Sadists Lovers – Interativa
4 Capítulo Três – Com A Chegada Do Inverno.
Notas iniciais
Capítulo Três – Com A Chegada Do Inverno.
Domingo
21h00
Estava nublado e escuro com a chegada do inverno. O tempo gélido era de congelar pessoas ainda vivas, e nenhum ser humano saía sem proteção de roupas o suficiente. Os animais na floresta se escondiam em suas tocas, cheias de comida coletada para a sobrevivência no inverno, alguns meses mais cedo, como se previssem o que estava por vir. Pessoas na cidade pareciam evitar sair de casa, com medo daquele tempo fechado. Mas nada, nada, poderia mudar o humor de Solange.
Remexia-se no banco do passageiro a todo instante, esfregando as mãos contra a calça jeans e, ás vezes, segurando gritinhos de empolgação na garganta.
Toda a raiva que sentiu do tio quando descobriu que iria apenas no domingo, por culpa de um imprevisto com o chofer — o que foi inesperado, desde que, Yurio, era um dos empregados mais fieis de Pietro —, deu lugar a animação de estar indo para uma nova escola. Tudo bem, talvez tenha sido um pouco mimado ficar brava, de qualquer jeito estaria indo para a escola, só que em um dia diferente, mas Solange só estava agindo como uma garota da sua idade, não é mesmo?
O novo chofer — que não se lembrava do nome, e não estava disposta a perguntar por causa do olhar mal encarado —, permanecia calado durante o trajeto, nem um pouco afim de “bater um papo” com ela. Enfim, não iria discutir com o moço.
Olhou pela janela, avistando uma construção grande, mais ou menos perto de onde estava.
— Aquela é a escola? — perguntou-se animada, abrindo a janela para ver melhor. Parecia menor do que imaginara, ainda sim estava ansiosa para conhecer suas colegas de quarto.
O chofer nada fez, entretanto, percebia ele lhe olhar de esguelha algumas vezes.
Estava tão extasiada, tudo parecia perfeito, mas porque tinha aquela sensação esquisita de que algo não estava certo?
Bem, cara leitora, se ela tivesse parado para olhar com mais atenção, perceberia que estava no meio de uma floresta, e a escola ficava na cidade. Não podemos culpa-la, se ela não se distraísse, não teríamos história... Ela se distraiu, portanto, temos uma história!
O carro parou bruscamente em frente à construção.
Solange não pensou duas vezes em abrir a porta, quase caindo ao sair apressada do carro. O motorista também saiu, dirigindo-se para trás do automóvel.
Enrugou a testa com a visão.
— Nossa, parece mais uma mansão do que uma escola... — murmurou confusa, uma voz gritando no fundo do seu peito que tinha coisas erradas acontecendo.
Mal notou o homem colocando a mala do seu lado, voltando para dentro do carro em uma rapidez estratégica e treinada, uma habilidade de quem faz isso há algum tempo, um costume.
— Moço, tem certe... — iria perguntar se poeira não tivesse sido jogada para sua face, fazendo-a tossir com a sujeira nos pulmões.
O carro tinha partido em alta velocidade, raspando os pneus desenfreadamente no asfalto, como um verdadeiro louco.
— EI!! — gritou puta da vida, o carro preto se distanciava mais ainda — Que cara maluco, eu hein!
Pegou a sua mala vermelha de rodinha perto de si, e outra de mão também vermelha que levava mais roupas e cosméticos, coisas de mulheres.
Sentiu o peso das duas se fazerem presentes, curvando um pouco as costas, um pensamento a atingiu:
Porque eu tenho tantas roupas?
Resmungando, foi andando a passos de tartaruga até a porta grande de madeira. O que foi? Estava muito pesado! Isso porque apenas metade de suas roupas estava ali! Tente levar as malas dela e verá que não estou mentindo. Precisava se manter na moda, ué! E também, tinha tantas roupas fofas que queria mostrar para suas colegas, que ficou indecisa sobre qual levar.
Chegou finalmente à porta, socando-a “delicadamente”: por conta do peso acabou saindo mais forte do que calculou.
Mas não houve resposta por uns dois minutos... Bateu outra vez... Cinco minutos, dez...
— Ah! Eu desisto, o que tá acontecendo?! — bateu o pé no chão, seu lado mimado aparecendo por um instante.
Bem, lembra-se do que eu disse no começo, que nada poderia estragar o humor dela? Eu estava errada!
