Creio, que se você for uma dessas pessoas estúpidas e fracas garanto que me odiara pelo resto de sua vida. Bem, sendo sincero, eu não quero que goste de mim!

Caminhei lentamente em direção ao quarto de meu Jovem Mestre, abri a porta lentamente, e analisei cada parte daquela figura monótona e magnífica, que observava a paisagem morta pela imensa janela.

- O que deseja, mi Lord? – Eu tentei dizer com alguma expressão, mas falhei nas entonações.

Ciel parou de respirar, apertou suas unhas na palma da mão e disse sem se mover um centímetro:

- Eu quero... Eu quero você Sebastian.. Quero você de corpo inteiro... – E por fim, ele suspirou, girou seu corpo pelos calcanhares e me encarou com aquele olho azul inigualável. Um azul como o céu anil de todas as manhãs, um azul infinito.

Eu sinceramente não entendi todo o drama e todas aquelas palavras, para mim, não era nada.

Fiquei um bom tempo parado em frente à porta, e percebi que a noite parecia demorar a chegar, e pela primeira vez tive a audácia de sentar na beirada da cama de mi Lord. Hoje a tarde parecia tão mais macia e ardente do que quando fui arrumar pela manhã.

Soltei um suspiro que estava preso em minha garganta angustiada. Inúmeras coisas passavam entre minha mente, eu de fato, pela primeira vez, não sabia o que fazer!

Passei a mão entre meus cabelos negros e cocei a nuca, parecia que meus movimentos, todos eles aleatórios, estavam tomando uma forma humana.

Bocchan que estava a ver o pôr-do-sol alaranjado, veio caminhando lentamente em minha direção, ele se ajoelhou e levantou o meu rosto pelo queixo.

Eu tremia fervorosamente, as perguntas sem respostas não cessavam na minha cabeça, uma delas ousou em escapar por entre meus dentes, em um tom cínico e desafiador que eu não pude controlar:

- Você.. O senhor... Ama-me? – Não me senti aliviado pela pergunta, muito pelo contrário, senti algo frio em meu estômago. Sinceramente, eu não sabia a resposta para essa questão, não sabia se era recíproco, eu no momento, não sabia de nada!

Eu ofeguei um pouco e puxei o jovem Ciel pelo pulso, deixando-o aninhar em meu peito. Ele sentou-se no meu colo, passou um dos braços pela minha cintura, com o outro apoiou a mão em meu pescoço, os dois joelhos estavam encolhidos.

— Eu.. Eu te amo Sebastian – Ciel falou tão baixo e rouco, que se não fosse pelo silêncio, eu não escutaria. O pequeno colocou sua mão em minha face tirando uma mecha de cabelo e jogando para trás, e apoiando sua orelha em meu peito. Eu juro, que se eu tivesse fisicamente um coração ali, ele estaria acelerado.

Eu apertei o pequeno contra meu peito e dei um sorriso para o quarto vazio.

Nossas respirações começaram a ficar mais densa, à medida que à distância dos nossos lábios se estreitavam, até que um beijo aconteceu.

Primeiro, houve o roçar dos lábios, era úmido e terno; depois, eu desejei invadir cada canto daquela boca com gosto de canela e hortelã. Enrolávamos línguas, e ele acariciava minha nuca. Ciel às vezes gemia dentro de minha boca, enquanto eu, inconseqüentemente, me deixava fluir pelo momento.

Percebi que eu não era o único que não estava agüentando, éramos fracos demais para tais sensações... E, quanto a mim? Ah! Eu nunca provei nada igual em todos esses anos! Era maravilhoso, indescritível...

Em meio a suspiros e beijos, Bocchan passou suas unhas pelas minhas costas, por dentro do smoking, ele sorriu, e eu me arrepiei inteiro e arqueei o corpo.

Eu me peguei virando aquele pequeno corpo de frente para mim, apoiando os seus joelhos em minhas coxas. Ele estava tão corado e quente, era tão lindo. De fato era muito pra mim, um mero mordomo!

- Mi... Mi Lord... Eu.. Eu não.. Aaah! Eu não posso... – Eu tentava dizer sem gaguejar. Essa atitude, isso que estávamos fazendo, era eloqüente vindo de mim, um ato assim.

Ciel calou minha boca com um beijo devorador, e abriu minha camisa de supetão. Os gemidos foram quebrados pelo barulho de pérolas caindo pelo assoalho de madeira. Eu sorri internamente e parei de respirar. Era tudo tão único nessa noite!

Mi lord mordeu meu lábio inferior e um arrepio passou pela minha nuca, ele suspirou e disse:

- Cale.. Cale a boca seu... Seu imbecil! – E voltou a encontrar meus lábios.

