para ele não desconfiar.

— Seth, Sue e eu vamos para Seattle amanhã, fazer compras. Tudo bem?

— Tudo bem, eu estou convidado?- ele disse se sentando ao meu lado no sofá.

— Programa só de mulheres, querido.

— Ahh.. Leah vai junto, certo?

— Não, ela disse que não gosta muito desse “negócio de compras”.

— Vocês vão sozinhas?

— Sim. Algum problema?

— Não.. eu só fico preocupado… com vocês todos.

— Eu sei me proteger Seth, e com certeza também sei proteger Sue e o meu filho.

— Tudo bem, tudo bem, eu sei. É só preocupação.

Eu deixei ele me abraçar enquanto assistíamos um filme na televisão, não era algo que eu estava acostumada, na verdade eu não gostava de nenhum contato muito afetivo. Mas foi diferente, senti um calor envolver meu coração, me fazendo sentir bem. Mas logo afastei esses pensamentos, deve ser a outra se sentindo bem com o abraço dele.