Sable's Silver Lining
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Notas iniciais
Acordei sem saber direito onde eu estava. O local estava totalmente escuro, meus olhos iam se fixando a escuridão aos poucos. Minha cabeça doía como o inferno, e eu não conseguia lembrar de nada. Notei que estava sem minha máscara. Como eu não conseguia mexer meus braços ou pernas e senti que estava sentado, coisa boa não havia acontecido. Haviam me amarrado. Forcei minha cabeça a funcionar.
Consegui algumas poucas recordações de ter ido ver a Sable no sábado, conversamos, trocamos informações e eu dei o local em que os simbiontes se encontravam, cheguei em casa e dormi. Forcei mais um pouco, lembrando de ter ido ao F.E.S.T.A ajudar o Miles, fiquei por lá até por volta de duas da tarde, quando recebi uma ligação da Sable. Não lembro direito o que ela dizia, mas parecia preocupada e desesperada. Miles notou minha cara de desespero e nem sequer disse algo, só acenou com a cabeça. Vesti o traje Noir (que era o único que eu conseguia usar, os outros estavam sujos e lavando, esse estava novinho) e saí correndo. Cheguei no local em pouco tempo, mas depois de chegar... Não consigo lembrar de mais nada. Absolutamente nada.
Decidi focalizar no que havia ao meu redor. No chão ao meu redor, encontravam-se alguns frascos e seringas quebrados. Eu estava no centro de uma local que parecia uma sala de interrogatório, consegui pressupor pelo que parecia um grande painel de vidro, dando visão de outra sala muito parecida com esta. É, parabéns Peter, você conseguiu ser capturado, possivelmente te drogaram e eles tem conhecimento do seu rosto. Que dia incrível. Eu poderia facilmente me libertar dessas amarras, mas poderia estar pondo em perigo outras pessoas que estão aqui, inclusive a Sable, se eles notassem que eu sumi. Que inferno. Mexi meus braços, tentando sentir se meus lança teias ainda estavam nos meus pulsos. Para minha sorte, a resposta era sim, pelo visto acharam que era apenas pulseiras. Eu ainda estava com a parte inferior do meu traje, enquanto a superior estava dobrada na altura do quadril, como um casaco. Decidi manter assim, estava muito quente, aquele lugar era fechado. Percebi também que meu celular não estava mais comigo.
Não sabia qual era o nível de perigo da situação, já que eu não sabia como havia começado essa confusão nem o que havia acontecido nesse meio tempo. É muito irritante quando não me sinto informado do que está acontecendo, era quase como estar enjaulado mentalmente. Para facilitar minha fuga quando tivesse a oportunidade, desfiz as amarras dos braços e das pernas, dando uma esticada nos membros e fazendo alguns exercícios. Gostaria de poder analisar meu corpo, se havia algum tipo de ferimento, mas estava escuro demais. Fiquei apenas realizando alguns aquecimentos e me senti renovado.
Não sabia direito quanto tempo havia se passado desde que acordei, mas imaginei que era pouco mais de quinze minutos. Eu estava começando a ficar muito impaciente, e decidi agir. Se eu envolvesse os outros em um perigo maior, eu resolvo. Sable me ajudaria, eu imagino. Isso supondo que ela não estaria totalmente decepcionada pelo fato de eu ter falhado, enquanto é torturada igual a vez em que eu a salvei quando foi capturada. Suspirei fundo, tentando não pensar no pior que poderia estar acontecendo. Enquanto dava uma olhada nos lança teias para saber se ainda estavam funcionando, caminhei em direção a porta ao lado do vidro, que parecia ser blindado. Pareciam funcionar. Apenas para testar, utilizei o aparelho da mão esquerda. Nada aconteceu.
Fiquei extremamente confuso. Abri os dois aparelhos e percebi que o fluído de teia havia evaporado por conta da falta de ventilação do ambiente em que eu estava. Talvez agora a minha situação tenha acabado de dobrar o nível de perigo. Sem meus lança teias eu perderia uma boa parte da eficiência do meu desempenho em combate, mas eu acho que consigo superar esse problema. Respirei fundo, mantendo a calma. Você consegue Peter, tem que conseguir, senão todos que estão aqui presos estão ferrados. Decidido, tentei quebrar a maçaneta da porta, mas ela era incrivelmente reforçada. Parecia uma liga muito mais resistente do que aço de alta qualidade. Rezo com todas as minhas forças para que não seja Vibranium. Se este for o caso, seria mais fácil quebrar o vidro ou a parede e atravessar por eles. Caso eu tivesse minhas teias, eu poderia pegar impulso e esse vidro deixaria de existir em poucos segundos, mas eu não possuía mais elas e nem poderia fazer barulho.
