Sadistic Vampire
12 Trouble
Notas iniciais
Luka acordara um pouco cansada naquela tarde. Ela não fazia ideia de como havia chegado em casa, porém, isso não a preocupava. A rosada ainda estava com a mesma roupa de noite passada, só que um pouco suja com algo que ela não conseguia distinguir o que era. Sua cabeça doía bastante, assim como sua garganta. Ambos pareciam estar em chamas.
A última lembrança que ela tinha da noite passada era uma estranha conversa com Rin. A garota tinha notado o comportamento anormal da loira, mas achou melhor deixar isso passar. Provavelmente, por causa da viajem exaustiva, ela deve ter chegado em casa e logo ter dormido. Era isso o que ela pensava.
— Que bom que acordou. Não te vi chegar ontem à noite — uma voz tirou a rosada de seu estado de distração. — Como foi a viagem?
— Foi… Ahn… F-foi… — ela não conseguia formar uma frase inteira. A dor que sentia era forte demais para deixá-la pensar. — Pode pegar um pouco de água...?
— C-claro, filha! — a mulher saiu em direção à dispensa, vendo que sua filha estava passando realmente passando mal.
Luka quase não se preocupava consigo. Ela se preocupava com seu bebê. A garota sabia que não era muito bom uma grávida estar passando mal do jeito que estava. Isso poderia significar um aborto, e isso era tudo que ela não queria. Sua cabeça estava quase explodindo, mas o que a incomodava era sua garganta. Ela parecia estar queimando, e isso não era normal.
A rosada se deitou novamente na cama, acelerando sua respiração involuntariamente. Ela sentia dor. Muita dor. Era demais para a garota. Ela não conseguia entender o motivo de tanta dor. Não sabia o porquê de estar sofrendo tanto.
"O que está me machucando? Por que dói tanto?" ela pensava passando as mãos pelo pescoço tentando conter a dor. "É horrível. É doloroso. Por que isso não para?!".
— Filha, pegue isso… Oh, céus… — a Mrs. Megurine deixou o copo de água em cima da cômoda e se sentou ao lado da garota na cama ainda assustada com o que acontecia. — Luka, o que há de errado?
— Não sei, mãe — a rosada choramingou. — Está doendo, mamãe. Doendo demais.
— Irei pedir para seu irmão ir falar com Al para dar uma olhada em você, certo?
— Não vai ser necessário. Deve ser só uma febre — ela tentou acalmar a mãe, que estava visivelmente preocupada.
Algo que Luka não queria que acontecesse era sua mãe ficar mais preocupada com ela. A rosada não poderia comentar sobre a gravidez no momento. Caso fizesse isso, o humor de sua mãe mudaria em segundos.
A senhora passou uma das mãos pelo braço da filha, logo se apavorando mais ainda, causando um certo pavor na mais nova.
— Luka, você está gelada!
— Mas como…?! — ela se perguntou sentando novamente em sua cama. — Isso não faz sentido. Eu me sinto quente, achei que tivesse com febre.
— Irei mandar seu irmão sair agora. Enquanto isso descanse.
Mrs. Megurine logo puxou a garota para um abraço, apertando a filha mais e mais. Já Luka permaneceu estática. A dor parou por um momento, ela se sentiu diferente. Melhor do que nunca. A rosada então retribuiu o abraço, escondendo o rosto no pescoço da mãe.
Quanto mais a garota abraçava a senhora, mais estranha ela se sentia. Um estranho desejo parecia surgir dentro dela. Luka começou a sentir sua garganta arder novamente e logo se afastou da mãe, ficando próxima à cabeceira da cama.
— Dói, mãe. Dói muito — ela murmurou.
— Acalme-se. Logo isso vai passar... Quer que eu chame uma de suas amigas?
— Pode… Chamar a Miku…?! — a garota se perguntou o porquê de querer a presença da garota histérica.
— Claro… Claro…
XxX
— Luka! Lukalukalukaluka, Luka!
A rosada sentiu um peso por cima de seu corpo, e abriu os olhos um pouco assustada e com dificuldade. Ela não dormia, porém sentia-se mal com a quantidade de luz no quarto, então preferiu manter os olhos fechados.
