Sacrifices

12 Revelações


– Oi mãe – ela falou entrando na ampla sala de visitas.

– Querida – sua mãe lhe deu um abraço – até que enfim veio me ver. Como está o trabalho no BAU?

– Está ótimo – ela falou, sentando em uma poltrona em frente a que sua mãe sentara – mas eu vim aqui por que preciso de respostas que só você pode me dar.

– Eu não estou entendendo.

Ela então contara tudo que estava acontecendo até ali, as mensagens, as mulheres mortas e como ela achava que tudo estava relacionado à morte de seu pai.

– Emily, querida, como sua mãe eu vou lhe pedir para não ir a fundo nesse assunto.

– Não mãe, eu vim até aqui e agora vou até o final. Eu vi aquelas mulheres que ele matou, eu vi o meu pai morto, que ele também matou e agora ele veio brincar comigo, pois bem, eu preciso saber de toda a verdade pra poder revidar.

Elizabeth ficou quieta, apenas olhando preocupada para a filha.

– Ah querida, não faz ideia no que está se metendo.

– Por favor mãe – Emily praticamente implorou – eu preciso saber, por favor.

– Ok, tudo bem, eu vou contar – ela se ajeitou na poltrona, como se estivesse em alguma de suas reuniões de estado – eu e seu pai não fomos o casal de conto de fadas como todos pensavam, seu pai tinha um caso com uma mulher que ele conhecia bem antes de mim, e como nosso casamento era arranjado, eu realmente não me importava muito, ele me deu você e isso bastou. Mas acontece que ele teve um bastardo com essa tal mulher e ela passou a querer direitos de paternidade para o filho, começou a ameaçar se revelar para o mundo, jurou causar um escândalo e acabar com a reputação das nossas famílias. Isso causou sua morte.

– Sua morte? Causada por quem? Meu pai? Foi por isso que ele morreu?

– Não Emily, seu pai jamais faria uma coisa dessas, depois que você nasceu ele virou outro homem, até parou com o vício que tinha por charutos. Ele costumava me agradecer sempre que podia por ter lhe dado você, nossa vida estava melhorando muito Emily, por sua causa. E essa mulher volta anos depois, com um bastardo adolescente ameaçando destruir o que demorara anos para ser construído, seu pai estava desesperado a ponto de desistir de sua carreira, da gente, eu não sabia o que fazer, então, em um ato de desespero eu liguei pro seu avô, pai dele e contei tudo. Dias depois ela havia sumido e seu pai me disse que seu avô tinha dado uma boa quantia para ela ir embora e eu acreditei.

– E então ela aparece morta? – Emily perguntou, incrédula

– Eu não sabia de nada, eu soube através de uma carta que seu pai escrevera e guardara pra mim caso o pior acontecesse com ele. Foi tudo para proteger você e garantir o seu futuro.

– Então quer dizer que meu avô mandou matar essa mulher? É isso?

– Emily, eu não dou justificativa para o que seu avô fez, não digo seu pai por que ele não teve escolha a não ser calar sobre isso para todo mundo. Ele simplesmente não podia deixar que um ato do seu pai destruísse o legado inteiro de não só uma, mas duas famílias. Naquele tempo era assim que as coisas se resolviam querida, os fortes engoliam os fracos, não era justo mas era assim que funcionava, e posso dizer que ainda funciona em alguns lugares por aí.

Emily não falou nada diante do silêncio que se seguiu, estava atordoada, era difícil acreditar que um dos homens que mais amava na vida haviam compactuado sobre a morte de uma pessoa; seu pai pode não ter sujado as mãos, mas ele ficou calado diante da situação. Estava um pouco difícil para ela conseguir perdoar aquilo, apesar de ambos também estarem mortos.

– Matar alguém não era a solução. E você escondeu isso de mim todo esse tempo, por quê?

– Apenas para proteger você.

– Eu tenho um irmão bastardo e órfão por aí que nem ao menos sabia que existia até agora pouco, e tem um homem me perseguindo e tirando meu sono mãe, você tem certeza que não me contar era a melhor maneira de me proteger?

– Agora eu sei o erro que cometi, esse terrível erro de não ter contado nada depois que seu pai morreu. Mas eu estava tão assustada querida, depois que li aquela carta eu só pensava em uma maneira de manter você afastada daquilo tudo, daquela sujeira; parecia o certo na época.

– Mas não foi. Apenas fez com que eu me afundasse mais nessa história mãe, agora estamos eu, você, minha equipe e Deus sabe quem mais metidos até o pescoço por causa disso; e eu não falo do fato de você não ter me contado, e sim das atitudes de meu avô e de meu pai no passado. E não me peça para não culpa-los por que não tem como. Eu os amo, continuo amando muito, mas não é por isso que vou dizer que eles agiram certo. Eu quero encontrar esse meu irmão, preciso saber a história dele, se está vivo, onde cresceu, quem sabe ele conhece o assassino, quem sabe não está sendo uma vítima também.

– Eu não faço ideia de onde ele esteja, a única coisa que tenho é o nome, Raphael Williams.

Emily anotou aquilo no primeiro papel que encontrou.

– Tome cuidado Emily, por favor, eu não me perdoaria se algo acontecesse a você.

– Eu vou tomar, só quero encerrar isso de uma vez por todas. Agora tenho que ir – ela falou, se levantado.

– Espere, antes eu quero lhe entregar uma coisa – Elizabeth falou e foi em direção ao seu quarto, voltando logo depois com um papel já amarelado na mãos – tome, a carta que seu pai escreveu. Leia e entenda pela versão dele o que aconteceu.

– Está bem – Emily respondeu, dando à mãe um forte abraço de despedida – até logo mãe.

– Até logo meu amor.

Emily saiu de lá com um nome e uma carta na mão. Agora que ela sabia da história toda, podia jogar o jogo desse cara que a estava perseguindo. Ele começou como o gato e ela como o rato, estava na hora de inverter os personagens.