Sadistic Vampire
6 Girls' Day
Notas iniciais
O dia havia amanhecido nublado. Naquela manhã Rin estava decidida a limpar sua casa. A loira não era a melhor em trabalhos domésticos, porém sabia se virar. Usar uma vassoura talvez fosse a única coisa que ela soubesse fazer sem precisar pedir ajuda. Ela parecia travar uma guerra com a poeira, uma guerra na qual estava perdendo.
Fazia tempo que Rin não limpava a casa, não era a sua atividade favorita, mas como já era adulta, tinha que fazer isso mesmo contra sua vontade. Normalmente ela arrumava uma desculpa para Gumi fazer as tarefas para ela, porém a loira não via a garota de cabelos verdes desde o dia anterior.
Luka e Miku tinham a visitado mais cedo. A rosada parecia um pouco mais animada, pelo que ela disse, iria viajar por alguns dias para passar um tempo com seu "namorado", e a turquesa se desculpou pelo que quase tinha dito na tarde anterior. Como sempre, Rin aceitou e passou por todo o processo que acontecia entre as duas quando algo assim acontecia. Por sorte, Luka arrastou Miku para fora da casa da loira,assim deixando-a sozinha por um tempo.
— Rin, tem certeza que não quer ajuda? — a garota perguntou baixo, balançando as pernas para frente e trás como uma criança. — Você parece um pouco perdida.
— Obrigada, mas eu estou bem — Rin falou de forma rápida. O silêncio reinava a tanto tempo que ela já havia esquecido a presença da loira.
— Não parece que você está bem — Lenka disse sorrindo. — Mas como você não quer ajuda…
Fazia algum tempo que Lenka tinha aparecido de surpresa na casa de Rin. Inicialmente, a mais velha estranhou a visita inesperada da outra loira, ainda mais por ela ter falado que era uma pessoa noturna na noite passada. Porém, Rin acabou se rendendo a expressão fofa da mais nova.
— Diga-me, Lenka… Tens mesmo dezenove anos? — a mais velha disse do nada, fazendo que a outra loira estranhasse a pergunta.
— Sim, eu tenho dezenove anos — a resposta veio acompanhada de uma risada um pouco nervosa. — Mas porquê você está me perguntando isso?
— Você não parece ser um ano mais nova do que eu… Você é tão infantil…
Lenka arregalou os olhos em indignação pelo que a loira disse. Se não fosse o acordo que tinha feito com Len, agora Rin já estaria morta. Mas como a mais nova tinha um pouco de bom senso, suspirou fundo e voltou ao seu "teatro".
— Você não é a primeira que diz que não pareço ter a idade que tenho — ela sorriu. — É bom parecer ser mais nova do que realmente sou.
Rin estranhou o que foi dito pela mais nova, porém achou melhor ficar quieta. Ela já tinha notado o quanto Lenka era estranha. Por mais que ela parecesse ser a pessoa mais infantil da terra, ainda era assustadora.
A mais velha voltou a limpar a sala enquanto era fitada pela mais nova, que sorria como sempre. Rin muitas vezes já se pegou pensando o porquê de sempre parecer atrair pessoas alegres quando queria ficar distante delas, esse momento era uma dessas vezes. Sua amiga de cabelos verdes era uma exceção, já estava acostumada, porém a loira… Ela não sabia como defini-la.
— Lenka… Se quer tanto ajudar-me, pegue um pano que está dentro do armário da cozinha — a loira disse subitamente.
— Estava esperando você me pedir algo assim — a mais nova pulou da cômoda de Rin, que era onde estava sentada e foi em direção ao local que achava ser a cozinha. — É aqui, certo?
A mais velha assentiu devagar e em seguida suspirou fundo. Ela só havia mandado a mais alta para o outro cômodo para se livrar dela. O olhar da mais nova estava a deixando um pouco nervosa. Era incrível como as pessoas que Rin não queriam ver sempre apareciam quando ela queria ficar sozinha. Não que a loira tivesse algo contra Lenka. Somente algo lhe dizia para não ficar perto dela.
A conversa com Oliver havia a feito pensar sobre seus sentimentos, havia a feito pensar sobre Len. Não era possível que ela estivesse mesmo se apaixonando pelo vampiro. Vampiro… Caso alguém lhe dissesse que é um, provavelmente ela teria rido, porém agora ela acreditava.
Rin tinha que falar com ele de algum jeito. Ela sabia onde ele morava, mas não sabia o caminho inteiro para chegar lá. Quando os dois se viram pela segunda vez, ela estava no meio da floresta, isso a fez pensar que não seria tão difícil encontrar Len.
