Sadistic Vampire
13 Jealous
Notas iniciais
Uma semana. Havia passado uma longa semana, onde tudo pareceu piorar. Rin tinha conseguido fazer as pazes com Miku, a amizade dela voltava a ser o que era aos poucos. Já a relação com Oliver só piorava. Os dois quase não haviam se visto durante a semana. Ele a evitava ao máximo. Ela tentou falar com ele mais de uma vez, porém todas foram sem sucesso.
Luka se manteve trancada no quarto, deixando somente que a histérica garota de cabelos turquesa entrasse no local. Ela não comia, não saía da cama, só chorava. Chorava muito. Quando Sona contou que provavelmente ela teria perdido o bebê por causa do veneno, seu mundo caiu. Quando finalmente sua vida pareceu se ajeitar, as coisas só pioraram. Miku se sentia mal pelo estado da amiga, por isso, uma vez ou outra, oferecia seu próprio sangue à ela.
Len e Lenka passaram quase todo o tempo discutindo. Um culpava o outro por terem sido descobertos. O vampiro estava preocupado demais brigando com sua irmã para lembra-se de Rin. Embora ele pensasse na loira, sua concentração estava em tentar não matar Lenka. A vampira ainda mantinha em segredo o quê fazia na floresta quase todos os dias, o que deixava Len irritado.
Quem mais sofria com tudo isso era Rin. Mesmo tendo reatado a amizade com Miku, seu coração ainda permanecia perdido. Divido entre Len e Oliver, por mais que estivesse apaixonada pelo vampiro, ela não podia negar os sentimentos pelo melhor amigo. Rin estava decidida a ficar com Len, porém não tinha conseguido sair muito de casa durante a semana. Estavam vigiando a entrada da floresta. O máximo que ela pôde fazer foi ir até a casa de Miku, e passar alguns dias.
Ela pensava que não tinha como piorar, até que na manhã seguinte, ela, Miku e Oliver foram chamados na casa de Gumi, para falar com Gumiya. Se ele descobrisse sobre o que eles sabiam, seria o fim dos três.
Os três mais jovens estavam sentados de cabeça baixa enquanto esperavam receber algum sermão. Será que haviam descoberto sobre o que eles sabiam? Não. Nenhum deles contaria a algo a alguém. A única tonta o suficiente para isso era Rin, e ela mau estava conseguindo falar ultimamente.
— A Luka está doente, não está? — assentiram lentamente um pouco surpresos com a pergunta. — Espero que não seja nada grave, conheço-a desde que era uma criança… Seria uma pena perder mais alguém.
Eles não podiam falar que Luka não estava doente de verdade. Caso descobrissem que ela havia se tornado uma vampira, iriam matá-la. O melhor era manter em segredo o máximo que poderiam conseguir.
— Vocês devem estar se perguntando o que estão fazendo aqui — Gumiya recomeçou o discurso. — Queria falar com vocês sobre a morte da minha filha…
Os três arregalaram os olhos assustados, mas como ainda estavam de cabeça baixa, não foram percebidos.
"Ele não pode descobrir que a vi ser morta".
"Ele não pode descobrir que li o diário dela e descobri sobre tudo".
"Por que até mesmo a Rin tem mais seios do que eu?".
— Contaram a vocês que ela foi morta por um lobo, não é? — ele perguntou vendo os mais novos assentir. — Devo dizer que foi uma mentira. Quem dera tivesse sido um lobo que a matou.
Rin engoliu seco. Sua mente imaginava as piores situações possíveis. Tudo coisas que ela não desejava ver. Miku não iria contar nada, somente para não prejudicar mais a amiga. Já Oliver era imparcial. Ele poderia decidir contar tudo o que sabia e então se livrar de muitos problemas, assim como também poderia ficar quieto, e ver o que iria acontecer.
— Quero que vocês leiam isso — Gumiya tirou uma pedaço de papel do bolso, entregando na mão de Rin, que estava no meio dos três.
— O que é isso? — Miku perguntou confusa.
— Uma carta... É da Gumi. Ela não teve tempo de entregar.
