Sadistic Vampire
20 I "Don't" Love You
Notas iniciais
Fria. Muito fria. Era assim que a noite estava. Cortando o silêncio que instalava-se na escuridão, os passos da jovem loira eram a única coisa que ecoava no local. Ela tentava correr o mais rápido que conseguia, caso não fizesse isso, ela seria morta.
Sua mente dizia para que não parasse de correr, mas seu cansaço a impedia de continuar. Sua vontade era de desistir. A loira parou próxima a uma árvore, observando a trilha que ainda precisava prosseguir, o caminho era longo demais, não teria como prossegui-lo por muito tempo.
De tanto correr, seus pés doíam, a dificuldade para correr parecia aumentar cada vez mais. Seus sentimentos estavam confusos, após ver seus amigos serem mortos pela pessoa que mais amava, isso já era esperado.
Os olhos azuis da loira encontravam-se marejados. Ela havia chorado por horas, e ainda chorava um pouco, algo que não fazia a tempos. Seu coração estava quebrado, completamente despedaçado. Ela se sentia traída. Traída pela pessoa que mais confiava. Traída por seu amor.
Com certeza dificuldade, a loira voltou a correr, tentando não olhar para trás. Ela sabia que estava sendo perseguida, se não olhasse para trás, não teria que encarar quem a perseguia. Sua pouca esperança de conseguir fugir pareceu sumir quando sentiu alguém puxá-la para trás sem delicadeza alguma.
— Te peguei…
Rin acordou assustada e muito ofegante. Ela sentia-se sufocada, com dificuldade para respirar. Seus olhos percorreram o quarto, parando na janela. A luz que entrava pela janela demonstrava que o sol brilhava forte. Depois de chegar na casa de Luka, a primeira coisa que a loira procurou fazer foi dormir, embora tivesse acordado algumas vezes durante a noite, a noite foi calma em sua opinião.
A vampira passou a noite lendo alguns livros. Um pouco depois que a mais nova apagou em sua cama, ela procurou por seu irmão, afinal, sua sede não se saciaria sozinha. Ela não gostava da relação amorosa entre irmãos, isso ia contra seus ideais, mas essa foi a única maneira que pensou para conseguir o sangue que tanto necessitava.
Ela já sabia que a loira estava acordada, a agitação estranha que conseguia sentir em seu quarto indicava isso. Não demorou para que Rin aparecesse na sala, aparentando ter tido uma péssima noite de sono. A mais velha havia a ouvido gritar algumas vezes, mas estava ocupada demais para ver o que estava acontecendo.
— Bom dia, Rin — ela sorriu. — Viu um fantasma, por acaso?
— Só tive alguns pesadelos — a loira suspirou. — Mais de um em uma única noite é mal sinal?
— Alguns chamam de coincidência. Não deve ser nada demais, a não ser que você esteja enlouquecendo.
A mais nova riu fraco, sentando no sofá ao lado da amiga. Ela sabia que não estava enlouquecendo, seu estado mental havia passado do louco a muito tempo. Chegava quase ao nível de insanidade.
— Acho que você está certa — Rin deixou que seu corpo se afundasse no sofá. — Tenho que parar de pensar em coisas ruins… — normalmente elas acontecem.
— Não sou nenhuma sensitiva, mas sei que se você pensar demais em coisas ruins, costuma atrair isso para perto.
— Eu estava pensando nisso agora mesmo — ambas riram alto. — Você é mesmo incrível, Luka.
— Sei disso, mas obrigada por dizer — a mais velha falou vangloriando-se.
"Será que todos os vampiros são egocêntricos?" a loira pensou sem demostrar. Ela já havia notado um certo narcisismo em Len, Lenka e agora em Luka. Claro que ela sabia que a amiga tinha um grande ego, mas ele parecia estar maior de uns tempos para cá.