Luka logo notou que a pessoa que estava por cima de si era Miku. A garota de cabelos turquesa parecia estar feliz por ver a amiga, mas também demonstrava preocupação um pouco exagerada.
— Nunca mais me abandone, nem mesmo por dois dias… — dois longos dias… Completou em pensamentos.
— Foi só um fim de semana, Miku. Já estou aqui. Agora… Poderia soltar meus seios, por favor? — ela riu abraçando a garota que como sempre brincava de balançar seus enormes seios. — Isso dói, MiMi.
— Mas eu gosto de mexer! São tão grandes — a mais nova bufou, se aconchegando no colo da rosada. — Você está melhor? Luki disse que você está passando mal.
— Me sinto um pouco melhor… — sorriu. — Minha cabeça não incomoda mais, porém minha garganta ainda arde.
— Você faz ideia do motivo dessa dor?
Luka sentia-se um pouco hesitante em mencionar a gravidez para Miku. Ela poderia muito bem fazer um escândalo que iria chamar a atenção de seus pais, e ela não teria como explicar para todos o que havia acontecido.
— Não faço ideia… — mentiu descaradamente. — Pode me dar aquela água?
— Claro, Luka.
A garota saiu com cuidado do colo da amiga, logo pegando o que havia sido pedido pela mais velha, e dando em sua mão. Com o pequeno toque de mãos que deram, Miku conseguiu sentir o quão gelada a pele de Luka estava. Parecia fria como pele de morto.
"Tem algo errado. Muito errado…" ela pensou.
A rosada começou a beber da água, mas logo cuspiu tudo no chão, tossindo bastante. Miku acabou se assustando, e ficando boquiaberta.
— O que tem nessa água?! — a mais velha perguntou ainda tossindo.
— Pode dar-me esse copo — assim foi feito por Luka. A mais nova pegou no copo e aproximou-o do seu rosto. Sentindo seu cheiro. — Isso é…
"É água benta… Então o que o Oliver disse é verdade. Trocaram mesmo a água das casas por água benta. Como não percebi isso antes?" a garota ficou abrindo e fechando a boca tentando descobrir o que iria falar. Por mais que tentasse, ela não conseguia encontrar palavras para expressar o que sentia. "Não pode ser… Será que…?".
— Luka, posso tentar uma coisa? — a rosada assentiu devagar sem entender o porquê da estranha fala de Miku.
Logo a mais nova voltou ao colo da amiga, se aproximando o máximo que podia. Os rostos de ambas já estavam próximos, Luka já fazia uma ideia do que iria acontecer, mas não sabia como impedir. Ela já esperava que Miku a beijasse, porém isso não aconteceu. A turquesa jogou o resto da água no copo em cima da mais velha, fazendo-a soltar um alto grito de dor.
— Luka… — ela choramingou com algumas lágrimas nos olhos.
— Por que você fez isso?! — seu olhar ficou em chamas por um instante, deixando a mais nova em estado de pânico.
— Seus olhos… Eles estão vermelhos! Você… Não… Não… Não! Tenho que falar com o Oliver.
— O que está acontecendo, Miku? — Luka perguntou séria. — Por que quer falar com o Oliver?! Cadê a Gumi?! E a Rin?!
— A Gumi está morta — Miku secou algumas lágrimas. — E a Rin está com o assassino.
— M-morta?! Como ela morreu? — a mais velha demonstrava tristeza.
— Foi assassinada… Por um monstro. E eu… Eu acho que você também se tornou um monstro.
— Mas… O que quer dizer com isso…?
— Luka, você…
XxX
Rin e Len estavam a horas conversando sobre vários assuntos aleatórios. Desde que a competição havia sido declarada, as provocações haviam se iniciado. O vampiro passava as mãos pelo corpo da loira, às vezes apertando lugares específicos. Já a garota fazia de tudo para tirar o mais velho do sério, e esquecer da competição, mas não parecia ter muito sucesso.
Pelas pequenas regras que haviam estabelecido, tudo era válido. O primeiro a perder o controle perdia. Ambos planejavam se aproveitar disso. Nenhum deles pretendia perder. Eles não pretendiam ceder, porém um teria que perder.