Os três estavam ansiosos para saber o conteúdo da carta, mesmo já sabendo o possivelmente estaria escrito lá. Quando eles terminaram de ler, todos ficaram estáticos.
"Sei que não deveria estar escrevendo isto, porém eu preciso falar com você urgentemente. Não posso aguentar mais. Tudo o que dizem sobre você, sobre a sua espécie… Deveria ser errado todos esses sentimentos que tenho por você, porém todas às vezes que falei "Eu te amo" não era uma brincadeira. Eu realmente te amo. Não me importo com o que os outros dizem, quero ficar mesmo com você. Não quero mais manter o que existe entre nós em segredo. Sei que você me pediu para não contar para ninguém, mas não sei até quando poderei esconder isso."
O que mais os deixou perplexos foi a resposta que estava escrito logo abaixo.
"Tudo bem, meu amor. Se é isso que você quer, acho que não terá nenhum problema você contar a uma ou duas amigas, contanto que elas não contem a ninguém sobre nós. Seria arriscado demais".
Por sorte, os três conseguiram manter a calma a todo o momento, e souberam como disfarçaram o quão nervosos estavam. Nenhum deles expressou reação ao ouvir que Gumi havia sido morta por um vampiro. Eles já sabiam, não tinha porquê ficarem surpresos.
Entre todos, Rin foi a que ficou mais surpresa. Ela não esperava ler uma carta da garota de cabelos verdes que fora respondida por Len. A loira não poderia ter ciúmes de Gumi. Ela já estava morta, e o que Rin estava começando a temer ter o mesmo destino dela.
— Se for dormir, faça isso no quarto, Rin — uma voz tirou a loira do seu estado quase inativo. — Pode ir o meu quarto se quiser.
— Não, não… — a loira murmurou se levantando devagar do sofá. — Eu não estava dormindo, e nem iria, eu só… Estou um pouco cansada.
— Isso não é motivo para dormir no sofá — Sona sorriu. — Vá ao quarto da Miku, ela já está um pouco mais calma, porém ainda em choque.
— Acho melhor eu ficar um tempo longe dela, por minha segurança — ambas riram. — Não quero morrer tão cedo.
— Ela não irá te matar, no máximo machucar — a mais nova riu baixo. — Avisei a vocês desde que eram crianças que eu era uma bruxa, até mostrei algumas vezes, porém vocês diziam que era só um truque de mágica...
— É muita coisa para aquela cabeça dela — Rin riu indo em direção ao quarto de sua melhor amiga.
Desde a noite anterior, quando Sona havia chamado as duas garotas em um canto, contando sobre bruxas, e dizendo que sua família tinha sangue de bruxas, Miku estava no quarto em estado de choque. Eram surpresas demais para que ela pudesse aguentar.
Rin entrou no quarto sem bater na porta, encontrando lá dentro a amiga deitada na cama enquanto algumas coisas estavam no ar, logo acima dela. Seria engraçado caso a loira fizesse algum barulho e assustasse a mais velha, porém ela decidiu não fazer nada.
— Ainda não saiu daí? — a loira perguntou ficando ao lado da cama.
— Se for provocar, saiba que irei jogar isso tudo em você — Miku falou baixo. — Pelo menos, agora posso arrumar meu quarto mais facilmente.
"Miku… Você não sabe aproveitar nem mesmo mágica…" Rin pensou sorrindo.
— Você sabe que não pode sair contando para todos, não sabe? — a loira perguntou rindo.
— Claro que sei! — a mais velha se exaltou um pouco, deixando os objetos caírem no chão. — E-eu tenho cara de burra?
A mais nova respondeu com um aceno positivo de cabeça, enquanto ria dos objetos quebrados no chão. Ela não ria verdadeiramente dos objetos, ela ria da possível reação de Sona quando visse aquilo. Miku estaria encrencada.
— Eu sou a burra? — ela questionou sorrindo. — Pelo menos não namoro um vampiro.
— N-não namoro um vampiro — Rin murmurou ficando vermelha.
— Só dorme com um, certo?
— Você está muito animada para quem sofria há poucos minutos — a loira falou cruzando os braços. — Volte a sofrer.
