Sadistic Vampire
5 Siblings' Game
Notas iniciais
Após se despedir de Rin, Lenka tirou o falso sorriso do rosto e riu como se fosse uma bruxa. Tudo estava sendo fácil demais. Isso a dava vontade de rir até seus últimos momentos. Quando ela parou, se dirigiu à entrada da floresta murmurando o quanto aquele vestido a incomodava. Lenka tinha que usar aquele tipo de roupa na aldeia. Seria muito estranho se ela fosse vista com as roupas do irmão que usava normalmente.
Ela não estava com pressa, não precisava correr já que ainda tinha a noite inteira pela frente. Mesmo assim, ela queria voltar para "casa". Aquele cheiro estava a deixando louca, se não fosse o seu auto controle teria sido o fim da outra loira. Mas mesmo que quisesse muito, Lenka não podia fazer nada com Rin. Foi uma das condições do acordo que fizera com Len. Ela não podia se alimentar na aldeia. Aquilo já era esperado, afinal o mais velho nunca fora uma pessoa que soubesse dividir. Isso sempre deixou as coisas mais divertidas para Lenka.
Len observava a irmã caminhar de volta para a floresta em cima de uma árvore, sem seu sorriso cínico de sempre no rosto. Rin e Lenka andando juntas havia o irritado profundamente. Era ciúme. Só não tinha como dizer se era de sua irmã ou de Rin. Talvez fosse das duas. Porém a raiva era somente de Lenka.
— Len… Sei que está aí — a mais nova disse parando por um momento é então o garoto pulou de onde estava, caindo atrás da loira. — Por que me seguiu?
— Eu queria saber aonde minha querida irmãzinha ia — os dois se encaravam como se fossem inimigos.
— Você é curioso, nii-chan — a loira se aproximou do irmão, deixando seus rosto próximos. — Tenho certeza que esse não é o principal motivo.
— Você é um ímã de problemas, Lenka — Len empurrou a mais nova um pouco fraco, só para afastá-los um pouco. — Tenho meus planos, não vou te deixar sozinha e te ver estragar tudo.
A garota então abriu o maior sorriso que pôde. Deixando o mais velho com uma expressão confusa. Logo ela pôs-se a rir alto, ainda encarando a face do irmão com um certo desdém, mas sem perder sua já conhecida expressão inocente.
— Quer mesmo que eu acredite nisso irmãozinho? — seu tom de voz deixou de ser o "bobo" e voltou a ser o "irônico" habitual. Len continuou encarando a mais nova com a mesmo expressão. — Tem certeza que não é por causa da garota?
O olhar de Len ficou sério de uma hora para outra. Ele rosnou deixando as presas à mostra, mas aquilo não assustou a loira. Na verdade, ela havia conseguido a reação que queria vinda do irmão. Pelo visto ela tinha tocado em um assunto 'interessante' por assim dizer.
— Não sei de quem você está falando — Len usou o pouco bom senso que tinha para controlar a vontade de estrangular a caçula.
— Não sabe?! — Lenka riu alto. — Não sou idiota… Tenho certeza que você me seguiu por causa da Rin…
Era óbvio que o mais velho estava se controlando para não fazer algo que se arrependeria depois. Já a mais nova estava provocando mais do que tinha imaginado. Aquilo ainda o início da conversa, e os dois sabiam disso. A partir dali, as coisas só iriam piorar cada vez mais. Era como se fosse um jogo. No momento, Lenka ganhava por estar tirando o irmão do sério.
— Senti o cheiro dela no colar em cima da sua cômoda Len — ela ficou séria por um instante. — Quer começar a me contar o que está acontecendo?
— Lenka, acho melhor você não se meter nisso — o garoto rosnou novamente.
— Você nunca dividiu comida… E também não deixa presas vivas por muito tempo — os dois agora estavam próximos. Len estava com raiva enquanto Lenka só se divertia. Aquilo iria mudar em breve. — Irmãozinho… O que está acontecendo com você?
A mais nova começou a passar os mais pelo braço fortes do irmão até subir e chegar no pescoço do mais velho. Para Len era óbvio o que sua irmã estava tentando fazer. Ele não queria deixá-la no controle do que acontecia, porém, Lenka não sabia o que passava na mente do garoto. Ela se surpreendeu quando seu irmão a puxou para um abraço. Essa não era a reação esperada vindo dele, mas é claro que era uma armação.
