Sadique
9 Laços
Notas iniciais
Adrien era capaz de absorver cada detalhe da situação, embora não conseguisse esboçar uma única reação a cada um deles. Sentia Plagg escondido sob a roupa ― na verdade, quase conseguia ouvi-lo dizer que já previa que aquilo iria acontecer. Reconhecia a pressa e a confusão nos olhos do colega que o chamara, porque estava óbvio que ele não queria permanecer na biblioteca sem o restante dos amigos.
E, se não estivesse tão perplexo, poderia apreciar o choque no rosto de Félix. Como se ele estivesse recordando-se de todas as vezes em que se cruzaram sem que o reconhecesse. Ou talvez não se lembrasse de nenhum desses momentos, e a mente estivesse elaborando situações hipotéticas em que se encontraram e não o reconhecera.
Se não estivesse tão perplexo, poderia comemorar o fato de que ele reagira de imediato à simples menção de seu nome. Porque apenas ao ouvi-lo o rapaz abandonou a concentração férrea no fichamento dos diversos títulos. Como se somente essa palavra atraísse a sua atenção em meio a tantas pessoas que só lhe despertavam um distanciamento cortês e indiferente.
No entanto, não poderia permanecer quieto e estático ― a situação já era excêntrica o suficiente sem sua intervenção. Tentou contorná-la da maneira mais rápida:
― E-Encontrei um conhecido ― explicou-se, de mal jeito. Pigarreou e prosseguiu, um tanto mais calmo: ― Vejo vocês amanhã!
― Certo... ― O colega não parecia convencido, mas não estava interessado o suficiente para pressioná-lo por mais informações. Despediu-se rapidamente: ― Até amanhã, Adrien!
Não soube bem o que fazer em seguida, e volta-se lentamente na direção de Félix, a tempo de vê-lo levantar-se da mesa e andar até alcançá-lo. Aparentemente seu nome dito mais uma vez o despertara do transe ― e logo ele estava tão próximo que era possível sussurrar “oi” e ainda assim seria ouvido.
Porém, mais que a audição, o rapaz está concentrado na visão: os olhos azuis o observavam com mais atenção que uma situação cotidiana exigiria. Absorvendo cada detalhe. Confirmando muitas hipóteses. E, como na primeira noite em que se beijaram, ele tomou uma iniciativa. O que, como Adrien já bem sabia, era uma atitude surpreendente da parte dele.
Sem trocar uma palavra, Félix segurara sua mão para guiá-lo ― não fazia ideia de para onde. Ele não o puxara pelo pulso, de maneira grosseira; o contato a envolvê-lo na verdade era suave. Era a primeira vez que andavam de mãos dadas, percebeu, ainda que seus dedos não estivessem entrelaçados. E não conseguia vislumbrar seu rosto, já que ele seguia na frente. Talvez fosse proposital, e compreendia perfeitamente.
Porque não tinha ideia do que dizer quando enfim se encarassem de novo.
Enfim chegaram ao local ao qual ele aparentemente queria levá-lo. Era um ambiente à meia luz, e Adrien distinguira algumas das características que faziam da sala um tanto estranha: o teto era alto, fazendo da percepção do espaço mais estreita do que era de fato; e os objetos entulhavam-se ao redor dos dois, numa bagunça que contrastava com a organização do restante da biblioteca. Um depósito.
Um lugar para ficarem sozinhos. E, mesmo no momento em que dispunham de maior privacidade, ainda passaram alguns segundos num silêncio acanhado a olharem um para o outro de maneira furtiva. Foi Félix que se explicou o primeiro, julgando-se responsável já que os levara até ali:
― Eu... ― Fez uma pausa antes de reformular o que queria dizer: ― Sinto muito por agir de forma precipitada. ― Afinal, não havia tantas garantias de que não arrastara um completo estranho para lá. ― Mas quando te ouvi eu tive certeza. Conheço bem a sua voz.