Iria ligar para o tio! É isso, tinha que ser uma piadinha de muito mau gosto! Ele gargalharia, se desculparia, e mandaria o chofer busca-la e levá-la para a verdadeira escola. Sim, tinha que ser! Com dificuldade, caminhou próxima à uma árvore, um pouco longe da porta do casarão, retirando o telefone do bolso. Discou o número do seu tio, esperando que ele atendesse ao telefone nos risos.
A única coisa que ouviu foi à vozinha chata de um robô dizendo que estava fora da área de cobertura, e um barulho no arbusto do lado dela...
Espera...
(...)
Afastou um galho da sua frente, soltando-o logo após e deixando bater na cara da indivídua atrás de si.
— Outch! — resmungou a menina em seu alcance, afastando o galho e massageando a face. — Isso doeu, Erise Firiedirichi-san!
Uma veia saltou na sua testa, e virando-se assustadoramente para ela, pronunciou com toda a raiva que estava acumulando desde que se encontrara com a garota.
— É ELISE FRIEDRICH! — gritou, querendo matar aquela menina em sua frente com toda a vontade de um verdadeiro psicopata.
Como foi parar no meio do mato, com uma menina irritante atrás, enquanto estava escuro do jeito que não dá para enxergar nada, frio — não podia esquecer-se do peso das duas malas — e mosquitos pareciam lhe atacar a todo o momento mesmo? Ah sim! Por causa do fuso horário, ela partiu ás nove e chegou ás nove, obviamente. Então, ficou lá na cidade de Tóquio aguardando seu chofer chegar, mas ninguém veio. Foi aí que alguém lá em cima decidiu brincar ainda mais com sua cara e mandou a peste ao seu lado para “lhe ajudar”. Como estava sem grana para pegar um táxi, a menina, chamada Sawa, perguntou se não queria vir com ela, e que não se importaria que ela pagasse tudo. Bem, esse “tudo” acabou não dando, Sawa não tinha dinheiro o suficiente para todo o trajeto e o motorista as chutou para a fora do carro, e deixou-as na beira da estrada!
Seu dia não podia ficar melhor!
— M-me desculpe... — Sawa corou, envergonhada com sua troca de letras. Acontece que os japoneses trocavam a letra R pelo L, por não tê-la no seu alfabeto, contudo, Elise estava estressada demais para se lembrar de tal fato. Aquele desculpe era, na verdade, por muito mais do que a troca.
Virou-se novamente, destinada em achar aquela merda de escola que devia estar em algum lugar naquela merda de floresta.
Porque a escola tem que ser no meio do nada?!
— Erise Firiedirichi-san! — chamou-lhe a garota outra vez.
E novamente, uma veia pulsou em sua testa.
— Se você não percebeu, eu estou tentando te ignorar para que eu não cometa um homicídio e seja presa! — gritou por culpa do tamanho que as separava.
Isso se acharem o corpo! Acho que eu morro primeiro de fome!
— Mas! — opinou, tentando alcançar os passos de Elise.
Bufou e virou-se novamente.
— O que foi?
— Não seria mais fácil se tivéssemos seguido a estrada, em vez de adentrar a floresta? — perguntou, com toda a gentileza do mundo.
Um estranho silêncio se arrastou pelas duas, Elise parecia ter congelado ao mesmo tempo em que formulava planos para trucidar Sawa e ela mesma por culpa de sua própria imbecilidade.
Claro que a garota, com seus estranhos — porém exóticos — cabelos brancos, não pretendeu em nenhum momento ofender a outra, mas na cabeça de Friedrich se passava outra imagem.
— Claro Konishi-san — Elise sorriu levemente (psicopatamente), seus olhos refletiam tudo que queria fazer naquele momento: tipo arrancar o cabelo da menina com cera fria—, que teria sido melhor você ter dito isso antes!
— Me des...
As garotas foram atraídas por dois gritos de mulheres, um parecia ser de pânico, o outro de raiva. Olharam-se por um tempo, antes de saírem correndo na direção dos barulhos. Que é? Não me olhe assim! Se você estivesse em uma floresta perdida, ao primeiro sinal de civilização não correria para lá?
Quando chegaram ao que parecia, aleluia, uma construção de humanos, encontraram-se com três garotas.
Uma loira peituda segurando um neko, uma azulada raivosa e uma garota de cabelos castanhos que estava agachada no chão pegando roupas? A loira foi a primeira a perceber a presença delas ali, chamando logo a atenção das outras duas.
(...)
— Eu já pedi desculpas! — reclamou Solange, sendo ajudada por Baste e por Sawa em juntar suas roupas.
