Sadique

4 Diferenças


Notas iniciais
Hey, belezinha? Antes de tudo, AGRADEÇO MUITO À PESSOA MARAVILHOSA QUE RECOMENDOU ♥ Onee Chan, te adoro! Um muito obrigada também a todos que estão acompanhando as desventuras desse crackship. Divirtam-se!

Realmente eram muitas as vantagens ao transformar-se em Chat Noir. Além da visão e reflexos aprimorados, podia contar também com a certeza de que estaria completamente seco, mesmo após um banho. No entanto, ao sair do banheiro do apartamento, perguntou a si mesmo se as marcas que cobriam sua garganta, ombros e pernas também sumiriam como a umidade do corpo.

― Você me deixou com chupões ― denunciou ao encontrar Félix na sala. ― De novo.

Teria que se livrar deles antes da próxima sessão de fotos. Mas não poderia culpá-lo: ele não fazia a mínima ideia de que embaixo da máscara havia um modelo. E a resposta foi simples e sem pudor algum, como de costume:

― Da próxima vez não me deixe excitado. E não é como se eu estivesse em melhor estado.

Puxou a blusa social para cima, apenas para ilustrar o que dissera: naquele pedaço de pele nas costas pôde enxergar alguns arranhões nas mais diversas direções, longos e curtos, embora todos superficiais. Estava sinceramente espantado. Afinal, ele havia feito aquilo? Suas unhas nem eram compridas! Defendeu-se:

― Mas você estava gostando.

― Você também.

Ambos se calaram, tanto porque perceberam que permanecer retrucando era inútil, quanto porque a pequena discussão alimentara a tensão entre os dois. Eram diferentes demais para que tudo fosse sempre pacífico. Todavia, mesmo quando as réplicas um contra o outro se tornavam acaloradas, nunca chegaram a ser agressivas ou insuportáveis. Era algo divertido, porque não existia monotonia quando estavam juntos.

Mas, no momento, o que mais sentia não era tédio ou exasperação, e sim fome. Com toda a certeza, daria tudo para provar de novo a comida dele. Para alguém que morava sozinho e aprendera por conta própria, Félix era um ótimo cozinheiro. Porém rejeitava qualquer elogio, ao dizer que aquilo era obrigação de qualquer um com responsabilidade sobre si mesmo. Surpreendentemente humilde para alguém capaz de ser tão arrogante.

Não demorou a despertar dos devaneios, e ao encarar o rapaz novamente, ele estava amarrando um avental cujo tom branco contrastava com as vestes escuras. As pontas rebeldes (e ainda úmidas) do cabelo já estavam contidas num pequeno e improvisado rabo de cavalo. Recordou-se da primeira vez em que o vira vestido daquela maneira, quando gracejara ao dizer que ele parecia um marido dedicado e atencioso. Félix definitivamente não era alguém que se impacientava por pequenas coisas, mas na ocasião esteve prestes a atirar uma espátula contra o gato preto.

― O que quer comer?

― Hã? ― Murmurou, desconfiado: ― Você consegue ler mentes por acaso?

― Quando você não está com fome? ― Arqueou as sobrancelhas diante da obviedade do raciocínio.

Não desperdiçou a oportunidade ao entrarem juntos na cozinha: pediu a ele todos os tipos disponíveis de croissants, bolos e tortas elaboradas, deliberadamente abusando de sua já mínima indulgência. E, como da última vez, dentre tantas alternativas escolheu ele mesmo uma refeição simples e rápida, de maneira aleatória. Ou não tão aleatória assim, porque Adrien elogiara aquele prato da última vez que o fizera.

― Parece que nenhum segredo resiste a você ― especulou, sentando-se no parapeito da janela enquanto assistia o outro durante o preparo.

― Como não? Eu nem sei seu nome.

― Chat Noir, o maior gato de Paris. ― Improvisou uma reverência e piscou para o cozinheiro: ― Em todos os sentidos.

― Seus trocadilhos pioram a cada dia ― comentou, sem desviar o olhar dos ingredientes.

― Pioram?! ― Cruzou os braços e balançou a cabeça numa fingida incredulidade. ― Como pawde dizer isso? Eles são purrfeitos. Meowravilhosos.

― Mais uma palavra e te atiro por essa janela.

― Pois saiba que gatos têm nove vidas.

― Quer realmente comprovar isso? ― Enfim fitou o jovem pelo canto dos olhos, e se Adrien não estivesse completamente enganado, enxergou algum humor nos olhos dele.

De modo incomum, tornaram-se um pouco mais próximos desde as primeiras noites em que se conheceram. Não exatamente uma amizade, já que eram tantos os segredos e as limitações entre eles, mas uma espécie de cumplicidade bizarra.