— Rin…! — a voz da mais nova foi ouvida um pouco alto.
A loira suspirou novamente. A paz que tanto queria era algo que não teria. Um pouco a contra gosto, ela foi até a cozinha ver o que Lenka queria.
Assim que ela chegou perto da divisão entre os dois cômodos, logo pôde ver a mais nova na ponta dos pés com uma das mãos dentro do armário. Procurando o que Rin havia lhe pedido.
— O pano está aqui, porém eu não o alcanço — ela suspirou. — Se você é mais baixa do que eu, como consegue alcançar isto?
"Normalmente Luka limpa a casa, e não eu… Tudo bem que existem vezes que é Gumi quem limpa, mas isso não vem ao caso" Rin pensou. Claro que sua amiga tinha colocado o pano lá. Afinal, por qual motivo ela colocaria algo que poderia precisar a qualquer momento em um lugar alto? Não fazia sentido.
— Tem certeza que não está conseguindo alcançar? — a mais nova assentiu levemente. — Então esqueça essa história de limpeza. Sente no sofá, eu faço um chá para nós.
A mais nova bateu umas palminhas enquanto sorria por causa da ideia do chá. Rin achava que não tinha como o comportamento de Lenka piorar, mas, como lhe diziam quando era criança "Tudo o que é ruim tem tendência a piorar", isso se aplicava a essa situação.
Os olhos azuis de Rin fitaram a janela por alguns segundos. Mesmo ainda sendo de tarde, estava um pouco escuro. Era o sinal de que seria uma noite chuvosa. Depois que se livrasse de Lenka, iria passar a noite na casa de Miku, do jeito que sempre fazia quando chovia.
Fazer chá não era a especialidade da loira. Como dizia Oliver, sua especialidade era ficar de cara fechada. Porém, ela sempre soube virar bem quando o assunto era cozinhar. Mas isso não quer dizer que ela soubesse mesmo cozinhar.
Em alguns poucos minutos, o bule já havia fervido e então Rin o tirou do fogão à lenha, apoiando-o em cima do projeto de balcão que tinha ali. Não havia queimado a casa e o chá parecia estar bom. Era um avanço é tanto para a loira.
Com a ajuda de um pano de prato, ela levou o bule junto à duas xícaras para a sala, lá encontrando a mais nova brincando com os dedos.
— Alguém pediu chá?! — Rin exclamou colocando a bandeja em uma pequena mesa, em seguida se livrando do pano jogando-o longe.
— Não sou a maior fã de chá, mas pelo cheiro deve estar bom — Lenka sorriu pegando uma das xícaras e derramando o líquido quente nela.
"Espero que esteja bom" Rin pensou meio aflita.
A loira pegou a xícara e levou até perto dos lábios, tendo cada um de seus movimentos observados pela mais velha. Ela revirou os olhos. "Meu irmão é louco por achar essa garota atraente!", ela pensou enquanto bebericava um pouco do chá porém cuspindo tudo logo depois. Lenka começou a tossir colocando as mãos na garganta, quase deixando a xícara cair no chão.
— R-Rin… Por acaso você deixou esse chá esfriar um pouco?! — Lenka perguntou olhando com uma certa raiva para a garota sentada à sua frente.
— Erm… Não… — ela suspirou.
— Está quente demais, meio amargo…
— Você disse que não gosta de chá, mas como sabe de tudo isso? — a mais velha questionou.
— Sei que está quente pelo fato de que quase ter queimado minha garganta — ela disse com um pouco de indiferença. — E sei que está amargo porquê ainda têm folhas no chá.
Ela tirou uma folha de sua xícara para provar o que ela tinha falado, causando um olhar triste vindo de Rin.
— Não faça essa cara — Lenka sorriu colocando a mão no ombro da loira. — Também não sei como faz chá. Só sei que usam folhas e água.
As duas riram por alguns momentos. Rin não era uma pessoa que costumava rir muito. Ainda mais sendo de sua própria desgraça. A loira não sabia bem quando tinha se tornado uma pessoa sem emoções. Alguns achavam que era pelo fato dela ter visto a morte dos pais quando criança, já outros diziam que ela nascera assim. Tudo era mentira. Houve uma época em que a loira foi feliz, porém ela mesma não se lembrava sobre esse tempo.
— Era mais fácil para mim ter oferecido pães — ela baixou o olhar por um momento, mas levantou ao ouvir uma risada.
— Se fosse isso eu teria que recusar — Rin a olhou como se perguntasse o motivo. — Não sou de comer muito.
— Também não sou, mas pessoas normais têm que comer pelo menos alguns pães! — a mais velha afirmou um pouco exaltada.