Elise e Miyuki apenas assistiam a cena, cada uma por razões diferentes: uma não queria ajudar porque não cabia a ela, desde que as roupas não eram suas; a outra porque depois de sofrer aquele golpe, queria mais é que todas as roupas dela tivessem rasgado!
— Calma gente! — botou-se no meio Sawa. — Primeiro, acho que devíamos nos apresentar e esclarecer o que aconteceu! Certo? — perguntou para o grupo, ainda a juntar roupas no chão. Ninguém se pronunciou, mas também não recusaram. — Eu sou Sawa Konishi, pronuncia-se Saya, entenderam? — sorriu amigável.
— E-eu sou Baste Sablo... — murmurou a Loira, seus seios avantajados pulando junto com a mesma quando percebeu o olhar de “apresente-se também para acabar com esse clima ruim” de Sawa. Ela apertava aquele bichinho entre os seios com uma mão. — E esse é o Chesire. — Apresentou o gato as outras, que decidiram ignorar a apresentação de uma pelúcia.
— Miyuki Yozori — dessa vez foi à azulada quem falou, massageava seu braço por algum motivo desconhecido por Elise e Sawa.
— Solange Dupont! — resmungou a garota de cabelos castanhos, olhando algumas roupas que haviam se rasgado no “acidente”.
— Elise Friedrich... — e por último, a própria Elise, que parecia mais entretida em olhar para a mansão em frente, até agora ignorada pelo restante.
— Então...? — esperou a Konishi por uma explicação.
Miyuki continuou calada, resmungando ao olhar para seu braço. Solange parecia mais preocupada com as roupas. Sobrou para a pobre Baste explicar o que aconteceu.
Espera...
— Ah! — gritou.
Virando-se para um treco azul que saia de trás do arbusto, suas mãos pegaram a mala de rodinhas automaticamente, batendo-a contra aquilo.
Sua mala acabou abrindo com o atrito de ser jogada em algo, a Dupont assistiu tristemente suas roupas caírem no chão, algumas de marca muito cara rasgando.
O pior foi quando descobriu que o “treco” não era algo e sim alguém!
— VOCÊ ESTÁ LOUCA MENINA?! — gritou fervorosamente uma garota de cabelos azuis, que estava agora — possivelmente, já que o tecido da blusa cobria — com um belo de um roxo no braço.
— E foi assim que minhas roupas lindas da Prada, Gucci e Dior, foram parar no chão! — choramingou Solange, observando seu vestuário agora quase todo dentro da mala.
— Quem mandou você me bater com uma mala, sua louca varrida! — agravou Miyuki, que ganhou um olhar mal humorado da outra.
— Você duas hein! — interviu, novamente, Sawa. — Foi apenas um acidente, não podem fazer as passes não? — insistiu, olhando as duas trocando ofensas silenciosas entre elas.
— Tudo bem! — desistiu a Dupont, se entregando ao olhar repreensivo da Konishi. — Desculpe-me Miyuki-san, não foi minha intenção bater em você com uma mala! — disse roboticamente.
— Hn, eu aceito seu pedido — orgulhosamente, a Yozori virou a cara para o lado.
— Er... Dupont-san? — Baste chamou a atenção das outras, a loira estava corada com a imagem da peça que tinha em mãos. — O que é isso?
— Isso é uma calcinha, duh! — respondeu, dando de ombros para a pergunta tão tola da Sablo.
—...
Tudo bem, aquilo poderia ser tudo: um fio dental; um pedaço de pano que não tampa o suficiente; menos uma calcinha!
A peça que Baste tinha em mãos era uma calcinha vermelha, muito pequena e que com certeza não tinha nada de inocente. A menina loira devolveu-a rápido a mala da dona, impedindo os pensamentos que vinham sobre o que ela fazia com aquela calcinha tão indecente.
As outras também olhavam assustadas na direção daquele negócio tão “chamativo”. No fim, preferiram ignorar os gostos peculiares de Solange. Elas estavam tendo de ignorar bastante coisa hoje, hein?
Quando as garotas terminaram de juntar todas as peças, a Dupont não pode deixar de agradecer, afinal, ela podia ter exagerado ao bater na garota, mas nunca havia faltado com respeito:
— Obrigado vocês duas — agradeceu, suspirando ao finalmente fechar a mala vermelha a sua frente.
Antes que as mesmas pudessem responder, Elise atrapalhou todo aquele clima “amiguinhas” para colocar em palavras tudo que estava batucando em sua mente até o momento:
— Okay, agora que tudo isso foi explicado — gesticulou com as mãos, circulando toda a área onde estavam presentes as meninas —, querem-me dizer onde estamos e porque eu não vejo nenhuma escola?