Depois de pensar um pouco, decidi que a única alternativa era empurrar a porta com toda a força que eu tinha. Comecei a ouvir alguns leves rangidos nos suportes da porta na parede, mas não passava disso. Eu devia estar quase conseguindo, tinha que continuar tentando. Após pouco mais de cinco minutos, a porta finalmente cedeu e eu consegui segurar ela antes de cair e fazer um grande estrondo sonoro. Eu estava do outro lado da sala de interrogatório, com os braços e mãos doloridos pela força que eu tive que fazer. Segui em direção a porta que me levaria para fora daquele lugar e ela estava aberta, para o prazer e bem-estar dos meus braços.
Observei o local. Eu estava na última sala de um corredor, enquanto ele se estendia a minha frente. Seguindo o mesmo ambiente mórbido no qual eu estava, as paredes eram de uma cor marrom e era pouco iluminado. Parecia o cenário de um filme de terror. Eu espero que eu não seja o protagonista desse filme, e sim a entidade do mal. Não estou muito a fim de sair ferrado. Decidi não perder mais tempo, e saí andando rapidamente, mas com cuidado para não fazer barulho e atento a qualquer tipo de som de inimigos. Passei por diversas salas, todas vazias, sem sinais de lutas ou de arrombamentos. Pelo visto, eu era o único que estava preso aqui. Tenho que dizer que me senti especial. Após algum tempo andando, cheguei até o final do corredor, encontrando uma escada.
Não estou muito a fim de subir escadas, mas é o jeito. Seria mais interessante escalar a parede de um elevador. Dessa vez, subi correndo, pulando dois degraus por vez. Foram dois lances de escadas, até chegar num corredor apropriadamente iluminado, mas com as mesmas cores. Havia um guarda logo a frente, próximo a seis salas, sendo três em cada lado das paredes do corredor. Na frente dele, havia uma porta reforçada, que imagino que não irá abrir tão facilmente. Primeiro de tudo, pulei no teto e me aproximei dele por cima. Não posso fazer barulho e meus lança teias me deixaram na mão. Quando relativamente próximo dele, peguei impulso e me lancei em cima dele, acertando a cabeça e nocauteando ele sem muito barulho.
Observei as salas ao redor e notei cada uma com pessoas dentro. Não entendi direito o porquê de eu estar lá embaixo. Talvez eu seja mesmo especial. Ignorando isso, quebrei a maçaneta da primeira porta e em seguida a da sala que a pessoa estava presa. Notei que a porta era bem menos resistente do que a da sala na qual eu estava preso. A pessoa em questão era um dos soldados da Sable, desacordado. Parecia estar com muita dificuldade para respirar por conta do ambiente ser muito abafado. Levei ele para o corredor, deixando-o sentado no chão e apoiado na parede. Refiz esse mesmo processo com as outras salas até encontrar a Sable. Os outros homens estavam todos com armaduras, por isso aparentavam estar menos feridos, mas ela estava só usando sua roupa típica e mais exposta a perigos. Levei ela para fora da sala, enquanto observei ela respirar fundo inconscientemente ao sentir ar puro.
Juntei coragem suficiente para fazer uma análise rápida no corpo dela e notei que ela estava com diversos ferimentos ainda cicatrizando pelas pernas e braços, mas quando observei a roupa dela, havia um grande furo na roupa da região do abdômen. Quando fui averiguar a parte superior do corpo (eu estava tentando evitar pensar em qualquer coisa imprópria para a situação a qualquer custo) percebi um grande ferimento porcamente enfaixado e ainda estava aberto. Fiquei extremamente preocupado com a quantidade de sangue que ela já havia perdido, talvez seja muita sorte que ela ainda esteja viva. Arranquei uma boa parte da manga esquerda do meu traje e estanquei o ferimento por pouco mais de um minuto, para então enfaixar corretamente. A respiração dela pareceu estar bem mais calma, assim como eu. Preciso dar um jeito de nos tirar daqui rapidamente.
