Sadistic Vampire
4 Dangerous
Notas iniciais
Len soltou a garota no chão com força, fazendo-a cair de joelhos. Ela colocou as mãos no pescoço tossindo um pouco, enquanto olhava para o mais velho com uma certa inocência. Obviamente falsa. O garoto sabia disso.
— O que você faz aqui, Lenka? — Len perguntou enquanto assistia à irmã se levantar.
— É assim que você fala comigo depois de tanto tempo? — a mais nova sorriu, esticando os braços para tentar um abraço do irmão, mas só conseguiu ser empurrada contra uma árvore mais uma vez.
— Não gosto de você, se esqueceu disso? — ele disse quase sussurrando no ouvido da garota. — Diga logo o que faz aqui!
Lenka riu e se soltou dos braços do irmão com pressa, e ficou andando de um lado para o outro por alguns segundos, sendo encarada por Len, até que finalmente tomou coragem de se pronunciar.
— Não posso vir te visitar uma vez ou outra? — se Len não conhecesse bem a irmã, não estranharia o fato dela estar tão boa com ele. Mas o caso não era esse.
— Já que você vai permanecer com essa cara fechada… — ela disse baixo. — Preciso terminar uma coisa que comecei.
Antes que o garoto pudesse perguntar o que a irmã queria dizer com isso, ela balançou a cabeça de forma negativa. Lenka já sabia o que o irmão iria perguntar, e ela não iria responder de qualquer maneira.
Os dois ficaram se encarando por alguns momentos, até que Len, cansado da presença da irmã começou a se dirigir para casa. A mais nova foi atrás, somente para provocá-lo. Eles entraram na casa e Lenka se encostou na porta fechando-a. De todas as horas que a mais nova tinha que aparecer, Len achou que ela havia escolhido a pior.
— Nii-chan, eu posso dormir aqui? — ela perguntou de maneira "fofa" enquanto abraçava o irmão por trás.
— Não me chame assim — Len murmurou tirando os braços de Lenka do seu corpo. — Se eu disser que "não" você não vai me deixar em paz, certo?
A garota começou a dar pulinhos em direção ao quarto do irmão, deixando-o sozinho na sala pensando no que iria fazer com a irmã. A presença de Lenka significava problemas, principalmente para Len. A última vez que os dois estiveram juntos ele terminou tendo que fugir de Londres às pressas. Além disso, tinha Rin… Mas ele não queria pensar na loira no momento.
O garoto então foi para seu quarto, encontrando a mais nova já aconchegada em sua cama, se preparando para dormir. Daquele jeito, a mais nova parecia apenas uma criança inocente, que de inocente não tinha nada. As vezes, Len se sentia um pouco culpado pelo que tinha acontecido. Ele se culpava por ter corrompido a inocência da irmã.
— Len, você vai ficar ai me olhando ou vai deitar aqui? — a garota perguntou sem se mexer. — Sabe, que nem nos velhos tempos… Quando éramos crianças.
"Tenho cara de idiota, Lenka?". Por um instante Len pensou em responder isso, mas provavelmente não iria gostar da resposta que a irmã daria.
— Dormir com você?! — Lenka abriu um dos olhos para encarar o irmão. — Lenka, sinto muito, mas eu não sou suicida — o garoto sorriu. — Vou dar uma volta, volto antes do amanhecer. Não quebre nada.
Ela nem respondeu, mas Len sabia que sua resposta era positiva.
O que ele precisava agora era de um tempo para pensar. Seu humor estava péssimo, e com sua irmã surgindo de repente depois de anos, para Len estava claro de que ele só pioraria. Sua irmã era uma peste, ele sabia que não teria paz por um bom tempo.
XxX
Já tinha passado uma semana desde o último encontro com Len, por causa disso Rin estava quase enlouquecendo. Ela sentia de alguma maneira falta do vampiro. Agora, ela estava na casa de Luka, "ouvindo" a amiga choramingar de como seu relacionamento não ia bem, e que já estava quase no fim. Miku e Gumi também estavam lá, porém com um humor melhor para amparar Luka.