A última sentença foi dita em tom mais baixo, e Adrien enrubesceu ao cogitar por que seu timbre era tão facilmente reconhecível para ele. Além disso, não desmenti-lo confirmava a própria identidade; já era tarde demais para voltar atrás e estava dividido entre o alívio por livrar-se do peso daquele segredo e a tensão que antecedia sua própria constatação.
― Hum... talvez alguma explicação minha? ―Suas palavras transpareciam ainda mais seu nervosismo, mas prosseguiu de qualquer forma: ― Acho melhor começar me apresentando. De verdade dessa vez.
― Adrien-
Sabia o que ele diria. Que já havia se apresentado. Que já conhecia seu nome. No entanto, apesar de ter sido pego de surpresa, sem qualquer preparativo que atenuasse sua confusão, era isso o que Adrien queria. Não o que lhe era exigido, não algo que era necessário ― era o exercício de sua plena vontade de desabafar.
― Ao menos meu nome você já sabe ― reconheceu, ligeiramente bem humorado a despeito da interrupção. ― Ainda sou estudante e aqueles eram meus colegas de turma. Sou modelo para a marca do meu pai, mesmo que não seja isso que quero continuar fazendo pelo resto da vida. ― Continuou a listar cada uma daquelas pequenas coisas, das irrelevantes às mais significativas, às vezes fitando-o nos olhos, outras desviando a atenção para não se distrair. Plagg remexeu-se sob a blusa, como que para lembrá-lo de que não podia revelar sua existência, e de qualquer modo isto não estava em seus planos. ― Como você sabe também sou herói, mas não posso entrar em detalhes quanto a isso. Minha mãe desapareceu há anos e eu quero muito, muito acreditar que ela vai voltar em vez de pensar na opção mais... ―Mordeu o lábio quando a voz falhou, impedindo-se de gaguejar ou algo pior. Seguiu, deixando a frase em aberto: ― Amo demais meu pai, mas não suporto a distância entre nós dois. ― Acelerou o ritmo, vertendo as palavras num fluxo quase que involuntário: ― Muito menos a impressão de que não o conheço nenhum pouco porque ele mal se abre para mim. E estou completamente apaixonado por você, por motivos que consigo explicar e outros que não fazem o mínimo sentido.
Desta vez durante vários segundos, a quietude se interpôs entre eles. O jovem encarava-o, as bochechas tingidas de rosado ― não sabia se por conta do embaraço, da exaustão após falar tão rápido ou ambos. Já Félix estava a digerir tanta informação que ele lhe confessara, principalmente a declaração da sentença final.
E novamente Adrien foi surpreendido, ao se ver entre os braços do rapaz a envolvê-lo. Era um abraço um tanto desajeitado, como se o gesto fosse repentino demais para que houvesse um melhor ajuste. Contudo, Adrien não demorou a corresponder, apertando-se contra o corpo ligeiramente maior que o seu. Apoiou o rosto em seus ombros e enganchou os dedos às suas costas, confirmando quem seria seu suporte físico e emocional.
Não foi porque lhe faltaram palavras, como no percurso até a saleta, que Félix o aconchegara a si mesmo. Era porque percebera que era disso de que ele precisava. Era evidente o quão desesperado ele estivera, contando de uma só vez aspectos da própria vida que não fazia ideia de que o atormentavam. Assim como lhe parecera óbvio que ele merecia algum alívio, mesmo que não fosse capaz de solucionar a maior parte de seus problemas. E nunca fora muito bom em lidar com pessoas, mas Adrien valia o esforço.
― Obrigado por me contar, Adrien ― cochichou contra seu ouvido, que estava pouco abaixo da altura de sua cabeça. Como resposta, as mãos dele pressionaram suas costas com mais força. Aproveitou-se para admitir também: ― Faz seis meses que estou aqui e seria muito solitário sem você. Na verdade, não estava mesmo esperando conseguir um namorado logo que chegassem em Paris e-
― Você acabou de dizer 'namorado'? ― O herói se afastara para vislumbrar sua expressão, surpreso e ligeiramente esperançoso.