Chegando perto da porta, percebi que outra daquelas portas ultra blindadas, para a minha infelicidade. Observei melhor o ambiente, procurando alguma entrada de ventilação e encontrei uma próxima a porta. Escalei a parede e entrei nela sem demora, rastejando por alguns segundos até encontrar uma saída, e antes de cair verifiquei o ambiente. Notei que a porta blindada da outra sala se conectava a essa, encontravam-se computadores, mesas e estantes pela sala. Localizei de cara três inimigos, dois observando algo nos computadores enquanto o outro estava a caminho da porta. Identifiquei que eles falavam aquele mesmo dialeto estranho, confirmando minhas suspeitas de que fomos capturados pelos simbiontes. Como eu não tinha muitas opções a fazer sem alertar os outros guardas, rastejei pelo teto até a porta, passando rapidamente por ela após o indivíduo abrir e fechá-la.
A sala em que estávamos agora eu conseguia identificar facilmente. Era o mesmo local em que eu obtive a amostra do material genético de um dos simbiontes. Observei o local, notando que havia soldados da Sable em cima de poças de sangues, com certeza mortos. Provavelmente os que estavam no corredor das celas eram os únicos ainda vivos. Consegui enxergar a máscara Noir em cima de uma das mesas. Segui o homem por cima durante mais poucos segundos, notando que ele era o único indivíduo por ali. Sem mais delongas, peguei impulso no teto e em poucos segundos o homem já estava nocauteado. Rapidamente, peguei minha máscara e guardei no bolso da calça do traje. Não havia motivos para usar ela, já sabiam do meu rosto. Além de que estava muito calor. Segui em frente.
Antes de tirar Sable e os homens dela lá de dentro, eu precisaria abrir caminho naquele lugar. Lidar com aqueles dois lá de dentro pode ser difícil, eu preciso ser rápido. Saí daquele galpão e observei o lado de fora. Já era noite, e estava nublado, prestes a chover. Foquei totalmente em ouvir sons, não notei nada além de ocasionais barulhos de insetos próximos e da água do litoral do Harlem. Parecia seguro o suficiente, eu preciso urgentemente sair desse lugar e averiguar a situação da cidade. Sem a líder do exército militar do Osborn, talvez esses simbiontes tenham roubado todo o estoque de suprimentos da Sable da cidade. Isso não podia nem de longe ser uma opção do que poderia acontecer.
Voltei para dentro do galpão, parando em frente da porta com um pequeno receio. Eu precisaria nocautear ao menos um deles enquanto possuo a vantagem do elemento surpresa, em seguida dou algum jeito de lidar com o outro. Com o plano em mente, abri a porta extremamente devagar, abrindo uma fresta suficiente para passar. Para minha sorte, os dois estavam trabalhando em computadores lado a lado. Pulei no teto, e me preparei para dar nocautear um deles, decidindo pelo que estava à esquerda. Peguei impulso, e num piscar de olhos ele já estava desacordado. Tentei nesse meio tempo golpear o outro na nuca, mas ele já havia transformado sua cabeça naquela coisa estranha, tornando-o intangível. Não consegui atacá-lo por conta disso. A cabeça voltou ao normal em seguida.
Antes de eu perder parte da minha memória eu posso ter visto esses mutantes em ação ao vivo, mas agora eu não lembro. E era a primeira vez que eu via bem de perto, e era tão estranho quanto no vídeo. Lembro da Sable me informar que eles somente conseguiam transmutar uma parte do corpo, então significa que eu preciso fingir atacar em algum ponto, e em seguida atacar em outro, sem dar tempo desse simbionte agir. Pondo-me em posição de luta, avancei rapidamente para cima do inimigo. Fingi atacá-lo com o punho direito, e eu esperei o simbionte agir na área que o soco iria atingir o rosto do homem. Finalmente, percebi as mudanças na pele dele, e tive que fazer muito esforço para trocar de apoio de um pé para o outro, por conta da inércia. Agora, meu punho esquerdo atingiu a lateral do abdômen dele, com um impacto maior do que o soco anterior iria causar.
