Sacrificando Todos Os Meus Sentimentos
3 Dúvidas
Bocchan fugia de mim, assim como, ironicamente o demônio foge de cruz... Ignorava qualquer palavra minha, ignorava qualquer ato meu. Para lhe contar a verdade eu não fazia idéia do porquê disso. E eu só percebi isso quando...
Já era de madrugada e Mi Lord, exausto, cochilando em seu escritório, mandou-me preparar seu banho para ir dormir.
Anoite chegou fria, tão fria, que meus dedos estavam dormentes e doloridos depois que terminei de lavar a louça do jantar.
A senhorita Maylene estava guardando os pratos e os copos cuidadosamente e bem concentrada, Finnian colocava Pluto no antigo celeiro e obviamente não precisava de muito esforço, Bard dormia ao lado do fogão, o cigarro amassado e apagado estava preste a cair de seus lábios grossos, e o senhor Tanaka... Bom, esse eu nem preciso comentar, dormindo de olhos abertos, acho que é assim que eu posso dizer.
Subi, a longa escadaria leste e me dirigi até o enorme quarto de meu Jovem Mestre, a suíte principal... O lugar onde eu mais adorava ir naquela mansão.
Entrei em seu banheiro, digno de realeza, e preparei seu banho, com ervas e óleos de Hong Kong. O cheiro era agradável, lembrava-me um campo de rosas brancas no alto de uma colina depois de uma leve garoa... Mas, ainda teimo que nada se compara ao odor da alma de Mi Lord. Fechei os olhos e suspirei.
Logo em seguida, Ciel abriu a porta do banheiro lentamente, parecia um pouco pálido e tinha um olhar meio intrigante, mas fingi que não reparei em suas feições ou reações. Dei o meu mais sincero sorriso e o reverenciei :
- Mi lord... – Ele ignorou-me, levando sua mão até o lado direito de sua face, retirando aquele seu velho tapa-olho. Encarei aquele olho, aquele pentagrama púrpuro. Aquilo era meu fardo e a sua maldição, era o erro e o pagamento!
Passei a mão pelos meus cabelos e fui caminhando em sua direção, o único barulho da casa inteira, era a torneira aberta em cima da banheira, que jorrava uma água quente com um vapor relaxante.
Tirei seu sobretudo preto, Ciel ainda estava meio estático e quando eu cheguei no primeiro botão de sua camisa de seda, ele afastou minha mão com um tapa ardente e delicioso e disse bem devagar:
- Eu mesmo faço isso... – Ele suspirou... Minha mão pairou no ar, e logo se virou até minhas costas para eu reverenciá-lo novamente. Nada disse e ele nada perguntou. Eu saí do banheiro e a porta bateu bem forte nas minhas costas, o barulho cortou o silêncio da mansão fazendo doer os meus tímpanos.
Depois de um longo tempo, enquanto eu terminava de arrumar a cama para ele poder se deitar, Mi Lord saiu de seu banho quente. Eu sorri e ele sorriu com os olhos, guiei-o pelas mãos até sua cama, ele deitou lentamente, e enquanto se ajeitava eu puxei o cobertor até a altura de seu pescoço.
— Obrigado Sebastian... – Ele disse de olhos fechados.
Eu sorri e disse baixo: — Durma bem Mi Lord... Sonhe com os anjos... – Minha voz em um tom irônico quebrou o som do vento.
Saí do quarto e fechei a porta sem fazer barulho algum, depois sorri por ouvir o sussurro de Ciel, ele disse algo como “Como posso sonhar com os anjos, se meu mordomo é um demônio?...”
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