Os dois estavam deitados na cama de Len, conversando e rindo em alguns momentos. Rin estava deitada com a cabeça no peito do vampiro, passando os dedos pelo local devagar. Ambos riam do que o garoto tinha acabado de falar
— Quanta maldade! — ela sorriu. — Nunca faça isso na minha frente.
— Prometi a mim que nunca mais faria isso, Rin. Então, não se preocupe — ele bagunçou o cabelo da loira. — Mas já fiz coisas piores. Isso não é nada.
— Que garoto mau — Rin riu alto.
— Ah, então você acha que sou mau?
— Talvez… — a loira sorriu de maneira maliciosa. — Len… Posso te fazer uma pergunta…? — ele assentiu. — Qual é a sua relação com a Lenka?
Ele suspirou um pouco irritado. Len sabia que uma hora ou outra Rin iria fazer essa pergunta ou alguma parecida. O garoto já achava que estava demorando demais para isso acontecer.
— Infelizmente, ela é minha irmã mais nova — sua expressão ficou séria. — O demônio em pessoa.
— Ela também é uma… — Len maneou positivamente com a cabeça. — Oh, céus…
"Deixei uma vampira entrar na minha casa, eu fiquei sozinha com uma vampira, e ainda deixei a Miku com ela…" ela pensou um pouco apavorada. Mesmo já sabendo a resposta de sua pergunta, ela queria que fosse negativa. Era muita coisa acontecendo em poucos dias. Sua cabeça logo não aguentaria.
— Rin, sei que pode parecer óbvio, mas fique longe da Lenka — ele falou sério. — Ela não é uma pessoa confiável. Não quero que fique perto dela.
Rin estava confusa. O que Len havia a pedido fazia sentido, mas para ela, tudo estava errado. A pouco mais de um mês, sua vida era comum como qualquer outra. Agora, ela estava junta a um vampiro, e quase havia dormido com ele.
A garota não sabia expressar o quão perturbada se encontrava no momento. Quando finalmente ela achava que tinha entendido o que estava acontecendo, tudo ficava mais embaralhado. Nada parecia estar certo.
— Ela é sua irmã… Mas eu vi vocês dois se beijarem — ela falou baixo.
— Já ficamos juntos por muito, muito tempo — ele suspirou. — Desde que éramos humanos.
— Vocês dois ainda… — o loiro riu alto. — Por que está rindo, hiena?
— Não precisa ficar com ciúmes. Eu e ela não temos mais nada. E nunca mais me chame de hiena. Só se quiser morrer, Loirinha.
A garota virou os olhos com a frase final do garoto, porém terminou rindo bem baixo.
— Então por que você disse que a ama? — Rin se sentou na cama cruzando os braços.
— Sou obrigado a amá-la. Não pense que tenho muitas opções — Len se levantou e ficou próximo à garota. — Não é o tipo de amor que está pensando.
— Na verdade, sei de que tipo de "amor" você está falando. Eu tenho um irmão, e sei bem como é esse tipo de relação amorosa.
Sem motivo aparente, Len começou a rir do que a loira havia falado. Não que ele tivesse achado engraçado. Ele estava surpreso com o que havia ouvido.
— Jamais pensaria que você seria o tipo de pessoa que dorme com o irmão — a mais nova corou bastante. — Você parece ser tão certa.
— Se sou tão certa, não deveria estar aqui com você, não é? — ela provocou ainda vermelha.
— Touché, mademoiselle — ele sorriu. — Talvez você não seja tão certa assim.
— Que sem graça… — uma nova voz surgiu no ambiente.
"Estava demorando demais…" ele pensou bufando.
"O que ela está fazendo aqui?!" ela pensou irritada.
— O que você quer, Lenka? — Len falou um pouco irritado.
— Preciso falar com você — a vampira disse sorrindo. — Mas parece que você está ocupado demais com seu novo brinquedinho.
— Calada, pirralha — ele falou entredentes.
— Só estou dizendo a verdade... Mas eu tenho mesmo que falar com você. Agora.
Rin se sentia um pouco mal por estar sendo excluída da conversa. Porém sentia-se pior ainda por ter que estar na presença de Lenka. Ela não queria ficar nem no mesmo espaço que a vampira.
— Tudo bem, tudo bem — Len falou percebendo que as duas garotas iriam se matar só com o olhar. — Rin, fique aqui um pouco.
