Safe and Sound
3 As vezes correr é a melhor opção...
Notas iniciais

Corri, muito. Não me importando por onde eu ia. Corri entre uma floresta. Minha cabeça estava confusa, quem eu era, de onde eu vim, como vim para nesse lugar. Estava chovendo. Ainda corria. Não vou ser aceita aqui, não aguento essa pressão. Muita coisa vinha na minha cabeça. Soluço, Astrid, Banguela, passavam pela minha cabeça. A cena de quando vi o Soluço pela primeira vez, quando vi o Banguela, Astrid saindo de lá, e o Soluço logo depois, furioso, me senti culpada por isso.
Estava correndo até que bato em algo. Olho para cima, um garoto, não dava para ver direito quem era, estava tonta, e minha visão embaçada. Passei a mão nos meus olhos. Sorri ao ver que era o Soluço com o Banguela, montado, mas logo o sorriso sumiu, quando vi o Soluço muito serio.
– Você acha que é seguro sair correndo por ai? – gritou
– E-eu não sabia o que fazer, então corri – sussurrei, ele respirou fundo
– Desculpa, por gritar com você – ele estendeu sua mão para mim, com um sorriso
Sim, o Soluço era bonito, ninguém podia dizer que não, mas ele era só um cara que salvou minha vida, nada mais. Ele ainda me encarava com a mão estendida, havia esquecido a mão. Segurei em sua mão e ele me puxou para cima do dragão. Ele mandou Banguela voar, a chuva vinha no meu rosto. Não abracei a cintura do Soluço, estava com vergonha. Estava ventando muito. Segurava na sela do Banguela. Soluço virou para mim.
– Pode segurar a minha cintura, fica mais seguro – sorriu e se virou para frente
Eu segurei sua cintura como ele pediu. Estava ventando muito, e chovendo. Chegamos em Berk, a ilha que o Soluço mora. Descemos do Banguela e fomos para a casa do Soluço. Ele falou com o pai. O pai veio com umas roupas estranhas, roupas de viking. Ele mandou eu me trocar no banheiro.
Fui até o banheiro. Tirei aquelas roupas que estavam no meu corpo, e vesti as roupas que o pai do Soluço deu. Fiquei estranha, sim, fiquei. Mas fazer o que. Soltei meu cabelo molhado. Sai do banheiro e o pai do Soluço veio na minha direção.
– Bem, você deve estar com fome
– É... um pouco
– Venha
Fomos para a sala de jantar. Me sentei na cadeira. Stoico, o pai do Soluço, me deu comida. Comi. Depois de um tempo Soluço entra na sala, enxugando seu cabelo com uma toalha.
– Oi, vejo que vestiu as roupas de vikings
– Sim, ficou um pouco estranha em mim, mas ok
– Não, ficou bonita
– Ah, obrigado – falei um pouco envergonhada
– Nada – ele foi até o pai dele – Pai, vou voar com o Banguela, o.k?
– E vai deixar ela aqui sozinha?
– Não, se ela quiser vai junto – ele se virou para mim – Você quer ir?
– Pode ser – falei
– Está chovendo? – perguntou Stoico
– Não, parou de chover
– Então tudo bem.
Soluço pegou minha mão e saiu correndo até o Banguela. Ele subiu no dragão e estendeu a mão. Olhei para o rosto dele, e ri. E ele me encarou levantando as sobrancelhas.
– Do que você ta rindo?
– É só que eu lembrei como foi minha reação ao ver o Banguela – ele riu comigo
– Vamos
Ele estendeu a mão e eu segurei, ele me puxou para o Banguela. Banguela saiu voando.
– Aonde vamos?
– No lugar onde treinamos dragões.
– Aquele lugar?
– Sim
– Não quero ir lá.
– Eles não vão fazer nada
– Mesmo assim, eu sai correndo de lá
– Qual o problema?
– Serio, Soluço, qual o problema?!
– Sim
– Ah, o problema é que é muito normal uma pessoa sai correndo do nada – ironizei
– Irônica, você
– Jura?
– Não tem problema
– Soluço, poxa
Havíamos chegado na arena. Astrid estava lá, não... ótimo. Coloquei a franja na frente do meu rosto e andei atrás do banguela. Soluço virou para mim. E chegou perto de mim, e tirou a franja da frente do meu rosto, sorriu, virou e começou a andar novamente. Meu deus, que vergonha.