Era de fato isso que ele queria... Então, não iria desapontar de maneira alguma. Iria fazer com todo o amor que havia aprendido graças a ele...

Ciel acariciava meu peito seminu e às vezes apertava meus mamilos, fui tirando o paletó do smoking lentamente e o joguei no chão. Eu não estava mais agüentando!Ah, aquilo tudo era infinitamente bom!

Às vezes eu mordia sua orelha e ele gemia bem baixinho na minha, apalpava suas costas tão frágeis e pequenas, e ele unhava as minhas desproporcionalmente largas.

Fui deitando por cima do pequeno Ciel deixando todo o meu peso entre meus braços e pernas, jamais iria machucá-lo, nem nessa, ou em outra vida...

Tentei encará-lo, mas ele virou o rosto extremamente rosado. Desci até o lóbulo de sua orelha e esfreguei meus lábios nele, ele fincou as unhas nos meus ombros, me fazendo sorrir. Subi até o seu pescoço e mordi bem devagar ele soltou um gemido baixo.

Ah! Aqueles gemidos! Apenas aqueles gemidos, levavam-me a outro mundo. Levavam-me ao paraíso, ao mundo desejado por Leonard Cohen.

- Sebastian.. Eu.. Eu não agüento mais... – Ele falava um pouco alto do que o normal.

Passei minha mão pela sua fase rubra e ele tirou minhas luvas com o dente, o pentagrama púrpuro fincado em minha mão agora estava ao encontro do seu olho amaldiçoado.

Eu confesso que tive que me segurar durante muito tempo para não enlouquecer com aquela pequena face corada em baixo de mim. Até que fui pego de surpresa quando ele guiou minha enorme mão em direção ao seu membro. Era tão natural pra ele, e tão novo pra mim...

É claro que estávamos excitados, é claro que nenhum de nós dois estavam realmente pensando no amanhã, é claro, que doentiamente nós se amávamos!

Ciel friccionava minha mão freneticamente em um movimento de vai-e-vem. Ele não agüentava todas essas sensações, e eu muito menos.

Fui me despindo lentamente, tirei minha camisa que já estava aberta, e desabotoei minha calça social, depois tirei o terno de veludo verde-musgo do Ciel, e beijei cada canto daquele peito branco e macio, tirei suas meias e seu shorts, tudo em meio de beijos e afagos.

Eu parei um pouco, aquilo não era correto, não estava em meus planos, não mentirei e dizer que nunca esteve, mas, era tudo uma loucura. Bocchan percebeu um estado tenso e disse bem baixinho:

- Pare de pensar Sebastian... Continue... Isso é uma... uma Ah! Ordem! — E fechou os olhos.

Eu respirei fundo, e Ciel foi se cedendo lentamente a mim, e eu tomava cada pedaço de seu corpo. Ele me mordia por inteiro e sussurrava coisas sem sentido ao meu ouvido. Às vezes via ele morder o lábio para não soltar gemidos altos e longínquos.

Tudo era eletrizante, ardente e diabolicamente divertido!

Nós dois chegamos ao ápice juntos, chegamos a um êxtase em gozo, beijos e muito amor!

Lembro-me que respirávamos rapidamente tentando tomar fôlego. Deitei ao seu lado com a cabeça apoiada na palma da minha mão, com a outra puxei o lençol e sorri.

Ele se virou pra mim, jogou a franja pra trás e disse:

- Eu .. Eu te amo Sebastian... – Soltei meu sorriso mais quente que tinha, e disse ao pé do seu ouvido, em meio de sorrisos: — Eu sei.

Ele levantou uma sobrancelha e retrucou rindo:

- Hey! Não seja tão orgulhoso.

- Eu não sou! Sou apenas um mordomo e tanto – Pisquei e sorri, puxando-o pelo pulso até que ele apoio à testa em meio peito e dormiu.

Lembro- me vagamente que antes de adormecermos nos ficamos um bom tempo se olhando, e não falamos nada, mas sempre que ele olha pra mim daquele jeito, eu vejo a imensidão em seu olhar, e sei que nada mais precisa ser dito. Confesso que por mais doentio que tenha sido eu fiquei muito feliz de ter demonstrado, sem ser precipitado.

Mi Lord, é a única coisa que eu tenho. É tudo que o mundo me reservou de mais precioso!

Jamais esquecerei daquela noite...

Não da noite caótica que eu apoderei da alma de Ciel. E sim, da noite inesquecível em que eu apoderei de seu corpo e seus desejos...

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!