A aula de matemática, inesquecível e importantíssima para a maioria dos garotos da sala, não passou despercebida aos meus olhos. Também, com uma professora daquelas, seria ridículo se os meninos não ficassem empolgados.

Meu alívio naquele momento foi perceber que Gabriel não ligava nem um pouco para ela e, por dentro, fiquei feliz com isso.

No intervalo seguinte, fiz questão de me esconder no banheiro para que Alana não voltasse a me encontrar e, diante daquela segunda-feira que parecia não acabar, não tive mais chances de falar com Gabriel. O dia que eu tanto sonhara chegar havia se transformado nisso, tsc.

Suspirando, caminhei com as centenas de alunos rumo à saída. Através dos risos, das conversas animadas, senti saudade das minhas amigas da minha antiga escola. Até elas sacrifiquei para estar ali agora...

Eu precisava me aproximar logo de Gabriel, porque se não conseguisse nem isso, não me perdoaria jamais.

-Encontramos ele — uma voz mecânica me tirou de meus devaneios. Só tive noção de que estavam falando de mim quando dois homens, ambos usando terno preto e óculos escuros de marca, me agarraram com força pelos braços.

-Hei! — falei, inutilmente tentando me soltar deles.

E a dupla homens-de-preto simplesmente me ignorou.

Com os brutamontes abrindo passagem por entre os estudantes assustados e curiosos, finalmente vi para onde me levavam. Um dos homens soltou meu braço por um segundo, abrindo a porta do veículo para que eu entrasse. Eu, agora aturdido, apenas encarava a imponente limosine branca diante de mim.

Como não me mexi, acabei sendo jogado dentro do interior do automóvel. A porta foi fechada atrás de mim antes que eu tivesse tempo para qualquer reação.

-Mas o que foi isso...? — murmurei, de joelhos e com uma das mãos apoiadas na cabeça.

-Christopher. — dei um salto ao ouvir esse nome, o carro agora em movimento quase não deixando brecha para eu me mover direito.

Olhei em volta, em busca da pessoa-fantasma que me assombrara ali. E foi no banco mais afastado, sentada de pernas cruzadas como se fosse uma rainha, que eu a vi. A semelhança comigo pelos cabelos louros e a pele alva, a voz que parecia controlar cada ato meu ali dentro... aquela só podia ser minha mãe.