Sacrifices
11 Uma mensagem no celular
Por mais que lhe custasse admitir, ficar na casa de Hotch estava fazendo bem. O pânico, antigo pânico que tinha sido o motivo de sua mãe obriga-la a mudar de cidade, estava voltando.
Eles estavam indo pro trabalho cada um em seu carro, e Hotch, por ser o supervisor da equipe, ia mais cedo.
Sempre que Emily saia em direção ao BAU, vinha a sensação de que estava sendo vigiada, mas não queria contar a ninguém sobre isso.
No sexto dia, porém, ela notou que estava sendo seguida por um veículo; podia ser apenas sua cabeça imaginando coisas, mas dessa vez era diferente, Emily entrou em ruas e mais ruas, e o carro continuava atrás, era como se o perseguidor, quem quer que fosse, queria que ela soubesse. Só quando ela chegou à avenida o carro sumiu de vista e ela pode finalmente respirar.
No minuto que chegou na sede do FBI, veio uma mensagem no seu celular:
“Você é como seu pai, se colocando em primeiro lugar sem se importar com o que pode acontecer com aqueles que se preocupam com você, Emily Prentiss. Envie lembranças a Aaron Hotcher.”
Ela não era burra pra saber o que ele queria desde a primeira mensagem. Ela tinha que ir até ele ou os que ela amava sairiam feridos. Esse era o jogo, mas ela não sabia se estava disposta a jogar.
O dia se passou sem que nada mais acontecesse, eles não poderiam viajar para casos pelo restante do mês por que era o turno de outra equipe, de modo que não tinha nada além de papelada para eles cuidarem. Hotch sempre perguntava se ela havia recebido mais alguma coisa, e cogitava a ideia de explicar a situação pra equipe, mas ela negava tudo, não podia envolver os outros em seus problemas, ia resolver isso sozinha e da maneira dela.
Estava na hora de encontrar com sua mãe e arrancar dela a história que ela nunca contara a Emily. Ela sabia que tudo que estava acontecendo, a morte de seu pai, a mudança de São Francisco, as mulheres mortas, as ameaças, tudo estava ligado ao que havia acontecido antes mesmo de ela nascer. Sua mãe conseguira esconder por muito tempo, e agora estava na hora de tirar isso a limpo.
– Aaron – ela falou, enquanto guardava a louça do jantar – eu estava querendo saber se amanhã eu poderia tirar o dia de folga para visitar minha mãe.
– Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa com ela? – ele perguntou, preocupado.
– Não, não é nada disso, é que eu e ela precisamos conversar um assunto que já foi adiado por muito tempo.
– Tem a ver com tudo que está acontecendo? Emily, você acha que sua mãe, sabendo de tudo isso, não teria tomado providências?
– Aaron, é um conversa importante de mãe e filha, apenas isso.
– Tem certeza que nada mais aconteceu depois daquele dia Em? Nenhuma outra mensagem, ligação, nada? – ele perguntou, desconfiado.
Ela vacilou por um segundo antes de responder.
– Não, nada mais aconteceu, por isso que eu estou pensando em voltar pra minha casa, já dei muito trabalho pra você.
– Epa, você nunca dá trabalho – ele falou, abraçando-a por trás – trabalho quem dá são bebês, e você não gosta de ser tratada com um, lembra?
Ela riu.
– Você tem razão, mas essa conversa sobre eu voltar pra minha casa ainda não terminou.
– Vem – ele puxou a mãe dela – vamos relaxar por que você precisa, não quero que amanhã você chegue como se tivesse com TPM por que a conversa com sua mãe não deu certo. – ele falou em tom de brincadeira.
– Aaron Hotchner, nunca repita isso ou sem sexo pra você – ela falou em tom sério.
– Duvido você resistir ao meus encantos baby.
– Digamos que eu seja uma mulher forte.
– Haha, isso é o que vamos ver – ele respondeu, enquanto a levava para o quarto.
No dia seguinte, quando Emily acordou, Hotch já havia saído. Demorou um minuto para ela lembrar que hoje seria o dia de encontrar com sua mãe e ligou para marcar um agendamento. Qual o tipo de mãe em que a filha tem que agendar para vê-la? Pois é. Embaixadora Prentiss era muito ocupada e Emily não queria dar viagem perdida. Essa conversa tinha que acontecer hoje.
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