SALVE O MORRO
2 Quatro adolescentes e um quarto
Dois dias depois de levarem meu pai para a prisão e bloquearem todos os seus bens, eu descobri que a maioria do dinheiro estava em uma conta em Honduras, no meu nome. Só eu tinha o poder sobre ela. Meu pai pediu o advogado para avisar sobre a conta, para poder administrar o dinheiro como eu achasse melhor. Eis que aqui estou hoje. Entrando na faculdade de Columbos, a melhor e mais cara do país.
Desci do carro e encarei o prédio a minha frente onde estava os dormitórios masculinos.
— Oi
Virei para trás. Um menino da minha idade com grandes óculos fundos, me encarava com alguns papéis na mão.
— Desculpa eu sou novo, estou meio perdido aqui...
Ele disse rápido, quase que tropeçando nas palavras.
— Não posso ajudar.
Disse antes que ele perguntasse qualquer outra coisa relacionada a faculdade, já que eu estava tão perdido quanto ele.
Fechei a porta do carro e fui até o porta malas para descer minhas malas.
— Mas, você parece ser veterano.
Desci as malas e tirei o óculos escuros encarando-o.
— Não sou.
— Desculpe.
Ele pediu quase que imediato, quando viu que nas minhas mãos portavam os mesmos papéis.
Ele parecia nervoso, era daqueles garotos visivelmente nerd e tímido.
Coloquei o óculos escuro e puxei a alça da minha mala, subindo as escadas e entrando para dentro do prédio, deixando o garoto para trás.
Parei quase de frente ao quarto 1322, encarei a chave na minha mão para confirmar o número. Quando olhei para a porta, dois garotos mais ou menos da minha idade, trombaram em mim e entraram correndo no quarto, brigando e gritando e empurrando um ao outro.
— A cama de cima é minha.
O garoto moreno e grande gritou enquanto tentava empurrar o ruivo.
— Cala boca Júlio.
O ruivo gritou e empurrou o moreno no chão.
Os dois literalmente estavam lutando para saber quem ia dormir no beliche de cima
E eu não estava acreditando que teria que conviver com esses dois durante cinco anos dentro de um quarto.
O garoto que tinha me parado a alguns segundos atrás, parou do meu lado encarando a mesma cena.
Tirei minha atenção na briga e o encarei.
Ele rapidamente se virou para mim.
— Samuel
Ele estendeu a mão para me cumprimentar, mas minhas duas mãos estavam ocupadas com as malas.
— Charlie.
Ignorei-o.
Me virei entrando para o quarto e deixando-o para trás.
Os meninos pararam de brigar quando nos viu entrando. Coloquei a mala em cima de uma das camas que não era beliche.
— Então, qual seu nome?
Escutei o tal Júlio perguntar ao garoto que estava atrás de mim.
— Samuel.
— Legal
— Eu fico com a cama de baixo, não tem problema.
Samuel, o nerd, disse cordialmente tentando evitar mais brigas.
— Sai daqui Júlio.
O outro garoto ruivo gritou.
Abri a mala e ia tirando algumas peças de roupa.
— E você como se chama?
— Charlie
Me virei pegando algumas peças de roupa.
— Samuel, bem eu já disse.
Samuel arrumou o óculos sem graça.
Samuel era o típico garoto nerd da faculdade, óculos grandes, fundo de garrafa, cabelo totalmente despenteado e liso, loiro e um sorriso meio torto.
— Eu sou Júlio.
Júlio era moreno, parece que frequentava mais a academia do que a faculdade. Tinha o cabelo grande, enrolado. Era o típico garoto popular de escola.
— Maxuel.
Maxuel pulou da cama e se abaixou em um sinal de cordialidade.
Maxuel era o ruivo, cheio de sardas, cabelo curto, também usava óculos mas tinha a aparência um pouco menos nerd do que a do Júlio.
Balancei a cabeça positivamente e joguei a roupa em cima da mala novamente.
— Essa vai ser nossa equipe durante os cinco anos?
Samuel perguntou, quase que se dando a resposta de imediato.
Maxuel subiu em cima da cama do beliche correndo.
E Júlio começou a gritar alguma coisa em francês.
Continuei arrumando minhas coisas. Enquanto os garotos brigavam e o Samuel conversava sozinho. Acho que ele estava falando comigo, mas eu nem consegui prestar atenção com a gritaria no quarto.
O dia foi bastante longo até conseguir me acostumar com tantas vozes no meu quarto. Os dois meninos brigaram por um longo tempo até decidir quem ficaria com a cama e o Júlio ganhou a batalha.
Arrumei minhas coisas, em um dos quatro pequenos closetes que tinha no quarto. Os meninos faziam o mesmo, mas brigavam e riam o tempo todo.
— Charlie de onde você é?
Maxuel perguntou rápido, ele estava sentado na mesa que ficava bem no centro do quarto, com exatos quatro lugares para podermos, fazer nossas refeições.
Me sentei na cama depois de guardar a mala já vazia.
— Sou do Rio De Janeiro.
— Ah que legal. Eu também sou daqui do Brasil, Goiás.
— Jura? E os outros não são?
— Não!
Disse o Júlio rápido.
— Mais ou menos, eu sou filho de uma francesa. Nasci na frança mais fui criado aqui.
— Legal
Disse rápido.
Encarei Samuel que tinha um sotaque diferente, para ser Brasileiro.
— Espanha, moro aqui só a um ano. Vim apenas para fazer faculdade.
Balancei a cabeça positivamente.
Lembrei que chequei meu celular só de manhã, o que fazia bastante tempo, já que estava quase anoitecendo. Peguei meu celular dentro da bolsa que estava em baixo da mesinha lateral da cama. Havia 17 ligações perdidas do advogado do meu pai.
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