Notas iniciais
Tá ai o primeiro capítulo, espero que você gostem (:

Seis horas da manhã, primeiro dia de aula, o que significava que eu iria ter que acordar cedo, estudar e conhecer pessoas. Mais um ano de ensino médio, em uma cidade nova, colégio novo, eu realmente não tinha energia para enfrentar tudo isso por mais um ano.

Minha tia Jill bateu na porta do quarto e me chamou para o tomar café da manhã. Morar com ela não era uma coisa exatamente agradável, mas era minha única opção

O caminhão vinha em alta velocidade em direção ao nosso carro, os faróis me cegaram, os pneus derrapam na pista molhada e depois tudo ficou escuro. Era tudo que eu me lembrava, meu pai morreu na hora, foi rápido, indolor, mas minha mãe não, duas semanas numa cama de hospital, agonizando, e no final as minhas esperanças acabaram, já que a levaram de mim, o destino decidiu que eu deveria ficar sozinha e é como eu me sinto agora...sozinha.

A pior parte é que eu deveria ter morrido, EU os havia obrigado a me levar para uma festa estúpida naquela noite. Aquilo era extremamente injusto, não estava certo, eu não faria diferença, eu não tinha filhos, um trabalho, não tinha nada disso, mas tudo o que me aconteceu foi uma perna quebrada, um mês para me recuperar.

Desde então eu tenho morado com a minha tia Jill, a familiar mais próxima e em melhor condições para me criar. Uma semana depois de que eu me mudei para cá, a tia Jill me mandou para uma psicóloga de merda que nada me ajudou, ela dizia que era necessário para eu parar de me culpar pela morte dos meus pais e superar a tragédia, e eu tentando ser uma garota legal passei duas vezes por semana, duas horas por dia, naquela psicóloga por todas as minhas férias, que sinceramente foi um desperdício de dinheiro, já que tudo que ela fazia era me passar novos remédios para depressão todas as semanas.

Eu desci as escadas, com a mochila nas costas, vestida em uma calça jeans, uma blusa de manga e um moletom da hollister. Tomei meu café da manhã, peguei um copo d’agua para tomar os remédios e peguei as chaves do carro, gritei um “tchau” para Jill, que respondeu com “boa aula”... duvido. Eu cheguei em uma construção velha de tijolos vermelhos e cheia de janelas e portas de vidro, havia dois prédios, um com o telhado verde, outro de telhado vermelho, a placa na entrada da escola dizia “Cumbrian Lakes High School”.

Eu estacionei meu carro no estacionamento nos fundos do prédio de telhado vermelho e perguntei para uma garota asiática que também estava estacionando o carro, onde ficava a secretaria, ela me mostrou onde ficava e se apresentou, seu nome era Maggie e ela estava no último ano do ensino médio e se ofereceu para me apresentar a escola e eu como a pessoa simpática que eu deveria ser, aceitei a ajuda da garota, que por sinal falava demais, ela havia contado tudo sobre a vida dela em dois minutos e eu não entendi nada, por isso tudo que eu fiz foi balançar em cabeça em sinal positivo e sorrir, torcendo para que o que ela havia acabado de falar não tivesse sido negativo.

–Chegamos –Maggie falou- qualquer coisa, se você precisar de mim eu vou estar no pátio do lado de fora. Boa sorte

–Obrigada –eu respondi e sorri timidamente logo depois

Eu falei com uma das tias da secretaria que me deu meu horário e um mini-mapa da escola, minha primeira aula era de física com a professora Donna Bradshaw. Faltavam 10 minutos para o sinal tocar, por isso eu fui procurar meu armário e colocar meus livros nele, o número do armário era 57, depois de muito procurar, eu finalmente achei o armário, coloquei os meus livros dentro dele e peguei meu material de física.