— Como se houvesse alguma opção — a loira disse bufando.
— Sem ciúmes, Rin — Lenka sorriu. — Como o Len disse, não estamos mais juntos… Pelo menos não desde a semana passada.
O garoto puxou a irmã pelos cabelos para fora do quarto, causando risadas da mais nova. Se Lenka falasse mais alguma coisa, Len não se responsabilizaria por seus atos. Os dois foram em direção ao lado de fora, logo se encarando com um olhar de raiva. A garota sentia sua cabeça latejar por causa do puxão dado pelo irmão. Já o garoto estava irritado por ter sido interrompido. Ele pretendia vencer a competição.
— O que você quer falar? — ele perguntou demonstrando a irritação.
— Nós temos um problema — ela começou calma. — Descobriram que existem vampiros aqui.
— Como?! O que você fez agora?!
— Eu não fiz nada! Não sei como, mas, quando acharam o corpo da garota, acabaram descobrindo as marcas da mordida — a loira falou tentando manter a calma. — Len, o que vamos fazer agora?
O garoto não respondeu. Ele estava em choque pelo que havia ouvido. Desde que começara com suas armações com a irmã, eles nunca foram pegos, nunca nem mesmo desconfiavam da existência dos dois.
O quanto ele se distraiu para não perceber que isso acontecia? Ele sabia que Lenka não daria conta sozinha de lidar com isso. Porém, ele ainda não estava entendendo o que estava acontecendo.
— Não sei o que vamos fazer. Só tente ser discreta, não faça mais nada — ela assentiu devagar. — Continue bancando a espiã por mais um tempo, tudo bem? — ela assentiu devagar. — Só uma pergunta… Tem certeza do que ouviu?
— Claro que sim! Eu nunca me engano! Fiz o que você me pediu. Fui até a aldeia, fiquei lá por horas… Ouvi a conversa dos anciões. Eles já sabem, mas ainda não contaram ao povo.
Lenka era uma boa detetive para Len. Sabia como se esconder, como sair dos lugares sem ser vista, jamais se distraía. Quando algo terminava errado, sempre fora ela quem limpava o trabalho sujo. Quando não estava bancando uma rainha do drama, ela trabalhava muito bem.
— Tudo bem, maninha. Só não faça nada, e não se arrisque tanto…
— Claro… Claro — ela ficou nervosa por um instante. — Você não pode se distrair mais, Len. Caso contrário, já sabe o que pode acontecer conosco.
— Não se preocupe, Lenka — ele puxou a irmã para um abraço. — Nada vai acontecer com você. Ainda vou seguir com nosso plano.
— Len… Tudo pode voltar a ser como antes?
— Não — ele suspirou.
"Eu… Sou um monstro… Você estava certa, Lenka".
— Preciso ir agora, quando se livrar da princesinha, eu volto — ela sorriu.
— O que você faz quando sai assim? — o loiro perguntou desconfiado.
A mais nova se soltou dos braços do irmão e sorriu de maneira debochada logo em seguida rindo alto e ajeitando seu cabelo, tentando parecer um pouco mais fofa do que sempre.
"Ela é completamente bipolar" Len pensou sorrindo.
— Sabe, irmãozinho, ainda não é hora de você saber.
— Você e seus mistérios… — ele riu. — Não faça nada que vá se arrepender.
Ela negou devagar com a cabeça, seguindo em direção à floresta, terminando de ajeitar seu cabelo e sua roupa.
— Len… Digo o mesmo para você. Mas acho que já é tarde.
Ele não entendeu o que foi dito pela irmã, porém achava que tinha algo haver com Rin. Na verdade, ele tinha certeza de que ela falava de Rin. Era algo maior do que ciúmes. Era um sentimento maior que o garoto não conseguia entender. Como sempre, ele não sabia entender a mente complicada da irmã.
O garoto então voltou para dentro da casa calado, ainda pensando sobre o que Lenka havia falado. Sua cabeça já era confusa o bastante em sua opinião própria. Sua irmã sempre conseguiu confundi-lo mais do que ele já era.
Len chegou até o quarto encontrando uma visão um pouco inesperada. Rin estava sentada na cama terminando de arrumar suas botas, visivelmente pronta para ir embora. A loira percebeu a presença do vampiro na porta, mas não se importou em olhar para ele.