Félix arregalou os olhos, e a vermelhidão em suas maçãs do rosto alcançou o grau mínimo do distinguível. Não esperava que o termo teria tanta evidência, diluído entre os restantes. Estava prestes a soltar uma réplica mordaz para aliviar o próprio constrangimento, mas preferiu ser evasivo:
― É, acho que foi isso que eu disse.
― Você acha? ― E o sorriso travesso de Chat Noir tomou os lábios de Adrien. ― Como pode não ter certeza?
― Adrien, você é tão irritante quando quer ― queixou-se, contrariado, e puxou-o para um beijo que pretendia que fosse rápido.
No entanto, o jovem que recém-descobrira modelo parecia não concordar com a ideia, prolongando o gesto ao puxar seu lábio inferior com os dentes. Droga, era tão fácil esquecer-se do motivo pelo qual estava zangado e perder-se com ele. Ao se afastar ligeiramente, apoiou a própria testa à dele, as respirações mesclando-se enquanto o respondia com seriedade:
― Gosto de você. Disso tenho certeza.
― Não entendi muito bem ― admitiu Adrien, sorrindo apesar de corado de novo. ― Pode repetir?
Não era difícil entender suas intenções: ele pretendia provocá-lo para que se constrangesse mais uma vez. Mas dois podiam jogar aquele jogo, principalmente porque estava óbvio que ele também não era imune àquela espécie de confissão. Antes que se unissem em um novo beijo, declarou com o que esperava que fosse algum descaso orgulhoso:
― Gosto de você, mesmo com essa sua insistência proposital e impertinente.
― Não ouvi bem ― murmurou Adrien contra sua boca, embora ambos soubessem que era uma mentira. Uma mentira insolente. ― Pode falar mais uma vez?
― Gosto bastante de você
― De novo. ― De alguma maneira, a brincadeira se convertera no desejo de ouvi-lo repetir infinitas vezes, e a voz de Adrien era baixa e séria ao pedir quando interromperam os beijos novamente. ― Diga de novo.
― Eu amo você.
O objetivo era deixá-lo enrubescido, porém de algum modo sabia que o rubor das próprias faces era idêntico ao dele. Contudo, não deixaram que o embaraço os mergulhasse em um novo silêncio constrangedor: desta vez ao beijarem-se não havia mais intervalo ou provocação, incerteza ou embaraço.
Como se soubessem exatamente aonde chegar, as mãos do jovem desceram até os quadris de Félix, puxando-os para que tocassem os seus. Os dedos dele, em resposta, encontraram o caminho de seus fios, envolvendo-os pouco acima de sua nuca de maneira a despertar-lhe arrepios. Abafados pela boca um do outro, vez ou outra emitiam algum gemido discreto.
Prosseguiram na troca de pequenas carícias por sabe-se lá quanto tempo, mas a ausência do funcionário não passaria despercebida durante mais de meia hora. Tiveram então de deixar o depósito, a contragosto, embora o próximo encontro já estivesse combinado ao seguirem por corredores diferentes. Iriam se ver de novo quando escurecesse. E desta vez Adrien entraria pela porta da frente.
***
Naquela noite, os preparativos lhe tomaram mais tempo que de costume, porque ao contrário das escapadas noturnas comuns, em que se esgueirava para fora do quarto após o jantar e voltava durante a madrugada, desta vez pretendia passar a noite inteira fora. Nada que não fosse possível para a identidade civil de Chat Noir. Porque Adrien se sentia invencível, capaz de tudo por seu namorado ― ainda que mais importante que definir o que eles eram foi enfim ter a certeza de seus sentimentos.