— Você precisa de um descanso — a vampira falou do nada. — Afastar-se de tudo pelo menos por um tempo. Rin, só uma pergunta… Há quanto tempo você não tem um tempo para você mesma? Não pense que ninguém notou essa sua mudança de humor repentina — a loira ouvia tudo de cabeça baixa, sem ter coragem para retrucar. — Não acha que está na hora de ver sua avó? Dizer as "novidades" a ela? Faça alguma coisa, mas saia daqui.
— Está querendo me expulsar daqui? — a mais nova levou um tapa um pouco forte na cabeça. — Eu gostaria de ver a minha avó, mas pelo que sei, ela voltou a morar com o vovô, e ele não gosta muito de mim — ela suspirou alto. — Devemos contar à Miku sobre você sabe o quê? Acho que ela precisa saber.
— É melhor não, e não tente mudar de assunto. Estou falando sério, isso é para o seu bem.
Quase sempre Luka assumia o papel de mãe para Rin e Miku. Ela sempre soube o que dizer, como dizer… Era uma excelente conselheira. Até mesmo nas horas erradas ela sabia como agir.
— Já pensou em se afastar do vampiro? Só um pouco, para relaxar… Caso queira, podemos ir até o lago.
Era uma proposta irrecusável para a loira. Dar uma escapada e ir a um lugar considerado proibido era bastante tentador, perfeito para alegrar o mau humor da garota. Só a ideia de ser pega indo para aquele lugar já a excitava.
— Você não presta, Luka! — ela riu ao quase berrar. — Quando vamos?
— Para chegarmos lá antes do anoitecer temos que sair daqui agora — a animação da loira pareceu sumir. — Não se preocupe com isso, já pensei no que fazer.
A vampira tirou de trás de si, uma capa preta grande o suficiente para evitar o contato com o sol. Rin a olhou com um sorriso maroto no rosto. Em nem um momento ela pensou que a amiga pudesse estar planejando algo assim.
— Quem te deu esta capa? — perguntou sorrindo.
— Sona. Ela falou que tinha algum feitiço que repelia o sol — ela suspirou antes de continuar. — Ela vai fazer muita falta.
— Não pense nisso. Se vamos ao Lago da Bruxa é para esquecer o mundo — a loira disse tentando animar a mais velha.
Para Luka, a bruxa era a mãe que nunca teve. Uma mãe melhor do que a sua. Ela nunca conseguiu entender o porquê de Miku não gostar da avó, mas sabia que a ex-melhor amiga se remoendo por nunca ter tido um bom relacionamento com a avó.
— Faz muito que não vamos lá, desde que éramos crianças — a mais nova sorriu.
A vampira somente assentiu em silêncio, pegando sua nova capa, que esperando o momento certo para ser usada. Rin a ajudou a amarrar o laço no pescoço, já que ela não era fã de usar capas. Quem sempre teve essa paixão fora a loira.
— Acho que estamos pronta para ir — a mais velha suspirou. — Faz um tempo que não saio no sol, preciso me acostumar novamente.
"Não sei se conseguiria voltar à luz depois de muito tempo na escuridão. Seria difícil me acostumar" a loira pensou vendo a garota de cabelos róseos tentar sair com uma certa dificuldade de casa.
Luka sentia seu olhos pegarem fogo, mas logo a sensação passou. Ela não sentia como se estivesse queimando, na verdade, ela não sentia nada. Parecia estar normal, como se não fosse um ser que quando exposto ao sol. Ajeitando seu capuz, ela olhou para a loira, que sorria alegre.
— Fica bem em você — a loira sorriu. — Está muito quente para que eu use a minha.
— Não que eu tenha a opção "não usar a capa" — Luka riu. — Feche a porta ao sair.
Rin riu baixo, ela sempre admirou o bom humor fora de hora da amiga. A vampira era responsável, porém era mais "criança" do que todos os mais novos. "Será que eu… Conseguiria me manter tão "eu" caso me tornasse uma vampira…?".
XxX
As duas garotas andavam pisando em vários galhos através da trilha escondida dentro da floresta. A loira era toda hora segurada pela mais velha, já que ela quase caia quando tinha que subir em troncos. A vampira já havia se livrado do capuz há muito tempo. As árvores que rondavam a trilha passaram a ficar uma por cima, cobrindo o caminho.