De repente eu senti alguém me cutucar e olhei para trás, era um garoto forte, alto, de cabelos loiros, pele pálida e olhos negros, com feições fortes e definidas, realmente muito bonito. Nesse momento eu desejava que eu tivesse me arrumado mais um pouco, talvez feito alguma coisa no meu cabelo, ou vestido algo melhor.

–Ei ruivinha, esse é o meu armário –ele dis

–esse é MEU armário, aqui –eu respondi tentando parecer confiante

Eu mostrei o papel informativo, que mostrava o horário e o número do armário.

–Eu sei que esse é seu armário -ele admitiu- eu só queria falar com você

Como assim ?

–Espero que você não pretenda conseguir meu número com isso –eu falei

Ele sorriu torto para mim

–Nossa, ruivinha como você é convencida –ele falou em tom de deboche- então o que eu preciso fazer pra conseguir seu número ?

O sinal tocou e o garoto suspirou

–Opa, acho que eu tenho que ir –eu disse, e então peguei meus livros e me apressei pelo corredor, tentando me afastar mais rápido possível, eu não sabia como falar com as pessoas, não dava para manter uma conversa com ele

Eu só pude escutar ele gritando “meu nome é Alec a propósito”.

As três primeiras aulas foram tediosas e demoradas, na primeira aula que era de física, eu tive que me apresentar para a turma, dizer de onde eu vinha, aquelas coisas de primeiro dia de aula, mas a pior parte não foi ter que me apresentar na frente da classe, e sim ver um grupo de garotas cochichando e olhando para mim ao mesmo tempo.

Quando o sinal para o lanche tocou eu fui para o refeitório seguindo o mapa que a moça da secretaria havia me dado, chegando lá sentei em uma mesa no canto onde não havia ninguém. Eu tomava um suco de caixinha que tinha um gosto terrível, quando Maggie, a garota asiática que eu havia conhecido no começo do dia, veio se sentar comigo, ela estava com outra garota, ela era alta, cabelo escuro, longo e ondulado, olhos verdes e um corpo de dar inveja.

–Carrie não é ? –Maggie perguntou

–Aham –eu respondi

–Essa é a Emily –a garota sorriu e eu respondi com um “oi” baixinho

–E aí Carrie, já conheceu alguém interessante ? –Emily perguntou

–Bom... eu conheci um garoto –eu comecei, mas Maggie me interrompeu

–Mal chegou e já chamou atenção dos garotos ? –Maggie falou e deu uma risadinha- então qual é o nome dele ?

–Eu acho que ele disse que era Alec ou algo do tipo –eu respondi tentando parecer desinteressada

–AI- MEU –DEUS –Maggie e Emily falaram ao mesmo tempo

–Nossa o que aconteceu ?–eu perguntei em meio a uma risadinha

–Eu não acredito que você tá interessada no Alec, ele é tipo mega gato –Emily falou soando histérica

–Calma, eu não disse que estava interessada nele –eu falei

–Não tenta esconder, eu sei que você tá interessada nele –Maggie falou

–Ele é bonitinho mais nada –eu falei, ok, ele era lindo

–Tá certo, ele é perfeito –Emily falou- e ele é muito na dele, não fala com muita gente, provavelmente tá interessado em você também

E foi assim que o almoço passou, Maggie e Emily histéricas, falando como o Alec era lindo e nunca namorava ninguém do colégio e que eu era muito sortuda. Maggie e Emily não eram o tipo de pessoa com quem eu mais me identificava, mas eu não estava em uma posição onde se pode desperdiçar amigas.

A minha próxima aula era de química, eu entrei na sala e falei com o professor, ele me disse para sentar na primeira mesa e que já tinha uma dupla para mim, então eu sentei na primeira mesa, na frente da classe. Eu sentei lá esperando que todos chegassem e a aula começasse, e quando eu escutei o barulho da cadeira ao meu lado sendo puxado, virei a cabeça para olhar quem era minha dupla e não pude acreditar quando vi quem era.