Foi com o tradicional uniforme negro que alcançou o edifício já tão familiar, no entanto desfez a transformação em um becos mais próximos e adentrou pela entrada comunal, de decoração sóbria. Ao subir os três lances de escada, teve de ouvir Plagg resmungar sobre o quanto aquilo lhe enjoava e quantos camemberts estava lhe devendo por suportar aquela situação. Ignorou-o, pois já lhe dera sim uma grande porção do queijo de odor desagradável, e porque o kwami não entendia nem um pouquinho sobre amor.
― Não cheguei tão tarde assim ― zombou, quando ele lhe recebeu de pijamas ao abrir a porta.
― Você está atrasado ― respondeu Félix, no mesmo tom, como se por conta disso todo o direito de reclamar lhe fosse vedado.
― Então alguém estava ansioso me esperando? ― aproveitou a deixa, reclinando-se contra o batente de maneira que esperava ser sedutora.
― Quem sabe. ― O rapaz arqueou as sobrancelhas para a tentativa de deixá-lo sem fala. Ergueu uma das mãos, então, e roçou-a muito de leve ao queixo e bochecha do herói, para continuar com alguma seriedade: ― Talvez eu quisesse te ver de novo sem a máscara.
― V-Você fez isso de propósito? ― O rosto de Adrien foi tomado por uma infinidade de tons de vermelho.
Jurou ter visto a sombra de um pequeno sorriso nos lábios dele quando se afastou. Afinal, Félix já o conhecia bem o suficiente para saber que seu charme felino podia muito rapidamente se converter no acanhamento de um gatinho. Seguiu-o poucos passos atrás, atento às maravilhas que o tecido fino da blusa fazia pelas costas dele. Ao chegarem no quarto, notou o tablet sobre a cama.
― Trocando os livros pela tecnologia? ― Simulou um timbre decepcionado: ― E eu achava que te conhecia meowlhor.
― Respondendo algumas mensagens de Fleur e um amigo de Toulouse.
― Espera, você- ― A surpresa de Adrien parecia genuína, antes de ser interrompido.
― Sim, tenho uma irmã¹.
― Você tem amigos? ― questionou, de brincadeira. A olhada feia de Félix respondeu seu espanto fingido. No entanto, a curiosidade não era simulada, e estimulou-o a dizer mais: ― Mas uma irmã, hm?
E enfim, quatro meses após se conhecerem, descobriram mais um sobre o outro. Ele não era filho único como imaginava, mas irmão mais novo de uma moça já casada, oito anos mais velha. Ela morava em Lyon, e convidara-o para morarem juntos quando o rapaz saíra de casa. Contudo, ele não queria ser um fardo para a irmã e o marido, já acostumado a lidar com tudo sozinho. E, embora soubesse que podia contar com a ajuda Fleur, a diferença de idade fez de suas experiências quase incompatíveis.
Porque o motivo pelo qual basicamente fugira da convivência dos pais pouco após alcançar a maioridade foi o fato de que ambos não aceitavam que gostasse de homens. Nunca foram violentos ou ostensivamente ofensivos, mas a decepção que deixavam transparecer era opressora. E em vez de enfrentá-los, preferiu viver sozinho, porque detestava lidar com conflitos ― evitá-los era sua filosofia de vida.
Tinha dois amigos mais próximos, que foram juntos para as universidades de Toulouse. A este aspecto Adrien também estava habituado, porque Nino também fora para lá, junto de Alya. Questionou se ele sentia saudades da vida antes de se mudar para lá, e a resposta foi parcialmente afirmativa, porque havia circunstâncias que lhe faziam muita falta e outras das quais queria apenas esquecer.
― Mas hoje existem centenas de quilômetros entre nós ― resignou-se, já que nada do que fizesse reduziria esta distância.
― De onde você era? ― perguntou Adrien, percorrendo um mapa mental da França para recordar-se das cidades que se adequavam àquela descrição.
― Marseille.