Na verdade, Miku estava lá para falar sobre coisas estranhas que estavam acontecendo com ela. Era estranho para ela estar repelindo alguns objetos com suas mãos, e ela achava que Luka iria responder suas perguntas, porém o máximo que ela conseguiu foram piadas vindas de Gumi como "Até copos sabem que você é louca". Mas a resposta racional que chegaram foi a de que tudo não passava de imaginação.
A loira se sentia um deslocada da conversa. Ela se sentia um pouco deslocada da conversa. Não que ela não quisesse estar lá, mas o assunto havia evoluído de um jeito que ela não conseguiu acompanhar. Por sorte, Rin era uma boa atriz. Sabia como fingir um sorriso.
Ela estava deitada na cama da garota de cabelos róseos enquanto Luka estava sentada no colo de Miku em uma cadeira ao lado da cama. Gumi dava chocolates na boca da garota. Elas conversavam um pouco baixo já que de tanto chorar, Luka estava com dor de cabeça, por isso Rin mal intendia o que as três falavam ao seu lado.
— Luka, para de chorar e segue em frente — Rin se virou de lado para encarar as amigas. — Não vale a pena chorar desse jeito.
— Mas eu amo ele, Rin — Luka choramingou.
— Você faz o amor parecer sofrido — a loira disse olhando nos olhos azuis da garota.
— Mas o amor é sofrido — Miku se meteu no meio da conversa. — Sinto muito se não somos desprovidas de emoções como você.
Rin deu de ombros para Miku e se sentou na cama encarando os próprios pés enquanto pensava numa maneira de responder à garota de cabelos turquesa. Gumi, percebendo o clima pesado que tinha ficado, resolveu que era a hora de falar.
— Miku, não fale assim com a Rin — a mais nova falou. — Ela sempre foi assim.
— Nem sempre, pelos menos não até… — Luka tampou a boca de Miku antes que ela pudesse terminar a frase.
Ela e Gumi haviam percebido o que Miku iria falar. As duas não queriam que Rin se lembrasse do que tinha acontecido. A loira já estava afundando as unhas no colchão da amiga, e sua respiração saia pesada.
— Eu vou pra casa — Rin disse já se levantando da cama indo em direção à saída, sendo seguida por uma garota de cabelos verdes. Gumi nesse caso.
— Me espera! — Gumi gritou enquanto fechava a porta de Luka e era repreendida pelo irmão da amiga que estava tentando dormir. — Rin!
Não era como se a loira estivesse correndo. A mais nova sempre fora escandalosa desse jeito. Em poucos segundos a esverdeada alcançou seu alvo e se pendurou no braço de Rin, puxando-a um pouco para baixo. Fazendo com que ela não tivesse aguentar só o seu peso, mas também o de Gumi.
— Você está bem, Rin? — Gumi perguntou ganhando uma resposta positiva da amiga. — Sério mesmo?
— Só não gosto que toquem no assunto — a loira deu de ombros.
Rin soltou seu braço dos da esverdeada e continuou seguindo para seu destino. A casa de Oliver. Ela estava mesmo precisando conversar com o loiro, agora tinha um bom motivo para isso. Gumi ainda andava atrás da mais velha, só que um pouco mais devagar, dando um espaço para que Rin pudesse respirar.
— Quer alguma coisa comigo, Gumi? — a mais nova pulou de susto com a voz fria da loira.
— Ahn… Talvez conversar?! — Gumi disse sorrindo.
A garota não recebeu uma resposta. Ela viu a loira se afastar um pouco dela, enquanto ainda seguia para a casa do outro loiro. O clima pesou por uns instantes. Gumi achou que era melhor ficar quieta pelo menos por um tempo. A contra gosto, ela acompanhou Rin por alguns metros, até que finalmente a mais velha falou:
— Você é estranha…
— Er… Eu?! — a voz da esverdeada saiu esganiçada.
"Tem certeza que eu sou a estranha?!". Gumi pensou em acrescentar isso, mas se calou.