Rin estava em cima de um tronco, sendo segurada por Luka pela mão. A loira tentava equilibrar-se para ficar na altura da mais velha, mas quase nunca conseguia. A mais velha tentava não rir, mas sempre sorria, aumentando a felicidade da mais nova.
O caminho estava no fim, depois de uma hora caminhando, ambas estavam felizes por estarem chegando ao lago. A loira pulou do tronco fazendo a vampira se assustar um pouco, mas logo as duas voltaram a rir.
— Não me assuste assim — Luka deu um leve soco no braço da mais nova. — Pensei que você iria cair.
— Sinto muito. Esse lugar me traz boas lembranças — a loira riu.
Rin havia passado grande parte de sua adolescência quebrando as regras impostas pelos anciões. Principalmente quando essas regras envolviam lugares proibidos. O que ela nunca conseguiu esquecer, era um lugar chamado Lago da Bruxa, onde diziam que bruxas faziam sacrifícios humanos.
Ela jamais conseguiu acreditar no que diziam. Ela sempre disse que o lago era "perfeito demais para ser amaldiçoado". Não foram poucas as vezes em que a loira obrigou Luka, Miku e Gumi a irem com ela para o lago.
— Lembra quando quase me afoguei por causo do Oliver? — a mais nova riu ao lembrar da cena.
— Você não quis que ele te visse sem roupa… Ainda não acredito que você conseguiu quase morrer em um lago que eu consigo ficar em pé na parte funda — a vampira ainda tinha pesadelos com esse dia. Toda a culpa pela quase morte da loira havia recaído por cima de si.
Luka retirou algumas vinhas do caminho, exibindo o que as duas tanto procuravam. O Lago da Bruxa. Para a mais velha, o lago era o lugar perfeito para passar horas sem fazer nada. Para a loira, era perfeito para esquecer os problemas. No momento, era o que ambas precisavam.
Ambas passaram a olhar em volta, vendo que nada havia mudado desde a última vez em que haviam estado no lago. Uma clareira em um dos pontos mais afastados da floresta, com uma cascata que tornava-se um lago.
— Sabe, Rin… — a garota de cabelos rosas começou, retirando sua capa, em seguida, abrindo seu vestido. — Acho que é bom quebrar as regras as vezes.
As duas garotas passaram a despir-se para poderem entrar no lago sem maiores dificuldades. Como o lugar era proibido, não teria problemas em nadar sem roupas. Rin era um pouco mais tímida, não gostava muito de mostrar seu corpo, já Luka era desinibida, não tinha vergonha de mostrar tudo o que tinha.
— Já vai entrar? — a mais velha perguntou observando a loira imergir na água. — Como está?
— Quente, como sempre — a loira tentou ser breve. — Parece queimar a pele.
A mais velha seguiu em direção ao lago, com um certo temor por ter ouvido a loira mencionar a palavra "queimar". Ela havia feito algo e não tinha comentado com a mais nova. Algo que qualquer um julgaria ser tolice, mas parecia ser a melhor escolha.
Um pouco depois de tornar-se uma vampira, antes de aceitar o fato, ela achou melhor tentar o suicídio. Ela tomou um copo cheio de água benta, na esperança que o líquido queimasse seus órgãos internos, mas não foi suficiente para matá-la. Somente para causar uma dor insuportável.
"Se a Miku não tivesse desconfiado… Eu teria continuado até conseguir" ela suspirou, afundando sua cabeça na água quente do lago. Como não precisava respirar, não faria mal nenhum mergulhar um pouco.
Rin havia notado o que tinha sido feito pela amiga, mesmo assim acabou não se importando. A loira estava calma e relaxada de um jeito que não se sentia fazia tempos. Na verdade, suas emoções pareciam ter se fundido somente em amor e tristeza depois que conhecera Len.
