Sadistic Vampire
21 Future
Notas iniciais
A loira secava as lágrimas enquanto avistava a aldeia que se aproximava cada vez mais. Seus olhos vermelhos e inchados eram a lembrança da hora que havia passado chorando por causa do vampiro. Ela sentia-se uma idiota, enganada e completamente sem chão. Seu coração recém consertado estava mais uma vez quebrado.
Após dizer que não a amava, Len teve a coragem de dar um "último" beijo na garota, deixando-a sozinha na floresta em estado de choque. Mesmo estando longe, ele conseguia ouvir o choro alto da loira, mas de certa forma, ele não se importava. Ele não tinha sentimentos. Era incapaz de amar. Tudo o que sentia era uma forte atração pela loira.
Sem muita demora, Rin acelerou os passos, querendo sair o mais rápido possível do meio das árvores, tentando afastar as memórias das últimas horas. Seu coração apertava aos poucos, como se a qualquer momento fosse parar de bater. Uma sensação de vazio a rondava.
Ela precisava falar com Oliver. Tinha que falar com o garoto para tentar esquecer o vampiro. Pelo menos, com seu melhor amigo seu coração não seria mais dilacerado. Ele a amava, não era segredo.
A loira ignorava todos que passavam, já conseguindo avistar a casa do loiro. Ela havia saído em uma parte da floresta que dava perto da casa de Oliver. Claro que foi preciso fazer um contorno imenso para conseguir isso.
De certa forma ela estava feliz, sabia que de todas as pessoas, Oliver seria a que nunca a magoaria. Os dois poderiam estar matando um ao outro, mas mesmo assim manteriam o forte laço de amizade.
Rin seguia de forma calma, sem se importar com os olhares tortos que recebia. Ela não escondia a tristeza, sua expressão permanecia apagada, como se algo estivesse faltando, e realmente faltava. Apaixonar-se pelo vampiro havia sido seu pior erro, achar que ele também a amava foi sua completa perdição.
Suspirando, ela deu batidas leves na porta de madeira, segurando novamente as lágrimas que queriam escapar. A loira sabia que com o melhor amigo, não teria que se conter e poderia falar tudo o que sentia. Assim que viu a porta ser aberta, ela jogou-se no colo do amigo, assustando-o inicialmente, porém logo ele passou a afagar os cabelos da garota, deixando que ela chorasse.
— Vamos entrar, não é bom que você fique neste estado no lado de fora — ele murmurou, puxando a amiga para dentro de casa. — Sente no sofá se quiser — ela assentiu devagar, tentando secar as lágrimas, mas sem sucesso. O loiro seguiu a garota, sentando ao lado dela no sofá. — Quer me contar o que aconteceu para você estar assim?
— Eu… — ela não conseguiu terminar a frase. Logo o loiro pegou-a pelo rosto, secando as lágrimas que escorriam devagar. — Eu sou uma idiota. Por que nada da certo para mim, Oliver? Por quê?
O garoto não conseguia entender o porquê do péssimo estado da melhor amiga, e ela não parecia bem o suficiente para contar. Tudo o que ele poderia fazer era continuar a acariciar os fios claros de Rin, pelo menos até que ela se acalmasse.
— Você tem que me contar o que está acontecendo — ele falou baixo, após alguns minutos de silêncio. — Tem algo a ver com… — ao ver a reação da mais velha, ele se calou. — O que ele fez? Caso não queira dizer, não precisa, tudo bem?
A loira aconchegou-se um pouco mais no colo do melhor amigo, soluçando bastante por causa de seu nervosismo. Demorou até que ela se acalmasse verdadeiramente. O silêncio tomou conta do local por alguns instantes, até que finalmente a loira conseguiu falar.
— Por que eu ainda insisto em me apaixonar? Parece que eu ainda não aprendi que amar dói muito… — sua voz saiu embriagada. — As vezes, eu sinto vontade de morrer… É minha melhor escolha.
O loiro lembrou-se quase instantaneamente do que tinha acontecido anos atrás. Ele engoliu seco ao lembrar da cena que vira. Até hoje o garoto não havia entendido como a loira tinha conseguido sobreviver à aquilo. Seu estômago revirava só de lembrar da quantidade de sangue que havia visto.
— Oliver, você nunca vai me abandonar, não é? Sem você, eu não tenho mais ninguém! E-eu…
O mais novo permanecia calado, olhando para o chão, pensando sobre sua melhor amiga. Ela sempre o deixou confuso. Sua mente se divos em duas partes.
Uma pensava se deveria contar a Rin sobre seu envolvimento com Lenka. Ela não estava no melhor estado mental, era a melhor hora, porém, ele tinha medo do que a loira poderia fazer. A reação dela poderia tanto ser boa quanto ser ruim. As duas se detestavam, isso não era novidade. O que ele temia era um surto vindo da loira.