O homem foi lançado no teto, quebrando uma parte da parede, atingindo a cabeça dele e parte da costa. Ele caiu desacordado no chão. Socar aquele homem foi uma sensação muito estranha, era como socar ao mesmo tempo uma pedra e uma gelatina. Decidi deixar isso para depois, e me foquei em abrir a porta blindada. Depois de quase seis minutos, a porta finalmente se abriu. Pensei em algum modo de retirar todo mundo daqui, já que para eu consertar o lança teias eu precisaria do laboratório. Eu conseguiria carregar duas pessoas nos ombros por vez, mas eu levaria muito tempo para fazer isso, e os simbiontes podem acordar a qualquer instante. Talvez se eu acordar a Sable, ela tenha alguma solução para essa situação.
Sacudi levemente ela, chamando bem baixo pelo nome dela. Afinal, acordar alguém gritando é muito ruim. Ninguém merece uma coisa dessas. Depois de alguns segundos, os olhos dela se mexeram e abriram, revelando duas orbes azul-claros. Ela apresentava um semblante de quem ainda estava processando a situação e olhou devagar ao redor, notando o simbionte desacordado juntamente com seus homens. Após um tempo, voltou seu olhar a mim novamente.
— O que... aconteceu? — ela sussurrou.
— Você não consegue lembrar?
Ela parece forçar a memória, assim como eu. Depois de alguns segundos, ela desistiu e balançou fracamente a cabeça.
— Apenas me lembro de que invadimos esse local e que os simbiontes eram fortes demais, eu e meus soldados fomos derrotados facilmente por poucos deles... Liguei para você e então não lembro de mais nada — a última parte saiu em um tom mais baixo ainda, tive que fazer um esforço para ouvir o que foi dito.
— Então, estamos no mesmo barco. Eu não lembro de mais nada depois que cheguei aqui. Isso não é importante agora, eu tirei do nosso caminho todos os simbiontes desse lugar, mas não sei quanto tempo eles ficarão desacordados. Tive um problema com meus lança teias e não conseguirei usá-los para transportar vocês seis daqui a tempo e preciso de uma solução rápido. Não estou com meu celular aqui, e eu imagino que você tenha algo que possa nos ajudar a sair daqui.
Ela pensou por alguns momentos, ainda cansada pelos eventos recentes. Depois, estalou os dedos e pareceu ter lembrado de algo.
— Eu posso chamar um veículo tripulado para transportar todos nós, com o meu comunicador... — ela tocou seus bolsos e pareceu não ter achado, infelizmente — ... Que não está comigo. Droga. Não acredito que isso aconteceu justo agora.
— Eu posso encontrá-lo, talvez ainda esteja por aqui. Eu já volto — afirmei rapidamente, e ia me levantar caso ela não tivesse segurado meu braço, ficando em silêncio em seguida — O que houve, Sable? Tudo bem? Está com algum tipo de dor?
Ela parecia totalmente perdida em pensamentos, mas sua mão estava pressionando firmemente meu antebraço. Seus olhos passavam a ideia de que ela queria muito dizer algo, mas alguma coisa a impedia.
— Olha, Sable... Eu sei que eu vacilei com você, mas eu vou nos tirar dessa situação, pode ter certeza, eu juro que não vai mais acontecer... — antes que eu pudesse terminar a sentença, eu percebi um maior aperto no meu braço, e percebi que ela queria dizer algo.
— Seu idiota, você não cometeu nenhum erro... E sim eu que cometi vindo aqui. Grande parte dos meus soldados para essa missão morreram lá fora. Eu creio que você viu. Por um erro meu. E se não fosse por você, nós estaríamos presos aqui sem nenhuma expectativa de fuga, porque esses homens são invencíveis sem algum tipo de equipamento ou se não formos você, por exemplo — comentou ironicamente, mas depois sorriu fracamente — Esta é mais uma das vezes que você salva a minha vida. Obrigada, Parker. Eu te devo mais uma.
Eu estava tão atônito que ela deu uma risada, certamente nem ela estava acostumada com esse tipo de comportamento da parte dela. Depois de dar um dos sorrisos mais lindos que eu já vi, ela acenou com a cabeça em direção a porta, que eu entendi perfeitamente. Saí correndo para procurar o comunicador. Revirei a sala dos computadores (que havia sido totalmente bagunçada depois da pequena luta que eu tive com um dos simbiontes, o corpo dele caindo na mesa bagunçou tudo), estantes, no chão, em cima das mesas. Não estava ali. O famoso desespero começou a bater na minha porta. Corri para a outra sala, olhei por cima de várias mesas, caixas, tudo. Joguei diversas coisas no chão, eu absolutamente precisava encontrar aquele dispositivo, era tudo ou nada. A vida da Sable e dos soldados estavam em jogo.