— Luka, você está me ouvindo? — ela perguntou suspirando um pouco cansada, recebendo algumas bolhas em resposta. — Poderia escutar-me um pouco? — mais bolhas subiram. — Acha certo desistir de viver por causa de um amor? Não sei se devo desistir de tudo que tenho por alguém que nem sei se me ama do mesmo jeito que eu amo. Eu… Nem sei se ele me ama... Eu nem sei se ele me ama — a voz da loira ficou um pouco embolada. — O que eu tenho na cabeça? O que eu estava pensando…?
— Entendi o que quis dizer — a vampira falou, assustando a mais nova. — Rin, não faça nada por impulso sabendo que pode se arrepender depois. Se você ama o vampiro, tenha certeza de que ele te ama antes de fazer alguma besteira.
Mesmo debaixo d'água, Luka ouvia muito bem o que a loira dizia. Ela sabia que uma hora ou outra alguma ideia tola iria surgir na cabeça da mais nova, em sua opinião, estava demorando para que isso acontecesse. Ela nunca iria conseguir aceitar o relacionamento de Rin com Len. Era óbvio que no final, quem sofreria seria Rin.
— Está bem claro no seu olhar que você pretende pedir para que ele te transforme em uma vampira — a mais nova abaixou o rosto, mergulhando-o parcialmente. — Só assim vocês poderão ficar juntos.
A mais velha passou a mão pelo cabelo da loira, como uma forma de confortá-la. Era tudo o que ela poderia fazer. A verdade era dolorosa, mas tinha que ser aceita. A mais nova já havia pensado em pedir para seu "namorado" transformá-la, mas nunca tivera coragem de falar. Ela se sentia uma idiota por estar apaixonada por um ser imortal, eles jamais poderiam ficar juntos.
Não pense que é a única garota humana que ele já ficou. Você não é mais nada do que um brinquedo para ele… Ele é um vampiro, não tem sentimentos reais. Ele só quer o seu sangue. Partes da conversa que tivera dias antes com Lenka pareciam querer voltar a sua mente para confundi-la. De tudo o que a vampira havia falado, ela sabia que as partes verdadeiras eram as que mais doíam.
— Não estou dizendo para negar seus sentimentos, só digo para você esperar antes de fazer algo que se arrependa — Luka tentou reformular o que tinha falado, mas sem sucesso. — Quer mudar de assunto?
A mais nova assentiu devagar, retirando o rosto da água, jogando a cabeça para trás, deixando-a por cima de algumas pedras. No momento, qualquer outro assunto seria melhor. Mais tarde ela resolveria todos os seus problemas com o vampiro. Ela não precisaria andar muito para chegar ao lar do loiro.
— A festa/armadilha será depois de amanhã, e pelo visto, vem sendo planejada a algum tempo — a vampira logo lembrou-se das informações que havia conseguido antes da loira acordar. — Não sei se Gumiya já sabe que existem vampiros entre os habitantes da aldeia, mas ele deve estar a um passo de descobrir.
— Isso é um perigo para você, então… — os olhos azuis de Rin fitaram a mais velha. — Irá chamar alguém para te acompanhar?
Luka negou rindo. Ela pensava em chamar seu noivo para ir com ela a essa comemoração, mas ela não havia tido coragem para voltar até sua mansão ou mesmo mandar uma carta. O anel estava guardado, seria uma lembrança dos seus momentos de felicidade. Sua decisão havia sido abandoná-lo de uma vez por todas, e em pouco tempo, sair da casa dos pais.
— Você poderia chamar o Oliver. Acho que ele iria gostar da sua companhia — a garota de cabelos rosas falou em bom tom, quase como se fosse uma ordem. — Vocês dois formam um belo casal.
— Ele é somente meu melhor amigo — a loira bufou. — E nós quase não nos falamos mais.
— Você já contou sua brilhante ideia a ele? — a mais nova negou. — Então, conte. Quem sabe ele ponha juízo na sua cabeça.
— Luka… Acho que já vou indo.