— Aonde você vai? — ele perguntou sem demonstrar muita emoção.
— Vou para casa — ela murmurou.
— Não quer ficar mais? — questionou um pouco surpreso com a repentina mudança de humor da garota.
— Quero ficar, você sabe disso, mas tenho que voltar. Não posso ficar aqui para sempre.
Rin tentou não encarar o garoto para evitar uma mudança de ideia de última hora. Ela tinha que voltar a aldeia para conversar com Sona, e resolver-se com Miku e Oliver. Talvez, depois disso tudo, ela voltasse para ver Len.
— Quer que eu vá com você? — o loiro perguntou calmo.
— Não, Len. Não vai ser necessário — ela sorriu. — É meio arriscado. Se alguém nos ver…
— Sei o que acontece, mas não quer arriscar? — a garota negou. — Sem graça.
— Só sou realista. Mas eu irei voltar. Não irei perder a nossa competição.
Ela não estava falando a verdade. Rin pensava seriamente em não voltar para ver o vampiro. A loira sempre fora uma pessoa possessiva, nunca gostou de dividir nada. Ela sabia que por mais que Len negasse, ele ainda tinha algo com Lenka. E isso, a garota jamais poderia aceitar. Len era somente seu, por mais que ele não soubesse ainda.
— Se quer ir, vá, não irei impedir — ele suspirou. — Mas como você irá voltar com essas roupas?
— Não vai ser a primeira vez que chego com roupas masculinas em casa. No máximo, irão achar que voltei a ver meu irmão — ela deu de ombros pegando sua capa que estava no chão. — Até mais, Len.
XxX
Depois de ter deixado Len sozinho pela segunda vez, Rin voltou para casa em silêncio. A garota ficou durante o caminho inteiro imersa em seus pensamentos. Raiva. Ódio. Insegurança. Medo. Eram muitos sentimentos misturados em sua mente. Alguns bons e outros que dariam medo em qualquer pessoa.
Ela não era uma pessoa burra, logo após a saída dos irmãos, a loira aproximou-se da porta do quarto, para pode escutar a conversa dos dois. Ao fazer isso, acabou ganhando algo ainda melhor. Os dois conversavam do lado de fora, porém com a porta aberta. Ela conseguia ver tudo o que acontecia, mas não conseguia ouvir direito a conversa. Só algumas frases desconexas.
Rin aturava tudo o que via calada, tomando cuidado para não ser vista por nenhum dos dois. Tudo parecia bem, os irmãos só conversam, algo bastante natural. A loira tentou manter-se calma durante todo o tempo, até que viu Len abraçar Lenka de maneira carinhosa. Rin não aguentou, voltou para o quarto pronta para ir embora.
Ela não iria dividir Len com a garota, jamais faria isso. Caso o vampiro quisesse ficar com a irmã, ela não iria se meter, porém não iria deixar barato. Rin teria uma "vingança". Como sempre, possessiva e vingativa.
"Tenho que parar de pensar nisso. Len não irá fazer-me surtar novamente…" ela pensou se sentando em sua cama, terminando de tirar sua roupa. "Voltarei a vê-lo em breve, porém não vou ser boazinha como fui agora".
— Ah, isso tudo é muito cansativo — falou retirando suas botas indo em direção ao armário. — Irei primeiro tentar falar com a Miku, depois, vou fazer, ou pelo menos tentar fazer as pazes com o Oliver.
A loira pegou um vestido vermelho, que chamaria atenção se houvesse algo para prender a atenção das outras pessoas, e o vestiu sem se preocupar se seria vista ou não. Uma das vantagens de morar sozinha. Rin tentava manter a descrição enquanto pensava sobre como provocar o vampiro loiro, ou melhor "hiena" loira em sua opinião.
Por mais que quisesse descansar, ela não podia. Descanso era algo que ele não tinha a muito tempo, e também não teria por um bom tempo. Ela havia escolhido deixar a vida calma de lado quando decidira ficar com Len ao invés de ficar com Oliver.