— Vamos esclarecer uma coisa Lenka… — Len sussurrou baixo. — Faça alguma coisa com a Rin e eu te mato na mesma hora.
— Não vai me dizer que você gosta dela…?!
A frase soou mais como uma afirmação do que como uma pergunta. A loira estava curiosa para saber a resposta do seu "onii-chan". Dependendo da resposta, ela saberia como agir, seria divertido brincar com seu irmão.
— Eu?! Gostar da Rin?! — o mais velho segurou a irmã pelo ombros afastando-a um pouco fazendo com que ela olhasse em seus olhos. — Na verdade eu gosto de outra pessoa…
Quando Lenka percebeu, Len já a beijava de maneira carinhosa. O garoto não fazia o tipo romântico, mas ele sempre foi "protetor" com sua irmã mais nova. Agora ele só estava demonstrando sua forma de "proteger" a garota.
Um pouco assustada, Lenka empurrou o irmão para trás com o máximo de força que tinha. Embora sendo muita, o efeito foi quase nulo. A reação da loira já era esperada pelo mais velho, então o máximo que ele fez foi dar uma risada baixa.
— P-porquê você fez isso? — ela perguntou corando um pouco.
— Irmãzinha, achei que você fosse mais esperta — ele sorriu enquanto levantava o queixo da irmã, fazendo seus olhos azuis se encontrarem. — Garotas como a Rin são só comida. Você sabe disso… Engano, digo que amo, a levo para a cama e depois eu a mato. Do jeito que sempre fiz. A única garota que realmente importa para mim é você, Lenka.
— L-Len… — não tinha como a jovem estar mais vermelha. Parecia que o "jogo" estava sendo virado.
— Fique quieta, só um pouco…
Sem mais nem menos, Len puxou a irmã para mais um beijo. Dessa vez era um beijo mais voraz já que a caçula não estava mais surpresa. O mais velho começou a passar as mãos pelo corpo da irmã, passando por lugares que ele já conhecia bem. Aquela não era a primeira vez que os dois faziam aquilo.
O garoto começou a fazer que Lenka andasse para trás, fazendo que ela batesse em uma árvore. A loira puxava alguns fios soltos da nuca de Len, tentando de alguma forma trazê-lo para si ainda mais. Vendo o quão animada a mais nova estava, o loira passou a descer seus beijos para o pescoço de Lenka. Ele sabia que ali era seu ponto fraco, então tinha que aproveitar.
— L-Len… — ela gemeu baixo. — Quer mesmo fazer isso na floresta…?
A resposta demorou um pouco para vir. Isso a fez pensar que não teria uma resposta. Mas quando Len riu contra seu pescoço, ela entendeu o que iria acontecer.
— Desde que seja com você… — o loiro tirou os fios de cabelo que ainda insistiam em ficar na sua frente. — Eu faria em qualquer lugar.
Enfim o garoto terminou mordendo Lenka, fazendo que ela gemesse alto. Era doloroso sentir as presas de Len sugando seu sangue, mas ao mesmo tempo era prazeroso. Mesmo sendo uma vampira como o irmão, seu sangue podia satisfazer o mais velho por um tempo. Não o suficiente, porém serviria.
Quando ele soltou a irmã, ela escorregou pela árvore e se sentou no chão. Ter o seu pescoço mordido sempre pareceu cansa-lá, o motivo era claro, mas mesmo assim o garoto insistia em continuar fazendo isso.
Vendo que Lenka não parecia estar bem, Len, sendo um "bom irmão" a pegou no colo, deixando a cabeça da loira bater em seu peito enquanto ela respirava um pouco ofegante. Ter o sangue retirado não fazia bem para a mais nova, mas é claro que Len não se importava. Nunca se importou.
— Por que você sempre faz isso comigo? — Lenka perguntou baixo, mas não definiu se estava se referindo a mordida ou pegá-la no colo.
— Lenka, eu já disse que eu te amo — ele sorriu. — Mas têm vezes que você me irrita um pouco.
— Len… Você é o ser mais falso que eu conheço…
Dito isso Lenka acabou desmaiando, como sempre acontecia. O mais velho pareceu não se importar com o que foi dito pela loira, afinal, de todas os adjetivos que ela já tinha usado com ele, "falso" deveria ser um dos mais leves.