— Não estava sofrendo, Rin — Miku falou ríspida. — Acabei de descobrir que minha avó é uma bruxa, e que eu também sou uma. Imagine minha vida agora? Sei que sou meio estranha, porém ser bruxa é demais!
— Não é como se fossem te queimar no centro da cidade — a loira disse jogando-se em cima da amiga na cama. — Mudando de assunto… Como está a Luka?
Miku demorou muito para responder. Ela não se sentia bem falando de Luka, principalmente sabendo do estado que ela se encontrava. Rin não sabia como a rosada estava, Oliver não havia a deixado ver a vampira. Esse foi o único momento que os dois conseguiram se falar de verdade, mesmo quase brigando.
— Se eu disser que ela está bem, vai ser uma grande mentira… — ela suspirou. — Ela está um pouco melhor, mas não quer tomar sangue.
— Eu também não iria querer — Rin sentou-se na cama, encarando a amiga que permanecia deitada na cama. — Ela sempre foi uma pessoa certa, não sei como ela conseguiu tomar sangue da primeira vez.
— Ela tinha duas opções: Tomava sangue humano ou morria — a loira imaginou mil e um motivos para escolher "morrer" por um momento. — Ela escolheu a melhor opção.
— A melhor ou a que você a obrigou a escolher? — Rin perguntou pressionando a amiga um pouco. — A Luka não é nenhuma suicida, porém, não é tonta. Ela sabe que é melhor morrer do que se tornar um ser que suga sangue.
O silêncio se fez presente no quarto. Miku começou a se sentir um pouco mal por ter forçado Luka a tomar sangue humano. Ela não queria perder mais uma pessoa importante para si. Depois de ouvir o que a melhor amiga, ela percebeu o quão egoísta fora.
Rin se mantinha calada por que sabia que Miku havia convencido Luka a beber sangue mesmo sendo contra sua vontade. Ela conhecia bem as amigas, sabia do jeito convincente de Miku e da submissão de Luka. Anos de convivência causavam esse efeito.
— Já que estamos falando de vampiros… — a mais velha falou quebrando o silêncio. — Como vai a relação com o seu namorado?
— Eu não estou namorando! — Rin exclamou meio irritada. — Respondendo sua pergunta, estaria melhor se eu pudesse vê-lo. Nem saí da sua casa esses dias. Mas aposto que ele está muito bem.
A mais nova fincou as unhas na cama da amiga ao se lembrar da cena de Len e Lenka se beijando. Ela ainda sentia raiva do que havia visto, mesmo tentando esquecer ao máximo. Rin sabia disfarçar o ódio, porém não conseguia passar pelo "detector de mentiras" de Miku.
— Senti uma certa tensão…?! Rin, por acaso você está escondendo algo de mim?! — a mais velha perguntou encarando a amiga. — Conte para a Titia Miku o que te aflige.
— Estou normal como sempre — a mais nova falou causando risadas da outra garota.
— Claro… Você não está tendo mais uma crise de ciúmes — Miku ria alto. — Lembro quando o Oliver começou a namorar a Yuki. Você a fez sofrer tanto que ela terminou tudo com ele e saiu daqui o mais rápido que pôde — ambas começaram a lembrar-se da cena de anos atrás. — Você está tendo mais uma crise de ciúmes!
"Que pena do vampiro… Ele não sabe que não deve-se deixar a Rin com ciúmes?" a garota de cabelos turquesa pensava e também ria, deixando a loira confusa.
— Talvez eu esteja com ciúmes...
Ver a mais nova dando-se por vencida, Miku se animou. Ela sempre gostou de ver brigas de perto, então, ver Rin com ciúmes prestes a entrar em uma possível briga a deixava ansiosa. Nada era pior que a loira com ciúmes.
— Quem é a garota que está provocando isso? É uma vampira?
— Sim… É uma "amiga" — Rin bufou.
— Sabe, Rin, eu adoraria continuar esse assunto, porém tenho que sair e já estou atrasada — Miku levantou-se da cama, olhando para o relógio jogado no chão. — Tenho um encontro e não posso me atrasar mais uma vez.