— Não acha que posso usar o Ollie para fazer ciúmes — ela falou consigo mesma. — Isso vai nos afastar cada vez mais…
Ela parou em frente ao espelho, encarando-se com seu senso crítico. Ela admirava como estava mais "horrível" do que sempre. Olheiras profundas causadas pela falta de sono, vários arranhões resultados de "brincadeiras" de Len, cabelo bagunçado e cansaço evidente.
— Garotos não me fazem bem… Por que não consigo aceitar isto de uma vez?
Sua cabeça se encheu dos piores pensamentos possíveis. Cheios de veneno, que ela própria não conseguiria falar. Tudo ficaria somente em pensamentos. Tudo de ruim que Rin já pensou sobre si ficaria oculto em sua mente.
— Eu deveria voltar a agir como agia quando criança… Voltar a ser aquela garota mimada e irritante — ela riu alto. — Era insuportável. Nem eu me aguentava… — suspirou. — Ai, ai… Quando isso tudo mudou?
— Rin, cuidado, não deixe isto pegar em mim! — o garoto falou irritado. — Tenha cuidado.
— Se está reclamando tanto, faça isso você — a loira deu o objeto na mão do mais novo irritado. — Tem certeza que ninguém nos viu?
— Claro que… Tenho…
"Ah, sim… Foi nesse dia que acabei destruindo minha vida" ela pensou rindo. "Bons tempos. Excelentes tempos".
Ela terminou de ajeitar a roupa ainda olhando-se no espelho. Rin já estava pronta para sair, até que ouviu batidas vindas de sua porta. A loira se assustou um pouco com o barulho inesperado, mas foi até a porta mesmo assim.
Quando chegou lá, ela encontrou Miku a encarando de maneira mortífera, dando a impressão de que queria matá-la. Porém parecia hesitar em fazer isso a todo o momento com muita força de vontade.
— Olá, Miku... — a loira começou um pouco nervosa. — Algum problema…?
— Muitos problemas… Muitos mesmo — Miku falou séria. — Venha comigo, e não faça nenhuma pergunta.
— Como assim…
— AGORA! — a mais velha gritou, chamando a atenção de quem estava perto. — Só venha…
XxX
Por seu próprio bem, Rin resolveu seguir a melhor amiga sem questionar nada. Miku parecia estar com seu instinto assassino bastante inspirado. Não seria muito bom para ela encarar a amiga no estado que ela se encontrava.
A loira tentava entender o porquê do estranho comportamento por parte da garota de cabelos turquesas. Mesmo já fazendo uma pequena ideia do motivo, ela queria ouvir de Miku o porquê.
A mais velha não estava disposta a trocar uma única palavra com Rin. Ela queria mostrar para a loira a "novidade" que acabara de descobrir. Conhecendo a garota do jeito que conhecia, sabia que a mais nova adoraria a surpresa.
— Para aonde estamos indo? — Rin perguntou curiosa e confusa.
— Minha casa — respondeu sem muita emoção. — Tem algo que quero te mostrar.
— Posso saber o que é? — perguntou um pouco irritada.
— É surpresa.
A mais nova se controlar para não bater em Miku. Ela odiava quando a amiga falava desse jeito. Embora não fosse algo muito comum de acontecer, ela detestava quando isso acontecia.
Rin não pretendia falar mais nada, já que sabia que a mais velha não iria falar nada. A sorte dela era que ela e Miku não moravam longe uma da outra. Era uma caminhada de menos de cinco minutos dependendo da velocidade em que andavam. Por isso a loira sempre "viveu" na casa da melhor amiga.
As duas andaram mais um pouco até chegarem à casa de Miku. A mais velha bateu na porta com bastante forte por alguns segundos, esperando ser atendida, enquanto Rin permanecia quieta, se perguntando o motivo de ainda estar com a melhor amiga. Não demorou muito para que a porta fosse aberta. Logo, Rin ficou boquiaberta.
— Oliver…? — ela perguntou fitando o garoto loiro um pouco assustada. — Mas, o que está acontecendo?
— Só entre, Rin — ele suspirou. — Não tem como te explicar…
"Os dois estão sendo frios comigo… O que pode ter acontecido agora?" ela pensou entrando na casa e logo sendo seguida por Miku. Embora ainda quisesse saber o quê havia conseguido reunir Oliver e Miku, ela não estava em posição de negar um pedido dos dois, por mais que sentisse vontade voltar correndo para casa e trancar-se lá por horas.