— Quando foi que eu disse que era uma pessoa normal?! — Lenka disse com seu jeito infantil, assustando a garota de olhos azuis.
Um silêncio incômodo se estabeleceu no local. Na concepção de Rin, Lenka já era estranha, agora no mínimo a mais nova era assustadora. Se a mais velha já queria se livrar dela antes, nem tem mais como comparar.
— Não faça essa cara! Venha, eu faço um suco para nós — a mais nova sorriu se levantando sendo seguida pela mais velha um pouco confusa. — Sorria, Rin!
— Eu não sorrio — a mais velha cruzou os braços.
— Eu irei te fazer sorrir, não se preocupe — Lenka falou olhando para Rin de um modo maldoso.
— Não vou me preocupar — ela deu de ombros. — Por acaso você sabe fazer suco?
— Água… Frutas… Se você tiver laranjas acho que consigo fazer esse milagre.
Por incrível que pareça, a loira tinha algumas frutas em casa. A ideia de fazer um suco era bem melhor do que a do chá e era muito mais fácil de se fazer. Ela nem pensou nessa opção.
As duas seguiram para a cozinha, e lá Rin tirou uma cesta de frutas de um armário, seria perfeito para a mais nova fazer o que tinha sugerido. Lenka parecia saber o que estava fazendo, diferente da mais velha quando tentou fazer algo para elas beberem.
— Você está fazendo isso melhor do que eu — Rin riu um pouco baixo. — Desde quando você faz isso?
— Quando eu aprendi a fazer suco?! Você está mesmo me perguntando isso?! — Lenka virou para a loira rindo enquanto girava a faca que usava para cortar as laranjas. — Respondendo sua pergunta, minha mãe me ensinou a fazer essas bobagens quando eu era criança. Foi a muito tempo, mas não dá pra esquecer.
Ela não demonstrou que estava triste ao falar, porém Rin tinha notado o tom tristonho. Com certeza ela iria perguntar sobre isso depois.
— Eu acho que está pronto — Lenka sorriu.
"Mas já?!" A mais velha pensou surpresa. Quando ela percebeu, tinha uma jarra cheia de um líquido alaranjado e dois copos cheios sendo segurados pela mais nova sorridente. "Por qual motivo eu só atraio pessoas bipolares?" Ela pensou sorrindo involuntariamente.
— Sabia que uma hora iria te fazer sorrir! — a loira começou a pular quase deixando o suco derramar.
— Poderia comemorar sem sujar o meu chão?! — Rin disse cruzando os braços.
Lenka deu um dos copos para a mais velha, fazendo que por alguns segundos suas mãos se tocassem. A pele da mais nova era fria. Muito fria. Logo Rin puxou o copo, bebendo do líquido para não ter que falar sobre o que tinha acabado de acontecer. O suco estava bom, não parecia ter sido feito em alguns minutos.
— Está muito bom…! — ela exclamou um pouco alegre.
— Obrigada! — Lenka sorriu. — Rin, é impressão minha ou está chovendo?
A mais velha direcionou o olhar para a janela. Caíam algumas gotas, mal dava para ouvir o barulho vindo do lado de fora. Se Lenka não houvesse perguntado sobre o chuva, ela nunca teria percebido as gotas que começavam a ficar pesadas.
— Pelo visto está sim — a loira falou baixo indo em direção à janela fechando-a logo em seguida. — Provavelmente irá piorar em pouco tempo.
— Então acho melhor eu ir para casa, se eu demorar demais irei preocupar meu irmão — a mais nova disse deixando o copo de suco ao lado da jarra. — Não quero pegar chuva, se vai piorar eu irei agora.
As duas foram em direção à sala em um completo silêncio. Rin estava perdida em seus pensamentos. Ela pensava sobre a noite que iria passar com sua melhor amiga. Miku iria lhe perturbar a noite inteira. Ela tinha que se preparar para não socar a amiga quando esta começasse a ficar muito irritando.
Já Lenka sorria. Não de felicidade, mas sim pela ingenuidade da loira. Quando Len contou sobre o que pretendia sua primeira reação foi rir. Porém agora vendo que estava tudo dando certo, ela estava surpresa.
As loiras estavam tão distraídas que quase pularam de susto ao ver a porta ser "arrombada" e um ser de cabelos meio esverdeados aparecer gritando de forma desesperada. Miku parecia cansada, e estava um pouco molhada, dava para perceber que ela tinha corrido muito para chegar até ali.
— Miku! Você está louca?! — Rin gritou.
— Rin… — a garota começou enquanto normalizava a respiração.
— Sim, Miku, o que é?
— A Gumi sumiu…
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