A outra pensava em manter tudo em segredo até a hora que fosse necessário. Ela também estava se envolvendo com um vampiro e não escondia isso mais, porém o loiro ainda não tivera o desprazer de conhecer o vampiro, mesmo sabendo que este era o irmão de sua "namorada".
— Jamais irei a abandonar — ele sorriu após muito tempo, vendo-a o encarar com um sorriso fraco. — Nós temos uma promessa. Tudo pode tentar nos separar, porém sempre ficaremos juntos. Você sempre será a minha princesa Rin. Não importa o que aconteça, ainda seremos amigos.
— N-não importa? — o loiro negou rindo baixo. — Príncipe Oliver, você é o único capaz de me alegrar nesse momento — ela suspirou, apoiando a cabeça no peito do amigo.
Ela passou os braços ao redor do pescoço do mais novo, aproximando os rostos dos dois. Por mais que Oliver tentasse afastar a loira, algo o impedia. Talvez fosse o forte desejo que ainda sentia por ela, talvez fosse por saber que aquilo o coloria em uma enrascada.
— Antes que eu me esqueça… Quer ir a "festa" comigo? — ela perguntou sorrindo.
— Eu gostaria muito de ir com você, Rin, mas eu não posso — ele suspirou. Ela não precisava saber que nara sua amante. — Vou com uma amiga.
A loira cruzou os braços e em seguida bufou alto. Pelo visto, seu humor havia melhorado do nada. Mesmo sem ainda ter contado o porquê de estar tão triste. Rin não queria contar para Oliver o que tinha acontecido. O garoto era calmo boa parte do tempo, mas se soubesse o que acontecera, ela não sabia o que ele seria capaz de fazer.
— Não gosto que ande com outras garotas — ela disse baixo. — Você ainda gosta de mim, não é?
— Claro! Você é minha melhor amiga e eu te amo mais que tudo! — o loiro deu um beijo na ponta do nariz da mais velha fazendo-a rir. — Pode me dizer o porquê de você estar para baixo?
— Já passou. Não quero falar nisso… — ela suspirou lembrando-se do que mais queria falar com o amigo. — Sabe, Ollie, eu andei pensando em tornar-me uma vampira.
— O que?! — o mais novo perguntou um pouco chocado. — Por quê?!
— Eu não aguento mais sofrer por amor, Oliver! Não dá mais! É melhor que eu suma com meus sentimentos — ela voltou a soltar algumas poucas lágrimas.
— Se você cansou, não acha melhor se matar logo de uma vez?! Você já tentou antes. Agora se quer tanto, faça.
Oliver já sabia que parte do estado emocional de Rin era culpa de Len. Sabia que ele tinha feito alguma coisa a ela, agora sua hipótese havia sido confirmada. Há poucos dias, a loira jamais diria algo assim, e agora, ela estava pensando em torna-se um da daqueles seres.
— Amor não é algo que serve para mim, mas suicídio é uma fuga desonrada. Não sou capaz de fazer isso, por mais que sinta muita vontade — a loira sentiu as lágrimas quererem sair de novo. — Ele disse que não me ama — finalmente ela soltou o que a afligia. — Isso já é até normal, não é?
— Ele disse que não te ama e mesmo assim você ainda pensa em tornar-se uma vampira?! — o loiro gritou, assustando a mais velha. Por sorte, ninguém ouviria, já que os dois estavam sozinhos. — Rin, tem vezes que eu penso que você é uma idiota! Prefiro a Rin que conheci quando criança, pelo menos ela não era uma fraca que desiste com facilidade — as lágrimas da loira voltaram com força. — Odeio ter que te dizer isso, Rin, mas é a verdade. Sei que você só quer ser uma vampira para continuar com aquele idiota. É sempre assim! Você tem o coração quebrado e depois vem correr até mim. Quer saber?! Que se foda! Vai embora daqui!
— O-o que…? — a garota murmurou assustada pelo comportamento do melhor amigo. — Oliver, e-eu…
— Esqueça as desculpas, Rin! Vá embora, eu não quero te vê mais… Não até você voltar a ser a garota que eu amo.
Sem dizer mais nada, ela levantou do sofá de cabeça baixa, sem deixar que o loiro a visse chorar. Ela sabia que essa seria sua reação. Por mais que Len dissesse que não sentia nada, ela não queria aceitar a verdade. Essa sua teimosia ainda iria matá-la um dia. Já havia quebrado seu coração muitas vezes, e mesmo assim ela sabia que ainda quebraria mais vezes.
Era de sua natureza. Uma menina mimada que não sabia aceitar um "não" como resposta. O quanto ela já havia sofrido por amar a pessoa errada não podia ser descrito. Mas o loiro sempre aturou tudo em silêncio, vendo a garota que amava sempre com outros. Todos sabiam que uma hora ou outra ele viria a explodir.