Já dentro da casa, nenhum dos três ousou falar uma palavra sequer. A mais velha ainda permanecia com o olhar psicótico para cima de Rin, enquanto o mais novo olhava para qualquer lugar, menos para a garota loira. Diferente de Miku, ele sabia como reter sua raiva.
— Algum de vocês poderia me dizer o que está acontecendo? — a loira perguntou fingindo estar calma.
— Pedi para que não trouxessem a Rin! Por que nunca me escutam?! — a nova voz no cômodo assustou os três mais jovens. Era Sona quem havia berrado.
— Qual é o problema de vocês?
— Sona, com todo respeito, ela merece saber sobre o que está acontecendo já que é a culpada — Oliver revidou de maneira cínica.
— Do que você acha que ela é culpada, Oliver? — a senhora perguntou um pouco raivosa.
— De tudo. Se ela não tivesse se envolvido com aquele ser isso não estaria acontecendo.
— Só quero lembrar que ela provavelmente terá o mesmo destino da Gumi, então não devemos nos preocupar muito — Miku entrou na conversa ficando contra sua avó.
— CHEGA! — Rin gritou assustando a todos. — Eu estou aqui, esqueceram?
Aquilo havia sido demais para a pouca paciência que restava em Rin. Ela já sabia sobre o quê falavam, mas não conseguia acreditar que falavam disso na sua frente, como se ela não estivesse ali.
— Sona, diga-me logo o que está acontecendo — ela falou um pouco mais calma.
— Eu não queria mais problemas para essa sua cabeça oca — a senhora suspirou. — Venha, Rin.
A loira seguiu a mais velha calada até o canto mais afastado da casa, aonde ficava o quarto de Miku. Os outros dois foram atrás, porém permaneceram murmurando entre si. A mais velha mantinha sua opinião inicial, enquanto o mais novo ainda achava melhor deixar a loira bem longe dali, mas de qualquer forma, ambos concordavam com a mesma coisa. Tudo era culpa de Rin.
— Não quero que fique assustada, querida — Sona murmurou para a loira. — Não aproxime-se muito.
A senhora abriu a porta devagar, deixando o cômodo que antes estava em um breu, parcialmente iluminado. Rin conseguiu perceber a presença de alguém dentro do quarto, porém a pessoa parecia estar se escondendo na parte mais escura do quarto. A loira andou um pouco, pretendendo entrar no quarto, porém logo foi puxada para trás por Oliver.
— Não se aproxime muito — ele sussurrou baixo no ouvido da garota.
— Quem é…? — ela perguntou no mesmo tom.
— Ligue a luz e veja com seus olhos.
Com bastante hesitação, ela acabou fazendo o que foi pedido por Oliver. Ela colocou a mão para dentro do cômodo, procurando o interruptor por alguns segundos. Rin sentia algo na parede, algo líquido, mas não conseguia identificar o que era. Quando finalmente a loira achou o interruptor, seu mundo caiu.
Tudo que Rin via era sangue. Sangue espalhado por todo o quarto. Havia um corpo de criança completamente mutilado na cama, não tinha como identificar se era um garoto ou uma garota. No canto do quarto, havia uma pessoa sentada que visivelmente chorava muito e estava com as roupas encharcadas no líquido vermelho. A loira só conseguiu reconhecer a pessoa por causa dos longos cabelos rosas.
— Luka…? — a loira murmurou apavorada.
— Apague a luz, Rin… — a rosada virou a cabeça em direção à porta, assustando todos que estavam presentes. — Meus olhos doem.
Ao ver o espanto dos três mais novos, Sona fechou a porta do quarto, levando-os de volta para a sala. De todos os três, Rin era a que estava mais assustada. Ao ver Luka naquele estado ela quase surtou. A loira viu os olhos da amiga, eles brilhavam de uma maneira diferentes. Eles estavam idênticos aos de Len. Vermelhos.
— O que… Houve…? — ela perguntou sentando-se no sofá boquiaberta e de olhos arregalados.
— É exatamente o que está pensando… — Oliver sussurrou no ouvido de Rin um pouco debochado. — A Luka se tornou uma vampira…
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