Ele tinha que aproveitar que a irmã estava desacordada e usar isso a seu favor. Nos últimos dias, Lenka estava lhe dando dor de cabeça. Seria agora a hora que Len ensinaria para a mais nova a nunca mais se meter em seus planos.
XxX
Quando a mais nova acordou na manhã seguinte, ainda se lembrava de tudo que tinha acontecido na noite passada. Len estava deitado ao seu lado, não dormindo, mas sim descansando. A noite dos dois havia sido longa.
Ela suspirou ao ver o irmão daquele jeito. Lenka sabia que parte da culpa dos dois serem o que são hoje é dela. Na verdade, a maior parte da culpa era dela. As vezes ela sentia vontade de voltar aos tempos de ser criança quando ela e Len eram bastante próximos, os tempos em que dormiam juntos, se metiam em confusões... Ela queria que as coisas voltassem a ser como antes.
Lenka passou a mão pelo pescoço, vendo que as marcas das mordidas da noite passada já tinham sumido. Essa, em sua opinião era a única parte boa em ser uma vampira. O resto ela odiava, porém fingia que gostava.
Depois de alguns minutos de silêncio, ela começou a se recordar de momentos passados. Momentos que ela gostaria de reviver pelo menos mais uma única vez.
— Len-nii-chan, olha! — a mais nova gritou assustando o garoto ao seu lado.
— Vem!
A garota puxou seu irmão pelo campo, fazendo dar passos que quase o levavam ao chão. Mesmo sem entender o motivo da animação de sua irmã mais nova, porém como ele não tinha opção.
— Lenka-chan, devagar por favor — o loiro ria enquanto seguia a irmã pelo local, indo até uma área um pouco mais afastada. — Lenka-ch…
O garoto acabou caindo no chão, fazendo com que sua irmã começasse a rir de sua queda. Ele também riu um pouco, mas enquanto ria ele puxou a mais nova pelo braço de uma forma que ela caísse em cima dele.
Os dois ficaram se olhando por um tempo após pararem de rir. Lenka não era uma criança gordinha, mas Len tinha somente nove anos. Não conseguiria ficar com a irmã por cima de sua barriga por muito tempo. Então, quando a loira menos esperava, ele a colocou contra o chão e começou a fazer cócegas na mais nova, fazendo-a chorar e berrar de tanto rir.
— L-Len… P-para — ela começou a bater no irmão para que ele a soltasse. — Nii-chan!
Quando a loira gritou, Len a soltou, dessa vez ficando por cima dela rindo assim como ela. A mais nova empurrou o irmão deixando-o ao seu lado. Os dois respiravam ofegantes por causa de suas crises de riso.
— Lenka-chan, porquê você me trouxe aqui mesmo? — ele perguntou olhando para a irmã.
— Ah, sim — ela sorriu fazendo um pouco de força para ficar de pé. — Olha as boboletas!
Enquanto se levantava, Len riu da pronúncia errônea da irmã. Mesmo com sete anos Lenka ainda tinha alguns problemas em falar certas palavras. Ele a abraçou por trás fazendo um carinho carinho em sua cabeça.
— Lenka, é "borboletas", não "boboletas" — ele sorriu. — Quer que eu pegue uma para você?
— Quero! — ela começou a pular animada com a ideia do irmão.
Len seguiu para próximo das borboletas, para ver se conseguia pegar uma para mostra-se à mais nova. Demorou um certo tempo até que ele conseguisse pegar a borboleta. Mesmo sendo muitas, elas pareciam não querer facilitar, e por fim, ele terminou pegando uma roxa.
— Lenka, vem aqui — Len estendeu a mão para a irmã e a trouxe para o seu lado. — Não faça muitos movimentos, se não pode assusta-lá — a mais nova maneou a cabeça positivamente, mas sem tirar os olhos do inseto que andava na mão do irmão.
Ele viu o quanto a mais nova olhava fascinada para a borboletas. Aproveitando isso, ele colocou o inseto no nariz de Lenka, deixando escapar uma leve risada. O mais velho sorria ao ver a face um pouco vermelha por causa da borboleta, até que Lenka espirrou e fez com que o animal saísse voando. Os dois olharam para cima, tentando encontrar no céu a borboleta roxa com a qual brincaram.