E isto era tão estranho, afinal não sabia basicamente nada sobre ele além do nome e do temperamento. Nesse sentido, era justo usufruir de uma identidade secreta, ou se sentiria transparente por completo. Porém, Félix deveria perceber que o queijo sumia quando estavam no quarto ― o único motivo pelo qual Plagg nunca reclamara quando o visitavam era sua cozinha organizada e bem servida. Ou que, mesmo que Adrien pedisse ao kwami que fizesse silêncio, havia mais alguma presença junto a eles. Questionava se, no final das contas, ele não se importava o suficiente, e acabou por exprimir essa dúvida:

― Não se incomoda nem um pouco em não saber minha identidade?

― É frustrante ― admitiu após um bom tempo calado. ― Mas é escolha sua. Quando quiser, e se quiser, pode me mostrar como é sem essa fantasia de stripper.

WOW. Félix reconhecera um sentimento. Na frente dele. Em uma sentença inteira. Contra todas as expectativas, fora absurdamente sincero. Porém, aquele tipo de raciocínio representava muito do que o leitor era: como alguém que desejava que respeitassem o próprio espaço pessoal, era capaz de respeitar as decisões e os limites dos outros. Além disso, Chat corou com a desnecessária e constrangedora descrição do próprio traje.

― Achava que tentaria me convencer a dizer. ― Coçou a nuca. ― Com, você sabe...

―Com sexo? É, não seria muito difícil.

E antes que o jovem pudesse exprimir a irritação que sentira ao ser subestimado de forma descarada, o prato foi servido. Então todo o restante desapareceu: havia apenas Adrien e a comida.

― Coma mais devagar ― recomendou, ao ver a voracidade com que ele devorava o que preparara.

― Desculpe. ― Chat Noir engoliu uma das porções, concentrado. ― É que você cozinha muito bem.

― Então valeu a pena aperfeiçoar desde a última vez ― sussurrou para si mesmo, apoiando-se na bancada.

Sentado à mesa, o gato preto perguntou o que ele dissera, mas estava com a boca tão cheia que mal formava uma frase articulada. Deveria haver algum motivo pelo qual ele conseguia se manter bonitinho mesmo quando esfomeado.

― Nada, continue a comer.

Ajeitou o avental branco e as mangas cinzentas arregaçadas até os cotovelos antes de voltar para improvisar alguma sobremesa. O herói era insaciável, e tudo que cozinhara não duraria mais que alguns minutos.

― Não é muito justo ―murmurou Chat, quando o cozinheiro já estava de costas. ― Você sempre cozinha para mim, e não faço a mínima ideia do seu prato favorito. O que você gosta de comer?

Ah, a inocência... Ou seria desatenção? Félix pareceu pensar sinceramente, mas a resposta foi monossilábica e descomplicada.

― Você.

Adrien sabia que a máscara não encobriria toda a vermelhidão que se espalhou pelas bochechas. Afinal, ele estava prestando atenção. Poderia até ter dito aquilo sem propósito, mas aguardava a sua reação. E, além do óbvio embaraço, um tipo muito específico de avidez substituiu seu desejo por cookies. Em silêncio, levantou-se e foi até o cozinheiro. Poderia esperar um pouco mais antes de voltar para casa.

Percebeu que a ponta dos dedos do rapaz estava suja de chocolate, devido ao preparo de algum doce ― e não desperdiçou a oportunidade. Com gentileza, ainda que acompanhada de certo atrevimento, pegou uma das mãos e a levou até a própria boca.

Vagarosamente, lambeu o cacau que encobria a pele, apreciando tanto o sabor quanto o enrijecimento com que o corpo de Félix reagira ao gesto. Não conteve a excitação ao chupar os dedos longos, mas o fez sem pressa. Ao final, enroscara a língua a cada um dos dedos, sugando com vontade ao limpá-los. E enfim os olhos verdes encararam os azuis.

― E você está com fome agora? ― sussurrou sobre o ouvido dele, ao esticar-se para alcançá-lo.

Aquele garoto era irritante. Foi o que pensara enquanto o felino preto envolvera seu pescoço com os braços, e puxara o acessório que mantinha seu cabelo preso.

Aquele gato despertara nele sentimentos estranhos. Quando as mãos de Adrien enlaçaram-se aos fios loiros desalinhados da nuca, os lábios já haviam se adiantado num beijo sedento.

Aquele herói acabara com sua paz. Félix não se conteve ao estreitar o contato entre ambos, ao puxá-lo contra si mesmo e aprofundar a intensidade da carícia. Ao corresponder àqueles lábios insolentes com indecência.

Mas, droga, como era fascinante.

Notas finais
Ah. Me perguntaram faz um tempo sobre uma possível playlist da fic. Nunca elaborei nenhuma, mas posso compartilhar as músicas que já ouvi enquanto escrevia um desses capítulos: The Pretty Reckless – Everybody Wants Something From Me Justin Timberlake – Sexyback Beyoncé – Crazy in Love (50 Shades of Grey OST) Three Days Grace – I Hate Everything About You Mikky Ekko – Who Are You, Really? 30 Seconds to Mars – Hurricane Bem, é só isso mesmo. Nos vemos nos comentários~~