— Você é sempre tão alegre, e infantil — Rin disse baixo. — Não sei como você consegue ser assim depois do que aconteceu com a sua mãe.
— Sabe Rin — a mais nova começou. — É um jeito de lidar com a dor — ela suspirou. — Mas eu já superei — as duas trocaram um olhar rápido. — Deve ter sido pior para você. Pelo menos quando aconteceu eu não estava presente.
— Sempre acham que ver os pais morrerem é algo traumático — a loira ajeitou as presilhas em seu cabelo só falar. — Na verdade, eu estava tão assustada que nem prestei atenção no que estava acontecendo direito.
Gumi colocou seus braços em volta do pescoço da loira enquanto ria e a abraçava. A verdade era que Rin estava mentindo. Ela se lembrava muito bem do que tinha acontecido, mas sempre que alguém perguntava algo sobre isso, ela se fazia de desentendida, ou mudava de assunto.
— Rin, você é a única pessoa que eu conheço que consegue fazer esse tipo de situação parecer algo engraçado — Rin riu baixo.
— Gumi, se você quiser voltar para a casa da Luka, pode voltar.
A mais nova negou.
— Deixe a Miku resolver. Se uma mansão for invadida já vamos saber quem foi.
As duas riram bastante alto. Era incrível como Gumi tinha o dom de alegrar as pessoas em qualquer tipo de situação. Até mesmo naquele momento ela conseguia manter o seu bom humor.
Quando a bem-humorada Gumi estava com a mau-humorada Rin a situação parecia se equilibrar um pouco. Era bom para ambas.
— Fique sabendo que caso isso aconteça, a Miku vai se esconder na sua casa — a loira disse ainda rindo.
— Quem dera se ela pudesse — a esverdeada suspirou. — Eu mesma estou pensando em sair de casa.
Rin franziu a testa. Tinha acontecido alguma coisa com a mais nova, e ela já imaginava o motivo disso. Mesmo faltando pouco para chegar a casa de Oliver, as duas ainda tinham um certo tempo para conversarem sobre o assunto.
— Gumi, quer falar sobre isso? — a mais velha assumiu por um momento um papel responsável.
— É a mesma coisa de sempre — Gumi suspirou. — Meu pai diz que eu já devia estar casada, e também me culpa por tudo o que dá errado nesse lugar.
— Casada?! Você tem dezoito anos! Eu tenho vinte e só tive um namorado!
— Eu sei, mas não tenho sorte com garotos — ela sorriu. — Meu ultimo relacionamento sério foi com um cabo de vassoura.
Normalmente quando a esverdeada falava sobre seus relacionamentos ela sempre era manhosa. Ter sorrido enquanto falava fez com que Rin suspeitasse da alegria fora de hora da amiga.
— Você parece feliz demais Gumi, tem algo para contar?
O olhar da mais nova vacilou por um instante e ela engoliu seco. Gumi precisava de uma saída rápido. Quando a esverdeada notou, as duas estavam na frente da casa de Oliver. Dessa vez ela tinha conseguido se livrar de um baita interrogatório.
— Olhe Rin! Chegamos — ela expressou uma falsa felicidade enquanto encarava a cara fechada da loira.
— Não pense que escapou de mim, Gumi — Rin suspirou ao falar. — Até mais.
A mais nova saiu acenando para a garota de olhos azuis, que estava desconfiada de que Gumi estava escondendo alguma coisa. Para Rin, a esverdeada já era estranha por si própria, estar agindo de maneira estranha também a deixava desconfiada. Afinal, a mais nova ainda não tinha explicado o que tinha acontecido na semana anterior. A desculpa que ela inventou pareceu ter convencido somente à Miku, deixando Rin e Luka preocupadas.
Deixando isso de lado, a mais velha parou na frente da casa do amigo, batendo na porta algumas vezes esperando que alguém viesse atende-la. Quem veio foi a mãe de Oliver.
— Rin… Estava esperando você aparecer por aqui — a mais nova teve as bochechas apertadas com um pouco de força. — Entre, o Oliver está no quarto.