As três se levantaram do chão, olhando para a mansão à frente.
Ninguém soube responder a Elise, e todas estavam muito confusas com aquilo, menos uma:
— Do que vocês estão falando? — perguntou Miyuki, estranhado toda aquela tensão.
— Como assim? — quem perguntou foi Elise.
— Vocês também não foram adotadas, como eu?
—Não! — começou Solange, horrorizada com a ideia de que seu tio podia ter lhe vendido para alguém. — Eu vim para esse lugar em estudos, me disseram que era um colégio interno!
— Eu também, minhas tias... — Baste parou no meio da fala, olhando para o chão enquanto falava. — Elas foram viajar em negócios e me matricularam nessa escola interna...
— Me desculpe Yozori-san, mas eu também vim estudar aqui, ganhei uma bolsa para entrar, disseram que era interno e que a refeição seria paga com um cartão que eu receberia! — explicou Sawa.
— A mesma coisa, só que eu fui matriculada — disse Elise, que arqueou as sobrancelhas, talvez a menina tivesse pirado ou pegado o caminho errado achando que aqui era a casa de quem a adotou.
— Não me olhe como seu eu tivesse ficado maluca! — resmungou Miyuki. — Eu tenho certeza absoluta que o endereço é esse!
— Não estamos duvidando, só que — inquietou-se a Konishi, virando para olhar o enorme casarão a sua frente —, se está dizendo a verdade... O que tá acontecendo aqui?
— Bem — pronunciou-se Elise, pegando as duas malas pretas, e andando na frente das outras —, vamos desvendar todo esse “mistério” se entrarmos na casa!
Solange também se apressou, segurando com dificuldade suas duas malas.
— Não dá, eu já tentei, está trancada! — murmurou, subindo a escada com esforço. As outras também seguravam suas malas atrás dela, só que sem tanta dificuldade.
O que ela leva na bolsa, uma bigorna?
Pensou Miyuki, observando a dona suspirar ao chegar à porta.
— Porque não arrombamos? — Baste arriscou perguntar.
— ATÉ PARECE! — Gritaram as outras três, Solange, Miyuki e Elise.
— Sablo-san, eu não acho que isso seja certo... — respondeu Sawa, com uma gota na cabeça.
Elise revirou os olhos. Tinha se enfiado em uma situação esquisita com quatro loucas!
Colocou a mão na maçaneta, girando-a e ouvindo a porta ranger, abrindo...
— O que foi? Estava fechada quando eu chequei! — rosnou Solange.
— Ah sim! Dá pra ver como você checou bem! — ironizou a Friedrich, com um olhar maldoso sobre a face.
— G-gente! — repreendeu Baste.
— Vamos entrar ou ficar paradas aqui? — A voz de Miyuki saiu ansiosa.
— Vamos! — encorajou Sawa.
As garotas adentraram a mansão, escutando a porta bater atrás delas.
Agora só estavam elas, a escuridão, e a promessa de uma reviravolta na vida dessas cinco garotas.
Mas eu não poderia contar essa história com a ausência de uma! Porque assim, não teria história. Assim como todas as distrações e contratempos, que se não existissem, não existiria um conto.
(...)
Seus olhos castanhos escuros se abriram para um mundo novo, um lugar desconhecido por sua mente, misterioso e... Apenas um quarto que não conhecia.
Estava zonza, confusa e assustada.
Izabela não sabia onde estava novamente. O medo de ter sido vendida para alguém — porque todas as evidências apontavam para isso — assolava seu coração e mente.
Procurou tentar reconhecer alguma parte do quarto, alguma coisa que lhe desse indícios de onde estava. Encontrava-se deitada em uma cama macia, toda verde e com um tipo de sofá na frente. Atrás da cama tinha cortinas verdes, ao lado podia se ver duas janelas, com um quadro de cada lado, e na frente, uma lareira com um vaso de flor em cima, e uma poltrona acompanhada de uma mesinha de madeira. Com certeza, quem quer que more ali, tinha muito dinheiro.
Ah! A cama... Tinha um cheiro bom, não sabia dizer o que era, mas era bom...
Virou-se para ajeitar o travesseiro, querendo sentir mais daquele odor, dando deu de cara com um homem de cabelos castanhos-meio-ruivos, usando um chapéu e dormindo... Do seu lado!
E claro que sua primeira reação foi gritar.