― Você morava na beira do Mediterrâneo e veio para cá? ― Adrien estava boquiaberto, como se não fizesse o mínimo sentido substituir o ar fresco e a imensidão azul da paisagem pela urbanidade de Paris. A resposta de Félix foi bem-humorada:
― Não sabia que gatos gostavam de cidades litorâneas.
― Eu costumava passar as férias lá. Com meus pais. ― Os olhos verdes viam outro ambiente, mais quente e vivo, para além das paredes de cores claras do quarto. Foi num murmúrio que acrescentou: ― Antes dela sumir.
Não foi difícil que aquele se tornasse o assunto seguinte do diálogo entre eles ― pelo pouco que Adrien lhe revelara na biblioteca, compreendia que a relação com os pais era algo de grande importância para ele. Deixou que ele expressasse melhor o que sentia quanto ao desaparecimento da própria mãe e a frieza do pai, sem pressioná-lo.
E, em determinado momento, as lágrimas que Adrien se impedira de verter antes cobriram-lhe as bochechas enquanto exteriorizava seus receios para outra pessoa. Desculpou-se ao enxugar as lágrimas com o dorso da mão, mas Félix lhe garantiu, um tanto ofendido até, que não havia vergonha nenhuma de chorar pelos pais. Foi o jovem que o pegou de surpresa desta vez ao abraçá-lo, e o impacto acabou deitando-os sobre o colchão.
Ajustaram-se sobre a cama até atingir uma posição confortável para os dois enquanto trocavam confidências e beijos quando a proximidade dos rostos permitia. Foi com satisfação que Adrien constatou que ele respeitara as restrições quanto aos seus poderes, evitando perguntas sobre Chat Noir. O segredo da existência de Plagg estava seguro, e o kwami não tinha do que reclamar na cozinha.
Até porque quem ele queria conhecer era Adrien Agreste. E a recíproca era verdadeira, pois as dúvidas do jovem eram inúmeras. Seu prato preferido (desta vez sem insinuações sexuais), o que gostava de ler (além de Sade), até mesmo como era a experiência de morar sozinho durante os meses após se mudar para Paris. Para alguém tão obcecado por organização como Félix, um espaço exclusivo para si mesmo era uma dádiva, ainda que bastante solitária. Até que eles se conheceram, acrescentou enquanto acariciava os fios mais curtos da nuca do namorado. Adrien aconchegou-se mais, ronronando alegre.
― Uma garota chegou a gostar de mim em Marseille ― confessou, e pela maneira com que o dizia, não fora nem um pouco agradável. ― Foi difícil fazer ela entender que eu era gay.
― Então nunca se interessou por uma?
― Acho que essa é a definição de 'gay' ― ironizou, com um bocejo. Já conversavam havia horas.
― É que pensei que você fosse como eu. ― Ajeitou-se contra o travesseiro e explicou-se melhor: ― Sabe, gostar dos dois.
― Você quer dizer bissexual?² ― Félix arqueou as sobrancelhas de novo; ele preferia termos claros do que indefinição. Adrien aproveitou para implicar de brincadeira, porque ele bocejara mais uma vez:
― Nem com sono você deixa de ser tão meticuloso?
― Não ― confirmou, o que fez com que o jovem gargalhasse. ― Eu pioro.
― Na verdade ― refutou o herói, com um dos típicos sorrisos que antecipavam um desafio. ― Você parece diferente quando está com sono. ― Tocou uma das maçãs do rosto de Félix, afastando uma das mechas loiras de seu cabelo já despenteado. ― Manhoso.
― E você também não está? ― Adrien riu da tentativa dele de desviar a atenção de si mesmo. ― Já são três horas.
― Desculpa, estou muito empolgado ― admitiu, prevendo que a euforia e o alívio não o deixariam dormir naquela noite.
― Nós temos muito tempo pela frente.
Talvez o rapaz não soubesse o quanto a frase significara para Adrien, mas para ele era bem mais que um comentário banal. Porque consistia em uma promessa.
Em um futuro.
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