A loira entrou na casa sendo observada por Ann, a mãe do seu melhor amigo. As duas não tinham uma relação "boa". Para Ann, a mais jovem não merecia ser a namorada de ser filho, já Rin não entendia o porquê de ser odiada pela mãe de seu amigo, mas retribuía do mesmo jeito. Oliver era um outro que não entendia o ódio da mãe à sua melhor amiga.
Rin parou na porta do quarto do amigo é o encarou por um certo tempo. Oliver estava tocando violão virado de costas para a loira. Ele parecia distraído para não perceber a presença de Rin tão próxima à ele.
Ela se aproximou do loiro e colocou uma das mãos no ombro do garoto, que pulou de susto com a aproximação silenciosa de Rin. A mais velha se assustou um pouco e ao perceber isso Oliver corou.
— Você toca bem, Ollie — Rin sorriu, deixando o garoto de olhos dourados ainda mais vermelho.
— Não me chame assim — ele murmurou colocando o violão de lado na cama. — O que você faz aqui?
— Queria conversar — ela deu de ombros.
— Você não tem amigas para fazer isso? — o loiro perguntou desconfiado fazendo a garota rir.
— Não vale à pena falar elas sobre isso, Oliver.
— E comigo vale?
— Você não faz perguntas, então, sim — ela corou um pouco.
— Então fale, Riliane, temos o resto do dia inteiro — Oliver ganhou um tapa da loira por tê-la chamado pelo nome completo. Rindo, ele se deitou na cama esperando que Rin começasse a falar.
— Por onde eu começo…? — Rin ficou pensativa por um instante e o loiro viu uma oportunidade de fazer uma piada com a amiga.
— Talvez pelo início?! — a garota revirou os olhos com a piada sem graça de Oliver, mas mesmo assim ele continuo sorrindo. — Fale o que acha que deve falar e depois eu digo minha opinião.
— Já que é assim… — a loira suspirou. — Você sabe como é sentir falta de uma pessoa mesmo estando a pouco tempo longe dela? — "Você me faz sentir assim". Se Oliver tivesse dado essa resposta, era provável que nunca mais Rin falasse com ele. Então a melhor opção era ficar em silêncio. — Eu me sinto mal quando estou com esse "alguém", mas quando estou com ele eu sinto que sempre vou me dar mal no fim das contas… E-eu me sinto confusa. É estranho demais. Mesmo nós nos tendo visto apenas algumas vezes… Sinto uma sensação estranha quanto estou longe "dele". Não é como se eu o quisesse afastado, e sim… — ela parou por um instante. Suas palavras confundiam a ela e a Oliver. Ela teria que recomeçar tudo. Respirando fundo, Ein tentou explicar de uma maneira mais fácil para ambos. — Conheci alguém, sei que tenho que ficar longe, mas quero ficar perto. Será que isso é possível?
O garoto encarou a loira por alguns longos minutos. Rin não era boa em falar de sentimentos, porém ele tinha conseguido entender o que ela quis dizer. Desde que sua "obsessão" pela loira tinha começado ele sabia que não tinha os sentimentos correspondidos por sua amiga, por isso, sempre se manteve calado sobre o assunto. Oliver nunca pensou que um dia teria que ouvir sua paixão falando de um possível relacionamento. Mesmo assim, Rin ainda era Rin.
— Rin… O que realmente importa é se você se sente feliz — sua voz saiu baixa. Os olhos azuis de Rin o fitaram, querendo que ele continuasse a falar. — Você sempre gostou de uma aventura. Se te faz feliz… Somente isso que importa.
Oliver conhecia bem sua amiga. Desde sempre Rin tinha uma certa "queda" por perigo, e sempre se metia em confusões. A sorte foi que por causa de uma desilusão amorosa a loira começou a ter juízo. Ele ficou mal pelo que aconteceu à ela, mas de alguma forma aquilo tinha feito um certo bem para Rin. Ouvindo o que ela tinha acabado de falar, Oliver ficou com um certo medo de tudo estar acontecendo de novo.