– Eai, Melequento – falou Soluço
– Oi, o que vamos fazer hoje? – perguntou o garoto e me viu – Olha, a gata que veio aqui mais cedo.
– Oi – acenei , ainda atrás do Banguela
– Podemos fazer corrida? – Soluço deu uma pausa – Ou podemos fazer aquele jogo das ovelhas?
– Você sempre ganha – falou, qual era mesmo o nome dele? Perna-de-peixe, é isso
– Teve uma vez que a Astrid ganhou – falou Soluço
– Só uma vez – falou a menina do casal de gêmeos. A... Cabeçaquente
– Ah, vocês não querem jogar – falou Soluço
– Eu vou – Astrid finalmente falou
– Quem mais? – perguntou Soluço
– Ta, eu vou – disse Melequento
– Também vamos – levantaram as mãos os gêmeos
– Eu fico aqui – falou Perna-de-peixe
– O.k, peguem seus dragões – falou e se virou, foi até mim – Você vai fazer o que enquanto eu estou na corrida?
– Não sei – olhei para ele. – Vou passear pela ilha
– Cuidado para não se perder
– O.k – falei, Soluço deu um beijo na minha bochecha, ta eu fiquei corada – Tchau
– Tchau
Sai da arena, com um “hm” prolongado do Perna-de-peixe. Cheguei na ilha, comecei a andar por ela, até que esbarro em alguém, olho para cima, a pessoa era maior que eu, era Stoico, pai de Soluço. O abracei, ele abraçou de volta, nos separamos.
– Oi – sorri
– Oi, onde está Soluço?
– Em uma corrida de dragão
– Ah, e deixou você sozinha?
– Não tem problema, senhor
– Me chame de Stoico.
– Ah, o.k
– Mas, ele falou que ia ficar com você
– É bom que eu conheço a ilha – sorri para ele
– O.k, mas cuidado
– O.k
Ele saiu de perto de mim. E continuei andando, tinha umas crianças brincando. Sentei perto de onde elas brincavam. Não lembrava da minha infância, suspirei alto. Uma pessoa sentou ao meu lado, para ser mais especifica um garoto, com cabelos loiros e olhos azuis. Olhei para ele, o fitando com as sobrancelhas levantadas.
– Quem é você? – perguntei
– Ah, sou Gabriel – falou o garoto sorrindo.
– Ah, oi, sou Elisabeth
– Nova aqui? – ele olhou para mim com os olhos semicerrados – Você não foi a garota que chegou com o Soluço?
– Sim – abaixei a cabeça
– Não precisa abaixar a cabeça – ele levantou a minha cabeça – Eai, como é montar no Banguela?
– É legal – sorri para ele
– Então, eu tenho um dragão – falou sorrindo
– Serio? – perguntei
– Sim, não é um Fúria da Noite, mas é um
– Qual o problema de não ser um... – não lembrava o nome que ele havia falado
– Fúria da Noite –repetiu – É, só que esse dragão é o melhor, é o do Soluço
– Posso ver ele?
– Pode
Ele saiu andando na frente, fui atrás dele. Ele entrou em um celeiro. E tinha um dragão lá. Gabriel o chamou para perto, e o alisou. O Dragão me olhava desconfiado.
– Esse é o Veloz
– Ele é muito bonito – me aproximei dele – Será que eu poderia...
– Claro – ele se aproximou com o dragão. – Amiga
Coloquei minha mão na cabeça dele, fiquei o alisando.
– Vamos voar com ele? – perguntou Gabriel
– É, não sei
Tinha medo de voar com outra pessoa alem do Soluço. Não tinha confiança ou sei lá.
– Vai, vamos, não deixo você cair
– Não sei, sei lá
– Vamos, eu não controlo tão bem quanto o Soluço, mas sou bom
– Da para você parar de se comparar ao Soluço
– Mas, ele é melhor que eu
– Ta, você não precisa se rebaixar – suspirei alto – Desculpa, vou voar com você
– Eba
Ele subiu no dragão e estendeu a mão para mim, segurei a mão e ele me puxou para o dragão. Segurei em sua cintura. Veloz, voou, ele voava rápido. O vento estava no meu rosto. Passamos um tempo voando, Gabriel era um garoto legal, mas ele não se dava o devido valor.
Fale com o autor