— Irá sair com o Kaito? — a mais velha assentiu animada. — Sabe que está acabando com o casamento dele, certo?
— E daí, a esposa dele é uma chata, mesmo… — deu de ombros.
— Eu acho a Meiko-san legal. Ela vivia dando-me doces quando eu era criança.
— Por isso que você é gorda até hoje — a mais velha saiu rindo sem dar uma chance de Rin responder a provocação.
Miku sabia agir de maneira infantil quando queria, esses momentos irritavam Rin quase sempre. Normalmente, acontecia uma pequena "guerra" entre as duas. Guerra que Miku sempre ganhava. Poucas foram as vezes que a loira dera o golpe final. Porém todas as vezes foram devastadoras.
— Não sou gorda… Só sou fofa — ela murmurou fazendo pirraça.
XxX
A noite caíra devagar. Na aldeia, ninguém estava na rua. O lugar que a noite já se igualava a uma cidade fantasma, estava pior agora. Rin era a única que se arriscava a andar por ali a noite. Desde o dia anterior, quando o anúncio de que haviam vampiros próximos a aldeia, foi decretado estado de pânico. Como a loira sabia que não aconteceria nada com ela, não tinha porquê ter medo.
Rin queria pegar algo em sua casa, e havia insistido em ir sozinha. Miku tentou se oferecer para acompanhá-la, mas a mais nova recusou. Ela queria ficar um tempo longe de Miku. Ela queria um tempo sozinha, e depois disso, ela iria ver Len.
A competição ainda estava valendo, não era algo que podia ser esquecido facilmente, ainda mais quando o orgulho estava no meio. Ambos eram orgulhosos, e ceder ao desejo significava uma ferida no orgulho excessivo. Por isso era tão importante para Rin vencer tudo.
Ela permanecia em alerta de qualquer forma. Mesmo sabendo que Len não iria fazer nada com si, o verdadeiro perigo era Lenka. A vampira parecia não ter medo de andar pela aldeia, afinal, as duas ficaram sozinhas juntas mais de uma vez. E além do mais, Rin tinha certeza de que fora ela quem transformara Luka em vampira. Ela não comentou sobre nada com os amigos, achou melhor ficar calada sobre isso. Era melhor ficar quieta até ter completa certeza.
— Olá, Rin…
"Pense no Diabo e ele aparece…" Rin pensou rindo de maneira irônica.
— O que você quer, Lenka? — virou-se rapidamente para encarar a mais nova. — Não estou com paciência para você, hoje.
— Não pense que estou aqui por completa vontade própria — a vampira revirou os olhos. — Hoje acordei com uma estranha vontade de fazer uma boa ação, então aproveite.
Rin não sabia se ria ou ficava surpresa. Quando as duas se conheceram, Lenka parecia ser a pessoa mais fofa de todas. Agora, ela mostrava um outro lado, um lado mais mal, porém sexy, que chamaria a atenção de qualquer ser do sexo masculino. Rin jamais conseguiria fazer algo assim, então sentia uma certa inveja da vampira.
— O que quer dizer com isso? — Rin perguntou contendo a vontade de rir.
— Hoje estou com uma incrível vontade de fazer coisas boas, então decidi te procurar para contar umas verdades… — a mais nova falou de maneira enigmática.
— Como se eu quisesse te ouvir…
— Como se você tivesse opção — Lenka debochou rindo. — Pretendia contar-lhe coisas "lindas" sobre meu irmão, mas pelo visto, você não quer ouvir.
— Sobre o Len…
Logo a opinião de Rin mudou. Ela sabia que haviam coisas que haviam coisas que Len não a contava, porém será que era mesmo seguro saber essas coisas por Lenka? Ela sabia que a vampira não era confiável, porém ela não confiava totalmente em Len.
— T-tudo bem — ela se deu por vencida. — O que quer falar do Len?
— Nada demais — Lenka deu de ombros. — Só quero lhe dizer que ele não é o que parece.
— Não é o que parece?
— Não é — a vampira sorriu. — Ele é…
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