— Não esqueça, Oliver, temos uma promessa. Você ainda irá precisar de mim.
— Sei disso — ele respondeu sem muita emoção. — Jamais quebraria nossa promessa, Princesa Rin...
Em silêncio, a loira saiu da casa, fechando a porta e em seguida escorregando até o chão, deixando as lágrimas rolavam. Quem passava achava que ela poderia ter tido mais uma briga com o melhor amigo, porém, na verdade, ela só havia ouvido a verdade em sua pior forma duas vezes no mesmo dia.
"O amor dói, a amizade mais ainda… Será que… Morrer é o melhor caminho?" ela pensou suspirando. "Eu estou sozinha novamente…".
Dentro da casa, o loiro estava sentado no sofá enquanto tentava se acalmar. Suas emoções estavam confusas, e a raiva predominava. Ele estava estressado com a melhor amiga, não conseguia acreditar que mesmo depois de ouvir "eu não te amo" ela ainda pensava em se tornar um monstro. Tudo por causa de um amor…
Oliver também andava se sentindo confuso em relação a vida amorosa. Ele ainda amava Rin, porém estava começando a interessar-se pela vampira. A melhor amiga estava realmente apaixonada por outro, isso era algo que já tinha aceitado a tempos, porém Lenka estava ali quando precisava, diferente de Rin.
— Por que tem que ser tão difícil?! — ele gritou, dando um soco forme na mesa de centro, quebrando-a com facilidade. O loiro suspirou ao ver o estrago que tinha feito. Teria que livrar-se disso o mais rápido possível. — Sei que está aí, Lenka.
Não demorou para que pudesse ser ouvida a risada alta da vampira. Ela se sentou ao lado do loiro no sofá, ainda rindo bem alto. A loira rodeou o pescoço do mais velho com os braços e em seguida, beijou-lhe a bochecha.
— Você muda de humor bem rápido… — ela sorriu ao falar. — Por que nunca me contou que era assim tão mau?
— Só disse o que precisa ter dito há anos atrás — o loiro falou meio tristonho. — Eu exagerei. Irei pedir desculpas para ela depois.
— Isso se ela quiser falar com você depois de tudo o que disse. Caso não saiba, meu irmão acabou com ela a algumas horas atrás. Não me surpreende que ela tenha vindo falar com você. O melhor amigo que sempre a ajuda em tudo...
Oliver puxou a vampira para um selar de lábios, impedindo que ela continuasse a falar. Lenka gostava de quando o garoto era mais selvagem, isso a deixava confortável. O mais velho passou a ficar por cima da loira, prendendo-a no sofá, sem escapatória.
— Pode me soltar? — a loira perguntou sorrindo de maneira maliciosa. — Oliver…!
— Preciso que faça algo para mim… — ele disse baixo, próximo ao ouvido da mais nova.
Ele falou baixo o que queria, causando mais uma risada histérica vinda da vampira. Ela o puxou pela gola da camisa para mais um beijo quente, ele se rendia facilmente ao desejo ardente que tinha pela vampira, mas jamais faria o mesmo que Rin. Não pelo mesmo motivo.
— Você está se contradizendo, mas não posso recusar esse pedido…
Antes que a loira conseguisse terminar de falar, o barulho da porta sendo aberta fez que os dois se assustassem na mesma hora. Ann não esperava chegar em casa e ver seu filho por cima de uma garota que não conhecia, mas estava feliz pela garota não ser Rin.
— Alguém poderia explicar-me o quê está acontecendo? — a mulher perguntou tentando parecer calma.
Ambos estavam vermelhos por terem sido pegos naquela situação em um sofá. Oliver pensava que a qualquer momento seria morto pela mãe, já a vampira se controlava para não rir. Ela pensava no que poderia acontecer caso fosse Len que tivesse os encontrado. Provavelmente seria o fim de seu amante.
— M-mãe, eu posso… — antes que pudesse continuar, a loira o cortou.
— Ainda não tivemos a oportunidade de nos conhecer — a vampira sorriu de seu modo fofo. — Sou Lenka, a namorada do Oliver.
O garoto tentou argumentar contra o que foi dito pela mais nova, mas ao receber um chute vindo da loira, ele se calou. Diante aquela situação, a vampira era a mais calma, enquanto o loiro surtava por dentro e a mulher tentava assimilar o que foi dito pela "namorada" de seu filho.
— Namorada?! Quantos anos você tem? — a senhora disse praticamente fuzilando o garoto com o olhar.
— Tenho dezenove — Lenka tentava a todo custo aparentar ser inocente. Não estava em seus planos ser pega desse jeito. — Por que a pergunta?