— Ah, Len… Pega outra! — Lenka começou a bater um pé chão com força.
— Lenka-chan, viu o tempo que eu levei para pegar aquela? Sinto muito, não vou pegar mais uma — Len abraçou a irmã deixando-a quase sem ar por alguns instantes. — Está ficando tarde. Vamos para casa.
As crianças entrelaçaram as mãos e voltaram para casa enquanto corriam, gritavam e algumas vezes se abraçavam.
Isso a fez lembrar das palavras doces ditas pelo irmão na noite anterior. Todas eram falsas. Ele nunca diria coisas assim se não fosse para usá-la em algum plano. Lenka sempre fez o que Len pedia, só para ouvir o mais velho dizer o quanto a amava. Ela se fazia de boba como sempre fez. Esse velho truque sempre lhe deu tudo, e como seu irmão ainda caía nisso era algo incompreensível para a loira.
Lembrando desses bons tempos, ela começou a pensar quando as coisas começaram a sair do controle. Ela tinha quinze anos e Len tinha dezenove. Foi nessa época que os dois começaram a se distanciar. Teve um tempo em que mesmo morando na mesma casa, os dois mal se falavam. Nem pareciam mais os irmãos tão unidos que eram quando crianças. O fundo do poço ela se recordava bem de quando foi. Se lembrar daquilo fazia que seu ódio à Len só aumentasse.
— A quanto tempo você está acordada? — a voz de Len soou no quarto assustando à Lenka.
— Faz um tempo — ela respondeu baixo.
— Você parece deprimida — o mais velho se virou para a irmã, com uma expressão curiosa sobre a irmã. — O que foi?!
— Só estou pensando…
Len conhecia a irmã muito bem. Conhecia todas as suas expressões. Ela parecia estar triste, mas um pouco feliz ao mesmo tempo. Ele já sabia sobre o que ela estava pensando.
— Lenka, pare de pensar na nossa infância — os dois trocaram um olhar rápido, porém que "disse" todas as palavras que eles pretendiam dizer. — Isso não te faz bem. Você sempre fica mal quando começa a pensar sobre isso.
— Era a melhor época da minha vida, Len — Lenka rosnou. — A única que você não estragou.
O mais velho soltou uma risada sarcástica. Len deu um jeito de deixar sua irmã presa por cima de si, assustando-a com o movimento brusco.
— Não volte à esse assunto Lenka! Não gosto de falar da nossa infância, você sabe disso — Len disse tentando manter a calma.
Demorou alguns segundos até que a caçula conseguisse responder ao irmão. Tirando o fato de que ela se sentia um pouco incomodada por estar em cima de Len sem roupa alguma, qualquer coisa que ela dissesse ele poderia usar depois. O certo era Lenka ficar em silêncio, porém, a loira não era uma pessoa certa.
— Você não era assim — sua voz saiu que nem um sussurro.
— Lenka, essa é a última vez que lhe digo isso— o mais velho suspirou. — Pare de viver no passado. Nada vai fazer aqueles tempos voltarem! Nada vai fazer a mamãe e o papai voltarem!
Demorou alguns segundos para que o mais velho percebesse o que tinha acabado de falar. Se a infância dos dois era um assunto proibido, falar de seus pais era quase um tabu. Quando Len notou a expressão triste da irmã, por um impulso ele a abraçou deixando que a cabeça dela batesse em seu peito nu. Não demorou muito para que Len sentisse algumas lágrimas contra sua pele.
A última vez que o loiro tinha visto sua irmã chorar havia sido a mais de dez anos. Daquele jeito ela parecia um bebê em seu colo. Normalmente ele estava acostumado a usá-la para conseguir comida, porém o jeito que ela se encontra agora o lembrou de quando Lenka tinha medo de trovões e sempre era ele quem tinha que ficar com ela. Len detestava falar ou pensar sobre os tempos que era humano. Se sentia bem como era agora.
— Lenka…
Os olhos da mais nova se encontraram com o do irmão. Eles estavam inchados e um pouco vermelhos. Já o olhar de Len era… Indescritível. Ele parecia confuso. Mas de certa forma estava, porém havia achado um jeito de mudar de assunto.
— Preciso que você me faça um favor…
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