Sacrifices
10 O pacote em frente à porta
– Prentiss falando – ela atendeu o telefone com seu jeito habitual – alô?
– Algo errado? – perguntou Hotch
– Não sei, ninguém desligou mas está completo silêncio do outro lado da linha.
Mal disse essa palavras, alguém suspirou e, numa voz sussurrada, falou
– Olhe na sua porta, deixei um presente para você. Espero que tenha aproveitado sua noite com agente Hotchner.
– Quem é? – ela quase gritou, mas já haviam desligado.
Sem dar explicações a um Hotch atordoado, Emily se cobriu com o roupão e correu para sua porta, abrindo-a. Havia uma pequena caixa de presente em veludo.
– Um presente? – perguntou Hotch logo atrás – Quem mandou? Quem estava ao telefone?
– Eu não sei – a mão de Emily tremia – só disseram para eu vim ver o que tinha na minha porta – ela se virou pra ele – sabiam que você estava aqui Hotch, comigo.
– Não vamos nos precipitar querida, deve ser algum vizinho pregando uma peça em você – ele falou, enquanto pegava a embalagem e colocava em cima da mesinha de canto, trancando a porta logo em seguida.
– Sério Hotch? Um vizinho?
– Vai ver ele tem uma paixão por você e ficou com ciúmes de mim.
Emily não pode deixar de rir com esse comentário, o que quebrou um pouco a tensão.
Cuidadosamente, Hotch desembrulhou a embalagem, dentro havia o desenho do homem vitruviano em miniatura e uma pequena folha de papel. Antes que Hotch pudesse fazer alguma coisa, a mãe de Emily alcançou o papel.
Ela leu em voz baixa, sua mão tremendo, Hotch parou atrás dela e leu também:
“Os pais podem dar a vida por seu filho, mas depois que eles se vão, quem resta para dar a vida por ele? Espere e verá”
– Ainda acha que é algum vizinho Aaron? – Emily perguntou
– Arruma suas coisas, você não pode ficar por aqui – ele respondeu, colocando o papel de volta na embalagem.
– O que? Como assim? Aqui é minha casa, eu não posso simplesmente sair.
– Emily, quem quer que seja esse homem, ele sabe onde você mora e sabe da morte de seu pai. Como ele poderia saber? Não sei, mas só pensar em você ficar aqui sozinha já me faz perder o sono.
– Eu sou uma agente do FBI pelo amor de Deus. E onde você vai me colocar, em um hotel? Lá eu estaria mais segura? – perguntou sarcasticamente.
– Você vai pra minha casa e o fato de ser agente do FBI não importa, não impediu ele de mandar isso e não vai impedir de tentar fazer algo pior.
E assim, em menos de uma hora, antes mesmo de ela ter a chance de se preparar, a felicidade foi brutalmente arrancada dela, sendo substituída pelo medo e pela sensação de outra vez estar sendo perseguida, assim como foi em São Francisco.
Mas era ela Emily Prentiss, afinal, e iria fazer jus à morte de seu pai, custasse o que custasse.
Não demorou muito e ela estava pronta para partir.
– Eu não estou levando muita coisa por que não vou me mudar pra sua casa Aaron, por isso não abuse, ok?
– Seria um prazer se você viesse morar comigo de uma vez, mas se você não quer né.
– Pode ir parando, eu gosto daqui, gosto de chegar e alimentar o Serg, de tomar um banho, relaxar. É o momento que tenho pra mim, não quero viver embaixo da aba de um homem, sendo protegida, me faz sentir como um bebê.
Ele riu.
– Emily Prentiss não gosta de ser tratada como um bebê, essa é novidade.
– Eu já falei pra você parar – disse ela, dando um tapa de leve no braço de Hotch – agora vai pegar o Serg.
Com tudo pronto, ambos deixaram o apartamento, sob os olhos curiosos do estranho que estava causado aquilo tudo. Ele estava tendo a vingança dele, foi complicado encontrá-la mas finalmente conseguiu, agora era só esperar mais um pouquinho; pra ele, que tinha esperado tantos anos, não seria difícil.
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