Ela se afastou tanto da cama que acabou por cair da mesma, revelando uma camisola branca que ia até metade de sua coxa. Coisa que ela não se lembrava de estar vestindo!
O homem acordou, obviamente. Seus olhos — que agora descobriu serem verdes — pareciam se divertir com a cena presenciada logo ao acordar.
Ele bocejou, se levantando para ficar sentado na cama.
— Q-Quem é você? — entrou na defensiva, pouco se importando com a posição constrangedora em que estava.
— Hn, Ohayo, bitch-chan! — cumprimentou o homem, dando um sorriso brando para a garota no chão, que parecia não ter percebido que sua camisola havia subido e dava para se ver a calcinha branca dela.
A garota parecia confusa e ofendida, provavelmente porque tinha entendido o “apelido” que ganhou dele. Mas estranhou... Seus olhos foram para a janela, onde se via a lua majestosa, esbanjando seu brilho.
— Mas está de noite... — sussurrou, balançando a cabeça para espantar a confusão. Não o deixaria lhe enganar! — Eu fiz uma pergunta!
Ele riu divertido, observando a raiva no rosto delicado da garota, e se deliciando com a pele da coxa amostra sem que a mesma soubesse.
— Meu nome é Raito Sakamaki, é um prazer conhece-la, bitch-chan! — Aquele homem novamente estava brincando consigo. Ele parecia se divertir com sua confusão de ter acordado em um lugar estranho, com um total estranho dormindo ao]lado.
Arregalou os olhos, lembrando-se desse fato. Tateou o corpo em busca de marcas, algo que relatasse o acontecimento de um estupro.
Não tinha nada... Nada. Suspirou se tranquilizando. Nada tinha acontecido...
— Bitch-chan! — pronunciou-se Raito, com um sorriso tarado e ao mesmo tempo afável: como ele conseguia? Ele parecia ofegante, suas bochechas estavam coradas e lhe olhava como se fosse uma presa — Quando você se toca desse jeito, me deixa tão excitado!
— Eh?!
Raito avançou para cima da menina, só que ela colocou um pé na frente para impedir: algo automático quando estamos em perigo. Acabou atingindo o pé no rosto dele.
— Ah! Bitch-chan, não pode fazer isso comigo! — ele riu como um masoquista, se divertindo com a própria dor na bochecha. — Se fizer isso de novo, terei de puni-la por mau comportamento!
Aquela ideia de punição assustava Izabela, que já podia pensar em todos os modos de tortura possíveis em sua cabeça, enquanto de olhos arregalados observava o homem a sua frente, que tinha uma marca roxa na bochecha.
Raito estava mesmo se segurando para não morde-la e possui-la naquele quarto, no seu quarto... Mas as ordens de Reiji eram expressas, e diziam claramente que aquela era uma mercadoria valiosa de seu pai, uma pechincha, que tinha conseguido com um homem bêbado que devia a ele. Claro que ela foi levada como uma noiva para a mansão, não tinha mais nenhum utilidade, contudo, o pai deles mandou que não a machucasse muito, o que foi algo estranho no começo, e não só com ela, mas com todas as outras bitch-chan’s que estavam para chegar. E Reiji, como um filho exemplar, tratou de deixar bem claro a mensagem do pai, principalmente para os trigêmeos: Ayato, Kanato e ele. Os três mais sádicos, sem dúvida. E só para não haver desobediência quanto à regra, foi criado um castigo com a quebra dela. Foi bem estranhado pelos irmãos no começo, mas na cabeça dos seis, aquilo seria apenas para que os alimentos durassem mais, e é claro, para que o propósito das noivas terem sido criadas seja completo de uma vez por todas.
Ele de repente voltou com o corpo para trás, longe dela ainda bem... Farejou o ar como um cachorro o faz, colocando sua mistura de pervertido com amoroso nos lábios e olhando novamente para ela.
— Parece que as nossas diversões chegaram finalmente — comemorou, observando as expressões da menina em frente.
— O quê? — antes que Izabela terminasse de perguntar o que estava acontecendo, Raito se levantou da cama, ajeitando o chapéu sobre a cabeça.
— Não se preocupe bitch-chan, você é a minha preferida! — exclamou divertido.
E em um piscar de olhos, o homem que jurava há segundos atrás estar em pé a sua frente, tinha sumido do quarto... Como fumaça.
Tinha sido impressão sua... Ou o roxo que demoraria semanas para sair do rosto de um ser humano, tinha simplesmente evaporado da face dele, como o mesmo quando sumiu do quarto?
O que estava acontecendo?
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