SALVE O MORRO
3 Um tombo e uma nova amiga
Meu celular tinha 17 ligações do advogado do meu pai. Com certeza era importante, e com certeza ele iria reclamar de não ter atendido as ligações. Então meu celular toca novamente.
— Oi?
Atendi rapidamente, e senti os olhares dos meninos sobre mim.
— Charlie, porque não atende o telefone?
— Desculpe, eu me mudei pro Campus hoje, estava ocupado.
— Charlie, alguns bens do seu pai foram desbloqueadas pelo governo.
— Como?
Encarei meu relógio percebendo que já estava tarde da noite.
— O seu pai tinha uma grande quantidade de imóveis no seu nome. Esses nos conseguimos desbloquear.
— E a minha casa?
Eu ia dizer "do morro" mas os meninos ainda me olhavam e prestavam atenção na minha conversa.
— Do Chapadão?
— Sim!
— Charlie, a casa do Chapadão está no seu nome. Mas seu pai morava lá. Até ela ser investigada por completo, ela não será liberada.
— Investigada?
Me arrependi no mesmo momento que disse essa palavra, a atenção dos meninos que em parte estava em mim, agora estava totalmente.
Me levantei da cama e sai do quarto.
— Sim Charlie, papéis, documentos, computadores. Tudo isso está na sua casa do Chapadão e tudo isso prova os crimes que seu pai cometeu.
— Achei que já tinham provas suficientes.
Fechei a porta atrás de mim. Tinha uma quantidade absurda de homens pelos corredores. Caminhei até a saída do prédio, comecei a andar na pista de caminhada do Campus.
— Eles tem uma quantidade suficiente para manter seu pai preso, mas não tem uma quantidade suficiente para manter seu pai por muito tempo.
— Entendi.
— Eles já tiveram acesso as coisas do meu pai da casa?
— Levaram os computadores pessoais e os documentos.
— Do porão?
Me lembrei do porão.
— Que porão?
— O porão.
— Na sua casa tem um porão?
— Tem.
— E os documentos que provam todos os crimes do seu pai estão lá?
— Sim.
Respirei fundo, eles não teriam entrado no porão. Não teriam achado provas suficientes para manter meu pai preso por muito tempo. Olhei rapidamente algumas meninas que passavam por mim e riam baixo e comentavam alguma coisa.
— Charlie?
O advogado me chamou depois de um tempo calado.
— Eu preciso que pegue a senha do porão com meu pai.
Disse rapidamente, sem pensar.
— O que vai fazer? Lá está repleto de policiais.
— Vou precisar de gasolina também.
— Charlie, você tem 20 anos. Não quero ter que te defender no tribunal também. Sabe que isso é crime né?
— Não se preocupe, eu sei o que faço. Pegue a senha para mim e deixe o resto comigo.
Desliguei o telefone antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa e encarei a foto ridícula que ele tinha no perfil. Até que esbarrei em uma pessoa que imediatamente caiu para trás.
— Me desculpe eu não te vi.
A garota rapidamente disse, enquanto se virava para pegar suas malas que tinham caído abertas no chão.
— Deveria prestar mais atenção por onde anda.
Eu disse mesmo sabendo que eu também não prestava nenhum pouco de atenção.
Ela olhou para cima e imediatamente fez uma careta.
Ela era bonita, não aquele tipo de beleza que você se surpreendia. Cabelo preto, olho claro, usava um óculos gigante e estava de camiseta e calça jeans.
— Olha quem você pensa que é? Seria mais educado você só me pedir desculpas.
— Foi você que esbarrou em mim, é você que deveria me pedir desculpas.
Estendi a mão para ela apoiar para levantar. Mas ela fez outra careta e me ignorou completamente, se levantou sozinha e pegou as coisas que estavam no chão.
— Aposto que é um desses riquinhos mimados criado em condomínio.
Eu ri baixo.
Ela se virou de frente para mim me encarando.
— O que está rindo?
— Nada!
— Olha suas roupas, seu celular, até seu sorriso tem dinheiro envolvido.
Embora ela tivesse dito muitas verdades. Eu não tinha sido criado em condomínio.
— E você com certeza é bolsista?
— O que?
Levantei uma sobrancelha a encarando, tentando segurar o riso.
— Desculpe me entrometer. Mas você me julgou sem nem antes me conhecer ou saber meu nome.
Ela largou uma das malas no chão e tirou a cara de ódio do rosto.
— Me desculpe.
Balancei a cabeça negativamente.
— Não se preocupe, a proposito. Charlie Seth...
Parei de falar no mesmo momento que me lembrei que sair dizendo meu sobrenome em uma faculdade de direito poderia dar problema.
— Só Charlie, me chame de Charlie.
Estendi a mão para cumprimenta-la. Ela encarou minha mão por alguns segundos e a pegou.
— Maria.
— Você tem o nome da minha vó.
Sorri e senti ela me dando um tapa forte no braço.
— Babaca.
Ela pegou a mala dela e saiu arrastando sem olhar para trás.
Me virei para frente e continuei caminhando ainda rindo com a situação. Dei uma volta em meio aos prédios. Estava bem frio. Logo cheguei ao quarto novamente. Os meninos estavam todos em seus computadores, jogando ou estudando, sei lá.
— Charlie, tudo bem?
Maxuel me perguntou assim que entrei.
— Está!
Passei direto para o banheiro para tomar um banho. O dia seguinte seria o primeiro dia de aula e eu já estava cansado do dia de hoje. E provavelmente eu teria que fazer uma coisa absurda a noite.
Fale com o autor