A mais velha não entendeu a decisão da amiga, mas não relutou em deixá-la ir. Pelo menos sem a loira por perto, ela teria o descanso que tanto precisava para por sua cabeça no lugar. A loira era barulhenta, querer descanso perto dela era impossível.
— Eu vou ficar mais um pouco. A água está muito boa — a vampira abaixou-se mais na água. — De noite eu volto para casa.
Rin saiu do lago devagar indo em direção a algumas pedras grandes próximas a entrada da clareira, procurando por algo que ela nem sabia se ainda estava lá, e logo ficou surpresa ao ver que o que havia colocado lá anos atrás ainda estava intacto.
— Parece que ninguém veio aqui desde a última vez que viemos — ela falou enrolando-se na toalha escondida ali há anos.
— Lago amaldiçoado. Você é a única pessoa capaz de se atrair por um lugar com esse tipo de fama.
A loira não contrariou a mais velha, somente sorriu. Ela pegou sua roupa no chão e passou a vesti-la com rapidez. Mesmo sendo uma tarde ensolarada, estava frio na clareira. A Rin já sabia o que iria fazer, tentaria ser rápida em tudo para depois voltar para casa, pegar algumas coisas que iria precisar e voltar a ficar na casa da melhor amiga. Ela não queria mais morar sozinha.
— Já vou indo — a loira sorriu.
— Não faça nenhuma besteira! — a vampira gritou causando risadas da mais nova. — Falo sério. Apareça com uma marca de mordida mais tarde e prepare-se para nunca mais ver a luz do dia.
Ambas riram alto antes da loira sumir na trilha que levava de volta à floresta. Primeiro, ela iria falar com Len, matar a curiosidade sobre algumas coisas. Depois, iria falar com Oliver, chamá-lo para ir à festa com ela. Se ela conseguisse falar com os dois no mesmo dia sem problemas ocorrerem, seria uma vitória.
"Como será que "ele" irá reagir…?".
XxX
Lenka estava deitada em um galho de árvore, tentando dormir. Embora fosse um pouco desconfortável, seria melhor ficar ali do que voltar a casa de Tei ou ter que encarar o irmão. Ela queria distância dos dois.
Ela havia passado a noite inteira "brincando" com Oliver, aproveitando-se ao máximo do garoto, e ainda não havia conseguido dormir direito, e por causa disso, estava bastante cansada. Sua noite tinha sido produtiva, no final. Tirando o encontro indesejável com Len, poderia ter sido perfeita.
Mais uma vez a relação entre a vampira e o irmão entrava em decadência. Não era só porque os dois estavam se afastando cada vez mais, também envolvia o ciúme interminável do vampiro. Aquilo a irritava profundamente.
Ela nunca pôde se relacionar com ninguém além dele enquanto era obrigada a vê-lo com outras garotas em silêncio. Estava farta com isso. A única coisa boa em seu novo "relacionamento" era ver o ciúme do irmão.
Por causa disso, ela pretendia mudar seus planos e não matar Oliver tão cedo. Ela iria aproveitar-se mais dele, até cansar-se de sua arriscada diversão. Depois, era só deixar que Len o matasse.
"Homens são tão fáceis de manipular… Tão idiotas…" ela riu ao pensar. Para a vampira tudo não passava de uma brincadeira.
— No right, no wrong, no rules for me… — a loira ouviu uma voz ao longe, que parecia aproximar-se devagar. Ela sorriu ao reconhecer a voz. — I'm free…
Não demorou para que ela conseguisse ver a jovem loira andando de maneira distraída. A loira cantava uma música conhecida por Lenka, que era cantada pela mãe da vampira quando ela era criança. Ela pretendia brincar um pouco com a garota.
— The past is in the past… — ela completou a letra da música de forma fria, deixando a garota paralisada. — Ah, Rin, como sempre você está cantando. Que irritante.
A mais velha estava em choque, e não escondia isso. De todas as pessoas que ela poderia encontrar, a vampira era a que menos queria. As duas estavam afastadas da aldeia, e ela não conseguiria gritar para chamar a atenção de Luka. Ela estava completamente à mercê da vampira.