— Você aparenta ter cerca de dezesseis, no máximo! — a mulher causou risadas vindas da mais nova.
— Sempre pareci ser mais nova. Devo dizer que a senhora não aparenta ter mais de trinta.
— Ora, se quiser fique e coma uns biscoitos — Oliver tentou dizer alguma coisa, mas levou mais um chute da vampira acabou sem falar nada mais uma vez. — Agora que está aqui, no mínimo devo conhecê-la melhor.
— Já que quer tanto, não posso recusar esse pedido.
XxX
O quarto iluminado apenas por velas e com desenhos no chão deixavam o clima pesado para qualquer pessoa. Até mesmo a bruxa estava incomodada com tudo aquilo. A escuridão deixava-a aflita, mas depois de tudo o que havia feito, não era a hora de voltar atrás.
Seus passos ecoavam no cômodo sem mais outro som, mostrando o quão rápido ela queria terminar aquilo. Em uma pilastra, um livro encontrava-se aberto em uma das páginas finais. Por aquilo ser um livro de magia, os feitiços mais perigosos e mais difíceis estavam nas últimas páginas.
A página que estava marcada com uma tinta negra continha enormes letras gravadas nela, formando uma frase que deixava a bruxa de cabelos em pé. Como ver o futuro. Claro que aquilo atiçava sua curiosidade, e como já tinha praticamente tudo o que precisava, ela estava decidida a fazer.
— Tudo bem… É fácil! Eu consigo! — Miku suspirou, parando na frente do livro. — É fácil… Bem fácil…
"Claro, tão fácil que você jamais conseguiria fazer" a voz soou em sua cabeça, fazendo-a bufar.
— Cale a boca. Se não for ajudar, não me atrapalhe — a bruxa murmurou, sabendo que seria ouvida. — Você não disse que tinha que ir embora?
Ela não recebeu nenhuma resposta. Qualquer um que a olhasse pensaria que estava falando sozinha, porém, ela falava com alguém que somente ela conseguia ver. Não que fosse louca, na verdade, ao procurar por feitiços, um acabou chamando sua atenção e colocando-a naquela situação.
— Você estava melhor morta… — ela voltou a falar, encarando a garota de cabelos verdes. — Pode pegar aquela faca para mim?
"Eu gostaria, mas não consigo. Caso tenha esquecido sou apenas um fantasma" a garota falou, demonstrando o que havia falado, tentando sentar na mesa ao lado da bruxa. "Quer mesmo fazer isso?".
— No livro diz que o tempo é manipulável. Se eu souber o que vai acontecer, posso tentar impedir antes que aconteça. Com tudo o que está acontecendo, acho melhor me previnir. Não preciso de mais nenhum amigo sanguessuga.
"Você é sempre tão amorosa ao falar da Luka. Nem parece que ainda a ama" antes que a bruxa pudesse reagir, o fantasma sumiu novamente, deixando sua risada no ar.
— Por que tive que inventar essa história toda? — a garota disse para si mesma. — Deixe-me ver… Bola de cristal; círculo mágico; sangue… Por que todos os rituais envolvem sangue?
Miku tinha tudo o que precisava para cumprir seu objetivo, e agora que sua amiga fantasma havia sumido novamente, ela poderia realizar o ritual. Seu olhar virou-se para a bola de cristal ao seu lado. Nela estava presa uma carta que dizia para a garota não mexer em nada naquele quarto, mas ela não parecia ter lido o recado.
— Tinha logo que ser o meu sangue…? — ela murmurou pegando uma faca em uma mesa. — Tudo bem... Deixe o sangue correr na bola enquanto recita o encanto. Doloroso, mas não difícil.
A bruxa esperava que sua amiga fantasma aparecesse com mais algum comentário bobo, mas a garota parecia ter realmente sumido. Ela pegou a faca e aproximou do pulso, um pouco receosa por ter que se cortar.
Em sua cabeça, ela recitava um mantra dizendo que não iria doer, e por fim, ela atravessou a lâmina pelo pulso, reprimindo um grito de dor. A bruxa viu o sangue cair em cima da bola, iluminando-a aos poucos. Ela retirou a faca para facilitar a saída do sangue.
— Revelaverit secretum…
Com uma certa dificuldade as palavras foram pronunciadas, fazendo o cristal mudar de cor e começar a formar vultos. Miku tentava conter o sangramento com sua mão, enquanto observava a fumaça que se formava dentro da bola de cristal. O que eram apenas vultos negros passaram a ser uma imagem nítida, que deixava a bruxa apavorada. Ela não podia acreditar no que via. Logo ela começou a ouvir passos vindos de trás de si, e alguém parou ao seu lado.
"Esses são… Nossa, isso não é nada bom…".
Fale com o autor