— Sério, Oliver?! — os olhos da loira brilharam, fazendo o garoto dar um de seus típicos petelecos na testa de Rin. — Ai!
— Sim baixinha — Rin fechou a cara e Oliver riu. — Se esse garoto fizer algo com você, eu juro que o mato.
"Acho mais fácil ser ao contrário". Rin pensou. "Oliver e Len não têm que se conhecer, certo?".
— Primeiro, nunca mais me chame de "baixinha" — o garoto assentiu rindo um pouco. — Segundo, a partir de agora se eu tiver um problema amoroso irei falar com a Luka.
— Por que não a Miku? — ele perguntou desconfiado.
— Miku?! Aquela que quase incendiou a própria casa por causa de um garoto?! Tenho apreço à minha vida, Oliver.
— E a Gumi?
Rin suspirou. A conversa com Oliver tinha a distraído do que aconteceu com a esverdeada. Mesmo tendo acontecido a minutos, a loira era boa em esquecer das coisas. Se algo a distraísse era capaz dela esquecer até mesmo que alguém estivesse morrendo.
— Ela nunca teve um namorado — ela inventou uma desculpa qualquer.
— Ah sim… — o garoto ficou pensativo. — Como vai o Cabo de Vassoura?
— Quebrado… Eu acho. A Gumi é vingativa.
"Mas que tipo de pessoa se vinga de um cabo de vassoura?!" Oliver pensou sorrindo, deixando Rin com cara de boba imaginando o motivo para o sorriso suspeito do mais novo.
— Rin...? — uma nova voz surgiu no cômodo.
— O que é mãe? — Oliver respondeu no lugar da loira.
— Eu chamei a loira, não você! — Ann repreendeu o filho, deixando-o um pouco corado.
"Como o Oliver deixa a mãe falar assim com ele?".
Rin somente ficou quieta pelo amigo ter apertado sua mão com força, querendo dizer que era para ela ficar calada.
— Diga o que é então — essa foi a única frase que Rin conseguiu dizer.
— Está ficando tarde, é melhor você ir — a mais velha disse fazenda a de olhos azuis rir baixo. Já estava demorando para Ann a expulsar. — Se despeçam.
Os mais novos trocaram um olhar cúmplice, e então sorriram.
— Até mais Rin — Oliver puxou a loira para um abraço, deixando-a quase sem ar por causa disso. Como o garoto estava deitado, isso fez que Rin ficasse por cima dele. Quem não tivesse visto a cena inteira pensaria que outra coisa estava acontecendo.
— Até Ollie — Rin saiu de cima de Oliver e seguiu Ann com um sorriso vitorioso no rosto.
Desde que Rin é Oliver descobriram sobre o "ódio" sentido por Ann da loira mais nova, não foram poucas as vezes em que os dois se juntaram para deixá-la um pouco mais irritada. Quem sofria com essas brincadeiras era Oliver. Ele sempre ouvia coisas horríveis vindas de sua mãe, mas nem chegava perto das coisas que ouvia sem motivo algum. Então ele parou de se importar.
A porta da casa foi aberta e como sempre, a mais nova saiu quieta e sorrindo. A conversa com Oliver tinha a acalmado um pouco. Faziam dias que ela não parava de pensar em Len, se ela continuasse quieta sobre isso, teria um ataque a qualquer momento. Era um caso que ela não poderia contar com suas amigas. Antes mesmo que ela pudesse terminar de falar, começaria a fazer perguntas, perguntas que ela própria não sabe a resposta. Já seu melhor amigo era imparcial. Ela podia contar tudo para ele. Mas Rin não é idiota. Ela notou a expressão de Oliver enquanto ela falava. Ele parecia chateado. Poucas foram as vezes que ela o viu assim.
Afastando os pensamentos de sua cabeça, Rin olhou para o céu. Estava mesmo ficando escuro. O sol já sumia entre as árvores mais altas da floresta, e as crianças paravam de brincar. Era a hora de ir para o conforto de casa. O único problema era que Rin morava em um lado da aldeia e Oliver no outro. Não levam nem dez minutos para Rin chegar casa, porém seu dia havia sido longo. Ela estava cansada.