Para assustar a garota, a loira pulou da árvore, parando em sua frente, fazendo com que ela fosse um pouco para trás por causa do susto. A situação estava favorável à mais nova, que parecia rir do pânico da outra loira.
— Pelo que eu me lembre, nós tínhamos um acordo, e sei que você não anda o cumprindo — ela sorriu ao falar. — Como foi a noite com meu irmão? O que ele fez com você?
— Ele não fez nada comigo! — a loira ficou vermelha, confirmando indiretamente que estava mentindo. — Cumpri a minha parte. Não o vejo há dias.
— Não precisa mentir — seus olhos brilharam ao falar. — Desde o inicio eu já sabia que você não iria cumprir com sua parte do acordo. Só cumpri com a minha para não ter mais problemas.
O acordo feito entre as duas não passava de uma armação da vampira. Era como uma aposta. Desde o início ela sabia que iria vencer. Em hora alguma Rin pensou que pudesse ser uma armadilha, até porque, ela pensou que conseguiria cumprir sua parte.
— Como eu lhe disse, não irei te matar. Irei deixar que fique se remoendo por ser a culpada da morte dos seus amigos.
A loira engoliu seco. Ela havia colocado-se em uma situação que não teria como sair sozinha, e não tinha ninguém para ajudá-la. Nem mesmo Len iria ajudá-la. Ninguém iria fazer nada. Ela estava completamente sozinha.
— Vai mesmo ficar em silêncio? — Lenka perguntou sorrindo, prendendo a mais velha contra uma árvore. — Primeiro eu irei matar a vampira, depois, acabarei com a bruxinha, e por fim… Matarei o seu melhor amigo — ela sussurrava cada palavra baixo no ouvido da loira. — Você irá ficar sozinha, abandonada, e quando isso acontecer, não serei eu que irei matá-la. Você irá fazer isso por mim.
— Lenka, por favor, pare de soltar tanto veneno… — a loira aliviou-se por dentro. Não teria mais que ouvir nada vindo da vampira. — Isso irá acabar matando você caso continue.
— Nunca consigo me divertir com você por perto — ela virou para irmão, vendo-o com uma expressão vazia. — Ainda não terminei com você, Rin…
Dito isso, a vampira sumiu junto ao vento, deixando a loira sozinha com o vampiro. Por causa do estado de horror, ela não conseguia manter-se completamente de pé. O olhar que o loiro lançava a ela fazia que seu estômago revirasse. "Será que nada pode dar certo para mim?".
— Você não consegue ficar sem se meter em problemas, não é? — Len perguntou sério.
— Não faço de propósito — ela respondeu de forma fria. — Precisamos conversar. Sem joguinhos desta vez.
O vampiro sorriu por causa da determinação da mais nova. Existiam mesmo assuntos inacabados entre os dois, mas ele não queria que ela soubesse o que estava acontecendo. Quanto menos ela soubesse seria melhor.
— Fale o que quiser — o loiro sorriu tentando parecer gentil.
— Por que você estava me tratando de um jeito tão frio da última vez que nos vimos? — sua voz saiu um pouco trêmula. — Você nunca tinha falado assim comigo...
— Agora sou obrigado a te tratar feito uma princesa? — ele perguntou, causando um nervosismo na loira. — Cansei de ser bonzinho com você, Rin. Já tirei de você o que eu precisava, não queira mais do que isso.
A garota tentou segurou as lágrimas que queriam escapar, mas não conseguiu. O vampiro riu ao ver a loira soltar lágrimas, mas não tardou em secá-las. Rin sentiu seu coração apertar. Ela planejava dizer a Len que ela o amava, mas agora, não existia como definir o quão quebrado estava seu coração.
— Não chore — ele disse baixo, próximo ao rosto da mais nova. — Isto a deixa menos bela — cada palavra era como um corte no coração da loira. — Achei que você fosse mais inteligente. Sei que está apaixonada por mim, mas quer saber de uma coisa…? Eu não te amo...
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