Quando eu estava prestes a voltar para dentro da sala perguntar o plano B da Sable, eu encontrei um pequeno dispositivo branco e cinza embaixo de uma das estantes. Meu alívio foi instantâneo. Peguei e corri para dentro da sala. Ela estava com os olhos fechados, ainda se recuperando. Eu odiava estragar momentos assim, mas nós estamos numa situação complicada. Toquei o braço dela de leve e tive o olhar dela em mim de novo.
— Consegui o comunicador. Vamos, Silver? — chamei-a pelo primeiro nome, será que já posso fazer isso? Vamos ver. E ofereci minha mão, como na primeira vez que a ajudei a levantar.
— Vamos, Peter — segurou firme na minha mão e ajudei a ficar em pé. Fiquei feliz que ela não me deu um soco.
Ajudei-a a sair do galpão, e entreguei o comunicador a ela.
— Você chama o veículo enquanto eu trago os seus soldados para cá. Tudo bem?
— Sim, chegará em poucos minutos — ela afirmou, clicando num botão do dispositivo — Vá, rápido.
Acenei com a cabeça e corri para dentro. Trouxe dois soldados de cada vez, até chegar a vez do último. Eu estava começando a sentir uma leve tontura, que poderia estar bem pior caso eu não tivesse meus poderes. A Silver deve estar sentido algo pior ainda. Malditos sejam esses simbiontes. Eles utilizaram algum tipo de droga que afeta as ações cerebrais e motoras. Sentia que meus braços estavam começando a ficar mais fracos. Precisávamos sair dali o mais rápido possível. Deixei os soldados desacordados no chão, enquanto esperávamos silenciosamente o nosso transporte. Silver mal conseguia se aguentar em pé. Nosso resgate precisava chegar o mais rápido possível, não aguentaríamos mais tanto tempo.
Em certo ponto, ela caiu inconsciente e eu consegui segurá-la a tempo, sentindo meu próprio corpo fraquejar. Não, não, não, agora não. Por favor, universo, espere até estarmos em um lugar seguro. Apenas dessa vez. Ao longe, consegui ouvir o som do transporte chegando. Era quase como um ônibus voador, obviamente branco e cinza, cores marcantes da empresa dela. Acenei para eles verem, com a minha visão turva. Pensei no fato de que eles veriam meu rosto e saberiam minha identidade, mas eu pouco me importo agora.
Minha identidade era um segredo por conta de que pessoas ao meu redor poderiam se envolver em perigos desnecessários, e acabou que elas se envolveram e não estão mais aqui comigo. Talvez minha mente não esteja tão sã neste momento, mas eu não me importo mais tanto com isso. Quem sabe o Jameson não pararia de me encher o saco um pouco depois de saber? Mas isso eu teria que pensar sobre só depois. Agora, eu estava ocupado demais tentando não desmaiar.
Uma porta frontal se abriu no ônibus, dando visão a alguns soldados que estavam ali para ajudar. Fazia um tempo desde que eu sentia um alívio tão grande. O ônibus parou bem próximo do píer, e eu ajudei os soldados a embarcarem a Silver e os outros. Meu corpo estava começando a ceder sob o próprio peso, enquanto eu lutava para manter a consciência. Nós precisávamos sair dali o mais rápido possível. Quando o último desacordado embarcou, eu estendi a mão para subir, quando senti algo envolver meu tronco e me puxar para trás. Em câmera lenta, com a visão embaçada e confusa, consegui perceber vários carros de simbiontes que chegaram por ali na bem na hora da nossa fuga.
Olhei para o soldado que aparentava estar desesperado, com um olhar claro: Salve eles, deixe-me aqui. Embora contrariado, os outros soldados levaram os outros embora, enquanto eu fui abandonado quase desmaiando nas mãos transmutadas de um simbionte maldito. Não havia mais nenhuma chance para mim. Pelo visto, era aqui que tudo iria acabar.
Merda, cara.
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