Após uma discussão consigo mesma sobre "ir ou não ir para casa", ela resolveu que era melhor ir para casa. Caso não fosse, ela teria que ir para a casa de Luka, e Rin não estava pronta para mais uma seção de drama sobre namorados.
— Não tem problema andar um pouco — ela deu de ombros e começou a andar.
Ao anoitecer, o vilarejo que já era uma "cidade fantasma" quase o tempo inteiro, ficava ainda mais "fantasmagórica". Rin nunca entendeu o motivo disso, também nunca obedeceu os mais velhos que diziam para ela não sair de casa à noite.
A rua estava quieta, ela andava sozinha, só se ouvia barulhos de animais. Estava um pouco frio, fazendo que ela se abraçasse para tentar conter o frio. Rin cantarolava uma música baixo. O sol sempre sumia rápido, então já estava escuro. O pouco do sol que ainda estava aparecendo se escondia completamente entre as árvores. Tinha ficado macabro de uma hora para a outra.
— Bound to sing for us, a worthless monster — a loira cantava deixando a voz um pouco infantil diminuir o ar pesado que tinha se formado ao seu redor. — It never sees us, it despises us, lying so useless, we start to holler "hey, get up you worthless circus monster!".
— Você canta bem! — uma voz feminina fez com que Rin pulasse de susto e em seguida foi ouvida uma risada. — Sinto muito se a assustei.
Rin se virou para ver quem era, e deu de cara com uma garota loira, com cabelos que iam até um pouco abaixo da linha dos seios. Seus olhos eram azuis e ela era um pouco mais alta que Rin. Uma diferença pequena, mas perceptível.
— Não foi nada, eu estava distraída mesmo — Rin analisou a garota de cima à baixo. As duas pareciam ter a mesma idade. Talvez a garota fosse um pouco mais nova já que seu jeito de sorrir emanava uma certa inocência. — Você não é daqui, certo?
— Não, eu não sou — ela riu. — Estou só visitando o meu irmão. Você deve o conhecer.
— Talvez conheça, esse lugar é bem pequeno — Rin desconfiou um pouco. — O que você faz aqui a esta hora da noite?
— Acabou de anoitecer — ela riu novamente, mas essa resposta não agradou à Rin. — Prefiro a noite ao dia. Sol não me agrada... E você?! Faz o que aqui?!
— Estou voltando para casa… — ou pelo menos estou tentando voltar. Rin completou a frase na mente.
— Tem algum problema se eu for com você? — ela começou a se balançar feito uma criança, deixando Rin com o coração meio mole.
— Claro que… Pode — a garota deu uns pulinhos alegres, fazendo com que Rin risse. — A propósito, o meu nome é Rin.
— O meu é Lenka — ela sorriu de uma maneira que assustou a outra loira, mas logo retomou sua expressão doce. — Vamos?
— C-claro…
Então as duas começaram a andar. Rin não conseguia entender como Lenka era tão agitada. Ela era pior que Gumi. A garota fazia mil e uma perguntas para Rin, o que a deixou sem ter o que responder algumas vezes. Depois de um tempo, Lenka pediu para a outra loira voltar a cantar, já que achou a voz de Rin linda. Um pouco envergonhada, ela assentiu e continuou a música de antes, animada Lenka ainda mais.
As duas pareciam se entreter com a música. Lenka conhecia a canção, então nos versos finais, ela começou a acompanhar Rin cantando um pouco mais baixo que a outra. Parecia que elas já se conheciam. Na verdade, uma lembrava a outra. Em questão de aparência, elas eram quase idênticas.
A canção tirava a atenção das duas das coisas que aconteciam ao redor. Caso contrário, Lenka teria percebido que Len observava tudo de muito perto. Ele sorria com a cena que via. Sua irmã era esperta. Esperta demais.
— Ah Lenka… Você não sabe com o que está lidando… Mas logo saberá…
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